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segunda-feira, 8 de julho de 2013

O DILÚVIO SEGUNDO A MITOLOGIA GREGA

A mitologia grega desde a sua criação conheceu várias épocas, que a história batizou de Idades. Na primeira delas, a Idade do Ouro, todos eram felizes. Reinavam a verdade e a justiça, não havia juízes para ameaçar ou punir. A velhice não existia, tampouco as doenças. Reinava uma primavera permanente, os alimentos brotavam da terra por si só.
Depois dessa idade feliz seguiu-se a Idade da Prata, nela Zeus (Júpiter) reduziu a primavera e dividiu o ano em estações. Pela primeira vez o homem teve de sofrer os rigores do calor e do frio. Tornou-se necessário plantar para colher.
Veio a Idade do Cobre na qual começaram as disputas entre os homens, até que se chegou, finalmente, à Idade do Ferro. Nessa idade a violência propagou-se pela Terra. O hospede não se sentia em segurança na casa em que se hospedara; os genros e sogros, os irmãos e irmãs, os maridos e as mulheres não podiam confiar um nos outros. Os filhos desejavam a morte dos pais, a fim de lhes herdar a riqueza. A paz abandonou definitivamente a Terra.
Vendo então o estado das coisas, Zeus indignou-se e convocou os deuses para um conselho. Convocado o conselho dos deuses, todos obedeceram e tomaram o caminho do palácio do céu. Esse caminho pode ser visto no céu em todas as noites claras, a chamada Via Láctea, e ao longo dela fica os palácios dos deuses ilustres; a plebe celestial vive à parte, de um lado ou do outro.
O Dilúvio de Deucalião.
Dirigindo-se à assembléia, Zeus expôs as terríveis condições que reinavam na terra e encerrou suas palavras anunciando a intenção de destruir todos os seus habitantes e fazer surgir uma nova raça diferente da primeira, que seria mais digna de viver e saberia melhor cultivar os deuses. Tomou o seu raio, e já ia despedi-lo contra o mundo, destruindo-o pelo fogo, quando percebeu o perigo que um incêndio teria para os próprios deuses. Decidiu então inundar a Terra. O vento norte que espalha as nuvens foi aprisionado; o vento sul foi solto e em breve cobriu todo céu com escuridão profunda, torrentes de chuva caíram; as plantações inundaram-se. Não satisfeito com suas próprias águas, Zeus pediu ajuda de seu irmão Poseidon (Netuno). Este soltou os rios e lançou-os sobre a Terra. Ao mesmo tempo sacudiu-a com um terremoto e lançou o refluxo dos oceanos sobre as praias. Rebanhos, animais, homens, casas e templos foram tragados pelas águas. De todas as montanhas, apenas a do Parnaso ultrapassava as águas. No entanto, Zeus resolveu poupar da destruição um homem e sua esposa, que considerava os únicos justos sobre a face da Terra. Deucalião e Pirra eram seus nomes.
Avisado do dilúvio, Deucalião construiu um barco de madeira para salvar sua esposa e levar mantimentos. Ao verem que tudo naufragava sob as ondas impetuosas, Deucalião abraçou-se à esposa, e foram ambos refugiar-se no barco. Durante nove dias e nove noites o casal vagou pela água dentro do barco. No décimo dia, o barco encalhou no Monte Parnasos. Quando Zeus viu que apenas eles haviam sobrevivido ao dilúvio, cessou a tempestade e Poseidon retirou as suas águas. ®Sérgio.

sábado, 15 de junho de 2013

A ARMADILHA DE ZEUS

Para punir o titã Prometeu e seu irmão Epimeteu pela ousadia de furtar o fogo divino, Zeus armou uma armadilha: Ordenou que Hefesto, o deus-ferreiro do mundo subterrâneo, fizesse a mulher.
Hefesto fez uma mulher belíssima, fascinante e cada um dos deuses do olimpo contribuiu com algum atributo para aperfeiçoá-la. Recebeu de Atena a arte da tecelagem, de Venus a beleza e o poder de sedução, de Hermes as artimanhas e assim por diante. Por fim, batizou-a como Pandora (pan = todos, dora = presente) e mandou-a à Terra ao atrapalhado Epimeteu, que, despeito da advertência de seu irmão para ter cuidado com Zeus e seus presentes, ingenuamente a aceitou.
A vingança planejada por Zeus estava contida numa grande e belíssima caixa de marfim, que foi levada como presente de núpcias para Epimeteu com a seguinte instrução: jamais, em hipótese alguma, deveria abrir aquela caixa.
Pandora, levada pela curiosidade feminina, Resolveu abri-la. Ao fazê-lo descobriu que a caixa continha todas as desgraça da humanidade, ou seja, nossos vícios: egoísmo, crueldade, inveja, ciúme, ódio, intriga, ambição, desespero, tristeza, violência e todas as outras coisas que causam miséria e infelicidade. Rapidamente a fechou, mas todas as desgraças e calamidades já haviam escapado, restando apenas à Esperança.
Com a liberação de todos nossos vícios, o paraíso terrestre acabou; o homem e a mulher antes imortais tornam-se mortais, e assim, conhecem a dor e o sofrimento que antes não existiam. O Fogo Olímpico que ardia no interior do homem quase apagou. Restou apenas uma centelha que é a própria Esperança de um dia regressar ao Paraíso Perdido. ®Sérgio.

segunda-feira, 4 de março de 2013

O TERRÍVEL CRONOS

Os titãs nasceram da união entre Urano, que representava o Céu, e Gaia, que seria a Terra. O poeta grego Hesíodo, que viveu no século sete a. C., narra o surgimento dos titãs, numa obra clássica chamada Teogonia:
Urano irritou-se, certa feita, com as injúrias que imaginava receber de seus filhos. Por isso decidiu encerrá-los no ventre de Gaia, a mediada que iam nascendo. Tendo de segurar em suas entranhas os turbulentos titãs e suportar ao mesmo tempo, o assédio insaciável e ininterrupto do marido, Gaia incentivou um de seus filhos, Cronos - o mais importante dos titãs e o mais jovem também - a decepar os órgãos genitais de Urano, fazendo com que este se afastasse dela. Gaia erguendo uma enorme foice de diamante entregou-a ao filho para que mutilasse os órgãos genitais do pai.
Cronos apanhou a foice e dirigiu-se para o local onde seu velho pai descansava. Ao chegar empunhou a foice e a fez descer abaixo da cintura do pobre Urano. Seus testículos, arrancados pelo golpe certeiro da foice, voaram longe e foram cair no oceano. Imediatamente foram soltos todos os outros titãs, irmãos de Cronos, que era agora o senhor de todo o universo. A partir de então, o mundo foi governado pela linhagem dos Titãs que, segundo Hesíodo, constituía a segunda geração divina.
Cronos se uniu a uma de suas irmãs, Réia, com quem teve seis filhos (os Crónidas): três mulheres, Héstia, Deméter e Hera e três rapazes, Hades, Poseidon e Zeus. Como tinha medo de que os descendentes desafiassem seu poder sobre o mundo, ele engolia todos os seus filhos. Esse medo era oriundo da praga que seu pai lhe lançara no dia em que o mutilara com a foice: "Do mesmo modo que usurpou o meu mando supremo, irá também perdê-lo pela mão de um dos seus filhos". Comeu todos exceto Zeus, que Réia, depois de entregá-lo aos cuidados das ninfas da floresta, enganou Cronos enrolando uma pedra em um pano, a qual ele engoliu sem perceber a troca.
Após crescer e se tornar forte, Zeus resolveu vingar-se de seu pai, solicitando para esse feito o apoio de Métis - a Prudência - filha do Titã Oceano. Esta ofereceu a Cronos uma poção mágica, que o fez vomitar os filhos que havia devorado.
Com a ajuda dos irmãos, Zeus derrotou Cronos e outros titãs numa grande batalha chamada Titanomaquia, e passou a ser o grande chefe de todos os deuses gregos. Cronos e seus aliados foram presos para sempre no Tártaro, o mundo subterrâneo para onde iam os mortos. O abismo de Tártaro é tão profundo que seus recessos estavam tão abaixo de seus pés quanto o céu estava acima de suas cabeças. ®Sérgio.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O NASCIMENTO DE AFRODITE (VÊNUS)

Deusa do amor, da beleza e do êxtase sexual. De acordo com Hesíodo, Afrodite nasceu quando Urano foi castrado por seu filho Cronos (Saturno) com uma foice de dentes agudos, que atirou os órgãos genitais do pai ao mar. O membro cortado ejacula pela última vez e um turbilhão levantou-se das águas e dele teria surgido Afrodite (aphroditê = espuma do mar). Zéfiro a levou, sobre as ondas, até a ilha de Chipre, onde foi recolhida e cuidada pelas Estações que a levaram, depois a assembléia dos deuses. Todos ficaram encantados com sua beleza e desejaram-na para esposa. Zeus (Júpiter) temendo uma briga entre os deuses, devido os encantos de Afrodite, resolveu casá-la com Hefestos (Vulcano), (deus do fogo, coxo e um dos mais feios deuses do Olimpo) em gratidão pelo serviço que ele prestara, forjando os raios. O casamento não deu certo. Amante de Ares, a quem deu vários filhos (entre eles Fobos = Medo, e Demos = Terror). Com Hermes (mensageiro dos deuses) deu a luz a um menino que tinha os dois sexos que recebeu o nome de Hermafrodito. Com Apolo (deus do sol) teve o filho Himeneu (deus do casamento). Afrodite possuía um cinto bordado, o cestus, que tinha o poder de inspirar o amor. Suas aves preferidas eram o pombos e os cisnes, e a rosa era flor a ele dedicada. Afrodite era também mãe de Eros (Cupido), deus do amor. ®Sérgio.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O SACRIFÍCIO DE ANDRÔMEDA

Andrômeda era filha do rei Cepheus e da rainha Cassiopeia da Etiópia. Sua mãe, a rainha Cassiopeia, era uma mulher excessivamente presunçosa que ousou dizer ser mais bonita que as Nereidas, um grupo de 50 ninfas do mar de extraordinária beleza, filhas do deus Nereu, que geralmente era visto acompanhando Poseidon. As Nereidas ficaram tão ofendidas pela arrogância da vaidosa rainha que imploraram a Posseidon que a punisse. Em resposta ao apelo das Nereidas, Poseidon, irmão de Zeus e deus do Mar, enviou o monstro marinho Cetus, para devastar a Etiópia e o reino da rainha vaidosa. O rei desesperado, perguntou ao oráculo de Zeus, o que ele devia fazer para acalmar a ira de Posseidon; o oráculo anunciou que não haveria paz enquanto o Rei não sacrificasse a sua belíssima filha virgem Andrômeda para o monstro do mar. Desse modo, o rei não teve outra escolha a não ser sacrificar a filha, acorrentando-a  em um rochedo para que ela fosse devorada.
Assim foi feito;  Cepheus acorrentou Andrômeda a um rochedo na costa do Mediterrâneo, em Jaffa, onde presentemente está a cidade de Tel Aviv (Israel), à espera da aproximação do monstro. Perseu, após ter assassinado górgona Medusa, retornava a sua cidade, quando encontra Andrômeda preste a ser devorada pelo monstro do mar; ele mata Cetus, liberta Andrômena e se casa com ela, apesar de ter sido prometida a Phineus. Após o casamento, Andrômeda partiu com Perseu para Argos e, em seguida, para Tirinto, onde viveram por muito tempo, tendo seis filhos: Alceu, Electrião, Estênelo, Helio, Mestor e Perses; e uma filha, Gorgófona.
Após sua morte, ela foi colocada por Atena entre as constelações do céu, perto de Perseu e Cassiopeia. ®Sérgio.

domingo, 9 de setembro de 2012

O MONTE OLIMPO

O cume do Monte Olimpo, na Tessália era a morada dos deuses Gregos. Doze eram os deuses - seis masculinos e seis femininos – entretanto, somente dez moravam no Olimpo. Netuno (Poseidon para os romanos) deus do mar habitava o mar. Hades deus dos submundos, seu palácio no inferno. O Olimpo era cercado de muros, abrindo para o exterior através de uma porta de nuvem, da qual tomava conta às deusas chamadas Estações (Diké, a justiça; Eunomia, a ordem; e Irene, a paz). Quando os deuses saíam as Estações escondiam os palácios com um véu de nuvens, mas, assim que eles voltavam, as três afugentavam as nuvens para que tudo voltasse ao brilho anterior.
E ao Olimpo, subiu, a régia e eterna
Sede dos Deuses, onde a tempestade
Ruge jamais, e a chuva não atinge
E nem a neve. Onde o dia brilha
Num céu limpo de nuvens e ameaças
Felicidades sempiternas gozam
Ali os seus divinos habitantes.
(Versos da Odisseia de Homero, in original inglês de William Cowper, trad. De David Jardim)
Pelos versos de Homero, podemos deduzir que na morada dos deuses jamais chovia nem soprava vento.  O clima era perfeito: nem frio nem quente demais.
O espaço habitado pelos deuses formava um conjunto de residências distintas que tinham a função de acolher seus proprietários para dormir. O grande salão de Zeus, de puro ouro, servia para assembleias e festins, onde os deuses se regalavam todos os dias com ambrósia e néctar (alimento e bebida), servidos pela deusa da juventude Hebe e discutiam os assuntos relativos ao Céu e à Terra. Quando o sol se punha os deuses se retiravam para as suas respectivas moradas para dormir.
Hefesto (Vulcano para os romanos) o artesão divino era o arquiteto de todas as obras do Olimpo. ®Sérgio.
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Para maiores informações a respeito de o assunto ver: Bulfinch, Thomas, O Livro de Ouro da Mitologia: Histórias de Deuses e Heróis, 26º edição, Rio de Janeiro, 2002, Ediouro. / Bulfinch, Thomas. O Livro bde Ouro da Mitologia. Trad. David Jardim – Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ISÍS: A PROTETORA DOS MORTOS

ÍSIS (ou Auset) – Protetora dos mortos, da natureza e da magia. Deusa da maternidade, amiga dos oprimidos (escravos, pescadores e artesãos), modelo de mãe e esposa ideal. Era a primeira filha de Geb (deus da Terra) e de Nut (deusa do Firmamento). Casou-se com seu irmão gêmeo Osíris. Os egípcios acreditavam que o rio Nilo foi criado – e inundava todos os anos - com as lágrimas de Ísis depois que o marido foi despedaçado por Seth (irmão de Osíris, deus do deserto e das tempestades); foi ela que juntou os pedaços de Osíris espalhados pelo Egito e o ressuscitou. Quando Isis deu à luz Hórus, ela o fez em uma caverna, cercada por muitos animais, protegendo-o da perseguição de Seth. As três divindades do Sol foram informados do nascimento pela estrela conhecida como Sirius ou a estrela da manhã oriental. O tempo de seu nascimento foi em torno do solstício de inverno, ou entre os dias 21 e 26 de dezembro. Qualquer semelhança é pura coincidência. ®Sérgio.
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Para saber mais sobre Ísis e Osíris leia: Osíris: O Juiz dos Mortos. (clique no link)

sábado, 17 de março de 2012

DÂMON E PÍTIAS

Dâmon e Pítias eram dois amigos inseparáveis. Nasceram em Siracusa (Sicília) no quarto século antes de Cristo. Tendo sido Pítias condenado à morte pelo tirano Dionísio por ter-se negado a servi-lo. Contudo, antes de cumprir a pena, o jovem pediu permissão ao tirano para ir a sua cidade, do outro lado do país, a fim de se despedir da família e resolver alguns assuntos, deixando como fiador de sua palavra o seu melhor amigo Dâmon que concordou em substituí-lo, mas foi cientificado de que, se chegasse após o dia e a hora fixada, Dâmon iria ser morto em seu lugar.
Expirado o prazo, sem que Pítias regressasse, Dâmon foi levado para o lugar das execuções, mas seu amigo exatamente a tempo de salvá-lo. Dionísio ficou tão impressionado com a solidez dessa amizade e com o sentimento de honra dos amigos, que resolveu perdoar Pítias. ®Sérgio.

A CONDENAÇÃO DE DÂNAE

Castigo imposto à Princesa de Argos, Dânae, por seu próprio pai, o Rei Acrísio. Este, temendo que se cumprisse uma profecia, segundo o qual ele seria assassinado pelo filho que viesse nascer de Dânae, encarcerou a filha  em uma câmara de bronze subterrânea e posta sob guarda, para que de modo algum ela pudesse casar-se e torná-lo avô.
Entretanto, Zeus, o deus todo poderoso, iludiu a vigilância de rei, transformando-se numa chuva de ouro, e sob este disfarce, conseguiu unir-se à Princesa prisioneira. Dânae tornou mãe de Perseu.
A profecia se cumpriu durante os jogos olímpicos em Larissa, quando Perseu atirou um disco com tanta força que este foi além do alvo e acidentalmente matou seu avô. ®Sérgio.

sábado, 10 de março de 2012

O MITO DE ALECTRION

Segundo o mito grego, Hefesto (Vulcano, na mitologia romana), deus do fogo, da metarlugia e dos Vulcões, devido aos seus afazeres, sempre muito ocupado com suas forjas e as suas indústrias metalúrgicas, deixava Afrodite (Venus) muito só.
Ares (Marte) aproveitando o descaso do deus do fogo, passou a cortejar Afrodite que acabou em encontros noturnos. Alectrion, jovem sentinela às ordens de Ares, é encarregado por este de vigiar e guardar os seus encontros noturnos com a deusa Afrodite. Avisando-os para que se desfizesse o encontro amoroso antes do nascimento do sol, isto é, antes que o deus Hélios surgisse, pois poderia expor os amantes a uma situação perigosa. Certa manhã, porém, Alectrion, mergulhado no sono deixou de avisar os amantes e o Sol que acabara de acordar, avistou os dois amantes, e, imediatamente, denunciou-os a Hefesto, o marido enganado. Como acontece sempre que se descobre um adultério, seguiu-se uma série de confusões, e, ao final, Ares transformou o "descuidado" amigo em galo, com a obrigacão de cantar sempre, a cada manhã, antes do nascimento do Sol.
Por isso é, que o galo, lembrando o castigo, canta, enlouquecido, durante a noite, anunciando a aproximação do Sol. ®Sérgio.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A LENDA DA JOVEM ARACNE

Numa antiga região da Ásia Menor chamada de Lídia, vivia uma jovem de nome Aracne, que tinha uma extraordinária habilidade e grande reputação na arte de tecer e bordar.
As tapeçarias que desenhava eram tão belas e perfeitas que pessoas vinham de terras distantes só para contemplá-las. Devido a tanta admiração, Aracne começou a comparar-se à Atena - deusa das fiandeiras – e que seria capaz de derrotá-la na arte da tecelagem. Quando a notícia chegou ao Olimpo, Atena ficou furiosa com a petulância da mortal. Sentiu-se desafiada e resolveu aceitar a competição com Aracne, para ver quem merecia de fato ser considerada a melhor na arte de bordar. Antes, porém, a deusa disfarçou-se de uma humilde velhinha e foi ter com Aracne. Pediu-lhe que a escutasse, devido à experiência de sua idade avançada: "Busque entre os mortais toda fama que desejar, mas reconheça a posição da deusa". Aracne, entretanto, não aceitou os conselhos da deusa, e, mais uma vez, a desafiou, dizendo: "Por que motivo sua deusa está evitando competir comigo"? Nesse momento, Atena tirou o disfarce e todos, ao redor, ficaram surpresos, exceto Aracne, que permaneceu impassível. As duas, então, dão início à competição.
 Ambas trabalharam com rapidez e habilidade. Atena representou sobre a tapeçaria os doze deuses do Olimpo em toda a sua majestade e para aviso da sua rival acrescentou nos quatro cantos a representação de quatro episódios mostrando a derrota dos mortais que tinham ousado desafiar os deuses. Aracne ousou ilustrar sobre o seu trabalho as conquistas amorosas de Zeus. Sob a forma de touro, arrebatando Europa; sob a forma de águia, abordando Astéria; sob a forma de cisne, conquistando Leda; sob a forma de sátiro, fazendo amor com Antíope; Zeus fazendo-se passar por Anfitríon para seduzir Alcmene, mãe de Heraclés (Hércules); Zeus, o pastor que fez amor com Mnemosine, mulher-titã; e, ainda, Zeus conquistando Egina, Deméter e Danae, disfarçado de chama, serpente e chuva de ouro, respectivamente. Isso deixou Atena tão enraivecida que rasgou em pedaços o trabalho e golpeou, com o bastão de tecer, a cabeça Aracne. Ultrajada e desesperada, Aracne enforca-se.
Atena, ao ver o que sua cólera havia provocado, compadeceu-se de Aracne e transformou a corda que ela usara para enforcar-se numa teia. Em seguida, derramou sobre Aracne fluidos retirados das ervas da deusa Hecate e transformou-a em uma aranha. Dessa forma, Aracne foi salva da morte e, embora condenada a ficar dependurada em sua teia, a fiar e a tecer para sempre. ®Sérgio.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O MITO DE ALECTRION

Alectrion, companheiro de Marte, é encarregado por este de vigiar e guardar os seus encontros noturnos com a deusa Vênus. Alectrion, porém, descuidou-se, e o Sol que acabara de acordar, avistou os dois amantes, e, imediatamente, denunciou-os a Vulcano, o marido enganado.
Como acontece sempre que se descobre um adultério, seguiu-se uma série de confusões, e, ao final, Marte transformou o "descuidado" amigo em galo.
Por isso é, que o galo, lembrando o castigo, canta, enlouquecido, durante a noite, anunciando a aproximação do Sol. ®Sérgio.

segunda-feira, 7 de março de 2011

HERESIA GREGA - Notas à Toa

Em 500 a. C., o filósofo grego Anaxágoras concebeu a teoria de que o Sol é uma massa de pedra ardente, do tamanho pouco maior que o território da Grécia.
Não deu outra. Anaxágoras foi preso e acusado de heresia. Para os gregos o Sol era resultado do passeio do Deus Hélio pelo céu, a bordo de uma carruagem com cavalos que soltavam fogo pelas narinas. ®Sérgio.
Fonte: A Luz da Ciência e da Fé, Revista Veja, 9 de março de 211; p. 84.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

AS MUSAS INSPIRADORAS

Clio, segundo Mignard
As musas são figuras mitológicas, deusas irmãs inspiradoras da criação artística. Inicialmente, eram as inspiradoras dos poetas. Na literatura, por exemplo, inspiradoras da poesia e dos poetas. Daí, serem eles (os poetas) quem mais as citaram em seus poemas. Mais tarde sua influência se estendeu a todas as artes e ciência.
Na Grécia, eram nove as musas; todas filhas de Mnemosine (Memória) e Zeus (Júpiter). As musas tinham a incumbência de perpetuar vitórias e glórias do Olimpo; por isso cantavam o presente, o passado e o futuro, acompanhadas pela lira de Apolo, para o prazer das divindades gregas. Atenas consagrou-lhes um templo o Museion (que deu origem à palavra museu); e Roma muitos templos. Estátuas das musas eram muito usadas em decoração. Os escultores representavam-nas sempre com algum objeto, como a lira ou o pergaminho.
Apesar das Musas terem se consagrado como o ente que inspira o poeta, nos tempos modernos, muitas vezes, elas são confundidas com a amada do poeta. No arcadismo e no Romantismo, os poetas sempre invocaram as musas, não mais numa atitude de pedir proteção, mas como recurso literário.
Segundo Hesíodo as musas são em número de nove, a saber:
●  Calíope (musa do poema épico) – a mais velha das musas; representada pelos escultores com ar majestoso, ornada de grinaldas e fronte cingida de uma coroa de ouro; com uma mão segura uma trombeta e com a outra, um pergaminho contendo um poema épico.
●  Clio (musa da História) – representada pelos escultores coroada de louros, tendo na mão direita uma trombeta e na esquerda um livro intitulado Tucídide (historiador grego, autor de A Guerra do Peloponeso). Descansa sobre o globo terrestre para mostrar que a história alcança todos os lugares e todas as épocas.
●  Érato (musa da poesia lírica) - tinha por símbolo a flauta, sua invenção. Representada coroada de flores, tocando a flauta. Ao seu lado estão papéis de música, oboés e outros instrumentos. Essa imagem simbolizava o quanto as letras encantam àqueles que as cultivam.
●  Tália (musa da comédia) - vestia-se com uma máscara cômica e portava ramos de hera.
●  Melpômene (musa da tragédia) - ricamente vestida, usa máscara trágica, folhas de videira e coturnos. O seu aspecto é sempre grave e sério.
●  Terpsícore (musa da dança) - regia também o canto coral. Representada pelos escultores coroada de grinaldas, tocando uma lira, ao som da qual dirige a cadência dos seus passos.
●  Euterpe (musa do verso erótico) - coroada de mirto e rosas, a jovem musa segura na mão direita uma lira e na esquerda um arco. Ao seu lado está um pequeno cupido que lhe beija os pés.
●  Polímnia (musa da retórica) - vestida de branco e de véu, apresenta-se em atitude pensativa, meditativa.
●  Urânia (a musa da astronomia) – era a entidade a que os astrônomos e/ou astrólogos pediam inspiração. Vestida de azul-celeste e coroada de estrelas, segura um compasso e um globo celeste.
Na mitologia greco-romana existem outros grupos de musas, de cunho mais regional, como o das musas Méleta, da meditação; Mnema, da memória; e Aede, protetora do canto e da música.
Platão, certa vez escreveu: "Dizem que há nove musas, que falta de memória! Esqueceram a décima, Safo de Lesbos." ®Sérgio.
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Para maiores informações a restpeito deste assunto ver: Portal Graecia Antiqua. Disponível em: http://greciantiga.org/lit/lit03b.asp. 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

APOLO E JACINTO: UM CASO DE AMOR

Apolo - deus do Sol, filho de Zeus e da ninfa Leto, irmão de Artemis (Diana) deusa da caça - apaixonou-se por um jovem mortal chamado Jacinto. É verdade! Como isso aconteceu? Bem... o que eu sei é que:
Jacinto era um jovem de rara beleza e muito apreciado pelos deuses do Olimpo. Segundo a lenda, ele nasceu em Esparta, fruto da união de Clio, uma das musas, e de um mortal. Além de belo, Jacinto também era musculoso e forte, predicados que chamaram a atenção de Apolo. Apaixonado pelo jovem, o seguia aonde quer que ele fosse.
Entretanto, Jacinto também era cortejado pelo poeta Tamiris e por Zéfiro (o vento oeste), que o conhecera antes do deus do Sol. Podiam, eles se colocaram contra Apolo? Tamires acreditava que sim. Então, para se livrar do poeta, Apolo diz às musas que ele se gabava de cantar melhor do que elas. As musas, iradas e vingativas, lhe retiraram a voz, a visão e a memória. Foi o fim de Tamires. Zéfiro, que muito bem conhecia os poderes de Apolo, permaneceu contrariado. Porém, um ódio surdo crescia em sua alma, despertando-lhe a vingança.
Aconteceu, pois, que num belo dia, quando os amantes se divertiam com um jogo - Jacinto se distinguia em todos os esportes –, Apolo lançou o disco de tal maneira, que Jacinto, entusiasmado com o lançamento, correu adiante para pegá-lo e ao mesmo tempo medir a distância percorrida pelo disco. Era a oportunidade que Zéfiro - amargurado pela preferência de Jacinto por Apolo - aguardava. O Vento Oeste, escondido em meio à folhagem de uma árvore, agarrou o disco em pleno voo, e lançou-o contra o crânio¹ de Jacinto, que caiu morto no mesmo instante. Apolo, cheio de profundo e íntimo desespero, correu até ele, levantou-o nos braços, mas a cabeça do jovem sem vida tombou sobre os ombros do deus do Sol. Eis a crueza medonha da morte. Eis o choque. Apolo era a própria imagem da tristeza infinita e do desespero inenarrável. O que era desejo se trocou subitamente em dor.
Sentindo-se o único culpado pela morte de Jacinto, Apolo jura que ele viverá para sempre na sua lira e como uma flor que renascerá em cada primavera. Dito e feito, no mesmo instante que o sangue de Jacinto chegou ao chão, se transformou numa flor do mais belo colorido; muito semelhante ao lírio, porém, roxa. Jacinto, a flor que renasce toda Primavera, relembrando o destino do jovem.
Afirmam estudiosos e pesquisadores, que a flor mitológica, não tem nada a ver com a flor do jacinto que conhecemos; a do mito, dizem, talvez se trate de alguma espécie de íris, de esporinha ou de amor-perfeito.
Wolfgang Amadeus Mozart compôs, em referência a esse mito, a ópera (em latim) Apollo et Hyacinthus seu Hyacinthi metamorphosis (Apolo e Jacinto ou metamorfose de Jacinto)  baseado no texto de R. Widl. Estreou em 13 de maio de 1767 na Aula Magna da Universidade de Salzburgo. ®Sérgio.
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1 – Em outra versão, Zéfiro não é responsável pela morte de Jacinto. Apolo atingiu-o sem querer.
Ajudaram na elaboração deste texto: Bulfinch, Thomas, O Livro de Ouro da Mitologia: Histórias de Deuses e Heróis, 26. Ed., Rio de Janeiro, 2002, Ediouro. / Gandon, Odile. Deuses e Heróis da Mitologia Grega e Latina. 1. São Paulo: Martins Fontes, 2000. / http://wikimediafoundation.org
Imagem: A Morte de Jacinto, 1801, óleo sobre tela de Jean Broc (1771-1850).

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

OS AMANTES DE AFRODITE

Segundo a Teogonia de Hesíodo¹, Cronos (tempo), o mais jovem dos Titãs, filho de Gaia (Terra) e de Urano (Céu), nutria intenso ódio por seu pai. Um dia, quando Urano veio se estender sobre Gaia, Cronos saiu de seu esconderijo, e com uma foice de dentes agudos castra o pai e lança ao mar o membro cortado que ejacula uma última vez. Da espuma nasce Afrodite (Aphroditê = espuma do mar), a ciumenta deusa da beleza, do amor, do desejo e da sexualidade. Possuía um cinturão mágico de grande poder sedutor, cujos efeitos eram irresistíveis.
Casou-se com Hefesto (deus do fogo), coxo e um dos mais feios deuses do Olimpo. Porém, nunca se satisfez em ser a esposa caseira e, por isso não hesitava em arrumar amantes.
Com Hermes (mensageiro dos deuses) deu à luz a um menino que tinha os dois sexos; recebeu o nome de Hermafrodito. Eros (deus da paixão) e Anteros (deus da ordem) foi o que lhe deu Ares (deus da guerra). Seduziu Dionísio (deus do vinho) com o qual teve um filho chamado Priápo (deus da fertilidade). Este era tão promíscuo que os deuses proibiram sua entrada no Olimpo. Outro que não resistiu a magia de seu cinturão foi Apolo (deus do Sol), teve com ele o filho Himeneu (deus do casamento).
Entretanto, sua verdadeira paixão foi o jovem, belo e mortal Adônis; no entanto Afrodite teve de disputar a companhia do jovem com Perséfone. Afrodite pediu a ajuda de Zeus que se recusou a ser o juiz, passando o caso para um tribunal presidido pela musa Calíope que sentenciou: Afrodite e Perséfone teriam o mesmo direito sobre Adônis. Ele passaria um terço do ano com cada uma delas, e o terço restante poderia descansar das deusas insaciáveis. No entanto, Adônis, que preferia Afrodite, permanecia com ela os oito meses. Perséfone, ofendida, segredou a Ares que sua amante secreta iria trocá-lo por um vil mortal. Ares, sentindo-se ultrajado, tomou a forma de um javali e enquanto Adônis caçava, o matou com uma "chifrada" mortal. Afrodite teve com ele três filhos: dois mortais e um imortal.
 Outro caso famoso de Afrodite foi com o também mortal Anquises (príncipe troiano, primo do rei Príamo) com quem teve Enéias, herói da Guerra de Tróia.
As deusas Venus (romana), Freya (nórdica), Turan (etrusca), Ishtar (mesopotâmica), Inanna (suméria) e Astarte (mitologia babilônica), têm tudo a ver com Afrodite. ®Sérgio.
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1 - Há uma segunda versão sobre o nascimento de Afrodite: a de Homero. Entretanto, mais comum é a de Hesíodo.
Ajudaram na elaboração do texto: Bulfinch, Thomas, O Livro de Ouro da Mitologia: Histórias de Deuses e Heróis, 26º edição, Rio de Janeiro, 2002, Ediouro. / Gandon, Odile. Deuses e Heróis da Mitologia Grega e Latina. 1. Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
Imagem: O Nascimento de Afrodite (detalhe), óleo sobre tela de William-Adolphe Bouguereau.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A MORTE DE AQUILES

 Durante nove anos os gregos estiveram envolvidos em escaramuças com os Troianos sem grandes consequências. Talvez, por isso, a Ilíada cobre apenas algumas poucas semanas do décimo ano da guerra, quando se deu as batalhas que levaram os gregos a conquista de Troia. A Ilíada, porém, não envolve a morte de Aquiles. De modo que surgiram versões diferentes sobre a morte do maior herói grego.
Segundo a tradição mais corrente, ele morreu em combate, ferido no calcanhar por uma flecha, lançada por Páris, mas guiada por Apolo, que, assim, vinga à morte do seu filho Tenes e o jovem arqueiro troiano, a de seu irmão Heitor.
Uma segunda versão diz que Aquiles apaixonou-se por Polixena, umas das princesas de Troia e teria pedido sua mão a Priamo, quando este esteve, secretamente, em sua choupana para pedir o corpo de Heitor. Priamo na espetativa de que essa união representasse o fim da guerra de Troia, consentiu a união. Entretanto, se Aquiles casasse com a irmã de Páris, este teria de abandonar Helena, causadora do cerco a Troia. Então, o príncipe troiano, incitado por Apolo que desejava vingar a morte de seu filho Tenes, atira, escondido por detrás de uns arbustos, uma flecha guiada por Apolo, que acerta o calcanhar de Aquiles e mata-o. Páris foi morto por Filoctetes, um dos argonautas e amigo de Hermes, com o arco e as flechas de Héracles (Hércules para os romanos).
A outra versão, um tanto mais romanesca, afiança que Aquiles se apaixonou por Polixena, a filha mais jovem do rei troiano e que, por ela, esteve por abandonar a causa Grega. Certo dia, por ocasião da trégua, Aquiles encontrou-se com a jovem no templo de Apolo (próximo de Troia), do qual ela era sacerdotisa. Páris, irmão de Polixena, sabendo do encontro, para lá se dirigiu, ferindo Aquiles, com uma flecha, no calcanhar, que acabou por matá-lo. O corpo de Aquiles foi resgatado por Ulisses e Ajax.
Os Gregos, convencidos de que Polixena tinha organizado uma cilada a Aquiles, ao apossarem-se da cidade de Tróia, foram a sua procura. Neoptólemo, filho de Aquiles, que os Gregos tinham ido buscar para que tomasse o lugar de seu pai no exército, encontrou-a e manteve Polixena cativa até que o fantasma de Aquiles apareceu para o filho, exigindo que ela fosse sacrificada. Neoptólemo assim fez, sacrificando também Príamo em honra de Zeus.
Argumentos de pesquisadores negam a Páris o feito de ter matado Aquiles. Dizem ser concepção comum de que ele era um covarde; não tinha, pois, a coragem de seu irmão Heitor. Afirmam que Aquiles nunca fora derrotado no campo de batalha, e mesmo, fora dele.
Verdadeiro ou não o feito de Páris, o fato é que, após a morte de Aquiles, Zeus - a pedido de Tétis - conduziu-o à ilha dos Bem-aventurados, onde ele casou com uma heroína (cita-se Medeia, Ifigênia). Da união com uma delas, teria nascido um filho alado, de nome Euforião, personificado como a brisa da manhã.
O túmulo de Aquiles, de acordo com a mitologia, encontra-se em Leuké, uma ilha do Mar Negro, também chamada de Aquileia.
São abundantes as obras literárias em que Aquiles personifica o herói grego. Só para exemplificar, destaco, além da Ilíada e da Odisseia, a tragédia de Eurípides, Ifigénia em Áulis, que foi imitada por Racine em 1674 e transformada em ópera por Gluck, em 1774, e Aquileide, poema épico de Stace. ®Sérgio.

sábado, 22 de maio de 2010

HEITOR E O FILHO DE TÉTIS

"Canto de ira, deusa, a destruidora ira de Aquiles, filho de Peleu, que trouxe incontáveis dores aos Aqueus, e mandou muitas almas valiosas de heróis a Hades, enquanto seus corpos serviam de alimento para os cães e pássaros, e a vontade de Zeus foi feita ..." (introdutório de a Ilíada de Homero)
Aquiles, o maior dos heróis gregos, era filho de Peleu, rei da Riótida, na Tessália. Pela parte de seu avô Éaco, ele descendia de Zeus (há quem diga de Posídon). Os vassalos de Peleu eram chamados de Mirmidões, desde quando Zeus, desejoso de dar um povo a Éaco, transformou uma colônia de myrmex (formigas) em homens. A mãe de Aquiles era Nereide Tétis, neta da Terra e do Mar.
Pois bem, durante nove anos, os gregos estiveram envolvidos em escaramuças com os Troianos sem grandes consequências. No decorrer desse período, os invasores aproveitaram para realizarem expedições às ilhas vizinhas de Tróia e pilharem as cidades. Em uma dessas expedições, Agamêmnon (o rei mais poderoso da Grécia) raptou Criseida, a filha do sacerdote de Apolo, e Aquiles, a bela Briseida, tornando-a sua serva.
No décimo ano de cerco a Tróia, Aquiles e Agamêmnon envolveram-se em uma disputa. Apolo dirigiu uma praga sobre o acampamento grego, que só seria retirada se Agamêmnon devolvesse Criseida ao pai. O rei grego, então, se viu obrigado a entregá-la ao pai; porém, como compensação, exigiu a serva de Aquiles. Enraivecido, o herói grego, decidiu abandonar a guerra e retirou-se para o acampamento, pondo assim em perigo a causa Grega.
Pátroclo, primo e possível amante de Aquiles, pediu-lhe que permitisse liderar os Mirmidões, na batalha que se fazia iminente. Pediu, também, emprestada a armadura de Aquiles; usando-a, espalharia o terror nas linhas troianas, pois iriam tomá-lo por Aquiles. Este concordou e Pátroclo partiu, lutou, e foi morto por Heitor, o melhor guerreiro troiano, filho de Príamo (rei de Troia).
Ao receber a notícia da morte de Pátroclo, Aquiles ficou enlouquecido de dor. Esqueceu a sua rixa com Agamêmnon, e só pensava em vingar a morte do primo. Sua mãe veio até ele e prometeu-lhe uma nova armadura para substituir a que ficou na posse de Heitor. Tetis encarregou Hefesto, o deus-ferreiro, de lhe forjar uma nova armadura. Assim, Aquiles e os Mirmidões conseguiram empurrar os troianos para dentro da muralha da cidade. As vítimas de Aquiles foram tantas que entulharam o leito do rio Escamandro. Mas é Heitor que Aquiles quer. E Heitor não viu alternativa, senão enfrentar Aquiles em duelo.
Quando o filho de Tétis, sombrio, olhar fulgurante, monstruoso dentro da nova armadura, surgiu diante de Heitor, este se aterrorizou e tentou fugir. Aquiles, porém, o perseguiu por três voltas ao redor das muralhas de Tróia. Na terceira volta, a deusa Atenas resolveu intervir. Assumindo a forma do irmão favorito de Heitor, Deífobo, convence-o a enfrentar Aquiles.
Antes que o duelo começasse, Heitor pede a Aquiles um pacto: que o vencedor respeitasse o cadáver do vencido, permitindo que o corpo fosse resgatado após a morte para que tivesse um funeral digno. Aquiles, furioso por Heitor ter matado Pátroclo, diz-lhe que não há pacto entre presa e predador. Dito isso, partiu, insano, para o duelo. Com a lança, fere mortalmente Heitor na garganta (a única parte desprotegida de armadura), que cai ao chão, mal podendo falar. Entretanto, compreendendo que ia morrer, com grande esforço, volta a implorar que Aquiles permita que seu corpo seja devolvido a Tróia para ser devidamente velado. Aquiles novamente nega-lhe o pedido, e lhe diz que seu corpo será pasto de cães e abutres, enquanto o de Pátroclo será honrado. Depois, mais uma vez, atravessa a garganta de Heitor com a lança. Assim morre o bravo Heitor diante de seus entes queridos, desmanchados em lágrimas e lamentos, que a tudo assistiram de dentro das muralhas.
Aquiles, então, amarra o corpo de Heitor - pelos calcanhares - atrás de sua biga e o arrasta ao redor das muralhas da cidade, para que toda Troia pudesse ver. Feito isso, arrasta-o até ao acampamento grego e joga-o em frente de sua choupana. A seguir, prepara um esmerado funeral em honra a Pátroclo. Uma grande pira foi construída; sobre ela ovelhas, bois, os quatro cavalos e dois dos cachorros de Pátroclo são sacrificados e suas carcaças empilhadas ao lado de seu corpo. A pira ardeu durante toda a noite. Nos dia seguinte, os ossos de Pátroclo foram coletados e colocados numa urna dourada, e um grande monte foi erguido no local da pira. Todo dia ao amanhecer, Aquiles arrastava por três vezes o corpo de Heitor ao redor do monte, que até mesmo os deuses ficaram chocados com isso. Tanto que Zeus enviou Íris (mensageiro dos deuses) a Tróia para instruir Príamo, pai de Heitor, a ir durante a noite, secretamente, pedir a Aquiles o corpo do filho.
Escoltado por um mensageiro ele veio escondido ao acampamento e, sem ser percebido, chegou à tenda de Aquiles. Jogando-se aos pés do herói grego, implorou que lhe fosse permitido levar a Tróia o corpo de seu filho, para que pudesse ser adequadamente pranteado e enterrado. O apelo foi tão comovente que choraram juntos. Aquiles, então, concede o salvo-conduto a Príamo. Ainda mais: promete-lhe trégua pelo tempo que fosse necessário para a realização do funeral de Heitor. Príamo leva o corpo do filho de volta a Tróia, onde são prestadas as honras fúnebres ao príncipe e maior herói troiano. ®Sérgio.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A LENDA DE PIGMALIÃO E GALATEIA

A história de Pigmalião e Galateia (sua estátua favorita) é uma das lendas de amor mais inverosímeis e estranhas da mitologia grega. Vou contá-la aqui, segundo ouvi da tradição popular.
Pigmalião era rei de Chipre e um hábil escultor. Seus namoros com as mulheres cipriotas só acumularam problemas, pois sempre acolhia as mulheres erradas. Via tantos defeitos e indecências nessas mulheres que começou a abominá-las. Se sentindo deprimido decidiu que nunca iria se casar com qualquer moça e optou por viver isolado e imerso em seu trabalho de escultor. Passou a dedicar todo o seu tempo livre a talhar; e, como não era insensível à beleza feminina, usando habilidades requintadas, ele esculpiu uma figura feminina em marfim, a mulher ideal, para fazer-lhe companhia. A figura esculpida era de uma beleza tão grande e parecia tão viva, que Pigmalião apaixonou-se por sua criação.
Ele a adornou com roupas, colocou anéis em seus dedos e um colar de pérolas no pescoço. Ficava horas com a estátua, beijava-a, apalpava-a para verificar se estava viva (não conseguia acreditar que se tratasse apenas de marfim) e dava-lhe presentes com os quais toda mulher sonha. Passava o tempo e Pigmaleão sentia-se cada vez mais atraído por aquela figura que considerava a sua obra prima.
Realizava-se, com grande pompa, em Palea (onde havia um importante santuário dedicado a Afrodite), um festival a essa deusa da beleza e do amor. Após Pigmalião ter executado sua parte nas solenidades, parou diante do altar e invocou a deusa pedindo-lhe que lhe permitisse encontrar uma mulher igual à estátua de marfim.
A deusa Afrodite, apiedando-se dele e atendendo ao pedido, e não encontrando na ilha uma mulher que chegasse aos pés da que Pigmaleão esculpira, em beleza e pudor, transformou a estátua numa mulher de carne e osso e a nomeou de Galatea. Quando voltou para casa, Pigmalião beijou Galatea como era seu costume. No calor do seu beijo, ele apertou seus lábios a lábios tão reais, que, surpreso, teme estar enganado; Ele a beijou novamente e colocou a mão sobre a perna de Galateia e o que fora marfim agora era pele macia que se rendeu a seus dedos. Sentindo os beijos Galateia corou, e abrindo seus tímidos olhos à luz, fixa-os no mesmo instante em Pigmalião, que a envolveu em seus braços sentiu um coração que pulsava como o dele.
Com a benção de Afrodite, Pigmalião e Galateia se casaram; tiveram uma filha, Metarme (era tão bela que até o próprio Apolo a pretendeu), e um filho, Pafos, que deu seu nome a cidade cipriota de Pafos. E viveram felizes. ®Sérgio.