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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

ELA TEM ALGUMA COISA DE BOA ou DE BOM?

Embora os falantes de nossa língua tenham popularizado o termo "alguma coisa de boa", a gramática estabelece que o adjetivo que vem depois da preposição [de] não varia:
●   Ela tem alguma coisa de bom (e nunca de boa).
●   A moça ocultava alguma coisa de misterioso (e não de misteriosa).
Mas, atenção: Se, por acaso, não houver a preposição, faz-se a concordância normalmente:
●   Ela tem alguma coisa boa.
●   A moça ocultava alguma coisa misteriosa.
Observação: Seguem a mesma concordância: nenhuma coisa de, qualquer coisa de, algo de, nada de e tudo de:
●   Ela tem tudo de bom.
●   A moça não tem nada de misterioso. ®Sérgio.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

MEIA NOITE OU ZERO HORA?

A meia-noite e a zero hora se equivalem, mas a primeira pertence ao dia anterior e a segunda, ao posterior.
Assim, um aumento, por exemplo, entra em vigor à meia-noite da sexta-feira ou à zero hora do sábado (prefira zero hora, neste caso).
A madrugada vai da zero às 6 horas; a manhã, das 6 ao meio-dia; a tarde, do meio-dia às 18 e a noite, das 18 às 24 hor
as. ®Sérgio.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

CONSIGO ou COM VOCÊ?

Consigo é um pronome reflexivo – significa com si mesmo - ou seja, é aplicado quando o sujeito e o objeto da oração são a mesma pessoa. Quando tratamos as pessoas em 3ª pessoa (você, Vossa Senhoria, Vossa Excelência, senhor, doutor, etc.) não devemos usar consigo, e sim, com você.
Portanto, é errado o uso de "consigo" como equivalente de "com você" em frases como:
●   Querem falar consigo. Nesta frase, se afirma que eles querem falar com eles próprios.
●   O pessoal está magoado consigo. Aqui, o pessoal está magoado com eles próprios.
As formas corretas são:
●   Querem falar com você. (com o senhor, com Vossa Senhoria, etc.)
●   O pessoal está magoado com você.  Ele vai sair com você.
●   Ele irá entender-se com o senhor.
Consigo só deve ser utilizado com o sentido reflexivo:
●   Ele fala consigo mesmo. Ele trouxe as mercadorias consigo.
●   Os homens carregam consigo as suas penas.
●   Vive lá consigo, sem ninguém que dele cuide.
É comum o uso das palavras próprio (a), mesmo (a) juntamente com consigo para reforçar a ideia reflexiva.
Contigo só deve ser usado quando tratamos as pessoas em 2ª pessoa (tu, teu, tua, te, ti, etc), ou seja, o pronome do caso oblíquo "contigo" refere-se ao pronome [tu]:
●   Ele te disse isso, porque deseja viajar contigo. (com + ti, tu)
●   Espera que ele já vem falar contigo. (com + ti, tu) ®Sérgio.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

DIZER “O QUÊ” ou “O QUE”...?

Diz a regra que escreve-se o "que" com acento para indicá-lo como monossílabo tônico, da mesma forma que se faz com dê, lê, sê. Essa tonicidade ocorre com o "que" quando interjeição ou substantivo e quando pronome no final da frase.
Por outro lado, há um caso que deixa o escrevedor em dúvida. É o que se pode ver, por exemplo, quando o "que" soa como tônico, mas não vem no fim da frase de sentido completo que se conclui com um ponto final, de exclamação ou de interrogação. É para destacar essa tonicidade que alguns escrevedores usam o "que" acentuado no meio da frase, ou antes, de acabado o período:
•  Dizer o quê, Fernando?
•  Está pensando em quê, Maria?
Convém ter-se presente que, nesses casos, não se pode considerar o acento gráfico um erro. Entretanto, em termos práticos, não é uma boa opção ignorar a gramática e acentuar o "que" situado no meio da frase:
•  Por que, professor?
•  Vamos fazer o que, Carlos? ®Sérgio. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

BATEU A OU À PORTA?

Se você bateu a porta, significa que você fechou a porta (a porta é objeto direto do verbo bater):
    ●   Furiosa, Sandra entrou no quarto e bateu a porta.
    ●   Tive de bater a porta com força.
Se você bateu à porta, quer dizer que bateu na porta (à porta = adjunto adverbial de lugar):
    ●   De manhã cedo, bateram à porta de dona Joana.
    ●    Bati à porta, mas ninguém me atendeu.
Belo exemplo do assunto abordado no dá o poeta Cineas Santos: "Quando o amor bate à porta, tudo é festa / Quando o amor bate a porta, nada resta". ®Sérgio.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

AS VEZES OU ÀS VEZES?

Usamos o acento grave em às vezes somente quando for uma locução adverbial de tempo (=de vez em quando, em algumas vezes):
  ●   Às vezes (=algumas vezes) ela chora, às vezes ri.
  ●   Costumo ir, às vezes (=de vez em quando), em encontros culturais.
  ●   Às vezes (=algumas vezes), conto para todos.
  ●   Às vezes os alunos acertam esta questão.
●   O Flamengo às vezes ganha do Fluminense.
Quando não houver a idéia de [de vez em quando], não devemos usar o acento grave:
●   Foram raras as vezes em que ele veio aqui. (as vezes = sujeito)
●   Em todas as vezes, ele criou problemas. 

EXTREMA-DIREITA ou EXTREMA DIREITA?

Com hífen, designa o jogador ou a posição no futebol. Nesse caso, o termo extrema é cada uma das zonas laterais do campo, à direita e à esquerda, por onde atuam os extremas (o extrema-direita e o extrema-esquerda) ou pontas (o ponta-direita e o ponta-esquerda).
Sem hífen, é a tendência política.

sábado, 9 de março de 2013

A PERSONAGEM OU O PERSONAGEM?

Em português, quase todas as palavras terminadas em [-agem] são do gênero feminino: a ramagem, a abordagem, a folhagem, a aparelhagem. Entretanto, no caso da palavra personagem, atualmente, você tem três opções de uso. Vejamos:
1. Como Sobrecomum Masculino - serve para ambos os sexos, mas só tem a forma masculina. Portanto, se optar por esse tipo de substantivo uniforme, você deve usar sempre a forma masculina, ou seja, o personagem, independente de ser homem ou mulher: o personagem Jeca Tatu, o personagem Bentinho, o personagem Iracema, o personagem Capitu: João e Maria são os personagens de um conto de carochinha.
2. Como Sobrecomum Feminino — serve para ambos os sexos, mas só tem a forma feminina. Se a opção for esta, deve usar sempre a forma feminina a personagem, também, independente de ser homem ou mulher: a personagem Jeca Tatu, a personagem Bentinho, a personagem Iracema, a personagem Peri.
●   João e Maria são as personagens de um conto de carochinha.
3. Como Comum-de-Dois — quando distinguimos o masculino e o feminino pelo termo que o antecede: [o], [a], [teu], [tua], [esse], [essa] personagem. Assim, vamos usar a personagem quando mulher e o personagem quando homem: o personagem Hamlet, a personagem Aída.
●   O personagem Visconde povoa o imaginário das crianças.
●   A personagem Narizinho povoa o imaginário das crianças.
Observações:
1ª. Quando usar o termo personagem sem a definição de gênero, isto é, de forma abstrata, coloque-o no masculino (o personagem): Como ficarão os personagens (homens e mulheres) da oposição?
2ª. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, consideram personagem um substantivo de dois gêneros. ®Sérgio.

sábado, 12 de janeiro de 2013

SE ACASO... ou SE CASO...?

Se acaso... É a forma correta. Com a conjunção condicional [se], só podemos usar acaso:
     ●   Se acaso você chegasse...
    ●   Se acaso você viajar ainda hoje, não deixe de     me avisar.
Portanto, não existe a construção se caso você viajar... Há, isto sim, o equivalente: Caso você viaje ainda hoje, não deixe de me avisar.
As conjunções [se e caso] são sinônimas. Ou usamos a conjunção [se] ou a conjunção [caso]. Ou uma ou outra:
●   Caso você viaje ainda hoje, não deixe de me avisar.
●   Se acaso você viajar ainda hoje, não deixe de me avisar.
É possível usar acaso sem a conjunção se:
●   Acaso te disseram alguma coisa?
●   Isto aconteceu ao acaso.
●   Ele veio por acaso. ®Sérgio.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ESTAMOS A SUA DISPOSIÇÃO ou À SUA DISPOSIÇÃO

Tanto faz. Pois, antes dos pronomes possessivos (minha, tua, sua nossa…), o uso dos artigos definidos é facultativo.
      ●   Este é o meu irmão. Ou: Este é meu irmão.
      ●   Aquela é a minha casa. Ou: é minha casa.
Se o uso do artigo feminino é facultativo, quando houver a preposição [a] antes de um pronome possessivo feminino singular, o uso do acento da crase também será facultativo:
●   Cedi o lugar a minha avó. Ou: Cedi o lugar à minha avó.
●   Estamos a sua disposição. Ou: Estamos à sua disposição.
●   Não fez menção a nossa empresa. Ou: à nossa empresa.
●   Levou a encomenda a sua tia. Ou: à sua tia.
●   Abracei a minha prima. Ou: à minha prima.
Podemos comprovar comparando com a forma masculina:
●   Estamos ao seu dispor.
Observação: Na maior parte dos casos, a crase dá clareza a esse tipo de oração. ®Sérgio.

domingo, 9 de setembro de 2012

PAGO OU PAGADO?

O verbo pagar é um verbo abundante, apresenta mais de uma forma para a flexão do particípio. Quando o verbo tem duas formas regular e irregular para o particípio, a regra é a seguinte: Com o verbo auxiliar ter ou haver, devemos usar (na voz ativa) a forma regular (terminação –ado, ou –ido). Com o verbo auxiliar ser ou estar, devemos usar na voz passiva a forma irregular (reduzida). Portanto:
1. Pago (forma irregular) – deveríamos usar somente com os verbos ser e estar. Porém, atualmente, no Brasil, já é aceitável o uso com qualquer verbo auxiliar ser, estar, ter, haver:
●   O ingresso já está pago.
●   Temos pago muitas contas.
●   O castigo foi pago por nós.
●   Os inquilinos haviam pago o aluguel.
●   O proprietário afirmou que nada estava pago.
●   O garçom informou-me que o jantar estava pago.
2. Pagado (forma regular) – embora correto o uso com os verbos ter e haver, esta forma está caindo em desuso, assim como: ganhado e gastado. Estes verbos estão perdendo a forma regular, em virtude da preferência pela forma reduzida: pago em vez de pagado; ganho em vez de ganhado, gasto em vez de gastado:
●   Ele não havia ou tinha pagado a conta.
●   Ela tinha ou havia pagado a conta.
●   Os alunos já tinham ou haviam pagado o castigo.
Observações:
1ª. Há gramáticos que defendem o uso da forma clássica: pagado.
2ª. Outros preferem o uso da forma que o brasileiro consagrou: pago.
3ª. Há ainda os moderados que aceitam as duas formas: pagado e pago.
4ª. Segundo o professor Celso Cunha "não podemos jogar no lixo as formas clássicas nem ignorar as novidades linguísticas". ®Sérgio.
____________________
Para maiores informações sobre o assunto ver: CUNHA, Celso. Gramática do Português Contemporâneo. [6ª. ed. rev.], Editora Bernardo Álvares, Belo Horizonte, 2009.

domingo, 29 de julho de 2012

OS TIPOS DE METAPLASMOS

As mudanças mais comuns na fala espontânea ocorrem com acréscimos ou decréscimos de fonemas que geram outra forma de falar a mesma coisa.
Prótese – acontece quando acrescentamos um fonema no início da sílaba. Encontramos a prótese em: voar => avoar, lembrar => alembrar, entre outros. Na escrita remos aglutinações do tipo: de repente => derrepente, a cerca de, acerca de.
Epêntese – ocorre no meio da sílaba. Hoje podemos encontrar em: asterisco no lugar de asterístico, beneficiência no lugar de beneficência, prazeirosamente => prazerosamente.  Por sem formas correntes na linguagem oral, algumas epênteses já são variantes dicionarizadas.
Aférese – acontece quando eliminamos fonemas no início da palavra, em casos como: tá => está, cê => você, inda => ainda.
Sincope – ocorre quando eliminamos fonemas no meio das palavras: padinho => padrinho, nego => negro, memo => mesmo, coscas => cócegas. ®Sérgio.

OS METAPLASMOS

Desde a origem de nossa língua têm ocorrido transformações fonéticas e ainda hoje persistem na fala espontânea. A Linguística Histórica chama esse desvio da composição fonética da palavra de metaplasmos.
O professor Joaquim Mattoso Câmara Jr. (1904 – 1970) a respeito dos metaplasmos, dizia:
"A língua é o meio pelo qual o homem expressa suas próprias idéias, as de sua geração, as da comunidade a que pertence. Ela é, enfim, um retrato de seu tempo. Cada falante é usuário e agente modificador de sua língua, nela imprimindo marcas geradas pelas novas situações com que se depara. Nesse sentido, podemos constatar que a língua é instrumento privilegiado da projeção da cultura de um povo, enquanto conjunto das criações do homem que constituem universo humano." ®Sérgio.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

LOIRO OU LOURO?

Tanto faz. Ambas as formas são igualmente usuais, pois são formas variantes, para designar a cor de pelos humanos que entre o amarelo e o castanho-claro.
A forma louro designa ainda:
Uma planta aromática: o loureiro. A folha do loureiro é muito usada como condimento e, foi muito usada entre os antigos gregos e romanos, na confecção das coroas dos vencedores de competições:
●   Era uma árvore com frutas e flores em ramos de louro.
●   O cozinheiro é viciado em folhas de louro.
Uma ave: o papagaio (designação comum). ®Sérgio.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

MAUS-TRATOS E MAL-ENTENDIDOS

Não será exagero dizer que não são poucas às vezes em que escrevedores erram ao grafar a palavra "maus-tratos". Por conta disso, é comum escrever-se no seu lugar a forma "maltratos". Ora, conscientemente falando, maltratos não existe. O que existe é a forma verbal maltratar (verbo transitivo direto) = infligir maus-tratos a; tratar com aspereza, grosseiramente, com violência, etc.:
•  Maltratava a mulher com recriminações diárias.
•  Ele sentia prazer em me maltratar...
•  Eu não maltrato os mais velhos.
O substantivo composto "maus-tratos" escreve-se sempre no plural. Nesse composto o adjetivo [mau] qualifica o substantivo [trato], daí a concordância entre eles. Os dois (adjetivo + substantivo) formam o substantivo composto maus-tratos = "delito de quem submete alguém, sob sua dependência ou guarda, a castigos imoderados, trabalhos excessivos e/ou privação de alimentos e cuidados, pondo-lhe, assim, em risco a vida ou a saúde". (Dicionário Eletrônico Houaiss)
Na expressão "mal-entendido", é o advérbio [mal] que modifica a forma verbal [entendido] = aquilo que foi entendido de maneira incorreta ou inadequada. Os dois elementos, advérbio e verbo, juntos constituem um substantivo composto.  No plural, somente o segundo elemento, porque advérbios são formas invariáveis. ®Sérgio.

domingo, 1 de abril de 2012

A DIFERENÇA ENTRE MALGRADO E MAU GRADO

a) Malgrado – equivale a “apesar de” e não varia:
•  Malgrado (=apesar de) os esforços, ele não passou no exame.
•  Malgrado (=apesar de) nossos esforços, não chegamos a tempo.
b) Mau grado ou De Mau grado – significa contra a vontade e entra em frases como:
•  Fez o teste de mau grado (contra a vontade).
•  Saiu de mau grado (contra a vontade). ®Sérgio.

sexta-feira, 23 de março de 2012

A ANOS / HÁ ANOS

Usamos "a" para indicar distância ou tempo futuro:
•  As eleições ocorrerão daqui a dois meses.
•  Daqui a dois anos ele se manifestará.
•  O avião estava a cinco minutos de São Paulo.
•  O atirador estava a dois metros de distância.
Usamos "há" para indicar tempo passado, tempo decorrido; é o mesmo que faz:
•  Eles saíram há muito tempo.
•  Há dois meses Carlos não aparece.
•  Ele chegou da fazenda há (faz) um ano.
•  Os homens chegaram há (faz) pouco.
Evite, porém, a construção "há muito tempo atrás": ela é pleonástica, redundante. O verbo haver, referindo-se a tempo, dispensa o advérbio [atrás] Escreva simplesmente: há muito tempo. ®Sérgio.

domingo, 18 de março de 2012

SIGLAS: TODAS MAIÚSCULAS OU MINÚSCULAS?

Como escrever as siglas? Com todas as letras maiúsculas? Ou minúsculas? Com ponto ou sem ponto entre as letras? Ditaram as regras.
•  Se a sigla tiver até três letras, use todas as letras em maiúsculas: ONU, OEA, CEF, MEC, USP, CEB, PM
•  Se todas as letras forem pronunciadas, use todas em maiúsculas: BNDES, GDF, PMDB, INSS, CNBB, PSDB.
•  Se a sigla tiver mais de três letras, só a inicial é maiúscula: Aids, Embrapa, Detran, Caesb, Unesco, Opep, Otan, Serpro.
Em todos os casos acima citados, não usamos ponto entre as letras. ®Sérgio.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A GRAMÁTICA TRADICIONAL

Dionísio de Trácia (170-90 a. C.) escreveu a Téchné grammatiké, a primeira gramática tradicional do ocidente. Um livro de quinze págias e vinte e cinco sessões onde ele apresenta uma explicação da estrutura do grego e constituíram a base das formulações gramaticais posteriores. Esta gramática foi preservada até os dias de hoje. Portanto, a gramática tradicional é herança dos gregos, enquanto que a gramática moderna é fruto de pesquisas linguísticas.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O USO DE "VOCÊ" COMO COLETIVO

Você tem origem no antigo Vossa Mercê e já foi, vassuncê, vossemecê, vosmecê, ocê, cê, etc.
É um pronome de tratamento pessoal. Seu uso [verbal] se dá na segunda pessoa, porém, conjugado como a terceira pessoa (ele). Às vezes substitui o pronome [tu].
Na linguagem oral, é cada vez mais frequente o uso da palavra [você] com valor coletivo. Tomemos como exemplo os seguintes comentários de radialistas esportivos e políticos:
•  Quando você bate na bola com o lado do pé...
•  Quando você deixa o carro de corrida morrer na largada, deve ir para o fim da fila.
•  Quando você aplica no social o dinheiro dos impostos...
É possível observar que os radialistas não estavam conversando com os participantes das atividades esportivas, e sim com os telespectadores que não participam do jogo e nem da corrida.
Segundo Pasquale Cipro Neto¹, "na linguagem formal, culta, é bastante desejável a eliminação desse cacoete. É cansativo, pobre e enfadonho o uso da palavra você como indicador de algo genérico, coletivo".
No caso dos exemplos, bastaria dizer:
•  Quando se bate na bola com o lado do pé...
•  Quando se deixa o carro de corrida morrer na largada, deve ir para o fim da fila. Ou: Quando o piloto deixa...
•  Quando se aplica no social o dinheiro dos impostos... ®Sérgio.
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1 – Pasquale Cipro Neto, Você. Revista Cult, dezembro/98; p.15.