sábado, 29 de dezembro de 2012

SEM PALAVRAS


A HISTÓRIA DE CÍCERO E ROSÂNGELA

Cícero e Rosângela formavam o mais belo casal do vilarejo. Seus pais moravam em casas adjacentes, o que aproximou os dois jovens e a amizade logo se transformou em amor.
Tudo seria maravilhoso se os seus pais não fossem brigados. Assim, a namoro de Cícero e Rosângela foi proibido. Uma coisa, contudo, não podiam proibir: que o amor crescesse com a mesma paixão no coração dos dois jovens. Conversavam por sinais ou por meio de olhares. No muro que separava as duas casas havia uma fenda. Ninguém havia notado antes, mas os jovens notaram. A fenda permitia a passagem da voz; e mensagens amorosas passavam nas duas direções. Quando à noite chegava e tinham de dizer adeus, apertavam o lábio contra a parede, ela do seu lado, e ele do outro, já que não podiam aproximar-se mais.
Numa manhã os dois encontraram-se no lugar de costume. E, então, combinaram que, na noite seguinte, quando todos estivessem dormindo, fugiriam. Encontrar-se-iam debaixo de uma imensa e antiga amoreira branca, bem ao lado da fonte, fora dos limites do vilarejo. Combinaram que aquele que chegasse primeiro esperaria o outro.
Então, naquela noite, tão logo todos dormiram, Rosangela ergueu-se, cautelosamente de sua cama e sem ser observada pela família, cobriu a cabeça com um véu e, deslizando furtivamente pela janela, deixou sua casa. Caminhou até a amoreira e sentou-se embaixo da árvore e assim, sozinha, permaneceu por um bom tempo, até que de repente avistou uma onça, que com a boca ensanguentada por uma presa recente, aproximou-se da fonte, que havia perto da amoreira, para matar a sede. Rosângela, assustada, esgueirou-se por trás da árvore e fugiu a procura de um refúgio. Na presa, entretanto, deixa cair o véu. A onça depois de saciar a sede na fonte virou-se para voltar à mata, e, ao ver o véu no chão, começou a brincar com ele até reduzi-lo a um monte de tiras ensanguentadas.
Cícero que se atrasara, aproximou-se do local de encontro. Viu na areia as pegadas da onça, e o sangue fugiu-lhe das faces. Logo em seguida encontrou o véu, espedaçado e sujo de sangue. Apanhou-o e levando até a árvore onde fora combinado o encontro, e cobriu-lhe de beijos e lágrimas.
— Meu sangue também manchará teu tecido – exclamou.
E arrancando seu punhal da bainha, enterrou-o em seu próprio coração. O sangue esguichou da ferida, e penetrando terra adentro, pelo caule da amoreira, atingiu suas raízes, de modo que a cor vermelha subiu, através do tronco até os frutos.
Enquanto isso, Rosângela, ainda tremula de medo, saiu cautelosamente de seu refúgio, a procura de Cícero, ansiosa por contar-lhe o perigo que atravessara. Chegando ao local e vendo a nova cor das amoras, duvidou que estivesse no mesmo lugar. Enquanto hesitava, avistou um vulto que agonizava. Um temor percorreu-lhe todo o corpo. Reconheceu Cícero, gritou e abraçou o corpo sem vida de seu amante. Avistando a bainha vazia de punhal, disse:
— Tua própria mão te matou e por minha causa. Também posso ser corajosa uma vez, e meu amor é tão forte quanto o teu. Seguir-te-ei na morte. E tu árvore, conserva as marcas de nossa morte.
Assim dizendo apanhou o punhal que caíra da mão de Cícero, enterrando-o em seu próprio peito.
E assim ficaram os dois corpos juntos, unidos como um só. Foram enterrados na mesma sepultura e a amoreira passou a dar frutos vermelhos, como faz até hoje.
Cícero e Rosângela separados em vida, foram finalmente unidos pela morte. ®Sérgio.
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Nota Sobre o Texto.: Este texto é baseado na história da mitologia grega Píramo e Tisbe. A comédia, Sonho de uma noite de verão, de Shakespeare e baseado também em Píramo e Tisbe só que de uma forma divertida.

O ADVÉRBIO LATINO [SIC]

Sic (Latim, sik = assim) é a "palavra que se pospõe a uma citação, ou que nesta se intercala, entre parênteses ou entre colchetes, para indicar que o texto original é bem assim, por errado ou estranho que pareça." (verbete extraído do Novo Dicionário Eletrônico Aurélio)
Cabe lembrar que [sic] é um advérbio latino e não uma abreviação; de maneira que deve ser escrito em negrito ou itálico [sic]. Quando um mesmo erro se repete em várias passagens duma citação ou texto, usa-se [sic passim = está assim por toda parte]. Derivado do sic, temos o verbo "sicar", de uso constante entre os acadêmicos: "Eu não posso sicar esta expressão, pois não tenho certeza do erro".
Se você está citando o texto de alguém e observa que em determinada parte do texto há um erro ou uma expressão estranha, o sic serve para indicar aos seus futuros leitores que, por mais errado ou estranho que pareça, é assim mesmo que consta no texto original. Se você intercala o sic no seu próprio texto, está alertando a seus leitores de que é dessa maneira mesmo que quis grafar; não foi um erro ou um equívoco de digitação. É obvio que um deslize na digitação não pode ser considerado como erro do autor citado; portanto, nesse caso, não devemos usar o sic. O mais certo é corrigir o deslize ao fazer a transcrição:
Segundo alguns pesquisavores [sic]... => Segundo alguns pesquisadores...
No entanto, se o erro for ortográfico, você, como uma espécie de crítica ao autor, pode reproduzi-lo exatamente como está e intercalar o sic. Entretanto, o mais ético é ignorar o erro e transcrever a palavra da forma correta.  Há casos, porém, que a definição de erro é subjetiva, e, nesse caso, não convém a intercalação do sic. Veja: "Fulano de tal, escreveu aos 92 [sic] anos a obra X, seu primeiro sucesso literário". A informação, apesar de exagerada, pode configurar-se um erro ou, talvez, não. De modo que devemos evitar sicá-la. ®Sérgio.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ESTAMOS A SUA DISPOSIÇÃO ou À SUA DISPOSIÇÃO

Tanto faz. Pois, antes dos pronomes possessivos (minha, tua, sua nossa…), o uso dos artigos definidos é facultativo.
      ●   Este é o meu irmão. Ou: Este é meu irmão.
      ●   Aquela é a minha casa. Ou: é minha casa.
Se o uso do artigo feminino é facultativo, quando houver a preposição [a] antes de um pronome possessivo feminino singular, o uso do acento da crase também será facultativo:
   Cedi o lugar a minha avó. Ou: Cedi o lugar à minha avó.
   Estamos a sua disposição. Ou: Estamos à sua disposição.
   Não fez menção a nossa empresa. Ou: à nossa empresa.
   Levou a encomenda a sua tia. Ou: à sua tia.
   Abracei a minha prima. Ou: à minha prima.
Podemos comprovar comparando com a forma masculina:
   Estamos ao seu dispor.
Observação: Na maior parte dos casos, a crase dá clareza a esse tipo de oração. ®Sérgio.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

PEGO ou PEGADO?

Aprendi quando estudante que o particípio do verbo pegar era somente pegado:
       ●   Tinha pegado os documentos. (e não: pego)
       ●   Ele foi pegado em flagrante. (e não: pego)
O problema é que, independente de qualquer reforma oficial, o português falado no Brasil está sempre sendo modificado, moldado no dia-a-dia pelas necessidades dos usuários. De modo que, por analogia com verbos que têm duas formas de particípio, uma regular e outra irregular (pagar= pagado e pago), criou-se a forma irregular pego (pêgo em algumas regiões e pégo em outras). Essa inovação concorreu com a forma regular, até enfim substituí-la amplamente. Encontramos registros destas substituições em várias obras da nossa literatura e nos estudos de muitos especialistas.
Hoje, no Brasil (em Portugal, somente a forma pegado é usada), a forma irregular pego está consagrada entre nós e já é aceitável na língua padrão. Pode ser usada com qualquer verbo auxiliar (ser, estar, ter ou haver):
   Ele foi pego em flagrante.
   Ele tinha pego (ou pegado) os documentos.
   Ele foi pego, ela está pega, ele será pego.
A forma pegado só pode ser usada quando antecedida dos verbos ter ou haver:
   Ele tem pegado, ele havia pegado, ele terá pegado.
   Ele tinha (ou havia) pegado os documentos.
Entretanto, há gramáticos ainda que defendem só o uso de pegado. Pego é tão inaceitável quanto chego (particípio de chegar), que já se usa Dizem que ao usarmos a forma pegado, estamos falando ou escrevendo corretamente. A forma pego é aceitável na fala coloquial e incorreta em textos que exijam a língua culta formal. Segundo o professor Cláudio Moreno¹, um dos defensores: "A língua que a gente usa é como nossa vestimenta: bermuda também é roupa, e atende às necessidades básicas do decoro; numa recepção, contudo, o paletó e a gravata sempre serão a opção de quem quer se vestir bem". ®Sérgio.
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1 - O Professor Cláudio Moreno é formado em Letras com ênfase em Português e Grego pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), desde 1969 é professor de Português e Redação nos principais colégios de Porto Alegre.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O VELHINHO E O PÃO DE QUEIJO

O velhinho – como se diz por aí - já estava com o "pé na cova". Agora, com perto de 98 anos, a hora chegava. Desenganado, os parentes só aguardavam ele entregar a alma a Deus. O velho caboclo meio cego, ausente das coisas, febril, as pernas mortas, já não reconhecia ninguém, certamente não passaria daquela tarde. De repente, sem mais, sem menos, o velhinho, contrariando a junta médica, começou a dar mostras de que voltava à vida.
Ao lado de sua cama, estava o netinho que rendia seu turno. E então daí, um cheiro de pão de queijo saindo do forno chegou até o quarto do moribundo e ele, que não comia havia dias, entrou em êxtase. Sem mais delongas, reunindo as poucas forças, pediu ao netinho: busque para o vovô uns pães de queijo. O netinho foi correndo:
— Vovó, o vovô melhorou e pediu pão de queijo.
— Diz para ele que nada de comer pão de queijo agora, eles são para o velório. ®Sérgio.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O NASCIMENTO DE AFRODITE (VÊNUS)

Deusa do amor, da beleza e do êxtase sexual. De acordo com Hesíodo, Afrodite nasceu quando Urano foi castrado por seu filho Cronos (Saturno) com uma foice de dentes agudos, que atirou os órgãos genitais do pai ao mar. O membro cortado ejacula pela última vez e um turbilhão levantou-se das águas e dele teria surgido Afrodite (aphroditê = espuma do mar). Zéfiro a levou, sobre as ondas, até a ilha de Chipre, onde foi recolhida e cuidada pelas Estações que a levaram, depois a assembléia dos deuses. Todos ficaram encantados com sua beleza e desejaram-na para esposa. Zeus (Júpiter) temendo uma briga entre os deuses, devido os encantos de Afrodite, resolveu casá-la com Hefestos (Vulcano), (deus do fogo, coxo e um dos mais feios deuses do Olimpo) em gratidão pelo serviço que ele prestara, forjando os raios. O casamento não deu certo. Amante de Ares, a quem deu vários filhos (entre eles Fobos = Medo, e Demos = Terror). Com Hermes (mensageiro dos deuses) deu a luz a um menino que tinha os dois sexos que recebeu o nome de Hermafrodito. Com Apolo (deus do sol) teve o filho Himeneu (deus do casamento). Afrodite possuía um cinto bordado, o cestus, que tinha o poder de inspirar o amor. Suas aves preferidas eram o pombos e os cisnes, e a rosa era flor a ele dedicada. Afrodite era também mãe de Eros (Cupido), deus do amor. ®Sérgio.

MORTALIDADE INFANTIL


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

TODAS AS HORAS

Sempre fui colecionador de frases e porque não compartilhar com vocês, minhas citações preferidas, colhidas em inúmeras fontes:
"Eu gostaria de ficar numa esquina movimentada de chapéu na mão, pedindo, às pessoas que me dessem todas as horas que desperdiçaram." (Bernard Berenson)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O USO MAIS QUE ERRADO DE VERBOS

Em seu Manual de Redação e Estilo, Eduardo Martins, nos adverte que há verbos que, devido ao seu significado, não podem ser acompanhados pela palavra [que].
Em geral, são formas de verbos discendi (declarativos), ou seja, verbos que exprimem uma afirmativa categórica. São discendi o verbo dizer e sinônimos ou afins (declarar, afirmar, aprovar, defender etc.), cujo objeto direto é uma oração substantiva que exprime um conteúdo do ato da fala:
   João assumiu [quem admite, admite alguma coisa] estar errado.
   E não: João assumiu que estava errado.
   Ela mencionou a compra de um lindo vestido.
   E não: Ela mencionou que comprou um lindo vestido.
   Maria comentou estar doente.
   E não: Maria comentou que estava doente.

Você defende uma idéia, uma posição, mas nunca defende que alguma coisa se realize. Portanto, são erradas, ou no mínimo impróprias, as formas:
[acusar que] [alertar que] [antecipar que] [apontar que]
[aprovar que] [assumir que] [citar que] [comentar que]
[continuar que] [defender que] [definir que] [denunciar que]
[desmentir que] [difundir que] [divulgar que] [enfatizar que]
[indicar que] [justificar que] [mencionar que] [narrar que]
[proferir que] [prosseguir que] [referir que] [registrar que].
No entanto, podem ser normalmente usadas com [que] as formas:
[acrescentar que] [adiantar que] [admitir que] [advertir que]
[advertir que] [advertir que] [afiançar que] [afirmar que]
[aguardar que] [afirmar que] [asseverar que] [assegurar que]
[asseverar que] [atestar que] [certificar que] [comprovar que]
[concordar que] [confirmar que] [constatar que] [declarar que]
[determinar que] [dizer que] [esperar que] [garantir que]
[jurar que] [negar que] [ordenar que] [prever que] [prometer que]
[reiterar que] [repetir que] [ressaltar que] [ressalvar que]
[revelar que] [verificar que]. ®Sérgio.

sábado, 10 de novembro de 2012

O CABOCLO QUE ACHAVA ESTAR MORTO - Recontando Contos Populares

Havia um caboclo lá "pros" lados do sertão de Minas, que após ter trabalhado a vida inteira no sustento da família, agora, com perto de setenta anos, aposentado, não encontrava muita motivação para continuar vivendo: seus filhos já tinham partido; sua mulher lhe fazia companhia, mas estava sempre muito ocupada com seu jardim, seus bordados e com as tarefas domésticas.
Sem muito que fazer, o caboclo começou a ficar apreensivo com sua saúde e, sobretudo, temeroso da chegada da morte.
Uma noite teve um pesadelo terrível – sonhou que estava morto e que, num cortejo sinistro, seria enterrado por dois homens que o conduziam a trote rápido, numa rede de defunto. O sonho era tão real que ele acordou pensando que, realmente, já estivesse morto. Apavorado acordou sua mulher que dormia tranqüila ao seu lado, dizendo:
— Mulher, acenda a luz e veja se estou morto!
A mulher acendeu a luz e percebeu o pavor na fisionomia dele, e, rindo por causa da loucura do marido, respondeu-lhe:
— Você está bem vivo. Toque seus pés e suas mãos. Eles estão quentinhos, não é? Se você estivesse morto, eles estariam gelados! Agora, trate de dormir e me deixe dormir também, pois ainda temos muitas horas de sono.
Ele ficou tranqüilo e dormiu e nos dias seguintes até esqueceu o que tinha acontecido.
Lá um dia, montado em seu burrico e levando o seu machado, ele saiu para cortar lenha no bosque que avizinhava sua casa. Antes de sair sua mulher o recomendou:
— Uma banda do céu já tem armação de frio e com certeza vai esfriar! Vista suas luvas, coloque um agasalho, o gorro de lã e suas botas!
De fato, foi só o caboclo chegar ao bosque, correu uma neblina amarelada e começou a fazer um frio intenso! Ele amarrou o burrico em uma árvore, e, tirando a luva, começou a recolher gravetos. Um vento muito forte lhe arrancou o gorro e quando ele tentou segurá-lo encostou a mão na testa e, naturalmente, estava muito fria. Apavorado, lembrou-se daquela noite quando havia dito que se as mãos estivessem geladas e os pés também, certamente, estaria morto! Arrancou depressa as botas e verificou que os pés, também, estavam gelados. Não teve dúvidas e soltou um grito:
— Morri! E agora o que eu faço? Se voltar para casa, morto, vou assustar minha mulher. Se ficar zanzando pelo bosque vou assustar quem me encontrar. Bom, o que eu tenho a fazer é o que todo morto faz: deitar, bem quieto, com os olhos fechados.
Assim, deitou-se no chão gelado, olhos bem fechados, as mãos em cruz sobre o peito e não se moveu mais.
Passado algum tempo, lobos famintos, descobriram o burrico amarado na árvore e avançaram sobre ele. O burrico zurrou e deu coices, mas foi presa fácil, pois estava amarrado e, em poucos minutos, foi devorado.
O homem pensou:
— Que sorte têm esses animas, se estivesse vivo, eu, no mínimo, pegava meu machado e acabava com esses animais em poucos segundos!.
O homem ficou muito triste, pois o burrico o acompanhava há muitos anos.
A matilha, insaciável, prosseguiu rondando o lugar e logo viu o homem imóvel e foi se aproximando no antepé, acautelando-se, já salivando com o novo petisco.
O homem pensou:
— É agora vão acabar comigo! Ah! Mas se eu estivesse vivo a história seria diferente! Eles teriam uma bela surpresa... daria cabo deles em um piscar de olhos!
E assim, aquele homem que se julgava morto, morreu devorado pelos lobos! ®Sérgio.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A REALIDADE

"A Realidade é chata, mas é o único lugar onde se pode comer um bom bife". (Woody Allen)

O SACRIFÍCIO DE ANDRÔMEDA

Andrômeda era filha do rei Cepheus e da rainha Cassiopeia da Etiópia. Sua mãe, a rainha Cassiopeia, era uma mulher excessivamente presunçosa que ousou dizer ser mais bonita que as Nereidas, um grupo de 50 ninfas do mar de extraordinária beleza, filhas do deus Nereu, que geralmente era visto acompanhando Poseidon. As Nereidas ficaram tão ofendidas pela arrogância da vaidosa rainha que imploraram a Posseidon que a punisse. Em resposta ao apelo das Nereidas, Poseidon, irmão de Zeus e deus do Mar, enviou o monstro marinho Cetus, para devastar a Etiópia e o reino da rainha vaidosa. O rei desesperado, perguntou ao oráculo de Zeus, o que ele devia fazer para acalmar a ira de Posseidon; o oráculo anunciou que não haveria paz enquanto o Rei não sacrificasse a sua belíssima filha virgem Andrômeda para o monstro do mar. Desse modo, o rei não teve outra escolha a não ser sacrificar a filha, acorrentando-a  em um rochedo para que ela fosse devorada.
Assim foi feito;  Cepheus acorrentou Andrômeda a um rochedo na costa do Mediterrâneo, em Jaffa, onde presentemente está a cidade de Tel Aviv (Israel), à espera da aproximação do monstro. Perseu, após ter assassinado górgona Medusa, retornava a sua cidade, quando encontra Andrômeda preste a ser devorada pelo monstro do mar; ele mata Cetus, liberta Andrômena e se casa com ela, apesar de ter sido prometida a Phineus. Após o casamento, Andrômeda partiu com Perseu para Argos e, em seguida, para Tirinto, onde viveram por muito tempo, tendo seis filhos: Alceu, Electrião, Estênelo, Helio, Mestor e Perses; e uma filha, Gorgófona.
Após sua morte, ela foi colocada por Atena entre as constelações do céu, perto de Perseu e Cassiopeia. ®Sérgio.

domingo, 9 de setembro de 2012

A NOSSA FAMOSA EXPERIÊNCIA DA VIDA

A nossa famosa experiência da vida se resume em exclamarmos, de vez em quando: Deus! Como fui idiota. (Clóvis Graciano). 

O POETA ROMÂNTICO

É verdade que o descompasso está à espreita de todo poeta romântico; mas é também verdade que este também se afirma como artista na medida em que logra vencer, pela palavra, as tentações de um confidencialismo frouxo. (Alfredo Bosi)

O MONTE OLIMPO

O cume do Monte Olimpo, na Tessália era a morada dos deuses Gregos. Doze eram os deuses - seis masculinos e seis femininos – entretanto, somente dez moravam no Olimpo. Netuno (Poseidon para os romanos) deus do mar habitava o mar. Hades deus dos submundos, seu palácio no inferno. O Olimpo era cercado de muros, abrindo para o exterior através de uma porta de nuvem, da qual tomava conta às deusas chamadas Estações (Diké, a justiça; Eunomia, a ordem; e Irene, a paz). Quando os deuses saíam as Estações escondiam os palácios com um véu de nuvens, mas, assim que eles voltavam, as três afugentavam as nuvens para que tudo voltasse ao brilho anterior.
E ao Olimpo, subiu, a régia e eterna
Sede dos Deuses, onde a tempestade
Ruge jamais, e a chuva não atinge
E nem a neve. Onde o dia brilha
Num céu limpo de nuvens e ameaças
Felicidades sempiternas gozam
Ali os seus divinos habitantes.
(Versos da Odisseia de Homero, in original inglês de William Cowper, trad. De David Jardim)
Pelos versos de Homero, podemos deduzir que na morada dos deuses jamais chovia nem soprava vento.  O clima era perfeito: nem frio nem quente demais.
O espaço habitado pelos deuses formava um conjunto de residências distintas que tinham a função de acolher seus proprietários para dormir. O grande salão de Zeus, de puro ouro, servia para assembleias e festins, onde os deuses se regalavam todos os dias com ambrósia e néctar (alimento e bebida), servidos pela deusa da juventude Hebe e discutiam os assuntos relativos ao Céu e à Terra. Quando o sol se punha os deuses se retiravam para as suas respectivas moradas para dormir.
Hefesto (Vulcano para os romanos) o artesão divino era o arquiteto de todas as obras do Olimpo. ®Sérgio.
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Para maiores informações a respeito de o assunto ver: Bulfinch, Thomas, O Livro de Ouro da Mitologia: Histórias de Deuses e Heróis, 26º edição, Rio de Janeiro, 2002, Ediouro. / Bulfinch, Thomas. O Livro bde Ouro da Mitologia. Trad. David Jardim – Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.

PAGO OU PAGADO?

O verbo pagar é um verbo abundante, apresenta mais de uma forma para a flexão do particípio. Quando o verbo tem duas formas regular e irregular para o particípio, a regra é a seguinte: Com o verbo auxiliar ter ou haver, devemos usar (na voz ativa) a forma regular (terminação –ado, ou –ido). Com o verbo auxiliar ser ou estar, devemos usar na voz passiva a forma irregular (reduzida). Portanto:
1. Pago (forma irregular) – deveríamos usar somente com os verbos ser e estar. Porém, atualmente, no Brasil, já é aceitável o uso com qualquer verbo auxiliar ser, estar, ter, haver:
   O ingresso já está pago.
   Temos pago muitas contas.
   O castigo foi pago por nós.
   Os inquilinos haviam pago o aluguel.
   O proprietário afirmou que nada estava pago.
   O garçom informou-me que o jantar estava pago.
2. Pagado (forma regular) – embora correto o uso com os verbos ter e haver, esta forma está caindo em desuso, assim como: ganhado e gastado. Estes verbos estão perdendo a forma regular, em virtude da preferência pela forma reduzida: pago em vez de pagado; ganho em vez de ganhado, gasto em vez de gastado:
   Ele não havia ou tinha pagado a conta.
   Ela tinha ou havia pagado a conta.
   Os alunos já tinham ou haviam pagado o castigo.
Observações:
1ª. Há gramáticos que defendem o uso da forma clássica: pagado.
2ª. Outros preferem o uso da forma que o brasileiro consagrou: pago.
3ª. Há ainda os moderados que aceitam as duas formas: pagado e pago.
4ª. Segundo o professor Celso Cunha "não podemos jogar no lixo as formas clássicas nem ignorar as novidades linguísticas". ®Sérgio.
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Para maiores informações sobre o assunto ver: CUNHA, Celso. Gramática do Português Contemporâneo. [6ª. ed. rev.], Editora Bernardo Álvares, Belo Horizonte, 2009.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

AS BORBOLETAS

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.

As Borboletas
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas
Borboletas brancas
São alegres e francas.
Borboletas Azuis
Gostam muito de luz.
As amarelinhas
São tão bonitinhas!
E as pretas, então
Oh! Que escuridão!
                   Vinício de Moraes. Para gostar de ler – poesias, v. 6 p. 28.

SEM PALAVRAS


OS TRÊS COMPADRES - Recontando Contos Populares

Conta-se que viviam lá para as bandas do sertão da Paraíba, três cangaceiros muito amigos.
Depois de caminharem muitas léguas, varados de fome os três descansavam na caatinga, quando avistaram, na estrada, um velho que carregava uma ovelhinha nos ombros. Como fazia dias que os três não comiam quase nada, a ovelha, apesar de filhotinha, daria uma bela refeição. Mas os cangaceiros tinham orgulho e atacar um velho que merecia estima como aquele era até uma vergonha para cangaceiros destemidos como eles. Vai daí, que um dos cangaceiros teve uma boa ideia, contou aos outros e eles resolveram pô-la em prática.
O cangaceiro, dono da idéia, foi até a estrada, chegou-se pra perto ao homem que lá vinha e perguntou:
— Bom-dia! Onde é que vosmecê comprou esse cachorro tão bonito?
— Ó compadre, pois não sabe... isso não é um cachorro; é uma ovelha, que eu comprei na feira – explicou o velho.
O cangaceiro teimou que era um cachorro, mas não disse mais nada e se despediu. Mais adiante, o segundo cangaceiro pareceu na estrada e foi logo elogiando o cachorrinho que o homem carregava nos ombros. Não adiantou o homem explicar que se tratava de uma ovelha, pois o cangaceiro continuou a insistir em chamá-la de cachorro.
Depois foi a vez do terceiro ladrão aparecer na estrada e fazer o mesmo jogo.
— Que cachorrinho bonito! Vosmecê não quer vender?
E os dois discutiram – é ovelha, é cachorro – até que o cangaceiro foi-se embora. A essa altura, o homem, muito aperreado, olhou devagarzinho a ovelha e acabou se convencendo de que ela era mesmo um cachorro. Largou-a ali mesmo na estrada e seguiu seu caminho, furioso consigo mesmo pela compra idiota que havia feito.
Os três cangaceiros, então, recolheram a ovelha e almoçaram muito bem naquele dia. ®Sérgio.

ISÍS: A PROTETORA DOS MORTOS

ÍSIS (ou Auset) – Protetora dos mortos, da natureza e da magia. Deusa da maternidade, amiga dos oprimidos (escravos, pescadores e artesãos), modelo de mãe e esposa ideal. Era a primeira filha de Geb (deus da Terra) e de Nut (deusa do Firmamento). Casou-se com seu irmão gêmeo Osíris. Os egípcios acreditavam que o rio Nilo foi criado – e inundava todos os anos - com as lágrimas de Ísis depois que o marido foi despedaçado por Seth (irmão de Osíris, deus do deserto e das tempestades); foi ela que juntou os pedaços de Osíris espalhados pelo Egito e o ressuscitou. Quando Isis deu à luz Hórus, ela o fez em uma caverna, cercada por muitos animais, protegendo-o da perseguição de Seth. As três divindades do Sol foram informados do nascimento pela estrela conhecida como Sirius ou a estrela da manhã oriental. O tempo de seu nascimento foi em torno do solstício de inverno, ou entre os dias 21 e 26 de dezembro. Qualquer semelhança é pura coincidência. ®Sérgio.
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Para saber mais sobre Ísis e Osíris leia: Osíris: O Juiz dos Mortos. (clique no link)

domingo, 5 de agosto de 2012

MADALENA AOS PÉS DA CRUZ

Castro Alves (1847 – 1871) desenhava muito bem, prova disso é esta rara tela (óleo sobre cartão) representada por uma jovem (Madalena), ajoelhada aos pés da cruz e olhos fitos no céu. ®Sérgio.
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Imagem: Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.

NEVERMORE


Paul Gauguin (1848 – 1903), um dos mais importantes pintores impressionistas, deixou-nos esta tela, cujo título é Nevermore (1897) que significa "nunca mais", referência a um verso do famoso poema "O Corvo" (The Raven, 1845), de Edgard Allan Poe; nele, a imaginação de Poe é assombrada por um corvo ameaçador, que profere apenas um som, Nevermore. Gauguin was aware of this, although he later sought to play down the connection. Observe que o corvo figura em uma janela, à esquerda da tela. A cor esverdeada do corpo da jovem é fruto de uma percepção interna, subjetiva e muito pessoal do artista, que ganhou mais destaque em contraposição ao amarelo intenso do travesseiro sobre o qual ela repousa a cabeça.
Gauguin escreveu certa vez que, "na pintura como na música deve-se olhar para a sugestão ao invés de descrição". ®Sérgio.
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Imagem: Courtalul Gallery - London

domingo, 29 de julho de 2012

SÃO PEDRO E O DIABO - Recontando Contos Populares

Um velho caboclo contou-me um causo que se deu há muito tempo. Nessa época São Pedro morava perto da casa do diabo. Nos fundos de sua chácara, São Pedro mantinha uma grande plantação de batatas doces. Quando chegou o tempo da colheita São Pedro, de manhazinha, no nascer do sol, chamou o diabo e perguntou-lhe:
— Você quer ajudar-me a colher as batatas? Eu lhe darei metade da produção.
O diabo achou que era bom negócio e respondeu:
— Quero sim. Vamos até lá.
Ao chegarem onde estavam plantadas as batatas doces, São Pedro perguntou ao diabo:
— Agora, você escolhe: quer ficar com a metade que está acima da terra ou com a metade que está embaixo da terra?
O diabo respondeu:
— Ora essa! Quero ficar com a metade acima da terra!
São Pedro concordou:
— Está bem; pode colher sua parte que, logo, virei colher a minha!
Dito e feito. Depois que o diabo cortou todas as ramas de batata doce e as levou para sua casa, São Pedro voltou ao terreno e arrancou as batatas, levando-as consigo. Satisfeito, deu um grande almoço e até convidou o diabo para comer à sua mesa. O diabo, que não pode comer as ramas colhidas, ficou com muita inveja do santo, prometendo a si mesmo que se vingaria.
Passados alguns dias, São Pedro encontrou-se novamente com o diabo e perguntou-lhe se queria ajudá-lo a colher repolhos de sua horta. O diabo aceitou imediatamente, mas foi logo dizendo que dessa vez seria ele a ficar com a parte de baixo da terra. O santo concordou e esclareceu que, diante disso, iria colher sua parte e deixaria a do diabo no terreno.
São Pedro foi até a horta e colheu todas as cabeças de repolho, deixando para o diabo somente as raízes.
O diabo, que não gostava de fazer bobagens, "passado para trás" outra vez, sentiu redobrada vontade de vingar-se do santo e aceitava todos os convites que este lhe fazia para colher os produtos de sua chácara, mas nunca acertava na escolha: quando a planta dava em cima da terra, ele preferia a parte de baixo; quando dava embaixo, ele preferia a parte de cima. Foi assim que fizeram as colheitas de aipim, de alface, de amendoim, de tomates e de uma porção de coisas.
Até hoje o diabo está pelejando para ver se engana São Pedro, mas não consegue. Dizem que com o diabo ninguém pode, mas dessa vez ele foi logrado por São Pedro. ®Sérgio.

MAIS QUE ORGANIZADO...


OS TIPOS DE METAPLASMOS

As mudanças mais comuns na fala espontânea ocorrem com acréscimos ou decréscimos de fonemas que geram outra forma de falar a mesma coisa.
Prótese – acontece quando acrescentamos um fonema no início da sílaba. Encontramos a prótese em: voar => avoar, lembrar => alembrar, entre outros. Na escrita remos aglutinações do tipo: de repente => derrepente, a cerca de, acerca de.
Epêntese – ocorre no meio da sílaba. Hoje podemos encontrar em: asterisco no lugar de asterístico, beneficiência no lugar de beneficência, prazeirosamente => prazerosamente.  Por sem formas correntes na linguagem oral, algumas epênteses já são variantes dicionarizadas.
Aférese – acontece quando eliminamos fonemas no início da palavra, em casos como: tá => está, cê => você, inda => ainda.
Sincope – ocorre quando eliminamos fonemas no meio das palavras: padinho => padrinho, nego => negro, memo => mesmo, coscas => cócegas. ®Sérgio.

OS METAPLASMOS

Desde a origem de nossa língua têm ocorrido transformações fonéticas e ainda hoje persistem na fala espontânea. A Linguística Histórica chama esse desvio da composição fonética da palavra de metaplasmos.
O professor Joaquim Mattoso Câmara Jr. (1904 – 1970) a respeito dos metaplasmos, dizia:
"A língua é o meio pelo qual o homem expressa suas próprias idéias, as de sua geração, as da comunidade a que pertence. Ela é, enfim, um retrato de seu tempo. Cada falante é usuário e agente modificador de sua língua, nela imprimindo marcas geradas pelas novas situações com que se depara. Nesse sentido, podemos constatar que a língua é instrumento privilegiado da projeção da cultura de um povo, enquanto conjunto das criações do homem que constituem universo humano." ®Sérgio.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O EXÓRDIO

O exórdio (do Latim exordium = começo) e a parte inicial de um discurso oratório; recebe também o nome de intróito, preâmbulo, prólogo, prefácio.
O exórdio contendo a introdução do discurso, objetiva "ganhar" a simpatia do público para o assunto do discurso. Pode se apresentar de duas maneiras, dependendo do grau de defensibilidade da causa:
Proêmio, quando simples e direto.
Insinuação quando impetuoso, veemente, insinuante.
"No exórdio o orador seleciona, de modo sintético e direto, os fatos que convém e os focaliza da perceptiva que mais lhe favorece o intento, emprestando relevo a alguns e minimizando outros" (Heinrich Lausberg, Manual de Retórica Literária, tr. esp., 1966, vol. I, p. 261). ®Sérgio.

O TEXTO ARQUÉTIPO

O termo vem do grego archéypon = padrão, modelo. Arquétipo é um termo empregado na crítica textual, para indicar o texto que teria dado origem às outras cópias, reconstituível pelo seu confronto ou classificação dos textos em ordem cronológica. O crítico pode, baseando-se no conhecimento do autor e do texto original, sugerir emendas ou correções. 
®Sérgio.

O DISCURSO NA POÉTICA FRANCESA

Na poética francesa, o discurso (discours) costituia um poema didático, em versos alexandrinos, rimados dois a dois (aa, bb, cc, etc.).
Foi introduzido por Du Bellay em 1559 e desenvolvido por Ronsard. Voltaire consagrou sete discursos em versos ao Homem, e nas Méditations Poétiques (1820) Lamartine destinou uma composição a Imortalidade. 
®Sérgio.