quinta-feira, 12 de julho de 2012

O ENTERRO DO JACI

Aqui no sertão quando se vai levar um defunto para enterrar, não se pode parar para nada. O falecido tem de estar sempre em movimento. Se os caboclos querem fazer mal a alguém é parar com o finado na frente da casa dele. Se isso acontecer é desgraça na certa para os moradores. Por isso, os residentes da casa ficam "de olho" quando o enterro passa com o finado. Se há a ameaça de parar, até tiro de carabina é capaz de se dar. Dizem que se deve dar sossego o mais rápido possível à alma do defunto, para a alma dele não ficar com raiva, vagando pelo povoado.
A que, numa tarde, seo, não é que morre o Jaci. E então daí, o falecido tinha que ser enterrado. Logo apareceram quatro voluntários para carregar o finado até o cemitério. Botaram Jaci numa rede, passaram uma vara bem grossa e dois a dois foram carregando o falecido até o campo-santo. Saíram de tardezinha; vencido obra de meia légua, o sol se some, a noite vêem, e no denso, no escuro não dava para chegar ao cemitério; então, resolveram descansar e sair de manhazinha, no nascer do sol.
Ajeitaram o falecido num canto e "puxaram o ronco", menos o Dudu que não conseguiu "pegar no sono", ressabiado observando... A noite ia grossa quando vê uma coisa que o assustou forte; o falecido se levanta e vem caminhando em direção aos caboclos, passa por cima deles e segue no rumo do Dudu. Travou-lhe um medo e o caboclo rompeu nos gritos:
— Ara, mas será possível, meu senhor?! Pra cima de mim não! Por amô de Deus, Dudu! Vai pro seu corpo, diabo! Cruz credo!...
O berreiro do Dudu acordou os outros caboclos, que foram logo pedindo uma explicação para aquela vozearia toda. Dudu explicou bem explicadinho o acontecido e todos ficaram com "a pulga atrás da orelha". Um dos caboclos, preocupado diz:
— A, pois gente! Isso é castigo de Deus. O morto num descansou até agora porque a gente num enterrô ele, que deve tá puto da vida com agente! E o pior é que ele passou por riba de nós, sô! Isso é mau sinal. Queira Deus que certas coisas que o povo fala seja só pra assustar...
Um dos caboclos, um tanto incrédulo, tenta acalmar:
— Bobices, gente! Larga mão disso! Quem morreu, morreu! Num volta mais. O Dudu tava era com sonhação! Daquela hora pra frente ninguém mais dormiu.
Beirando aí às oito horas da manhã, os caboclos chegaram com o corpo frio e duro do Jaci no cemitério. Enterraram. Passaram num boteco para molhar a goela e se mandaram de novo, estrada a fora, cada qual pro seu canto.
Dê daí, compadre; o Dudu naquele ano teve, de uma feita, que fazer o enterro de mais quatro caboclos. Quem havera de supor! ®Sérgio.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O BESTIÁRIO

O termo vem do latim bestiariu(m) = besta, fera. Eram, durante a Idade Média, sobretudo nos séculos XIII e XIV, livros em prosa ou verso, que retratavam animais (verdadeiros ou ficcionais) considerados simbolicamente portadores de qualidades sobrenaturais, geralmente, ligados ao Cristianismo.
Vindos do Oriente, através de textos gregos, como o Physiologus ­- de autor desconhecido e escrito na segunda metade do século II, em Alexandria – que narra uma sucessão de histórias baseadas nos fenômenos da Natureza, divididas por quarenta e oito seções, uma para cada planta, pedra ou animal vinculados com a Bíblia. o Physiologus teve ampla divulgação no mundo latino e germânico medieval, a ponto de só perder para a Bíblia.
Apesar dos Bestiários evocarem um mundo de valores desaparecidos, deles se originaram mitos que vieram incorporar-se definitivamente na simbologia das artes, como o da fênix, para só citar esse exemplo. ®Sérgio.

A METÁFORA HIPERBÓLICA

Do Grego hyperbolê (excesso), é a figura do exagero deliberado, que leva o escritor a deformar a realidade exagerando de uma ideia, seja por amplificação, seja por atenuação, visando à obtenção de maior expressividade, quer no sentido positivo, que no negativo, segundo o seu modo particular de sentir. Exemplos:

   - Corria feito um raio. – A sua alma era um vulcão.
- Comi sem parar a noite inteira! – Sou louca pelos meus filhos.
Expressões como essas fazem parte das hipérboles do dia-a-dia e, por isso mesmo, seu valor estilístico praticamente já desapareceu, porque já se incorporaram ao falar cotidiano de tal forma que as expressões não provocam mais surpresa ou estranheza. Contudo, o valor afetivo dessas expressões, permanece. Na literatura, não raro, a hipérbole é usada como um recurso estilístico: Envio beijos, mas tantos beijos / Quantas estrelas há no Brasil. Nestes versos de Martins Fontes, é fácil sentir o efeito expressivo da hipérbole. ®Sérgio.

CATACRESE: A METÁFORA VICIADA

Do Grego katákhresis (= uso impróprio, abuso) e denominada abusio em Latim. A catacrese é uma metáfora estereotipada, mas obrigatória, por atender a uma necessidade de uso, e não por um efeito expressivo. De feição nitidamente popular, resulta a catacrese da ausência de um termo próprio para designar determinado objeto ou coisa (pernas da mesa, cabeça de alfinete, etc.). É um fenômeno da pobreza (inópia) do sistema linguístico, que falha diante da necessidade de designação de uma palavra, fazendo esta representar com base numa pura analogia, um objeto ou parte de um objeto para os quais não existem nomes de referência particulares; conduzindo-a, às vezes, ao estabelecimento de relações de semelhança, até abusivas e forçadas. Ou, existindo a palavra, no caso um termo exato ou técnico, substituí-lo por um menos formal. A catacrese aproxima-se da metáfora, ou chega mesmo a confundir-se com esta: Veja os exemplos:
- Barriga da perna em vez de panturrilha.
- Céu da boca em vez de palato.
- Embarcar num trem (embarca-se na barca).
- Enterrou uma farpa no dedo (enterra-se na terra).
- Braço de mar - dente de alho - pé de montanha.
Essas metáforas já foram incorporadas pela língua, ou seja, perderam seu caráter inovador, original e transformaram-se numa metáfora comum, morta, que não mais causa estranheza. Em outras palavras, transformaram-se numa catacrese. Porém será um deslize gramatical quando não vier duma necessidade, ou seja, quando o ser ou coisa já ostentar expressão própria; por exemplo:
- Bebeu a sopa, em vez de, tomou a sopa.
- Arrancou laranjas, em vez de, colheu laranjas.
 Fora daí, admite-se a catacrese como enriquecimento metafórico:
"Dobrando o cotovelo da estrada, Fabiano sentia distanciar-se um pouco dos lugares onde tinha vivido alguns anos; [...]." (Graciliano Ramos, Vidas Secas.) ®Sérgio.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

NOSSA SAÚDE

AUTORES TRÁGICOS DA GRÉCIA ANTIGA

A Tragédia (do grego antigo τραγῳδία, composto de trago => bode e oidé => canto = canto ao bode) é uma manifestação ao deus Dioniso, que se transformava em bode para fugir da perseguição da deusa Hera. Em alguns rituais se sacrificavam esses animais em homenagem ao deus.
A tragédia tinha como características principais, o terror e a piedade que despertava no público. Para os autores clássicos, era o mais nobre dos gêneros literários.
Era composta de cinco atos e, além dos atores, intervinha o coro, que manifestava a voz do bom senso, da harmonia, da moderação, face à exaltação dos protagonistas.
Diferentemente do drama, na tragédia o herói sofre sem culpa. Ele teve o destino traçado pelos deuses e seu sofrimento é irrefutável. Por exemplo, Édipo nasce com o destino de matar o pai, Laio, e se casar com a mãe. É um dos exemplos de histórias da mitologia grega que serviram de base para o teatro.
Os estudiosos do assunto (a partir de alguns registros) acreditam que foram cerca de 150 os autores trágicos. Os que conhecemos, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, escreveram cerca de 300 peças, das quais apenas 10% chegaram até nós.
Ésquilo (525 a. C. a 456 a. C.) – Tido como fundador do gênero, das peças que escreveu sete sobreviveram à destruição do tempo. São elas: Os Persas, Sete contra Tebas, As Suplicantes, Prometeu Acorrentado, Agamêmnon, Coéforas e Eumênides.
Sófocles (496 a. C. a 406 a. C.) – Além de importante tragediógrafo, também trabalhava como ator. Entre suas peças estão à trilogia Édipo Rei, Édipo em Colona e Antígona. Se tiver interessado em ler um resumo da trilogia, clique nestes links: Édipo Rei e Édipo em Colona e Antígona.
Eurípides (485 a. C. a 406 a. C.) - Pouco se sabe sobre sua vida. Ainda assim, é dele o maior número de peças que chegaram até nós. São 18 no total, entre elas: Medéia, As Bacantes, Heracles, Electra, Ifigênia em Áulis e Orestes. ®Sérgio.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

PERÍODO HELÊNICO E HELENÍSTICO

Helênico era um adjetivo que os gregos da antiguidade usavam quando se referiam a eles mesmos. Desse modo que os gregos da antiguidade se autodenominavam Helênicos, assim como a Grécia era chamada Hélade (o conjunto das províncias centrais da Grécia antiga, e, mais tarde, a Grécia inteira).
Helenístico é, atualmente, utilizado para descrever o período que vai da morte de Alexandre (323 a. C.) à conquista final do mundo Helênico por Roma (36 a. C.). ®Sérgio.

DANTE E VIRGÍLIO NO INFERNO


Este quadro representando Dante e Virgílio no Inferno (1850), pintado por William-Adolphe Bouguereau, pintor francês, (1825–1905), foi inspirado em uma cena de A Divina Comédia de Dante Alighieri, situado no oitavo círculo do Inferno (o círculo de falsificadores e falsários), onde Dante, acompanhado por Virgílio, assiste a uma luta entre duas almas condenadas: Capocchio, um herege e alquimista, é atacado e mordido no pescoço por Gianni Schicchi que tinha usurpado a identidade de um homem morto, a fim de reivindicar sua herança de forma fraudulenta. Gianni Schicchi se joga em Capocchio, seu rival, com fúria através de músculos, nervos, tendões e dentes. Ao fundo, vê-se um demônio sorrindo para Dante e Virgílio, contemplando-os, parece deliciar-se com todo o cenário de eterna angústia, sofrimento e terror. Em redor deles, os que sofrem as respectivas consequências de suas existências materiais voltadas todas para a violência.
Há amargura e força nesta tela. ®Sérgio.

O BODE E A ONÇA - Recontando Contos Populares

Caminhando pelo mato, o bode descobriu um bom lugar para fazer uma casa. Como o terreno estava coberto pelo capim duro do cerrado, capinou-o, deixando-o limpinho para dar início à construção. Cansado, preferiu ir embora e começar no dia seguinte.
A onça também procurava um terreno para erguer sua casa. Deparando com o lugar que o bode capinara, achou que estava com muita sorte. Cortou e empilhou as madeiras para fazer a estrutura de uma casa. Depois foi embora, pois precisava dormir.
No dia seguinte, ao ver a madeira à sua disposição, o bode ergueu a estrutura da casa. “Que sorte que estou dando!”, pensou ao fim do trabalho, quando já se retirava do terreno.
Mais tarde foi a vez de a onça chegar ao terreno e ver a estrutura pronta. “Que sortuda eu sou!”, disse, enquanto cobria a madeira com taipa (barro amassado). Terminado o trabalho, foi buscar seus móveis e, ao voltar, deu de cara com o bode, sentado numa poltroninha, embrulhando um cigarro, muito à vontade. Os dois não custaram a perceber que haviam dividido o trabalho da construção. Quem havera de supor! Decidiram, então, morar juntos.
A convivência ia bem, entretanto, viviam desconfiados um do outro e não lhes faltava uma boa razão para isso. Um dia, a onça voltou da caçada, arrastando um cabrito entre os dentes. O bode, assustado, saiu de fininho para o mato, certo de que, mais dia menos dia, aquele seria o seu destino.
Naquele mesmo dia, porém, o bode encontrou uma onça morta por um caçador e levou-a para casa, deixando seu corpo estendido na porta de entrada. Vendo a companheira morta, a onça quis saber do bode como é que ele a tinha matado. O bode explicou que era dono de um anel mágico. Bastava colocá-lo no dedo e apontar alguém para matá-lo. A onça fingiu não acreditar, então o bode, colocando o anel no indicador, perguntou:
— Quer que eu lhe mostre?
Travou um medo e a onça disparou mato adentro, apavorada, voando que nem um corisco e, sem olhar pra aqui nem pra acolá. Nunca mais voltou. O bode, feliz da vida, ficou vivendo sozinho na sua casa, sem motivo para preocupações. ®Sérgio.

MAUS-TRATOS E MAL-ENTENDIDOS

Não será exagero dizer que não são poucas às vezes em que escrevedores erram ao grafar a palavra "maus-tratos". Por conta disso, é comum escrever-se no seu lugar a forma "maltratos". Ora, conscientemente falando, maltratos não existe. O que existe é a forma verbal maltratar (verbo transitivo direto) = infligir maus-tratos a; tratar com aspereza, grosseiramente, com violência, etc.:
  Maltratava a mulher com recriminações diárias.
  Ele sentia prazer em me maltratar...
  Eu não maltrato os mais velhos.
O substantivo composto "maus-tratos" escreve-se sempre no plural. Nesse composto o adjetivo [mau] qualifica o substantivo [trato], daí a concordância entre eles. Os dois (adjetivo + substantivo) formam o substantivo composto maus-tratos = "delito de quem submete alguém, sob sua dependência ou guarda, a castigos imoderados, trabalhos excessivos e/ou privação de alimentos e cuidados, pondo-lhe, assim, em risco a vida ou a saúde". (Dicionário Eletrônico Houaiss)
Na expressão "mal-entendido", é o advérbio [mal] que modifica a forma verbal [entendido] = aquilo que foi entendido de maneira incorreta ou inadequada. Os dois elementos, advérbio e verbo, juntos constituem um substantivo composto.  No plural, somente o segundo elemento, porque advérbios são formas invariáveis. ®Sérgio.

sábado, 16 de junho de 2012

RIO + 20!


O APÓLOGO

A origem do apólogo (do Grego apólogos = narrativa detalhada.) é remota e um tanto obscura, acredita-se que tenha surgido no oriente, porém, está presente na literatura de todos os povos.
É uma narrativa em prosa, curta e alegórica, comumente confundida com a fábula e a parábola, em razão do conteúdo moral explícito ou implícito, ou seja, um conceito moral que sempre encerra a narrativa e à estrutura dramática a qual se fundamenta. No entanto, estudiosos do assunto afirmam que a distinção se faz pelas personagens.
Apólogo é protagonizado por coisas inanimadas (plantas, pedras, rios, relógios, montanhas, relógios, estátuas, etc.) que adquirem certos dotes humanos: a fala, por exemplo. Ao passo que a fábula conteria de preferência animais irracionais, e a parábola seres humanos. Eis um exemplo de apólogo:
Havia no alto de uma montanha três árvores, que cresciam e sonhavam juntas. Sonhavam, principalmente, o que seriam depois de grandes. E assim, todo dia, repetiam entre si, seus sonhos.
A primeira, olhando as estrelas, dizia: "Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros. E, para tanto, até me disponho a ser cortada".
A segunda, sempre que olhava o riacho a correr, suspirava: "Eu quero ser um navio grande para transportar reis e rainhas".
A terceira que amava aquele vale, que pulsava em vida, anunciava: "Quero ficar aqui, no alto da montanha, e crescer tanto que as pessoas, ao olharem para mim, levantem os olhos e pensem na grandiosidade de Deus".
Passado muitos anos, um dia, três lenhadores subiram a montanha e as cortaram. As duas primeiras, vibravam, ansiosas, em serem transformadas naquilo que sonhavam, porém a terceira, nem tanto. Mas os lenhadores não costumavam ouvir ou entender sonhos de árvores. E a primeira acabou sendo transformada em um cocho, aonde os animais vinham comer. A segunda virou um simples barco de pesca, carregando pessoas, carga e peixes. A terceira, foi cortada em grossas vigas, e quase todas, usadas na construção um estábulo para os animais, somente duas foram guardadas num depósito à espera de utilização.
Desiludidas e tristes as três irmãs árvores se perguntavam: Por quê?
Eis que, numa noite, uma jovem mulher, prestes a dar à luz, e seu marido José não encontrando lugar nas hospedarias, colocou seu bebê recém-nascido naquele cocho de animais. A primeira árvore, então, percebeu que abrigava o maior tesouro do mundo e que Deus não só realizara o seu sonho como ainda a privilegiara entre todas as árvores do mundo. E deu glória a Deus.
Anos mais tarde esse menino, agora homem, entrou num barco - o mesmo em que a segunda árvore havia se transformado-, e nele acabou dormindo, quando uma tempestade abateu-se sobre a embarcação. O homem levantou-se e disse: "Que se faça a bonança"! E veio a calma e a tranquilidade no mar revolto; e a árvore, compreendeu que estava transportando o rei do céu e da terra, que estava recebendo de Deus muito mais do que pedira.
Outros três anos se passaram. E numa fatídica sexta-feira, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e nela um homem foi deitado e pregado. A princípio, a terceira árvore, sentiu-se horrível e cruel. Mas, dois dias depois, aquele que em suas vigas tinha sido crucificado, ressuscitava dos mortos para subir ao céu. E a terceira árvore percebeu que nela havia sido pregado um homem para a salvação da humanidade e que as pessoas sempre se lembrariam de Deus e de seu Filho ao olharem para aquela cruz.
As árvores haviam tido sonhos e desejos... E os julgaram perdidos. Porém eles aconteceram, e foi maior do que haviam imaginado. Assim, digo-lhes: nunca deixe de acreditar em seus sonhos, mesmo que, aparentemente, eles sejam impossíveis de se realizar.
Na Literatura Brasileira o apólogo encontrou adeptos em: D. Francisco Manuel de Melo, Apólogos Dialogais (1721); João Vicente Pimentel Maldonado, Apólogos (1820); Machado de Assis, Um Apólogo (também conhecido por A Agulha e a Linha), pertencente ao volume Várias Histórias (1896); Coelho Neto, Apólogos (1904). ®Sérgio.

A ALUSÃO

Entende-se por alusão toda referência explícita ou implícita, direta ou indireta, proposital ou causal, a uma obra, um autor, personagem, situação, etc., pertencente ao mundo literário, artístico, mitológico, etc., e que seja do conhecimento do leitor. Por exemplo, no enunciado: "O Comandante americano alcançara uma vitória de Pirro".
Está sendo feita uma alusão ao célebre general grego Pirro. Você só poderá entender essa alusão, se conhecer a história do general; que é a seguinte: seu exército após uma difícil vitória sofreu tantas baixas que o levou a dizer: "Mais uma vitória como esta e estou perdido". De modo que a alusão à vitória de Pirro passou a ser, em qualquer contexto, uma conquista difícil.
Camões, ao dizer que "Cessem do sábio Grego e Troiano / As navegações grandes que fizeram" (Os Lusíadas, c. I, est. 3), alude a Ulisses e Enéias.
Percebe-se, sem dúvida, que a alusão é a leve menção de outros textos dentro de um texto, pela inserção do autor. A alusão não transcreve um texto preexistente, apenas o referencia. Por outro lado, nem sempre o leitor, ainda que culto e atento, reconhece a alusão encerrada numa passagem.
Segundo estudiosos de literatura como Earl Miner e outros, podemos distinguir os seguintes tipos de alusão:
1. Alusão Tópica ou Histórica, quando se refere a acontecimentos passados ou recentes. É o caso do general Pirro.
2. Alusão Pessoal, quando o escritor menciona fatos relativamente notórios de sua própria existência. Como é o caso do poeta e dramaturgo William Butler Yeats, cuja obra está repleta de alusões restritas à sua vida privada.
3. Alusão Nominal, quando se refere a um nome próprio do conhecimento geral. Homero, Platão, Ulisses, Enéias, James Joyce.
4. Textual, quando se refere a textos preexistentes na tradição literária. Uma obra literária pode ser, no seu todo, uma alusão de uma obra anterior, como no caso de Osman Lins, que transpôs para o sertão pernambucano, em O Fiel e a Pedra, a Eneida de Virgílio. ®Sérgio.
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Para saber mais: E-Dicionário de Termos Literários, coord. de Carlos Ceia. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

SANTIDADE E MARTÍRIO

Na tela A Morte de Marat (1973) de Jaques-Louis David, vemos o revolucionário Jean-Paul Marat (1743 - 1793), líder da Revolução Francesa, romanticamente representado com uma áurea de santidade e martírio. Na realidade, Marat tinha uma aparência bastante desagradável, devido a uma debilitante doença crônica da pele (escrófula), adquirida quando ele se escondia nos esgotos de Paris.
Sua doença de pele ia piorando, e seu último recurso para evitar o desconforto era tomar banhos medicinais. Marat estava em sua banheira em 13 de julho de 1793, quando uma jovem mulher, Charlotte Corday, dizendo ser uma mensageira pediu para ser admitida em suas dependências. Quando ela entrou, armou-se com uma faca e esfaqueou-o no peito. Ele gritou "À moi, ma chère amie!" (ajude-me, cara amiga) e morreu. ®Sérgio.

terça-feira, 5 de junho de 2012

O PARADOXO

Benito Amilcare Andrea Mussolini (1883 - 1945) já mostrava que não estava para brincadeiras desde pequeno. Foi-lhe dado o nome de Benito em honra do revolucionário mexicano Benito Juárez. Com apenas 11 anos ele esfaqueou  um de seus colegas, de uma escola regida por monges salesianos, e jogou tinta em um professor, sendo expulso logo em seguida. Após ingressar em uma nova escola, alcançou boas notas, e conseguiu um emprego como professor da escola primária, depois foi artesão, redator de jornal e escritor, tendo publicado alguns contos e um romance. Uma curiosidade é que ele evadiu-se da Itália para fugir do serviço militar obrigatório, mas foi expulso da Suíça por vagabundagem e foi obrigado a cumprir, na Itália, o serviço militar. ®Sérgio.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

OBRIGADOS A LUTAR ATÉ A MORTE

Lucius Aelius Aurelius Commodus (161-192 a. C.), imperador romano (o vilão do filme Gladiador) era filho do Imperador César Marco Aurélio Antonino Augusto (121–180 a. C.). Aos 17 anos Commodus foi empossado vice-imperador e reinou em conjunto com o pai durante três anos. Com a morte do pai assumiu o poder e pelos 12 anos seguintes (bem mais que no filme), mandou e desmandou em Roma.
Commodus recolhia pelas ruas de Roma, anões, leprosos, aleijados e cegos para levá-los ao Coliseu, onde eles eram obrigados a lutar uns com outros até a morte usando facas de açougueiros. ®Sérgio.

sábado, 2 de junho de 2012

OS 10 LIVROS MAIS VENDIDOS NO MUNDO NOS ÚLTIMOS 50 ANOS

A Bíblia Cristã, As Citações de Mao Tse-Tung, A Saga Harry Potter, Saga O Senhor dos Anéis, O Alquimista, O Código Da Vinci, Saga Crepúsculo, E o Vento Levou, Pense e Enriqueça, o Diário de Anne Frank. Números expressos em milhões de cópias.
Fonte: EBook Livre

quinta-feira, 31 de maio de 2012

MITOLOGIA E MITO

A palavra Mitologia vem do grego mythos, que significa fábula, e logos, que significa tratado. Dois conceitos designam a Mitologia: É o conjunto de mitos e lendas que um povo imaginou e o estudo dos mesmos.
A base da mitologia é o esforço permanente e contínuo de entender o mundo e o próprio homem. Nos primórdios da civilização, o ser humano nutria intensa necessidade de explicar os fenômenos da natureza, o que se passava a sua volta, enfim, explicar o mundo. Por isso, o mito, relata uma estória verdadeira, na medida em que toca, profundamente, o homem – ser mortal, organizado em sociedade, obrigado a trabalhar para viver, submetido a acontecimentos e imprevistos que independem de sua vontade. E, à medida que são recontadas, essas histórias tornam-se mais complexas, ganham novos personagens e variantes.
Os primeiros mitos brotaram da projeção imaginativa que o homem fez das funções da vida: nascimento, amor e morte; maternidade, paternidade e virgindade. E sintetizam tudo o que o homem, mediante a inteligência e o sentimento, conseguiu conquistar, em face de uma vida que não solicitou, de uma morte que o amedronta, de um amor que o domina e de uma doença cujos fenômenos o assombram ou o aniquilam.
Não há nenhum grupo cultural ou étnico na terra que não associe a origem do mundo, dos seres humanos, das plantas, dos animais e dos acidentes geográficos a uma força superior, sobre-humana. Deuses e heróis convivem com a humanidade desde a aurora de nossa espécie. E essas histórias que não tem autores, continuam a nos encantar.
Para as sociedades o mito era uma narrativa verdadeira. A história de um mito é sentida e vivida como verdadeira, embora para outra sociedade pareça invenção. A história de Jesus para um cristão é verdadeira, assim como é verdadeira a história de Buda para os budistas ou a história de Tupã para um indígena brasileiro. Os nórdicos achavam que o mundo começara da luta, em um grande campo de gelo, do calor contra o frio. Para os gregos e indianos os deuses viviam numa montanha. Os africanos imaginavam que o mundo surgiu de um ovo cósmico. Em muitas culturas, o homem veio da argila, do barro ou do sopro divino.
Alguns tipos de mitos: Teogonia, mitos que contam a criação do mundo; Cosmogonia, mitos que explicam o destino do homem após a morte; Escatologia mitos que explicam as coisas que devem acontecer no fim dos tempos, no fim do mundo, etc. ®Sérgio.

O EXORCISMO

Essa internet, em alguns aspectos, tira a gente do sério. Dia desses, estava navegando pelo Google sem nenhuma procura definida, quando dei "de cara" com a notícia abaixo; mas vou logo explicando que não estou inventando nada.
A paulista Doralice de Freitas, pediu a um pastor evangélico para exorcizar o diabo do corpo de sua filha, o que foi prontamente executado. Após o exorcismo o pastor engarrafou os dois diabinhos e entregou a ela. Sem saber o que fazer com a garrafa, Doralice resolveu leiloar os capetas pela internet.
Por mais incrível que possa parecer, perto de 20.000 pessoas se interessaram pela garrafa, que foi arrematada por um empresário de produtos para centros espíritas. Com o dinheiro, Doralice aproveitou para pagar a conta do pastor exorcista que, segundo ela, livrou sua filha dos diabos que a assombravam.
Salve-se quem puder! ®Sérgio.

O FUTURO


segunda-feira, 21 de maio de 2012

CÂNTICO NEGRO

Não sei se José Régio, poeta português, gostaria de ver o fragmento de sua poesia expostas assim em meu blog, mas não posso deixar de postar meus poemas preferidos de vez em quando... Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
Cântico Negro (fragmento)
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Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
— Sei que não vou por aí!
José Régio. Poemas de Deus e do Diabo, p 57.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A CASA ASSOMBRADA - Causos de Assombração

Numa noite fui surpreendido, em minha casa, por portas que se abriam e se fechavam sozinhas. Em outras noites, eram as luzes que se acendiam como que por magia, além de copos que voavam da pia para o chão. Até pedras caíam no telhado. Apesar desses acontecimentos, felizmente, ninguém se feria.
Tivesse um raio caído aos meus pés, não me mostraria eu tão aturdido com esses acontecimentos. Envolto em fria mortalha de medo, decidi recorrer ao padre capelão. Pedi-lhe que fosse a minha casa, fizesse umas rezas e expulsasse os espíritos.  O capelão bebeu uma grande taça de vinho, ficou um instante a refletir e, então, pediu ao sacristão para lhe trazer a grande cruz de madeira, a bíblia e o vaso de água benta. Colocou a estola e julgando-se armado para afugentar aquelas almas demoníacas, seguiu comigo para a casa assombrada.
Não queria acreditar, quando assistiu, ele próprio o que lhe tinha relatado na sacristia. Aquelas coisas estranhas aconteciam mesmo. Todos, em casa, lhe rogaram para que benzesse o lar e, mais, que fizesse um exorcismo e terminasse com aquela aflição.
Entoando os sete salmos e orações (o sacristão, por ordem do padre, à frente com a cruz erguida) o capelão ia espalhando água benta por todos os cantos gritando: “Vai-te embora satanás, vai-te embora...”.
Mesmo na presença capelão, os espíritos não se  aniquilaram. Choveram pedras, portas e janelas abriram e fecharam-se sozinhas e até alguns peças de roupa começaram a arder.
Não se deixando convencer, ainda que tenha presenciado tão estranhos eventos, sem solução, o capelão recorreu a uns amigos ligados à parapsicologia.
Um dos parapsicólogos perguntou-me, pela idade de todos que frequentavam a casa, na esperança de que o causador fosse algum adolescente dado a brincadeiras. Segundo os estudos de parapsicologia, são eles os responsáveis por 90% destes casos. Respondi que adolescente na minha casa só o meu neto, um rapaz de 15 anos, que viera passar as férias. Por sugestão do parapsicólogo afastamos meu neto de casa por alguns dias e, tal como se supunha, não houve mais nenhum objeto voador. Ele confessou ao parapsicólogo que seus pais tiveram de viajar, a trabalho, e deixaram-no na casa dos avós, cuja cidadezinha detestava. ®Sérgio.

terça-feira, 15 de maio de 2012

A SINÉDOQUE

Não é costume, hoje, estabelecer grande diferença ente a metonímia e a sinédoque, pois esta é um caso especial de metonímia, onde, ora se exprime o mais restrito (a parte) pelo mais extenso (o todo), ora o todo pela parte: chaminé pela fábrica, o telhado pela casa, o singular pelo plural, a substância pelo produto, a nação pelo governo, o gênero pela espécie, etc. Observe:
  As chaminés forjam a grandeza de São Paulo. (a parte: chaminé, pelo todo: fábrica).
  O homem é mortal (a espécie pelo gênero).
  A vela singrou os mares (a parte: vela, pelo todo: navio).
  O índio é valente (o singular: índio, pelo plural: índios).
  Não dá para viver sem um teto. (a parte pelo todo)
  Lento o bronze (o sino) soa. (a matéria pelo objeto que dela é feito)
Fica explicito, portanto, que na sinédoque há uma relação de extensão. Isto é, um termo de extensão menor substitui outro de extensão maior, e vice-versa.
Convém ter-se presente que a metonímia e a sinédoque nem sempre são percebidas como uma figura de estilo, pois algumas de suas construções já pertencem à linguagem comum: o pão de cada dia, ter bocas para alimentar, dizem as más línguas, os sem-teto, etc. ®Sérgio.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A HOMOSSEXUALIDADE DE FARAÓS

Um papiro com 5000 anos de idade, pertencente ao Museu Rosa-Cruz de San Jose, na Califórnia, mostra que os antigos egípcios tinham tendência a bisbilhotarem sobre a vida alheia. No papiro especulam a homossexualidade de faraós, entre outras coisas. O documento fala de um rei não identificado que visita à noite, frequentemente, a casa de um de seus generais. O uso da frase em cuja casa não existe esposa sugere que o faraó estava tendo um relacionamento gay. Isso, entretanto, não significa necessariamente que os egípcios fossem contra tal tipo de relacionamento. A desaprovação implícita parece estar mais focada no fato de que dessa maneira não haveria herdeiro para o trono. ®Sérgio.
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Fonte: O Fascínio do Antigo Egito. Disponível em: http://www.fascinioegito.sh06.com/index.html