terça-feira, 2 de outubro de 2012

A REALIDADE

"A Realidade é chata, mas é o único lugar onde se pode comer um bom bife". (Woody Allen)

O SACRIFÍCIO DE ANDRÔMEDA

Andrômeda era filha do rei Cepheus e da rainha Cassiopeia da Etiópia. Sua mãe, a rainha Cassiopeia, era uma mulher excessivamente presunçosa que ousou dizer ser mais bonita que as Nereidas, um grupo de 50 ninfas do mar de extraordinária beleza, filhas do deus Nereu, que geralmente era visto acompanhando Poseidon. As Nereidas ficaram tão ofendidas pela arrogância da vaidosa rainha que imploraram a Posseidon que a punisse. Em resposta ao apelo das Nereidas, Poseidon, irmão de Zeus e deus do Mar, enviou o monstro marinho Cetus, para devastar a Etiópia e o reino da rainha vaidosa. O rei desesperado, perguntou ao oráculo de Zeus, o que ele devia fazer para acalmar a ira de Posseidon; o oráculo anunciou que não haveria paz enquanto o Rei não sacrificasse a sua belíssima filha virgem Andrômeda para o monstro do mar. Desse modo, o rei não teve outra escolha a não ser sacrificar a filha, acorrentando-a  em um rochedo para que ela fosse devorada.
Assim foi feito;  Cepheus acorrentou Andrômeda a um rochedo na costa do Mediterrâneo, em Jaffa, onde presentemente está a cidade de Tel Aviv (Israel), à espera da aproximação do monstro. Perseu, após ter assassinado górgona Medusa, retornava a sua cidade, quando encontra Andrômeda preste a ser devorada pelo monstro do mar; ele mata Cetus, liberta Andrômena e se casa com ela, apesar de ter sido prometida a Phineus. Após o casamento, Andrômeda partiu com Perseu para Argos e, em seguida, para Tirinto, onde viveram por muito tempo, tendo seis filhos: Alceu, Electrião, Estênelo, Helio, Mestor e Perses; e uma filha, Gorgófona.
Após sua morte, ela foi colocada por Atena entre as constelações do céu, perto de Perseu e Cassiopeia. ®Sérgio.

domingo, 9 de setembro de 2012

A NOSSA FAMOSA EXPERIÊNCIA DA VIDA

A nossa famosa experiência da vida se resume em exclamarmos, de vez em quando: Deus! Como fui idiota. (Clóvis Graciano). 

O POETA ROMÂNTICO

É verdade que o descompasso está à espreita de todo poeta romântico; mas é também verdade que este também se afirma como artista na medida em que logra vencer, pela palavra, as tentações de um confidencialismo frouxo. (Alfredo Bosi)

O MONTE OLIMPO

O cume do Monte Olimpo, na Tessália era a morada dos deuses Gregos. Doze eram os deuses - seis masculinos e seis femininos – entretanto, somente dez moravam no Olimpo. Netuno (Poseidon para os romanos) deus do mar habitava o mar. Hades deus dos submundos, seu palácio no inferno. O Olimpo era cercado de muros, abrindo para o exterior através de uma porta de nuvem, da qual tomava conta às deusas chamadas Estações (Diké, a justiça; Eunomia, a ordem; e Irene, a paz). Quando os deuses saíam as Estações escondiam os palácios com um véu de nuvens, mas, assim que eles voltavam, as três afugentavam as nuvens para que tudo voltasse ao brilho anterior.
E ao Olimpo, subiu, a régia e eterna
Sede dos Deuses, onde a tempestade
Ruge jamais, e a chuva não atinge
E nem a neve. Onde o dia brilha
Num céu limpo de nuvens e ameaças
Felicidades sempiternas gozam
Ali os seus divinos habitantes.
(Versos da Odisseia de Homero, in original inglês de William Cowper, trad. De David Jardim)
Pelos versos de Homero, podemos deduzir que na morada dos deuses jamais chovia nem soprava vento.  O clima era perfeito: nem frio nem quente demais.
O espaço habitado pelos deuses formava um conjunto de residências distintas que tinham a função de acolher seus proprietários para dormir. O grande salão de Zeus, de puro ouro, servia para assembleias e festins, onde os deuses se regalavam todos os dias com ambrósia e néctar (alimento e bebida), servidos pela deusa da juventude Hebe e discutiam os assuntos relativos ao Céu e à Terra. Quando o sol se punha os deuses se retiravam para as suas respectivas moradas para dormir.
Hefesto (Vulcano para os romanos) o artesão divino era o arquiteto de todas as obras do Olimpo. ®Sérgio.
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Para maiores informações a respeito de o assunto ver: Bulfinch, Thomas, O Livro de Ouro da Mitologia: Histórias de Deuses e Heróis, 26º edição, Rio de Janeiro, 2002, Ediouro. / Bulfinch, Thomas. O Livro bde Ouro da Mitologia. Trad. David Jardim – Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.

PAGO OU PAGADO?

O verbo pagar é um verbo abundante, apresenta mais de uma forma para a flexão do particípio. Quando o verbo tem duas formas regular e irregular para o particípio, a regra é a seguinte: Com o verbo auxiliar ter ou haver, devemos usar (na voz ativa) a forma regular (terminação –ado, ou –ido). Com o verbo auxiliar ser ou estar, devemos usar na voz passiva a forma irregular (reduzida). Portanto:
1. Pago (forma irregular) – deveríamos usar somente com os verbos ser e estar. Porém, atualmente, no Brasil, já é aceitável o uso com qualquer verbo auxiliar ser, estar, ter, haver:
   O ingresso já está pago.
   Temos pago muitas contas.
   O castigo foi pago por nós.
   Os inquilinos haviam pago o aluguel.
   O proprietário afirmou que nada estava pago.
   O garçom informou-me que o jantar estava pago.
2. Pagado (forma regular) – embora correto o uso com os verbos ter e haver, esta forma está caindo em desuso, assim como: ganhado e gastado. Estes verbos estão perdendo a forma regular, em virtude da preferência pela forma reduzida: pago em vez de pagado; ganho em vez de ganhado, gasto em vez de gastado:
   Ele não havia ou tinha pagado a conta.
   Ela tinha ou havia pagado a conta.
   Os alunos já tinham ou haviam pagado o castigo.
Observações:
1ª. Há gramáticos que defendem o uso da forma clássica: pagado.
2ª. Outros preferem o uso da forma que o brasileiro consagrou: pago.
3ª. Há ainda os moderados que aceitam as duas formas: pagado e pago.
4ª. Segundo o professor Celso Cunha "não podemos jogar no lixo as formas clássicas nem ignorar as novidades linguísticas". ®Sérgio.
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Para maiores informações sobre o assunto ver: CUNHA, Celso. Gramática do Português Contemporâneo. [6ª. ed. rev.], Editora Bernardo Álvares, Belo Horizonte, 2009.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

AS BORBOLETAS

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.

As Borboletas
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas
Borboletas brancas
São alegres e francas.
Borboletas Azuis
Gostam muito de luz.
As amarelinhas
São tão bonitinhas!
E as pretas, então
Oh! Que escuridão!
                   Vinício de Moraes. Para gostar de ler – poesias, v. 6 p. 28.

SEM PALAVRAS


OS TRÊS COMPADRES - Recontando Contos Populares

Conta-se que viviam lá para as bandas do sertão da Paraíba, três cangaceiros muito amigos.
Depois de caminharem muitas léguas, varados de fome os três descansavam na caatinga, quando avistaram, na estrada, um velho que carregava uma ovelhinha nos ombros. Como fazia dias que os três não comiam quase nada, a ovelha, apesar de filhotinha, daria uma bela refeição. Mas os cangaceiros tinham orgulho e atacar um velho que merecia estima como aquele era até uma vergonha para cangaceiros destemidos como eles. Vai daí, que um dos cangaceiros teve uma boa ideia, contou aos outros e eles resolveram pô-la em prática.
O cangaceiro, dono da idéia, foi até a estrada, chegou-se pra perto ao homem que lá vinha e perguntou:
— Bom-dia! Onde é que vosmecê comprou esse cachorro tão bonito?
— Ó compadre, pois não sabe... isso não é um cachorro; é uma ovelha, que eu comprei na feira – explicou o velho.
O cangaceiro teimou que era um cachorro, mas não disse mais nada e se despediu. Mais adiante, o segundo cangaceiro pareceu na estrada e foi logo elogiando o cachorrinho que o homem carregava nos ombros. Não adiantou o homem explicar que se tratava de uma ovelha, pois o cangaceiro continuou a insistir em chamá-la de cachorro.
Depois foi a vez do terceiro ladrão aparecer na estrada e fazer o mesmo jogo.
— Que cachorrinho bonito! Vosmecê não quer vender?
E os dois discutiram – é ovelha, é cachorro – até que o cangaceiro foi-se embora. A essa altura, o homem, muito aperreado, olhou devagarzinho a ovelha e acabou se convencendo de que ela era mesmo um cachorro. Largou-a ali mesmo na estrada e seguiu seu caminho, furioso consigo mesmo pela compra idiota que havia feito.
Os três cangaceiros, então, recolheram a ovelha e almoçaram muito bem naquele dia. ®Sérgio.

ISÍS: A PROTETORA DOS MORTOS

ÍSIS (ou Auset) – Protetora dos mortos, da natureza e da magia. Deusa da maternidade, amiga dos oprimidos (escravos, pescadores e artesãos), modelo de mãe e esposa ideal. Era a primeira filha de Geb (deus da Terra) e de Nut (deusa do Firmamento). Casou-se com seu irmão gêmeo Osíris. Os egípcios acreditavam que o rio Nilo foi criado – e inundava todos os anos - com as lágrimas de Ísis depois que o marido foi despedaçado por Seth (irmão de Osíris, deus do deserto e das tempestades); foi ela que juntou os pedaços de Osíris espalhados pelo Egito e o ressuscitou. Quando Isis deu à luz Hórus, ela o fez em uma caverna, cercada por muitos animais, protegendo-o da perseguição de Seth. As três divindades do Sol foram informados do nascimento pela estrela conhecida como Sirius ou a estrela da manhã oriental. O tempo de seu nascimento foi em torno do solstício de inverno, ou entre os dias 21 e 26 de dezembro. Qualquer semelhança é pura coincidência. ®Sérgio.
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Para saber mais sobre Ísis e Osíris leia: Osíris: O Juiz dos Mortos. (clique no link)

domingo, 5 de agosto de 2012

MADALENA AOS PÉS DA CRUZ

Castro Alves (1847 – 1871) desenhava muito bem, prova disso é esta rara tela (óleo sobre cartão) representada por uma jovem (Madalena), ajoelhada aos pés da cruz e olhos fitos no céu. ®Sérgio.
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Imagem: Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.

NEVERMORE


Paul Gauguin (1848 – 1903), um dos mais importantes pintores impressionistas, deixou-nos esta tela, cujo título é Nevermore (1897) que significa "nunca mais", referência a um verso do famoso poema "O Corvo" (The Raven, 1845), de Edgard Allan Poe; nele, a imaginação de Poe é assombrada por um corvo ameaçador, que profere apenas um som, Nevermore. Gauguin was aware of this, although he later sought to play down the connection. Observe que o corvo figura em uma janela, à esquerda da tela. A cor esverdeada do corpo da jovem é fruto de uma percepção interna, subjetiva e muito pessoal do artista, que ganhou mais destaque em contraposição ao amarelo intenso do travesseiro sobre o qual ela repousa a cabeça.
Gauguin escreveu certa vez que, "na pintura como na música deve-se olhar para a sugestão ao invés de descrição". ®Sérgio.
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Imagem: Courtalul Gallery - London

domingo, 29 de julho de 2012

SÃO PEDRO E O DIABO - Recontando Contos Populares

Um velho caboclo contou-me um causo que se deu há muito tempo. Nessa época São Pedro morava perto da casa do diabo. Nos fundos de sua chácara, São Pedro mantinha uma grande plantação de batatas doces. Quando chegou o tempo da colheita São Pedro, de manhazinha, no nascer do sol, chamou o diabo e perguntou-lhe:
— Você quer ajudar-me a colher as batatas? Eu lhe darei metade da produção.
O diabo achou que era bom negócio e respondeu:
— Quero sim. Vamos até lá.
Ao chegarem onde estavam plantadas as batatas doces, São Pedro perguntou ao diabo:
— Agora, você escolhe: quer ficar com a metade que está acima da terra ou com a metade que está embaixo da terra?
O diabo respondeu:
— Ora essa! Quero ficar com a metade acima da terra!
São Pedro concordou:
— Está bem; pode colher sua parte que, logo, virei colher a minha!
Dito e feito. Depois que o diabo cortou todas as ramas de batata doce e as levou para sua casa, São Pedro voltou ao terreno e arrancou as batatas, levando-as consigo. Satisfeito, deu um grande almoço e até convidou o diabo para comer à sua mesa. O diabo, que não pode comer as ramas colhidas, ficou com muita inveja do santo, prometendo a si mesmo que se vingaria.
Passados alguns dias, São Pedro encontrou-se novamente com o diabo e perguntou-lhe se queria ajudá-lo a colher repolhos de sua horta. O diabo aceitou imediatamente, mas foi logo dizendo que dessa vez seria ele a ficar com a parte de baixo da terra. O santo concordou e esclareceu que, diante disso, iria colher sua parte e deixaria a do diabo no terreno.
São Pedro foi até a horta e colheu todas as cabeças de repolho, deixando para o diabo somente as raízes.
O diabo, que não gostava de fazer bobagens, "passado para trás" outra vez, sentiu redobrada vontade de vingar-se do santo e aceitava todos os convites que este lhe fazia para colher os produtos de sua chácara, mas nunca acertava na escolha: quando a planta dava em cima da terra, ele preferia a parte de baixo; quando dava embaixo, ele preferia a parte de cima. Foi assim que fizeram as colheitas de aipim, de alface, de amendoim, de tomates e de uma porção de coisas.
Até hoje o diabo está pelejando para ver se engana São Pedro, mas não consegue. Dizem que com o diabo ninguém pode, mas dessa vez ele foi logrado por São Pedro. ®Sérgio.

MAIS QUE ORGANIZADO...


OS TIPOS DE METAPLASMOS

As mudanças mais comuns na fala espontânea ocorrem com acréscimos ou decréscimos de fonemas que geram outra forma de falar a mesma coisa.
Prótese – acontece quando acrescentamos um fonema no início da sílaba. Encontramos a prótese em: voar => avoar, lembrar => alembrar, entre outros. Na escrita remos aglutinações do tipo: de repente => derrepente, a cerca de, acerca de.
Epêntese – ocorre no meio da sílaba. Hoje podemos encontrar em: asterisco no lugar de asterístico, beneficiência no lugar de beneficência, prazeirosamente => prazerosamente.  Por sem formas correntes na linguagem oral, algumas epênteses já são variantes dicionarizadas.
Aférese – acontece quando eliminamos fonemas no início da palavra, em casos como: tá => está, cê => você, inda => ainda.
Sincope – ocorre quando eliminamos fonemas no meio das palavras: padinho => padrinho, nego => negro, memo => mesmo, coscas => cócegas. ®Sérgio.

OS METAPLASMOS

Desde a origem de nossa língua têm ocorrido transformações fonéticas e ainda hoje persistem na fala espontânea. A Linguística Histórica chama esse desvio da composição fonética da palavra de metaplasmos.
O professor Joaquim Mattoso Câmara Jr. (1904 – 1970) a respeito dos metaplasmos, dizia:
"A língua é o meio pelo qual o homem expressa suas próprias idéias, as de sua geração, as da comunidade a que pertence. Ela é, enfim, um retrato de seu tempo. Cada falante é usuário e agente modificador de sua língua, nela imprimindo marcas geradas pelas novas situações com que se depara. Nesse sentido, podemos constatar que a língua é instrumento privilegiado da projeção da cultura de um povo, enquanto conjunto das criações do homem que constituem universo humano." ®Sérgio.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O EXÓRDIO

O exórdio (do Latim exordium = começo) e a parte inicial de um discurso oratório; recebe também o nome de intróito, preâmbulo, prólogo, prefácio.
O exórdio contendo a introdução do discurso, objetiva "ganhar" a simpatia do público para o assunto do discurso. Pode se apresentar de duas maneiras, dependendo do grau de defensibilidade da causa:
Proêmio, quando simples e direto.
Insinuação quando impetuoso, veemente, insinuante.
"No exórdio o orador seleciona, de modo sintético e direto, os fatos que convém e os focaliza da perceptiva que mais lhe favorece o intento, emprestando relevo a alguns e minimizando outros" (Heinrich Lausberg, Manual de Retórica Literária, tr. esp., 1966, vol. I, p. 261). ®Sérgio.

O TEXTO ARQUÉTIPO

O termo vem do grego archéypon = padrão, modelo. Arquétipo é um termo empregado na crítica textual, para indicar o texto que teria dado origem às outras cópias, reconstituível pelo seu confronto ou classificação dos textos em ordem cronológica. O crítico pode, baseando-se no conhecimento do autor e do texto original, sugerir emendas ou correções. 
®Sérgio.

O DISCURSO NA POÉTICA FRANCESA

Na poética francesa, o discurso (discours) costituia um poema didático, em versos alexandrinos, rimados dois a dois (aa, bb, cc, etc.).
Foi introduzido por Du Bellay em 1559 e desenvolvido por Ronsard. Voltaire consagrou sete discursos em versos ao Homem, e nas Méditations Poétiques (1820) Lamartine destinou uma composição a Imortalidade. 
®Sérgio.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

VELHICE


LOIRO OU LOURO?

Tanto faz. Ambas as formas são igualmente usuais, pois são formas variantes, para designar a cor de pelos humanos que entre o amarelo e o castanho-claro.
A forma louro designa ainda:
Uma planta aromática: o loureiro. A folha do loureiro é muito usada como condimento e, foi muito usada entre os antigos gregos e romanos, na confecção das coroas dos vencedores de competições:
   Era uma árvore com frutas e flores em ramos de louro.
   O cozinheiro é viciado em folhas de louro.
Uma ave: o papagaio (designação comum). ®Sérgio.

DAR-SE AO TRABALHO ou DAR-SE O TRABALHO?

Ambas as construções são aceitáveis, mas a primeira é a que sempre mereceu a preferência dos bons escritores:
    Quem se der o trabalho de consultar... (Ciro dos Anjos)
    O homem dera-se ao trabalho de contar... (Cecília Meireles)
Variantes: Dar-se ao incomodo ou dar-se o incômodo, poupar-se ao trabalho ou poupar-se o trabalho, dar-se ao luxo ou dar-se o luxo. ®Sérgio.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O ENTERRO DO JACI

Aqui no sertão quando se vai levar um defunto para enterrar, não se pode parar para nada. O falecido tem de estar sempre em movimento. Se os caboclos querem fazer mal a alguém é parar com o finado na frente da casa dele. Se isso acontecer é desgraça na certa para os moradores. Por isso, os residentes da casa ficam "de olho" quando o enterro passa com o finado. Se há a ameaça de parar, até tiro de carabina é capaz de se dar. Dizem que se deve dar sossego o mais rápido possível à alma do defunto, para a alma dele não ficar com raiva, vagando pelo povoado.
A que, numa tarde, seo, não é que morre o Jaci. E então daí, o falecido tinha que ser enterrado. Logo apareceram quatro voluntários para carregar o finado até o cemitério. Botaram Jaci numa rede, passaram uma vara bem grossa e dois a dois foram carregando o falecido até o campo-santo. Saíram de tardezinha; vencido obra de meia légua, o sol se some, a noite vêem, e no denso, no escuro não dava para chegar ao cemitério; então, resolveram descansar e sair de manhazinha, no nascer do sol.
Ajeitaram o falecido num canto e "puxaram o ronco", menos o Dudu que não conseguiu "pegar no sono", ressabiado observando... A noite ia grossa quando vê uma coisa que o assustou forte; o falecido se levanta e vem caminhando em direção aos caboclos, passa por cima deles e segue no rumo do Dudu. Travou-lhe um medo e o caboclo rompeu nos gritos:
— Ara, mas será possível, meu senhor?! Pra cima de mim não! Por amô de Deus, Dudu! Vai pro seu corpo, diabo! Cruz credo!...
O berreiro do Dudu acordou os outros caboclos, que foram logo pedindo uma explicação para aquela vozearia toda. Dudu explicou bem explicadinho o acontecido e todos ficaram com "a pulga atrás da orelha". Um dos caboclos, preocupado diz:
— A, pois gente! Isso é castigo de Deus. O morto num descansou até agora porque a gente num enterrô ele, que deve tá puto da vida com agente! E o pior é que ele passou por riba de nós, sô! Isso é mau sinal. Queira Deus que certas coisas que o povo fala seja só pra assustar...
Um dos caboclos, um tanto incrédulo, tenta acalmar:
— Bobices, gente! Larga mão disso! Quem morreu, morreu! Num volta mais. O Dudu tava era com sonhação! Daquela hora pra frente ninguém mais dormiu.
Beirando aí às oito horas da manhã, os caboclos chegaram com o corpo frio e duro do Jaci no cemitério. Enterraram. Passaram num boteco para molhar a goela e se mandaram de novo, estrada a fora, cada qual pro seu canto.
Dê daí, compadre; o Dudu naquele ano teve, de uma feita, que fazer o enterro de mais quatro caboclos. Quem havera de supor! ®Sérgio.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O BESTIÁRIO

O termo vem do latim bestiariu(m) = besta, fera. Eram, durante a Idade Média, sobretudo nos séculos XIII e XIV, livros em prosa ou verso, que retratavam animais (verdadeiros ou ficcionais) considerados simbolicamente portadores de qualidades sobrenaturais, geralmente, ligados ao Cristianismo.
Vindos do Oriente, através de textos gregos, como o Physiologus ­- de autor desconhecido e escrito na segunda metade do século II, em Alexandria – que narra uma sucessão de histórias baseadas nos fenômenos da Natureza, divididas por quarenta e oito seções, uma para cada planta, pedra ou animal vinculados com a Bíblia. o Physiologus teve ampla divulgação no mundo latino e germânico medieval, a ponto de só perder para a Bíblia.
Apesar dos Bestiários evocarem um mundo de valores desaparecidos, deles se originaram mitos que vieram incorporar-se definitivamente na simbologia das artes, como o da fênix, para só citar esse exemplo. ®Sérgio.

A METÁFORA HIPERBÓLICA

Do Grego hyperbolê (excesso), é a figura do exagero deliberado, que leva o escritor a deformar a realidade exagerando de uma ideia, seja por amplificação, seja por atenuação, visando à obtenção de maior expressividade, quer no sentido positivo, que no negativo, segundo o seu modo particular de sentir. Exemplos:

   - Corria feito um raio. – A sua alma era um vulcão.
- Comi sem parar a noite inteira! – Sou louca pelos meus filhos.
Expressões como essas fazem parte das hipérboles do dia-a-dia e, por isso mesmo, seu valor estilístico praticamente já desapareceu, porque já se incorporaram ao falar cotidiano de tal forma que as expressões não provocam mais surpresa ou estranheza. Contudo, o valor afetivo dessas expressões, permanece. Na literatura, não raro, a hipérbole é usada como um recurso estilístico: Envio beijos, mas tantos beijos / Quantas estrelas há no Brasil. Nestes versos de Martins Fontes, é fácil sentir o efeito expressivo da hipérbole. ®Sérgio.