quarta-feira, 29 de agosto de 2012

AS BORBOLETAS

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.

As Borboletas
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas
Borboletas brancas
São alegres e francas.
Borboletas Azuis
Gostam muito de luz.
As amarelinhas
São tão bonitinhas!
E as pretas, então
Oh! Que escuridão!
                   Vinício de Moraes. Para gostar de ler – poesias, v. 6 p. 28.

SEM PALAVRAS


OS TRÊS COMPADRES - Recontando Contos Populares

Conta-se que viviam lá para as bandas do sertão da Paraíba, três cangaceiros muito amigos.
Depois de caminharem muitas léguas, varados de fome os três descansavam na caatinga, quando avistaram, na estrada, um velho que carregava uma ovelhinha nos ombros. Como fazia dias que os três não comiam quase nada, a ovelha, apesar de filhotinha, daria uma bela refeição. Mas os cangaceiros tinham orgulho e atacar um velho que merecia estima como aquele era até uma vergonha para cangaceiros destemidos como eles. Vai daí, que um dos cangaceiros teve uma boa ideia, contou aos outros e eles resolveram pô-la em prática.
O cangaceiro, dono da idéia, foi até a estrada, chegou-se pra perto ao homem que lá vinha e perguntou:
— Bom-dia! Onde é que vosmecê comprou esse cachorro tão bonito?
— Ó compadre, pois não sabe... isso não é um cachorro; é uma ovelha, que eu comprei na feira – explicou o velho.
O cangaceiro teimou que era um cachorro, mas não disse mais nada e se despediu. Mais adiante, o segundo cangaceiro pareceu na estrada e foi logo elogiando o cachorrinho que o homem carregava nos ombros. Não adiantou o homem explicar que se tratava de uma ovelha, pois o cangaceiro continuou a insistir em chamá-la de cachorro.
Depois foi a vez do terceiro ladrão aparecer na estrada e fazer o mesmo jogo.
— Que cachorrinho bonito! Vosmecê não quer vender?
E os dois discutiram – é ovelha, é cachorro – até que o cangaceiro foi-se embora. A essa altura, o homem, muito aperreado, olhou devagarzinho a ovelha e acabou se convencendo de que ela era mesmo um cachorro. Largou-a ali mesmo na estrada e seguiu seu caminho, furioso consigo mesmo pela compra idiota que havia feito.
Os três cangaceiros, então, recolheram a ovelha e almoçaram muito bem naquele dia. ®Sérgio.

ISÍS: A PROTETORA DOS MORTOS

ÍSIS (ou Auset) – Protetora dos mortos, da natureza e da magia. Deusa da maternidade, amiga dos oprimidos (escravos, pescadores e artesãos), modelo de mãe e esposa ideal. Era a primeira filha de Geb (deus da Terra) e de Nut (deusa do Firmamento). Casou-se com seu irmão gêmeo Osíris. Os egípcios acreditavam que o rio Nilo foi criado – e inundava todos os anos - com as lágrimas de Ísis depois que o marido foi despedaçado por Seth (irmão de Osíris, deus do deserto e das tempestades); foi ela que juntou os pedaços de Osíris espalhados pelo Egito e o ressuscitou. Quando Isis deu à luz Hórus, ela o fez em uma caverna, cercada por muitos animais, protegendo-o da perseguição de Seth. As três divindades do Sol foram informados do nascimento pela estrela conhecida como Sirius ou a estrela da manhã oriental. O tempo de seu nascimento foi em torno do solstício de inverno, ou entre os dias 21 e 26 de dezembro. Qualquer semelhança é pura coincidência. ®Sérgio.
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Para saber mais sobre Ísis e Osíris leia: Osíris: O Juiz dos Mortos. (clique no link)

domingo, 5 de agosto de 2012

MADALENA AOS PÉS DA CRUZ

Castro Alves (1847 – 1871) desenhava muito bem, prova disso é esta rara tela (óleo sobre cartão) representada por uma jovem (Madalena), ajoelhada aos pés da cruz e olhos fitos no céu. ®Sérgio.
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Imagem: Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.

NEVERMORE


Paul Gauguin (1848 – 1903), um dos mais importantes pintores impressionistas, deixou-nos esta tela, cujo título é Nevermore (1897) que significa "nunca mais", referência a um verso do famoso poema "O Corvo" (The Raven, 1845), de Edgard Allan Poe; nele, a imaginação de Poe é assombrada por um corvo ameaçador, que profere apenas um som, Nevermore. Gauguin was aware of this, although he later sought to play down the connection. Observe que o corvo figura em uma janela, à esquerda da tela. A cor esverdeada do corpo da jovem é fruto de uma percepção interna, subjetiva e muito pessoal do artista, que ganhou mais destaque em contraposição ao amarelo intenso do travesseiro sobre o qual ela repousa a cabeça.
Gauguin escreveu certa vez que, "na pintura como na música deve-se olhar para a sugestão ao invés de descrição". ®Sérgio.
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Imagem: Courtalul Gallery - London

domingo, 29 de julho de 2012

SÃO PEDRO E O DIABO - Recontando Contos Populares

Um velho caboclo contou-me um causo que se deu há muito tempo. Nessa época São Pedro morava perto da casa do diabo. Nos fundos de sua chácara, São Pedro mantinha uma grande plantação de batatas doces. Quando chegou o tempo da colheita São Pedro, de manhazinha, no nascer do sol, chamou o diabo e perguntou-lhe:
— Você quer ajudar-me a colher as batatas? Eu lhe darei metade da produção.
O diabo achou que era bom negócio e respondeu:
— Quero sim. Vamos até lá.
Ao chegarem onde estavam plantadas as batatas doces, São Pedro perguntou ao diabo:
— Agora, você escolhe: quer ficar com a metade que está acima da terra ou com a metade que está embaixo da terra?
O diabo respondeu:
— Ora essa! Quero ficar com a metade acima da terra!
São Pedro concordou:
— Está bem; pode colher sua parte que, logo, virei colher a minha!
Dito e feito. Depois que o diabo cortou todas as ramas de batata doce e as levou para sua casa, São Pedro voltou ao terreno e arrancou as batatas, levando-as consigo. Satisfeito, deu um grande almoço e até convidou o diabo para comer à sua mesa. O diabo, que não pode comer as ramas colhidas, ficou com muita inveja do santo, prometendo a si mesmo que se vingaria.
Passados alguns dias, São Pedro encontrou-se novamente com o diabo e perguntou-lhe se queria ajudá-lo a colher repolhos de sua horta. O diabo aceitou imediatamente, mas foi logo dizendo que dessa vez seria ele a ficar com a parte de baixo da terra. O santo concordou e esclareceu que, diante disso, iria colher sua parte e deixaria a do diabo no terreno.
São Pedro foi até a horta e colheu todas as cabeças de repolho, deixando para o diabo somente as raízes.
O diabo, que não gostava de fazer bobagens, "passado para trás" outra vez, sentiu redobrada vontade de vingar-se do santo e aceitava todos os convites que este lhe fazia para colher os produtos de sua chácara, mas nunca acertava na escolha: quando a planta dava em cima da terra, ele preferia a parte de baixo; quando dava embaixo, ele preferia a parte de cima. Foi assim que fizeram as colheitas de aipim, de alface, de amendoim, de tomates e de uma porção de coisas.
Até hoje o diabo está pelejando para ver se engana São Pedro, mas não consegue. Dizem que com o diabo ninguém pode, mas dessa vez ele foi logrado por São Pedro. ®Sérgio.

MAIS QUE ORGANIZADO...


OS TIPOS DE METAPLASMOS

As mudanças mais comuns na fala espontânea ocorrem com acréscimos ou decréscimos de fonemas que geram outra forma de falar a mesma coisa.
Prótese – acontece quando acrescentamos um fonema no início da sílaba. Encontramos a prótese em: voar => avoar, lembrar => alembrar, entre outros. Na escrita remos aglutinações do tipo: de repente => derrepente, a cerca de, acerca de.
Epêntese – ocorre no meio da sílaba. Hoje podemos encontrar em: asterisco no lugar de asterístico, beneficiência no lugar de beneficência, prazeirosamente => prazerosamente.  Por sem formas correntes na linguagem oral, algumas epênteses já são variantes dicionarizadas.
Aférese – acontece quando eliminamos fonemas no início da palavra, em casos como: tá => está, cê => você, inda => ainda.
Sincope – ocorre quando eliminamos fonemas no meio das palavras: padinho => padrinho, nego => negro, memo => mesmo, coscas => cócegas. ®Sérgio.

OS METAPLASMOS

Desde a origem de nossa língua têm ocorrido transformações fonéticas e ainda hoje persistem na fala espontânea. A Linguística Histórica chama esse desvio da composição fonética da palavra de metaplasmos.
O professor Joaquim Mattoso Câmara Jr. (1904 – 1970) a respeito dos metaplasmos, dizia:
"A língua é o meio pelo qual o homem expressa suas próprias idéias, as de sua geração, as da comunidade a que pertence. Ela é, enfim, um retrato de seu tempo. Cada falante é usuário e agente modificador de sua língua, nela imprimindo marcas geradas pelas novas situações com que se depara. Nesse sentido, podemos constatar que a língua é instrumento privilegiado da projeção da cultura de um povo, enquanto conjunto das criações do homem que constituem universo humano." ®Sérgio.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O EXÓRDIO

O exórdio (do Latim exordium = começo) e a parte inicial de um discurso oratório; recebe também o nome de intróito, preâmbulo, prólogo, prefácio.
O exórdio contendo a introdução do discurso, objetiva "ganhar" a simpatia do público para o assunto do discurso. Pode se apresentar de duas maneiras, dependendo do grau de defensibilidade da causa:
Proêmio, quando simples e direto.
Insinuação quando impetuoso, veemente, insinuante.
"No exórdio o orador seleciona, de modo sintético e direto, os fatos que convém e os focaliza da perceptiva que mais lhe favorece o intento, emprestando relevo a alguns e minimizando outros" (Heinrich Lausberg, Manual de Retórica Literária, tr. esp., 1966, vol. I, p. 261). ®Sérgio.

O TEXTO ARQUÉTIPO

O termo vem do grego archéypon = padrão, modelo. Arquétipo é um termo empregado na crítica textual, para indicar o texto que teria dado origem às outras cópias, reconstituível pelo seu confronto ou classificação dos textos em ordem cronológica. O crítico pode, baseando-se no conhecimento do autor e do texto original, sugerir emendas ou correções. 
®Sérgio.

O DISCURSO NA POÉTICA FRANCESA

Na poética francesa, o discurso (discours) costituia um poema didático, em versos alexandrinos, rimados dois a dois (aa, bb, cc, etc.).
Foi introduzido por Du Bellay em 1559 e desenvolvido por Ronsard. Voltaire consagrou sete discursos em versos ao Homem, e nas Méditations Poétiques (1820) Lamartine destinou uma composição a Imortalidade. 
®Sérgio.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

VELHICE


LOIRO OU LOURO?

Tanto faz. Ambas as formas são igualmente usuais, pois são formas variantes, para designar a cor de pelos humanos que entre o amarelo e o castanho-claro.
A forma louro designa ainda:
Uma planta aromática: o loureiro. A folha do loureiro é muito usada como condimento e, foi muito usada entre os antigos gregos e romanos, na confecção das coroas dos vencedores de competições:
●   Era uma árvore com frutas e flores em ramos de louro.
●   O cozinheiro é viciado em folhas de louro.
Uma ave: o papagaio (designação comum). ®Sérgio.

DAR-SE AO TRABALHO ou DAR-SE O TRABALHO?

Ambas as construções são aceitáveis, mas a primeira é a que sempre mereceu a preferência dos bons escritores:
●    Quem se der o trabalho de consultar... (Ciro dos Anjos)
●    O homem dera-se ao trabalho de contar... (Cecília Meireles)
Variantes: Dar-se ao incomodo ou dar-se o incômodo, poupar-se ao trabalho ou poupar-se o trabalho, dar-se ao luxo ou dar-se o luxo. ®Sérgio.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O ENTERRO DO JACI

Aqui no sertão quando se vai levar um defunto para enterrar, não se pode parar para nada. O falecido tem de estar sempre em movimento. Se os caboclos querem fazer mal a alguém é parar com o finado na frente da casa dele. Se isso acontecer é desgraça na certa para os moradores. Por isso, os residentes da casa ficam "de olho" quando o enterro passa com o finado. Se há a ameaça de parar, até tiro de carabina é capaz de se dar. Dizem que se deve dar sossego o mais rápido possível à alma do defunto, para a alma dele não ficar com raiva, vagando pelo povoado.
A que, numa tarde, seo, não é que morre o Jaci. E então daí, o falecido tinha que ser enterrado. Logo apareceram quatro voluntários para carregar o finado até o cemitério. Botaram Jaci numa rede, passaram uma vara bem grossa e dois a dois foram carregando o falecido até o campo-santo. Saíram de tardezinha; vencido obra de meia légua, o sol se some, a noite vêem, e no denso, no escuro não dava para chegar ao cemitério; então, resolveram descansar e sair de manhazinha, no nascer do sol.
Ajeitaram o falecido num canto e "puxaram o ronco", menos o Dudu que não conseguiu "pegar no sono", ressabiado observando... A noite ia grossa quando vê uma coisa que o assustou forte; o falecido se levanta e vem caminhando em direção aos caboclos, passa por cima deles e segue no rumo do Dudu. Travou-lhe um medo e o caboclo rompeu nos gritos:
— Ara, mas será possível, meu senhor?! Pra cima de mim não! Por amô de Deus, Dudu! Vai pro seu corpo, diabo! Cruz credo!...
O berreiro do Dudu acordou os outros caboclos, que foram logo pedindo uma explicação para aquela vozearia toda. Dudu explicou bem explicadinho o acontecido e todos ficaram com "a pulga atrás da orelha". Um dos caboclos, preocupado diz:
— A, pois gente! Isso é castigo de Deus. O morto num descansou até agora porque a gente num enterrô ele, que deve tá puto da vida com agente! E o pior é que ele passou por riba de nós, sô! Isso é mau sinal. Queira Deus que certas coisas que o povo fala seja só pra assustar...
Um dos caboclos, um tanto incrédulo, tenta acalmar:
— Bobices, gente! Larga mão disso! Quem morreu, morreu! Num volta mais. O Dudu tava era com sonhação! Daquela hora pra frente ninguém mais dormiu.
Beirando aí às oito horas da manhã, os caboclos chegaram com o corpo frio e duro do Jaci no cemitério. Enterraram. Passaram num boteco para molhar a goela e se mandaram de novo, estrada a fora, cada qual pro seu canto.
Dê daí, compadre; o Dudu naquele ano teve, de uma feita, que fazer o enterro de mais quatro caboclos. Quem havera de supor! ®Sérgio.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O BESTIÁRIO

O termo vem do latim bestiariu(m) = besta, fera. Eram, durante a Idade Média, sobretudo nos séculos XIII e XIV, livros em prosa ou verso, que retratavam animais (verdadeiros ou ficcionais) considerados simbolicamente portadores de qualidades sobrenaturais, geralmente, ligados ao Cristianismo.
Vindos do Oriente, através de textos gregos, como o Physiologus ­- de autor desconhecido e escrito na segunda metade do século II, em Alexandria – que narra uma sucessão de histórias baseadas nos fenômenos da Natureza, divididas por quarenta e oito seções, uma para cada planta, pedra ou animal vinculados com a Bíblia. o Physiologus teve ampla divulgação no mundo latino e germânico medieval, a ponto de só perder para a Bíblia.
Apesar dos Bestiários evocarem um mundo de valores desaparecidos, deles se originaram mitos que vieram incorporar-se definitivamente na simbologia das artes, como o da fênix, para só citar esse exemplo. ®Sérgio.

A METÁFORA HIPERBÓLICA

Do Grego hyperbolê (excesso), é a figura do exagero deliberado, que leva o escritor a deformar a realidade exagerando de uma ideia, seja por amplificação, seja por atenuação, visando à obtenção de maior expressividade, quer no sentido positivo, que no negativo, segundo o seu modo particular de sentir. Exemplos:

   - Corria feito um raio. – A sua alma era um vulcão.
- Comi sem parar a noite inteira! – Sou louca pelos meus filhos.
Expressões como essas fazem parte das hipérboles do dia-a-dia e, por isso mesmo, seu valor estilístico praticamente já desapareceu, porque já se incorporaram ao falar cotidiano de tal forma que as expressões não provocam mais surpresa ou estranheza. Contudo, o valor afetivo dessas expressões, permanece. Na literatura, não raro, a hipérbole é usada como um recurso estilístico: Envio beijos, mas tantos beijos / Quantas estrelas há no Brasil. Nestes versos de Martins Fontes, é fácil sentir o efeito expressivo da hipérbole. ®Sérgio.

CATACRESE: A METÁFORA VICIADA

Do Grego katákhresis (= uso impróprio, abuso) e denominada abusio em Latim. A catacrese é uma metáfora estereotipada, mas obrigatória, por atender a uma necessidade de uso, e não por um efeito expressivo. De feição nitidamente popular, resulta a catacrese da ausência de um termo próprio para designar determinado objeto ou coisa (pernas da mesa, cabeça de alfinete, etc.). É um fenômeno da pobreza (inópia) do sistema linguístico, que falha diante da necessidade de designação de uma palavra, fazendo esta representar com base numa pura analogia, um objeto ou parte de um objeto para os quais não existem nomes de referência particulares; conduzindo-a, às vezes, ao estabelecimento de relações de semelhança, até abusivas e forçadas. Ou, existindo a palavra, no caso um termo exato ou técnico, substituí-lo por um menos formal. A catacrese aproxima-se da metáfora, ou chega mesmo a confundir-se com esta: Veja os exemplos:
- Barriga da perna em vez de panturrilha.
- Céu da boca em vez de palato.
- Embarcar num trem (embarca-se na barca).
- Enterrou uma farpa no dedo (enterra-se na terra).
- Braço de mar - dente de alho - pé de montanha.
Essas metáforas já foram incorporadas pela língua, ou seja, perderam seu caráter inovador, original e transformaram-se numa metáfora comum, morta, que não mais causa estranheza. Em outras palavras, transformaram-se numa catacrese. Porém será um deslize gramatical quando não vier duma necessidade, ou seja, quando o ser ou coisa já ostentar expressão própria; por exemplo:
- Bebeu a sopa, em vez de, tomou a sopa.
- Arrancou laranjas, em vez de, colheu laranjas.
 Fora daí, admite-se a catacrese como enriquecimento metafórico:
"Dobrando o cotovelo da estrada, Fabiano sentia distanciar-se um pouco dos lugares onde tinha vivido alguns anos; [...]." (Graciliano Ramos, Vidas Secas.) ®Sérgio.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

NOSSA SAÚDE

AUTORES TRÁGICOS DA GRÉCIA ANTIGA

A Tragédia (do grego antigo τραγῳδία, composto de trago => bode e oidé => canto = canto ao bode) é uma manifestação ao deus Dioniso, que se transformava em bode para fugir da perseguição da deusa Hera. Em alguns rituais se sacrificavam esses animais em homenagem ao deus.
A tragédia tinha como características principais, o terror e a piedade que despertava no público. Para os autores clássicos, era o mais nobre dos gêneros literários.
Era composta de cinco atos e, além dos atores, intervinha o coro, que manifestava a voz do bom senso, da harmonia, da moderação, face à exaltação dos protagonistas.
Diferentemente do drama, na tragédia o herói sofre sem culpa. Ele teve o destino traçado pelos deuses e seu sofrimento é irrefutável. Por exemplo, Édipo nasce com o destino de matar o pai, Laio, e se casar com a mãe. É um dos exemplos de histórias da mitologia grega que serviram de base para o teatro.
Os estudiosos do assunto (a partir de alguns registros) acreditam que foram cerca de 150 os autores trágicos. Os que conhecemos, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, escreveram cerca de 300 peças, das quais apenas 10% chegaram até nós.
Ésquilo (525 a. C. a 456 a. C.) – Tido como fundador do gênero, das peças que escreveu sete sobreviveram à destruição do tempo. São elas: Os Persas, Sete contra Tebas, As Suplicantes, Prometeu Acorrentado, Agamêmnon, Coéforas e Eumênides.
Sófocles (496 a. C. a 406 a. C.) – Além de importante tragediógrafo, também trabalhava como ator. Entre suas peças estão à trilogia Édipo Rei, Édipo em Colona e Antígona. Se tiver interessado em ler um resumo da trilogia, clique nestes links: Édipo Rei e Édipo em Colona e Antígona.
Eurípides (485 a. C. a 406 a. C.) - Pouco se sabe sobre sua vida. Ainda assim, é dele o maior número de peças que chegaram até nós. São 18 no total, entre elas: Medéia, As Bacantes, Heracles, Electra, Ifigênia em Áulis e Orestes. ®Sérgio.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

PERÍODO HELÊNICO E HELENÍSTICO

Helênico era um adjetivo que os gregos da antiguidade usavam quando se referiam a eles mesmos. Desse modo que os gregos da antiguidade se autodenominavam Helênicos, assim como a Grécia era chamada Hélade (o conjunto das províncias centrais da Grécia antiga, e, mais tarde, a Grécia inteira).
Helenístico é, atualmente, utilizado para descrever o período que vai da morte de Alexandre (323 a. C.) à conquista final do mundo Helênico por Roma (36 a. C.). ®Sérgio.

DANTE E VIRGÍLIO NO INFERNO


Este quadro representando Dante e Virgílio no Inferno (1850), pintado por William-Adolphe Bouguereau, pintor francês, (1825–1905), foi inspirado em uma cena de A Divina Comédia de Dante Alighieri, situado no oitavo círculo do Inferno (o círculo de falsificadores e falsários), onde Dante, acompanhado por Virgílio, assiste a uma luta entre duas almas condenadas: Capocchio, um herege e alquimista, é atacado e mordido no pescoço por Gianni Schicchi que tinha usurpado a identidade de um homem morto, a fim de reivindicar sua herança de forma fraudulenta. Gianni Schicchi se joga em Capocchio, seu rival, com fúria através de músculos, nervos, tendões e dentes. Ao fundo, vê-se um demônio sorrindo para Dante e Virgílio, contemplando-os, parece deliciar-se com todo o cenário de eterna angústia, sofrimento e terror. Em redor deles, os que sofrem as respectivas consequências de suas existências materiais voltadas todas para a violência.
Há amargura e força nesta tela. ®Sérgio.

O BODE E A ONÇA - Recontando Contos Populares

Caminhando pelo mato, o bode descobriu um bom lugar para fazer uma casa. Como o terreno estava coberto pelo capim duro do cerrado, capinou-o, deixando-o limpinho para dar início à construção. Cansado, preferiu ir embora e começar no dia seguinte.
A onça também procurava um terreno para erguer sua casa. Deparando com o lugar que o bode capinara, achou que estava com muita sorte. Cortou e empilhou as madeiras para fazer a estrutura de uma casa. Depois foi embora, pois precisava dormir.
No dia seguinte, ao ver a madeira à sua disposição, o bode ergueu a estrutura da casa. “Que sorte que estou dando!”, pensou ao fim do trabalho, quando já se retirava do terreno.
Mais tarde foi a vez de a onça chegar ao terreno e ver a estrutura pronta. “Que sortuda eu sou!”, disse, enquanto cobria a madeira com taipa (barro amassado). Terminado o trabalho, foi buscar seus móveis e, ao voltar, deu de cara com o bode, sentado numa poltroninha, embrulhando um cigarro, muito à vontade. Os dois não custaram a perceber que haviam dividido o trabalho da construção. Quem havera de supor! Decidiram, então, morar juntos.
A convivência ia bem, entretanto, viviam desconfiados um do outro e não lhes faltava uma boa razão para isso. Um dia, a onça voltou da caçada, arrastando um cabrito entre os dentes. O bode, assustado, saiu de fininho para o mato, certo de que, mais dia menos dia, aquele seria o seu destino.
Naquele mesmo dia, porém, o bode encontrou uma onça morta por um caçador e levou-a para casa, deixando seu corpo estendido na porta de entrada. Vendo a companheira morta, a onça quis saber do bode como é que ele a tinha matado. O bode explicou que era dono de um anel mágico. Bastava colocá-lo no dedo e apontar alguém para matá-lo. A onça fingiu não acreditar, então o bode, colocando o anel no indicador, perguntou:
— Quer que eu lhe mostre?
Travou um medo e a onça disparou mato adentro, apavorada, voando que nem um corisco e, sem olhar pra aqui nem pra acolá. Nunca mais voltou. O bode, feliz da vida, ficou vivendo sozinho na sua casa, sem motivo para preocupações. ®Sérgio.