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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

TEMPORAL

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas, ou homenagear autores que admiro.
TEMPORAL
Quem viu a terra gemer
Nos dentes brancos do mar
E a laje fria da espuma
A sete palmos do olhar
Pisou as curvas do mapa
E os raios do sol nascente
Tocou as cordas da harpa
De aço incandescente
Eu percorri todo o sonho
No meio da madrugada
E vi plantações de balas
Sementes da espingarda
Eu mato, matas e mata
Quem fala, não mata não
Quem cala, consente a fala
E os gritos do capitão
Quem viu os cachorros negros
Latindo para o luar
E o vôo vão dos morcegos
Gritando mudos no ar
Conhece a força guardada
Na mola dos temporais
Escurecendo as estrelas
Nos ombros dos generais
A mais cruel armadilha
Encruzilhada dos fins
E os alicerces das ilhas
Roídos pelos cupins
A fina dor da ferida
Doendo até no facão
E o mapa da minha vida
Na palma da minha mão
Quem viu o braço da sombra
Das folhas de uma palmeira
Pousar em carícia longa
Nos ombros da terra inteira
Ouviu da boca da noite
Feroz silêncio mortal
E viu o bobo da corte
Dançando no funeral.
Helder Meirelles poeta nordestino

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

ESMERALDA - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e me emocionaram. Por isso, não quero que esses versos fiquem esquecidos. Estou certo de que pelo menos um leitor[a], amigo[a] da poesia, me há de agradecer a lembrança.
Esmeralda
Esmeralda, onde estão teus noivos?
Teus irmãos, teus primos, onde estão?
Onde está teu velho Amor, teu namorado,
Aquele de antigamente, que vagava nas ruas?
Onde estão teus sonhos, Esmeralda?
Augusto Frederico Schmidt (1906 – 1965)

TERESA - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e me emocionaram ou me agradaram no conteúdo. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
TERESA
Teresa, se algum sujeito bancar o sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde
Se ele chorar
Se ele ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredita não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
CAI FORA.
        • Manuel Bandeira (1886–1968) poeta, crítico literário e de arte, e professor de literatura. ®Sérgio.

sábado, 25 de maio de 2013

A QUEDA

Seleta de Poemas representa os poemas que li e me emocionaram ou me agradaram no conteúdo. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
A QUEDA
É terrível cair.
Não é apenas o orgulho que cai
Quando caímos,
Mas toda a segurança interior
Equilíbrio de cérebro e pessoa.
Caindo nos perdemos;
E alguma coisa fica lá em toda queda.
[...]
Os que já caíram,
No Paraíso, na rua, na História.
Na escada caiu Fidel.
Na aventura da Alice,
Caiu à própria Alice.
Caiu a mãe de Hamlet,
Caem as folhas no outono,
Mais triste quando cai à tarde.
E depois do primeiro homem
E da primeira mulher
Todos os grandes caem
Em seu dia e hora.
Caiu Saul, e Jonas, e Golias,
E também os muros que cercavam
Os poderosos donos de Jericó.
Caiu Tróia e caíram os Romanos.
Há grandeza nos que caem.
Não se respeitam, porém, as decaídas.
A gravidade é a negação da vida
Desde a invenção dos tempos.
Millôr Fernandes (1923) é poeta, desenhista, humorista, dramaturgo, escritor e tradutor brasileiro. ®Sérgio.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

MARTÍRIO

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
MARTÍRIO
Beijar-te a fronte linda
Beijar-te o aspecto altivo
Beijar-te a tez morena
Beijar-te o rir lascivo
Beijar o ar que aspiras
Beijar o pó que pisas
Beijar a voz que soltas
Beijar a luz que visas
Sentir teus modos frios,
Sentir tua apatia,
Sentir até repúdio,
Sentir essa ironia,
Sentir que me resguardas,
Sentir que me arreceias,
Sentir que me repugnas,
Sentir que até me odeias,
Eis a descrença e a crença,
Eis o absinto e a flor,
Eis o amor e o ódio,
Eis o prazer e a dor!
Eis o estertor de morte,
Eis o martírio eterno,
Eis o ranger dos dentes,
Eis o penar do inferno!
• Luís José Junqueira Freire (1832 —1855 ) ®Sérgio.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

AS DUAS MÃES

Seleta de Poemas representa as poesias que li e me tocaram a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
AS DUAS MÃES
Numa igreja se encontraram
Duas mães em certo dia;
Uma entrava, e nesse instante,
Toda cheia de alegria,
Orgulhosa e triunfante,
Levava, chegando ao peito,
Um filhinho a batizar.
Outra, a infeliz que saía
Levava um filho também...
Oh! Mas essa pobre mãe
Levava um filho a enterrar!
Cruzaram-se, a poucos passos,
A que trazia nos braços
Cheio de vida e conforto,
O filho dos seus encantos,
E a triste, lavada em prantos,
Que seguia o filho morto!
Trocaram ambas o olhar...
Nisto a mãe afortunada
Foi que rompeu a chorar;
Enquanto a desventurada
Que o filho tinha perdido
— Oh! Maravilha do amor –
No meio de sua dor
Sorriu ao recém-nascido!
• Soulary (1815-1891), poeta francês (tradução de Bulhão Pato). ®Sérgio.

O ENTERRO DA CIGARRA

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
O ENTERRO DA CIGARRA
As formigas levaram-na... Chovia...
Era o fim... Triste outono fumarento!
Perto uma fonte, em suave movimento,
Cantigas de água trêmula fazia.
Quando eu a conheci, ela trazia
na voz um triste e doloroso canto.
Era a cigarra de maior talento,
Mais cantadeira desta freguesia.
Passa o cortejo entre árvores amigas...
Que tristeza nas folhas... Que tristeza!
Que alegria nos olhos das formigas!
Pobre cigarra! Quando te levavam,
Enquanto te chorava a natureza,
Tuas irmãs e tua mãe cantavam...
• Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889 - 1958). ®Sérgio.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

AS BORBOLETAS

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.

As Borboletas
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas
Borboletas brancas
São alegres e francas.
Borboletas Azuis
Gostam muito de luz.
As amarelinhas
São tão bonitinhas!
E as pretas, então
Oh! Que escuridão!
                   Vinício de Moraes. Para gostar de ler – poesias, v. 6 p. 28.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

CÂNTICO NEGRO

Não sei se José Régio, poeta português, gostaria de ver o fragmento de sua poesia expostas assim em meu blog, mas não posso deixar de postar meus poemas preferidos de vez em quando... Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
Cântico Negro (fragmento)
...........................................................
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
— Sei que não vou por aí!
José Régio. Poemas de Deus e do Diabo, p 57.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

VENDER SÓ FARELO

Não sei se Geoffrey Chaucer  gostaria de ver sua poesia exposta assim em meu blog, mas não posso deixar de postar meus poemas preferidos de vez em quando...
Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
Vender Só Farelo
Meu Jesus Cristo! Quando me recordo
Da minha juventude da alegria,
Arrepia-me a raiz do coração.
Até hoje ao coração me faz um bem
Ter tido o meu mundo no meu tempo.
Mas a idade – ai de mim – que tudo estraga
Roubou-me a beleza e o vigor.
Pois que se vá, adeus! Para o diabo!
Acabou-se a farinha, já não há:
Resta-me, então, vender só o farelo.
Geoffrey Chaucer (1343 - 1400), escritor, filósofo e diplomata inglês. Embora tenha escrito muitas obras, é mais lembrado pela sua obra narrativa inacabada, Os Contos da Cantuária (The Canterbury Tales), uma das mais importantes da literatura inglesa medieval.

terça-feira, 17 de abril de 2012

VELHAS ÁRVORES

Não sei se Olavo Bilac gostaria de ver sua poesia exposta assim em meu blog, mas não posso deixar de postar meus poemas preferidos de vez em quando...
 Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
Velhas Árvores
Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...
O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.
Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:
Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem.
Olavo Bilac (1865 – 1918), artífice do verso.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A TIA

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas, ou homenagear autores que admiro.
A TIA¹
Eu tive uma velha tia,
Que um velho livro possuía;
Dentro dele era guardada
Uma folinha mirrada.
Também está mirrada agora
A mão que a colheu outrora.
Não sei o que a velha tinha,
— Chorava ao ver a folinha.
Anastasius Grün, pseudônimo de Alexander, conde de Auersperg, poeta e prosador austríaco.
____________________
1 – In O Livro de Ouro da Poesia Universal. Trad. Ari de Mesquita (org.). Tecnoprint, 1988.

sábado, 2 de abril de 2011

A BORBOLETA E A MOSCA

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas, ou homenagear autores que admiro.
A Borboleta e A Mosca
Inexperta borboleta
Com asas de nívea cor,
Sem receio, sem temor,
Dava giros inquieta
De uma vela em derredor
De seu brilho namorada,
Tanto a luz se avizinhou,
Que nela enfim se queimou,
E, caindo desasada,
Em um momento expirou.
Vendo-a uma mosca dizia:
"Bem castigada loucura!..."
E voou pronta a doçura
Do mel que num vaso via,
E a seu folgo* ali chupou.   *com prazer.
Porém quando a voadora
Pretendeu erguer-se ao ar,
Foi baldado* o forcejar,      *frustrado.
Que na doçura traidora
Ficou presa até findar.
O prazer nos cega a todos,
E após aquele que amamos,
O dos outros condenamos,
Mas sempre por vários modos
O mesmo fruto tiramos.
Costa e Silva, José Maria da, (1788-1854). Ilustre poeta português.

terça-feira, 29 de março de 2011

A CASA DO CORAÇÃO

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas, ou homenagear autores que admiro.

A Casa do Coração¹
O coração tem dois quartos
Moram ali, sem se ver,
Num a dor, noutro o prazer.
Quando o Prazer no seu quarto
Acorda cheio de ardor,
No seu, adormece a Dor...
Cuidado, Prazer! Cautela,
Canta e ri mais devagar...
Não vá a dor acordar...
         Rüchert, Friedrich, (1788-1866). Poeta e filólogo alemão.
____________________
1 – In O Livro de Ouro da Poesia Universal. Trad. Ari de Mesquita (org.). Tecnoprint, 1988.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O ARTÍFICE DO VERSO

A habilidade, a engenhosidade e a veia satírica de Gregório de Matos, deixam-me, sobremaneira, desconcertado. Com que facilidade, esse artífice do verso, trabalhava seus poemas. Veja:
Certa vez, um conde pediu a Gregório de Matos que fizesse um soneto em seu louvor. O poeta baiano, porém, não achou nele nada que pudesse ser louvado. Não querendo desagradar o nobre conde, compôs assim mesmo o soneto que você vai ler abaixo:
Um soneto começo em vosso gabo¹             (¹ louvor)
Contemos essa regra por primeiro,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo²                (² no fim)
Na quinta torce agora a porca o rabo:
A sexta vá também desta maneira,
Na sexta entro já com a grã³ canseira          (³ grande)
E saio dos quartetos muito brabo.
Agora nos tercetos que direi?
Direi que vós senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.
Nesta vida um soneto já ditei,
Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei.
Com que maestria Gregório compôs este soneto: usando apenas a forma do soneto, esvaziou o conteúdo e não se comprometeu com elogios falsos. É por coisas assim que tenho de admirar esse poeta. ®Sérgio.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

VIA CRUCIS - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas, ou homenagear autores que admiro.
VIA CRUCIS
A Via Crucis foi uma selvageria,
A Crucifixão uma brutalidade;
mas em três, quatro horas, acabou a agonia,
baixou a eternidade.
Eu vivo aqui, crucificada noite e dia,
carrego da manhã à tarde
o meu lenho de opróbrio¹ e a noite me excrucia,
lenta, fria, covarde.
Ah, como eu preferia
que me crucificassem de uma vez, sem o alarde
de algum terceiro dia!
Mas toca-me seguir nessa monotonia,
a agonia de alçar-me do catre
e abrir de novo os braços vazia.
Bruno Tolentino (1940-2007) in As Horas de Katharina.Tolentino ,foi poeta brasileiro, professor de literatura nas universidades de Oxford, Essex e Bristol e tradutor-intérprete junto à Comunidade Econômica Europeia. As Horas de Katharina foi escrito durante o período de 22 anos (1971-1993), e é composto de 166 poemas. Bruno ganhou, com essa obra, o Prêmio Jabuti de melhor livro de poesia. ®Sérgio.
_______________________________
1- Opróbrio: grande desonra pública; degradação social; ignomínia, vergonha, vexame.

sábado, 17 de julho de 2010

QUESTÃO DE PONTUAÇÃO - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e me emocionaram ou me agradaram no conteúdo. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
QUESTÃO DE PONTUAÇÃO
Todo mundo aceita que ao homem
Cabe pontuar a própria vida:
Que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca):
Viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia)
Viva equilibrando-se entre vírgula
E sem pontuação (na política)
O homem só não aceita do homem
Que use a só pontuação fatal:
Que use, na frase que ele vive
O inevitável ponto-final.
João Cabral de Melo Neto (1920-1999), poeta e diplomata brasileiro.

quarta-feira, 24 de março de 2010

SE HOUVER AMIZADE... - Seleta de Poemas

Como pensar, que um físico, cientista, matemático, voltado para o exato, para o lógico, pudesse compor um poema sobre a amizade tão significante como este. Pois é..., ele escreveu.
A AMIZADE
Pode ser que um dia deixemos de nos falar…
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
Pode ser um dia que o tempo passe…
Mas, se a amizade permanecer,
Um do outro há de se lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos…
Mas, se formos amigos de verdade
A amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos…
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe…
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente;
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.
• Albert Einstein (1879 – 1955). ®Sérgio.

domingo, 14 de março de 2010

II POVERELLO - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
Poverello significa o Pobrezinho, diminutivo carinhoso pelo qual era tratado São Francisco de Assis.
II POVERELLO
Desgrenhado e meigo, andava na floresta.
Os pássaros dormiam em seus cabelos.
As feras o seguiam mansamente.
Os peixes bebiam-lhe as palavras.
Dentro dele todo o caos se resolvera,
Numa ingênua certeza: — “Preguei a paz,
Mostrei o erro, domei a força, curei o mal.
Antes de mim o crime. Depois de mim o amor.”
Mas a floresta esqueceu no outro dia,
O bíblico sermão e novamente o lobo comeu a ovelha,
A águia comeu a pomba,
Como se nunca houvera santos e sermões.
• José Paulo Paes (1926 - 1998) ®Sérgio.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

MARIA DIAMBA - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
MARIA DIAMBA
Para não apanhar mais
falou que sabia fazer bolos:
virou cozinha.
Foi outras coisas para que tinha jeito.
Não falou mais.
Viram que sabia fazer tudo,
até molecas para a Casa-Grande.
Depois falou só,
só diante da ventania
que vinha do Sudão;
falou que queria fugir
dos senhores e das judiarias deste mundo
para o sumidouro.
• Jorge de Lima (1893-1953), in Poemas Negros. Foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro. ®Sérgio.