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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

IMPRESSO OU IMPRIMIDO?

Os dois termos são de uso corrente em nossa língua. Porém, não devemos usá-los de maneira aleatória.
O verbo [imprimir] apresenta mais de uma forma para a flexão do particípio (verbos abundantes). Com o significado de [publicar], de [impressão gráfica], ele possui duas formas de particípio: a regular e a irregular. Portanto:
1. Impresso (pertence à forma irregular) - use com os verbos [ser e estar]: Já foi impresso o edital de convocação.
●   Os convites já estão impressos.
●   Os cartazes ainda não foram impressos.
2. Imprimido (pertence à forma regular) – use com os verbos [ter e haver]: Esta gráfica tem imprimido muitos jornais.
●   A gráfica não havia imprimido as notas.
●   Os alunos tinham imprimido o jornal sem nenhuma ajuda.
Observação: As formas regulares estão caindo em desuso, em virtude da preferência pela forma mais curta: impresso em vez de imprimido. Muitos estudiosos já aceitam as formas irregulares até com os verbos [ter e haver].
3. O Verbo Imprimir, no sentido de [produzir movimento], não é abundante, isto é, só tem o particípio em [–ido]. Portanto, pode ser usado com qualquer auxiliar:
●   O motorista havia imprimido grande velocidade ao veículo.
●   Foi imprimida grande velocidade ao veículo.
●   A gráfica tem imprimido pouca velocidade à impressão.
●   Tenho imprimido alta velocidade a meu carro. ®Sérgio.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

PEGO ou PEGADO?

Aprendi quando estudante que o particípio do verbo pegar era somente pegado:
       ●   Tinha pegado os documentos. (e não: pego)
       ●   Ele foi pegado em flagrante. (e não: pego)
O problema é que, independente de qualquer reforma oficial, o português falado no Brasil está sempre sendo modificado, moldado no dia-a-dia pelas necessidades dos usuários. De modo que, por analogia com verbos que têm duas formas de particípio, uma regular e outra irregular (pagar= pagado e pago), criou-se a forma irregular pego (pêgo em algumas regiões e pégo em outras). Essa inovação concorreu com a forma regular, até enfim substituí-la amplamente. Encontramos registros destas substituições em várias obras da nossa literatura e nos estudos de muitos especialistas.
Hoje, no Brasil (em Portugal, somente a forma pegado é usada), a forma irregular pego está consagrada entre nós e já é aceitável na língua padrão. Pode ser usada com qualquer verbo auxiliar (ser, estar, ter ou haver):
●   Ele foi pego em flagrante.
●   Ele tinha pego (ou pegado) os documentos.
●   Ele foi pego, ela está pega, ele será pego.
A forma pegado só pode ser usada quando antecedida dos verbos ter ou haver:
●   Ele tem pegado, ele havia pegado, ele terá pegado.
●   Ele tinha (ou havia) pegado os documentos.
Entretanto, há gramáticos ainda que defendem só o uso de pegado. Pego é tão inaceitável quanto chego (particípio de chegar), que já se usa Dizem que ao usarmos a forma pegado, estamos falando ou escrevendo corretamente. A forma pego é aceitável na fala coloquial e incorreta em textos que exijam a língua culta formal. Segundo o professor Cláudio Moreno¹, um dos defensores: "A língua que a gente usa é como nossa vestimenta: bermuda também é roupa, e atende às necessidades básicas do decoro; numa recepção, contudo, o paletó e a gravata sempre serão a opção de quem quer se vestir bem". ®Sérgio.
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1 - O Professor Cláudio Moreno é formado em Letras com ênfase em Português e Grego pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), desde 1969 é professor de Português e Redação nos principais colégios de Porto Alegre.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O USO MAIS QUE ERRADO DE VERBOS

Em seu Manual de Redação e Estilo, Eduardo Martins, nos adverte que há verbos que, devido ao seu significado, não podem ser acompanhados pela palavra [que].
Em geral, são formas de verbos discendi (declarativos), ou seja, verbos que exprimem uma afirmativa categórica. São discendi o verbo dizer e sinônimos ou afins (declarar, afirmar, aprovar, defender etc.), cujo objeto direto é uma oração substantiva que exprime um conteúdo do ato da fala:
●   João assumiu [quem admite, admite alguma coisa] estar errado.
●   E não: João assumiu que estava errado.
●   Ela mencionou a compra de um lindo vestido.
●   E não: Ela mencionou que comprou um lindo vestido.
●   Maria comentou estar doente.
●   E não: Maria comentou que estava doente.

Você defende uma idéia, uma posição, mas nunca defende que alguma coisa se realize. Portanto, são erradas, ou no mínimo impróprias, as formas:
[acusar que] [alertar que] [antecipar que] [apontar que]
[aprovar que] [assumir que] [citar que] [comentar que]
[continuar que] [defender que] [definir que] [denunciar que]
[desmentir que] [difundir que] [divulgar que] [enfatizar que]
[indicar que] [justificar que] [mencionar que] [narrar que]
[proferir que] [prosseguir que] [referir que] [registrar que].
No entanto, podem ser normalmente usadas com [que] as formas:
[acrescentar que] [adiantar que] [admitir que] [advertir que]
[advertir que] [advertir que] [afiançar que] [afirmar que]
[aguardar que] [afirmar que] [asseverar que] [assegurar que]
[asseverar que] [atestar que] [certificar que] [comprovar que]
[concordar que] [confirmar que] [constatar que] [declarar que]
[determinar que] [dizer que] [esperar que] [garantir que]
[jurar que] [negar que] [ordenar que] [prever que] [prometer que]
[reiterar que] [repetir que] [ressaltar que] [ressalvar que]
[revelar que] [verificar que]. ®Sérgio.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

DAR-SE AO TRABALHO ou DAR-SE O TRABALHO?

Ambas as construções são aceitáveis, mas a primeira é a que sempre mereceu a preferência dos bons escritores:
●    Quem se der o trabalho de consultar... (Ciro dos Anjos)
●    O homem dera-se ao trabalho de contar... (Cecília Meireles)
Variantes: Dar-se ao incomodo ou dar-se o incômodo, poupar-se ao trabalho ou poupar-se o trabalho, dar-se ao luxo ou dar-se o luxo. ®Sérgio.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

CONCORDÂNCIA DO VERBO PARECER

Numa locução verbal (combinação de dois verbos: auxiliar + v. principal) as flexões de tempo, modo, número e pessoa se dão nos verbos auxiliares; o chamado principal (ideia da ação verbal), não flexiona e é sempre empregado numa de suas formas nominais.
Entretanto, nas construções formadas pelo verbo parecer + infinitivo, pode-se flexionar o verbo parecer ou o infinitivo que o acompanha:
Flexionando o Verbo Parecer (construção corrente)
●   As paredes pareciam estremecer.
●   Os astronautas parecem duvidar do que viram.
●   Os astros parecem caminhar no firmamento.
●   As certezas pareciam ser incertas.
●   As borboletas parecem bailar.
Flexionando o Infinitivo (construção literária)
●   As paredes parecia estremecerem.
●   Os astronautas parece duvidarem do que viram.
●   Os astros parece caminharem no firmamento.
●   As certezas parecia serem incertas.
●   As borboletas parecia bailarem. ®Sérgio.

sábado, 26 de novembro de 2011

A SER OU A SEREM? - Verbos & Dúvidas

A forma correta é [a ser]. A razão é que, quando temos dois ou mais verbos se referindo a um mesmo sujeito (locução verbal), só o primeiro deles deve flexionar-se para concordar com o sujeito, ou seja, só ele é conjugado. É por isso que se diz “Eles precisam ser mais humildes” e não “Eles precisam serem mais humildes”. A flexão do infinitivo seria supérflua, já que está claro que seu sujeito é o mesmo do verbo anterior:
●   Os débitos devem ser corrigidos.
●   Eles tendem a ser teimosos.
●   Os compromissos não podem deixar de ser cumpridos.
●   O caixa separou os produtos a ser substituídos.
●   O filme veio a ser transformado num trunfo valioso para todos.
●   Estudou as obras a ser utilizadas no exame do ENEM. ®Sérgio.

sábado, 16 de julho de 2011

AS REGÊNCIAS DO VERBO AGRADECER

Nós aprendemos a regência naturalmente, intuitivamente, no dia-a-dia. Ninguém precisou ensinar para nós que quem gosta, gosta de alguém. Ou que quem concorda, concorda com alguma coisa. Ou que quem confia, confia em algo. E assim por diante. Só que a gramática, muitas vezes, estabelece formas diferentes das que utilizamos na linguagem cotidiana, como as que veremos abaixo:
1ª. Com o sentido de mostrar-se grato por alguma coisa, é transitivo direto. Use-o sem preposição:
●   Agradeceu o favor recebido.
●   Agradeço o favor que me prestou.
●   Agradeço a audiência recebida.
●   Agradeço as flores que me enviou.
●   Agradecemos o bom atendimento.
2ª. Com sentido de demonstrar gratidão a alguém, é transitivo indireto. Use-o com a preposição [a]:
●   Agradeço aos ouvintes.
●   Já agradeci aos que me ajudaram.
●   Recebi o livro e ainda não lhe agradeci. (lhe = a você)
●   A empresa agradece aos funcionários.
3ª. Com o sentido de demonstrar gratidão "a alguém" por "alguma coisa", é transitivo direto e indireto:
●   Agradecemos a V.S.ª (indireto) / o convite (direto).
●   Agradecemos ao Senhor (indireto) / as bênçãos (direto) recebidas.
●   Agradeço ao chefe / a carta de recomendação.
●   Agradeceu-lhe (= a ele) o convite.
●   Agradeceu-lhes (= a eles) a gentileza.
●   Agradeceu a Deus (indireto) a graça alcançada (direto).
Observação: Como se agradece sempre a alguém, não existe a forma "agradecê-lo", mas apenas agradecer-lhe. ®Sérgio.

domingo, 1 de maio de 2011

AS REGÊNCIAS DOS VERBOS ASPIRAR E ASSISTIR

Aspirar — no sentido de inalar, respirar, absorver é transitivo direto:
●   Aspirou o ar viciado.
●   Aspiramos o doce perfume.
Aspirar no sentido de desejar muito, pretender é transitivo indireto, exige a preposição [a]: Aspirava ao cargo de gerente.
●   Era tudo a que aspirava.
Importante: Se for usar um pronome, use apenas a ele(s); a ela(s), e não lhe, lhes:
●   O cargo ficou vago, mas não aspiro a ele. (e não: lhe aspiro)
Assistir — no sentido de presenciar ou comparecer, estar presente a, ver, é transitivo indireto, exige sempre a preposição [a]:
●   Assisti ao jogo.
●   A comitiva assistiu à abertura dos trabalhos
●   Os fiéis assistiram à missa.
Observações:
Uma vez que não existe voz passiva com verbo transitivo indireto, é errado dizer: O jogo foi assistido por 50 mil pessoas. (o certo: visto, presenciado)
A exemplo de aspirar, o verbo assistir não aceita [lhe] nem [lhes].
Assistir como sinônimo de prestar assistência a, ajudar, socorrer, é transitivo direto: O médico assistiu o doente.
●   Os governos federal e estadual assistiram os flagelados.
●   Enfermeiras assistiam as vítimas.
●   O médico assiste o doente.

A REGÊNCIA DO VERBO AGRADAR

Agradar (ou desagradar) no sentido de satisfazer, contentar é transitivo indireto (sendo o sujeito da oração nome de coisa), use-o com a preposição [a]:
• A canção agradou ao público. [uma coisa agrada a alguém]
• O jogo está agradando ao torcedor.
• Para agradar ao pai, ficou em casa.
• O filme não agradou ao público.
• O filme desagradou ao público.
• Esse resultado não desagrada a ninguém.
Agradar no sentido de fazer carinho, acariciar é transitivo direto, use-o sem preposição:
• O pai agrada os filhos.
• A mãe agradou o filho com balas.
• A garotinha procurava agradar o gato coçando-lhe a cabeça. ®Sérgio.

sábado, 25 de julho de 2009

A REGÊNCIA DO VERBO ATENDER

Atender no sentido de dar atenção ou levar em consideração o que alguém nos diz, considerar, é transitivo indireto . Use-o com a preposição [a]:
• Eles atenderam aos nossos conselhos.
• O diretor não atendeu aos pedidos dos pais.
• Não atendera aos amigos.
• Atenda bem ao que lhe digo.
• Vou atender ao que me pede.
Atender no sentido de acolher, receber, recepcionar é transitivo direto. Use-o sem preposição:
• A professora atendeu os alunos.
• Ela sempre os atende.
• As meninas estão atendendo os visitantes.
• O político não atendeu o repórter. ®Sérgio.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A REGÊNCIA DO VERBO ANSIAR

Ansiar no sentido de desejar ardentemente é transitivo indireto Use-o com a preposição [por]:
• Ansiou por ir ao seu encontro.
• Ansiava por me ver fora de casa.
• Ansiava por me ver fora daquele bar.
• Ansiava pelo novo dia.
Ansiar no sentido de causar mal-estar, angustiar é transitivo direto. Use-o sem preposição:
• O cansaço ansiava o trabalhador.
• A espera ansiava o noivo. ®Sérgio.

domingo, 17 de maio de 2009

EU COMPUTO, TU COMPUTAS?

Não é correto, nem recomendável expressar-se assim, tanto na escrita quanto na fala. Irão, com certeza, entender outra coisa. O verbo computar é defectivo, isto é, tem conjugação incompleta (não apresenta todas as pessoas). Portanto, no presente do indicativo, só tem forma [plural]:
• Nós computamos
• Vós computais
• Eles computam
No fundo, no fundo, eu acho que eles decidiram torná-lo defectivo, ou seja, proibir a conjugação das pessoas do singular, para evitar mal-entendidos mais ou menos desagradáveis com essas pessoas.
O Pretérito e o futuro, no entanto, são regulares.
Se não há no presente do indicativo a forma singular, diga ou escreva:
• Eu estou computando.
• Ele está computando. ®Sérgio.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

QUANDO EU A VER ou VIR?

O verbo [ver] quando usado no futuro do subjuntivo precedido de [se] ou de [quando], assume a forma [vir]:
Quando eu vir, quando tu vires, quando ele vir, quando nós virmos, quando vós virdes, quando eles virem.
Se eu vir, se tu vires, se ele vir, se nós virmos, se vós virdes, se eles virem.
Exemplos:
• Quando eles me virem (não verem), ficarão alegres.
• Se vires (não veres) o menino, chama-o.
• Quando eu a vir (não ver) dar-lhe-ei o recado.
• Se nos virmos (não vermos) novamente, contaremos a mãe.
• Quando mamãe vir (não ver) ficará contente.
• Se virdes (não verdes) que Joana está errada oriente-a.
Os derivados de o verbo [ver] (antever, precaver, rever etc.) seguem o verbo ver.
Mas atenção: Prover não segue essa norma: Quando (ou: se) eu prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem.
O futuro do subjuntivo do verbo [vir] é [vier]:
Quando (se) eu vier, quando tu vieres, quando ele vier, quando nós viermos, quando vós vierdes, quando eles vierem. ®Sérgio.