domingo, 18 de março de 2012
SIGLAS: TODAS MAIÚSCULAS OU MINÚSCULAS?
Como escrever as siglas? Com todas as
letras maiúsculas? Ou minúsculas? Com ponto ou sem ponto entre as letras?
Ditaram as regras.
• Se a
sigla tiver até três letras, use todas as letras em maiúsculas: ONU, OEA, CEF,
MEC, USP, CEB, PM
• Se
todas as letras forem pronunciadas, use todas em maiúsculas: BNDES, GDF, PMDB,
INSS, CNBB, PSDB.
•
Se a sigla tiver mais de três letras, só a
inicial é maiúscula: Aids, Embrapa, Detran, Caesb, Unesco, Opep, Otan, Serpro.
Em todos os casos acima citados, não
usamos ponto entre as letras. ®Sérgio.
sábado, 17 de março de 2012
DÂMON E PÍTIAS
Dâmon
e Pítias eram dois amigos inseparáveis. Nasceram em Siracusa (Sicília) no
quarto século antes de Cristo. Tendo sido Pítias condenado à morte pelo tirano
Dionísio por ter-se negado a servi-lo. Contudo, antes de cumprir a pena, o
jovem pediu permissão ao tirano para ir a sua cidade, do outro lado do país, a
fim de se despedir da família e resolver alguns assuntos, deixando como fiador
de sua palavra o seu melhor amigo Dâmon que concordou em substituí-lo, mas foi
cientificado de que, se chegasse após o dia e a hora fixada, Dâmon iria ser
morto em seu lugar.
Expirado o prazo, sem que Pítias regressasse, Dâmon foi levado para o
lugar das execuções, mas seu amigo exatamente a tempo de salvá-lo. Dionísio
ficou tão impressionado com a solidez dessa amizade e com o sentimento de honra
dos amigos, que resolveu perdoar Pítias. ®Sérgio.
A CONDENAÇÃO DE DÂNAE
Castigo
imposto à Princesa de Argos, Dânae, por seu próprio pai, o Rei Acrísio. Este,
temendo que se cumprisse uma profecia, segundo o qual ele seria assassinado
pelo filho que viesse nascer de Dânae, encarcerou a filha em uma
câmara de bronze subterrânea e posta sob guarda, para que de modo algum ela pudesse casar-se e torná-lo avô.
Entretanto, Zeus, o deus todo poderoso, iludiu a vigilância de rei,
transformando-se numa chuva de ouro, e sob este disfarce, conseguiu unir-se à
Princesa prisioneira. Dânae tornou mãe de Perseu.
A
profecia se cumpriu durante os jogos olímpicos em Larissa, quando Perseu atirou
um disco com tanta força que este foi além do alvo e acidentalmente matou seu
avô. ®Sérgio.
sábado, 10 de março de 2012
O MITO DE ALECTRION
Segundo o mito grego, Hefesto (Vulcano, na mitologia romana), deus
do fogo, da metarlugia e dos Vulcões, devido aos seus afazeres, sempre muito
ocupado com suas forjas e as suas indústrias metalúrgicas, deixava Afrodite
(Venus) muito só.
Ares (Marte) aproveitando o descaso do deus do fogo,
passou a cortejar Afrodite que acabou em encontros noturnos. Alectrion, jovem sentinela às ordens de Ares, é encarregado por este de vigiar e guardar os seus encontros
noturnos com a deusa Afrodite. Avisando-os para que se desfizesse o encontro amoroso antes do
nascimento do sol, isto é, antes que o deus Hélios surgisse, pois poderia expor
os amantes a uma situação perigosa. Certa manhã, porém, Alectrion, mergulhado
no sono deixou de avisar os amantes e o Sol que
acabara de acordar, avistou os dois amantes, e, imediatamente, denunciou-os a
Hefesto, o marido enganado. Como acontece sempre que se descobre um adultério,
seguiu-se uma série de confusões, e, ao final, Ares transformou o
"descuidado" amigo em galo, com a obrigacão de cantar sempre, a cada manhã, antes do nascimento do Sol.
Por isso é, que o
galo, lembrando o castigo, canta, enlouquecido, durante a noite, anunciando a
aproximação do Sol. ®Sérgio.
sexta-feira, 9 de março de 2012
UM DEPUTADO NO INFERNO - Recontando Contos Populares
Contam que um conhecido político, muito
chegado a uma falcatrua - que já tinha passado pela vereança e agora era sua
excelência deputado e presidente duma tal comissão de ética -, certo dia, num
bate-boca com seus pares, subitamente, sentiu-se mal e bateu as botas. Morto, não teve conversa, foi direto para o
inferno. Lá chegando, foi logo pedindo uma audiência com o Diabo e explicando:
— Companheiro Diabo, lá embaixo eu era
amigo duns caciques e de outros que já vieram a minha frente e estão, agora,
articulando politicamente em causa de vossa excelência. Portanto, eu lhe
pergunto: qual vai ser meu gabinete aqui, no inferno?
O satanás, muito calmo,
lhe explicou que o inferno estava dividido em diversos departamentos, cada um
administrado por um país, porém o nobre colega não precisava ficar no
departamento administrado pelo país de origem dele. Podia ficar no departamento
do país que escolhesse. O deputado falecido agradeceu muito e tratou de dar uma
voltinha para escolher o departamento e quem sabe reencontrar velhos amigos.
Não andou uma quadra e
deu com o departamento dos Estados Unidos; pensou que um gabinete ali seria um
grande negócio, pois este deveria ser o departamento mais organizado do inferno
e lhe daria grandes privilégios. Entrou no departamento e perguntou como era o
regime ali.
— Pela manhã, depois de
passar três horas num forno a trezentos graus, trezentas chibatadas. Na parte
da tarde: ficar numa geladeira a 200 graus abaixo de zero durante três horas, e
voltar ao forno de trezentos.
O deputado ficou
abestalhado. Isso não era tratamento que se dava a um deputado falecido. Puro
preconceito e perseguição política dos gringos. E nossa excelência tratou de
cair fora dali. Passou pelo departamento português, italiano, russo e japonês;
tudo igual, em todo o lugar era o mesmo: chibatadas e forno pela manhã,
geladeira e forno pela tarde. O deputado falecido chegou à conclusão que não
tinha privilégio no inferno e lamentou ter morrido antes de chegar a ser
senador.
Caminhava desconsolado,
quando viu um departamento, no qual uma placa acima do batente, ostentava o
nome: Brasil. Aproximou-se e notou uma imensa fila à porta do departamento,
coisa que ele não tinha visto em nenhum outro. Logo pensou: "aqui tem
coisa". Entrou na fila e começou a chatear o camarada da frente,
perguntando por que ali havia fila e ninguém reclamava de nada. O pecador da
frente fingia não ouvir, mas ele tanto insistiu, que o da frente, com medo de
despertar a atenção dos serviçais do diabo, disse baixinho:
— Fica na tua e não
espalha não. O forno daqui tá quebrado, não funciona; a geladeira, quando
funciona não passa dos trinta graus.
— E as trezentas
chibatadas? Perguntou a excelência.
— Capaz... O
funcionário encarregado desse serviço vem aqui de manhã, assina o ponto e sai
fora.
Salve-se quem puder! ®Sérgio.
____________________
Nota: Este causo já percorreu o Brasil. Mas, acho que não faz mal contá-lo
aqui, a meu modo; pois estou certo de que pelo menos um leitor há de me
agradecer a lembrança.
segunda-feira, 5 de março de 2012
O COMPLEXO DE ELECTRA
Denominação criada pelos psicanalistas, para caracterizar a inclinação
sexual, geralmente inconsciente das filhas pelos pais.
O nome foi dado por Sigmund Freud que estudou e descreveu aquele trauma
pela primeira vez, dando-lhe o nome em alusão à tragédia grega Elektra, uma
peça de teatro produzida pelo dramaturgo Sófocles.
Segundo a lenda grega, Electra era filha de Agamenon (líder dos exércitos gregos em Tróia.) e
Clitemnestra e irmã de Orestes. Sua devoção ao pai era tanto que incitou o
irmão a matar a própria mãe, para vingar o adultério que sua mãe cometera com
Egisto e ao mesmo tempo vingar
o assassino de seu pai. Agamenon recebido por Egisto para um
banquete, durante o qual é assassinado por Clitemnestra, que em seguida casa-se
com Egisto. O complexo de Electra é caracterizado não só pela inclinação pelo pai como pela aversão a mãe. ®Sérgio.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
A CAIXINHA DE SANTO ANTÔNIO - Recontando Contos Populares
Tinha o vigário olhos
perscrutadores, vivos e buliçosos; era rosado, gordo e satisfeito; muito
vagaroso na missa e rápido na mesa; queridíssimo dos paroquianos da
cidadezinha. Não teria maiores problemas com seus fiéis, não fosse o mistério
da caixinha de Santo Antônio.
Tudo começou no dia em
que ele mesmo resolveu colocar, na caixinha, uma notinha de vinte reais,
novinha em folha. É que seus paroquianos não contribuíam muito para a caixinha
que ficava ao pé da imagem de Santo Antônio e então tratou de colocar ali a
nota de vinte, na esperança de servir de chamariz.
E qual não foi o
espanto e depois o susto, quando no dia seguinte, ao recolher as contribuições,
notar que, infelizmente, os vinte reais da caixinha desapareceram. Alguém (e
não fora o santo) passara a mão no dinheiro antes do vigário.
Aquilo era grave. Desde
que fora designado para aquela paróquia nunca tivera um caso de roubo na
igreja. A caixinha de Santo Antônio era a que ficava mais perto da porta e isso
devia ser a causa de estar sempre vazia. O ladrão acostumara a roubá-la. Devia
estar fazendo isto há muito tempo, o que explicava, então, a falta de
contribuição; não era omissão de seus paroquianos.
Recolhido no seu silêncio,
o vigário "bolava" um jeito de avisar o ladrão de que já sabia das
gatunices. Que podia fazer? Chegou à conclusão de que a melhor maneira seria no
sermão de domingo, mas não devia magoar os fiéis com a notícia de que na
comunidade, havia um gatuno de igreja. Isto poderia tirar o sossego da pacata
cidadezinha.
O padre fez o sinal da
cruz, atravessou o átrio para dizer a missa. Na hora do sermão pigarreou,
lançou em cheio a vista sobre o povo de fieis que assistia à missa, e contou
que Santo Antônio lhe aparecera em um sonho para agradecer a certo cristão que
deixava uma esmola gorda para os pobres e ainda "limpava" a caixinha,
possivelmente em sinal de amor e gratidão a Deus.
Terminado o sermão
ninguém notou que o verbo "limpar" tinha sido usado com segundas
intenções, mas o padre tinha certeza da que o ladrão se "mancara".
Mais cedo ou mais tarde, arrependido, viria se confessar.
Certa manhã, o padre
viu chegar o velho que tomava conta da estação. Era um negro forte, de cabelo
grisalho, muito tranquilo até a hora de largar o serviço, ocasião que entrava
no boteco e enchia a cara. Chegou carregando uma bruta bandeja. Parou na frente
do padre e explicou:
— Seu vigário, eu
também andei sonhando com Santo Antônio.
— Não me diga! –
exclamou o padre, fingindo surpresa, entretanto, certo de que aquele era o
ladrão, com remorsos.
— Mas é verdade padre.
Sonhei com o santo e soube que ele anda com vontade de comer um leitãozinho. Eu
estava engordando este aqui para o meu aniversário, mas tenho idade bastante
para não comemorar mais nada.
Dito isso, descobriu a
bandeja e o mais apetitoso dos leitõezinhos, assado em forno de lenha,
apareceu. O padre sentiu o cheiro de seu prato preferido, mas aguentou firme e
disse para o nego velho:
— Deixa a bandeja aí na
sacristia que eu entrego o leitão "pro" santo.
O bom ladrão obedeceu.
Deixou a bandeja e voltou para casa em estado de graça. Minutos depois o menino
que fazia, às vezes, o papel de sacristão na igreja batia à porta com um recado
do padre:
— Seu vigário mandou
dizer – falou o moleque – que Santo Antônio esta de dieta e que é "pro
senhô" ir comer o leitãozinho com ele, logo mais.
Foi um jantar pra santo
nenhum botar defeito. ®Sérgio.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O ADJETIVO FIGURADO
Regra
geral, o adjetivo vem depois do substantivo. No entanto, por uma questão de
ênfase, eufonia, ritmo, ou clareza da frase, pode-se colocar o adjetivo antes
do substantivo:
=> O coelho veloz.
=> O
veloz coelho.
Em diversos
casos, a posição do adjetivo altera o seu significado. Daí dizer-se que, quando
colocado depois do substantivo, o adjetivo está no seu sentido real, e colocado
antes, no figurado. Veja os exemplos:
=> Homem grande
(alto). => Grande homem (eminente).
=> Menino pobre
(sem recurso). => Pobre menino (coitado).
=>
Amigo caro (oneroso) => Caro amigo (querido amigo).
A
anteposição é preferida com adjetivos que exprimem qualidades morais ou
físicas, e, sobretudo, em frases exclamativas:
=> Pedro é um bom menino.
=> Que bela paisagem!
=> Que
mesquinha vingança!
Há expressões em que o uso fixou a colocação no sentido real, de modo
que elas ficariam violadas em sua estrutura e entendimento, se fossem
invertidas: mão direita, deputado
federal, código civil, Santíssimo Sacramento, etc.
Na linguagem literária, sobretudo em poesia, o adjetivo figurado pode
ser usado - em colocações intencionalmente exorbitantes das normas habituais -
como recurso de estilo. ®Sérgio.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
A GRAMÁTICA TRADICIONAL
Dionísio
de Trácia (170-90 a. C.) escreveu a Téchné grammatiké, a primeira gramática tradicional do ocidente.
Um livro de quinze págias e
vinte e cinco sessões onde ele apresenta uma explicação da estrutura do grego e constituíram a base das formulações gramaticais
posteriores. Esta gramática foi preservada até os dias de
hoje. Portanto, a gramática tradicional é herança dos gregos, enquanto que a gramática
moderna é fruto de pesquisas linguísticas.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
O INCONVENIENTE DA ESCRITA
Platão em Diálogos
expõe a seu amigo Freudo, o inconveniente da escrita: “A escrita apresenta meu
caro Freudo, um grave inconveniente que se encontra de resto na pintura. Com
efeito, os seres que esta produz têm a aparência, mas se lhe pusermos uma
questão eles guardam dignamente silêncio. O mesmo se passa com os discursos
escritos. Poder-se-ia acreditar que falam como seres sensatos, mas se o interrogarmos
com a intenção de compreendermos o que dizem; limita-se a significar uma só
coisa, sempre a mesma. Uma vez escrito qualquer discurso chegará a todos os
lados, e passa indiferentemente por aqueles que nada têm a fazer com ele.
Ignora a quem deva ou não dirigir-se. Se fazem ouvir vozes discordantes a seu
respeito, se é injuriado injustamente, tem sempre a necessidade de socorro do
seu pai. Só por si, com efeito, é incapaz de repelir um ataque e de se defender
a si mesmo”. ®Sérgio.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
O USO DE "VOCÊ" COMO COLETIVO
Você
tem origem no antigo Vossa Mercê e já
foi, vassuncê, vossemecê, vosmecê, ocê,
cê, etc.
É um pronome de tratamento pessoal. Seu
uso [verbal] se dá na segunda pessoa, porém, conjugado como a terceira pessoa
(ele). Às vezes substitui o pronome [tu].
Na linguagem oral, é cada vez mais
frequente o uso da palavra [você] com valor coletivo. Tomemos como exemplo os
seguintes comentários de radialistas esportivos e políticos:
• Quando
você bate na bola com o lado do pé...
• Quando
você deixa o carro de corrida morrer na
largada, deve ir para o fim da fila.
• Quando
você aplica no social o dinheiro dos
impostos...
É possível observar que os radialistas não
estavam conversando com os participantes das atividades esportivas, e sim com
os telespectadores que não participam do jogo e nem da corrida.
Segundo Pasquale Cipro Neto¹, "na
linguagem formal, culta, é bastante desejável a eliminação desse cacoete. É
cansativo, pobre e enfadonho o uso da palavra você como indicador de algo
genérico, coletivo".
No caso dos exemplos, bastaria dizer:
• Quando
se bate na bola com o lado do pé...
• Quando
se deixa o carro de corrida morrer na
largada, deve ir para o fim da fila. Ou: Quando o
piloto deixa...
• Quando
se aplica no social o dinheiro dos
impostos... ®Sérgio.
_________________________________________________________
1 – Pasquale Cipro Neto, Você. Revista Cult, dezembro/98; p.15.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
AUTO: O TEATRO RELIGIOSO
Auto é uma designação
genérica para textos poéticos normalmente em redondilhas. O termo é específico
do espanhol e do português, referindo-se de início a toda obra teatral,
especialmente às de caráter religioso. Do século XV em diante a palavra se
limita às peças em versos (normalmente em redondilhas), em um ato (auto), e de
caráter predominantemente religiosos, embora existam obras de temática profana
e satírica (as farsas), sempre com preocupações moralizantes. Os personagens
encarnam abstrações ou ideias puras (e até atributos divinos), para serem
representadas em solenidades cristãs. Com o surgimento de grandes autores, o
“auto” transcendeu essa finalidade, tornando-se gênero autônomo e de alto
significado literário.
O mais antigo auto,
conhecido, é o de "los Reyes
Magos", talvez escrito no século XIII. Juan Del Encina e Torres de
Naharro são considerados, no final do século XV, os criadores do teatro (auto)
espanhol. Um dos autos mais famosos é o "Monólogo
do Vaqueiro ou Auto da Visitação", de Gil Vicente.
O auto, no Brasil, foi
cultivado pelo Padre José de Anchieta, em seu trabalho de catequese.
Modernamente,
especialmente no nordeste, encontramos textos notáveis que revelam certa
influência medieval. É o caso do Auto da
Compadecida, de Ariano Suassuna. O poeta Joaquim Cardozo escreveu um belo
auto de Natal, De Uma Noite de Festa.
Em ambos é conservado o espírito religioso tradicional, mas os personagens são
popularizados e a tradição folclórica é aproveitada. Poderíamos também citar o Auto de Natal Pernambucano (mais
conhecido como Morte e Vida Severina) e Auto do Frade, ambos de João Cabral de
Melo Neto. No campo da música popular, o Auto
da Catingueira, de Elomar Figueira Melo.
Morte e Vida Severina,
é um texto escrito em versos curtos, onde predomina a redondilha e diálogos
entre personagens. Daí resulta num texto propício a encenação do Auto ou a leitura
em voz alta. O espírito religioso se manifesta nos nomes de alguns personagens
(Maria, José, o carpinteiro) e na exaltação a vida, a partir do nascimento de
uma criança nos mangues de recife. Aí esta a razão do subtítulo Auto de Natal Pernambucano. ®Sérgio.
O EUFEMISMO - Figuras de Pensamento
O eufemismo é uma espécie de perífrase, ou seja, é atenuação,
a substituição - por motivos religiosos, éticos, supersticiosos ou emocionais -
de uma palavra ou expressão de sentido rude, desagradável, por outra de sentido
agradável ou menos chocante. Por exemplo, a infinidade de eufemismo popular
para dissimular o nome do Diabo: Arrenegado, Cão, Coisa-ruim, Tinhoso, etc.
[...] pelo menos ele descansou.
A utilização do verbo descansar atenua o impacto da ideia de "morrer". A morte,
na nossa cultura, ê considerada algo desagradável, assustador, daí a grande
quantidade de eufemismos criados e utilizados para designar essa ideia -
falecer, passar desta para a melhor, ganhar a vida, etc.:
•
Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao senhor.
•
Quando a indesejada da gente chegar. (Manuel Bandeira)
•
Era uma estrela
divina que ao firmamento voou! (A. de Azevedo)
Expressões populares como: Ir para a terra dos pés juntos; Comer capim pela raiz; Vestir o paletó
de madeira; são exemplos de eufemismo, porém o caráter cômico dessas expressões em situações de
grande impacto como a morte, subtrai a função do eufemismo.
Outros exemplos:
• Ele faltou com a
verdade. (= mentiu)
• [...] trata-se de um usurpador do bem alheio. (= ladrão)
• Vivia de caridade
pública. (= esmolas) (Machado de Assis)
• O aluno foi convidado
a sair da escola.
(= expulso da
escola)
• Paulo não foi feliz nos exames. (= foi reprovado)
• Enriqueceu por meios ilícitos. (= roubou)
•
Querida, ao pé do leito derradeiro. (= túmulo) (A. de Azevedo)
Como se vê, no eufemismo, existe uma intenção, por
parte do falante ou do escritor, de não chocar o seu interlocutor ou leitor. ®Sérgio.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
PRA LAVAR A ALMA
(Essa é pra lavar a alma de todas as
vítimas dos bundões que estragam a Internet! E vamos lá...).
Não diz que tem MSN, porque senão ele te pede
Se descobrir o seu Orkut, ele vai implorar "add"
Não passe jamais seu e-mail, nem deixe que ninguém lhe conte
Senão virão milhões de arquivos enormes e
em Power Point.
Um bunda mole com banda larga,
É mais que um bunda mole:
É um bunda larga!
Você receberá corrente te prometendo um celular
Mensagens de falsos doentes pedindo pra você ajudar
Vídeos de dez megabits, que você já assistiu
Piadas que têm som de fundo, daquelas que
só ele riu
Um bunda mole com banda larga!
Ele vive na Internet
De noite, à tarde, de manhã!
Ele é quem espalha vírus
Ele é quem espalha spam
O bunda larga...
Ele acredita em boatos, adora lições de moral
Te envia aqueles textos chatos sobre a injustiça social
Se agendar um protesto sobre um tema que lhe atrai
Ele espalha o convite, mas ele mesmo nunca
vai!
O bunda larga...
Ele vive na Internet
De noite, à tarde, de manhã!
Ele é quem espalha vírus
Ele é quem espalha spam
Ele se acha informado
Ele se acha legal
Ele só sabe uma coisa:
Entupir caixa postal!
O bunda larga...
Um bunda mole com banda larga!
(Aê, bundão!)
Letra e
Música: Os Seminovos (a melhor banda de rock do Brasil)
O SUPLÍCIO DO FOGO
"Os Reis Fernando e
Isabel de Espanha entraram para a história por duas razões: o
financiamento da viagem de Cristóvão Colombo e o apoio total às execuções em
massa ordenadas por Tomás de Torquemada, fins do século XV, em nome da Inquisição.
Tomás de Torquemada, inquisidor-mor da Espanha, mandou para a
fogueira, entre 1483 e 1498, nada menos do que oito mil pessoas acusadas de
feitiçaria."
A AGONIA
E MORTE
O escritor português Oliveira
Martins (1845-1894), em História De
Portugal (volume II) descreve, em todos os detalhes, o que foi o Auto de Fé
(cerimônia em que eram executadas as sentenças do Tribunal de Inquisição) que
teve lugar em Lisboa, no dia vinte de setembro de 1540:
Naquele dia, depois de
longos meses de cárcere privado e torturas, dezenas de condenados iriam ter
suas sentenças cumpridas na Praça da Ribeira. Desde as primeiras horas da manhã
o «povaréu» já tomava a praça, onde também já se encontravam as mais
importantes autoridades da corte e da igreja, inclusive o próprio Rei João III.
Os réus eram três mulheres condenadas
por bruxaria, dois homens cristãos-novos (que se converteram recentemente a
religião católica) e um médico acusado de feitiçaria. Terminada a leitura da
acusação, os penitentes, os cristãos-novos e as bruxas foram absolvidos de
serem queimados vivos. Gozariam o «privilégio
de serem estrangulados» antes que seus corpos fossem devorados pelas
chamas. Mas, o médico de São Cipriano, acusado de feitiçaria, seria queimado
vivo. O rei, a corte, o inquisidor se retiraram e os sinos continuaram a
dobrar, pausado e funebremente...
Os carvoeiros de
alabardas (machados), os verdugos (carrascos) de capuzes e os frades de
escapulário (representado por dois pedaços de pano bento, pendentes no peito,
ligados por duas fitas, sobre os quais está escrito o nome da Virgem) e
crucifixo na mão, ficaram junto dos condenados para queimá-los.
O povo cercou em massa
o lugar das pilhas quadrangulares de lenha, com os olhos ávidos e cheios de
cólera, contra esses réus e suas desgraças. Todos, menos o médico, morreram
garroteados (estrangulamento sem suspensão do corpo do supliciado, que
geralmente era mantido a um assento, preso a uma espécie de estaca, na qual, em
altura adequada, se prendia a corda destinada ao estrangulamento) e depois foram
queimados.
O médico-feiticeiro de
São Cipriano, porém tinha culpa maiores e fora condenado a ser queimado vivo.
Junto da pilha de lenha, o frade, com as mãos postas, pedia-lhe que por Deus,
se arrependesse; mas ele com o olhar inquieto e agitado de louco, virava a cara
e zombava. Subiu a pilha a correr, e do alto, sentado no banco, fazia caretas
de escárnio e visagens (expressões) irreverentes. O frade batia nos peitos, a
plebe rugia colérica. Os verdugos amarraram-no ao poste, e os carvoeiros
acenderam a fogueira, que principiou a crepitar.
Os rapazes e as
mulheres da Ribeira, salteando-o com paus e garranchos (anéis de metal com um
gancho colocado na ponta da madeira), arrancaram-lhe um olho. Atiravam-lhe
pedras, pregos e o que pudessem. Faziam-lhe feridas por onde escorria sangue:
tinha a cabeça aberta e um beiço rasgado. Entretanto, a chama já começava a
romper por entre os toros; e ele com as mãos, estorcendo-se, dava no fogo,
querendo apagá-lo; quando via, com o olho que lhe restava, vir no ar uma pedra,
mesmo amarrado, tentava desviar-se, para dela se livrar. Do vão do outro olho,
escorria pela face um fio de sangue. Isso já durava por mais de uma hora e
divertia muito o povo. Mas o vento soprava rijo do poente, da banda do rio e,
arrastava consigo as chamas; e por não ter fumos (fumaça) que o afogassem, o
condenado ficou três horas, vivo, a torrar, agonizando, contorcendo-se, em
caretas, e gritando: "ai... ai... ai..."
Cenas degradantes como esta, e outras ainda mais cruéis, iriam se
repetir milhares de vezes, desde que a Inquisição ou Santo Ofício foi
instaurado. Entre as vítimas da intolerância religiosa, não estariam apenas os
conversos, os heréticos, os cristãos-novos e os feiticeiros anônimos, mas
figuras do porte de um Galileu, de um John Huss, de um Giordano Bruno ou de uma
Joana d’Arc. ®Sérgio.
____________________
Nota: Fiz adaptações linguísticas no texto de Oliveira Martins, para melhor
situá-lo no vernáculo de nossos dias.
sábado, 14 de janeiro de 2012
SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS ACOMPANHADOS DE SUAS PREPOSIÇÕES
Apresentamos aqui uma pequena relação de
substantivos e adjetivos acompanhados de suas preposições mais usuais. A
escolha desta ou aquela preposição deve obedecer às exigências da clareza e
adequar-se as diferentes formas de construção frasal:
Acessível [a]
|
Empenho [de, em, por]
|
Admiração [a, por]
|
Fácil [a, de, para]
|
Afável [para, para com]
|
Feliz [de, com, em, por
|
Afeição [a, por]
|
Fértil [de, em]
|
Aflito [com, por]
|
Horror [a]
|
Alheio [a, de] Hostil [a, par
com]
|
Indulgente [com, para com]
|
Aliado [a, com]
|
Imune, [a, de]
|
Análogo [a]
|
Impaciência [com]
|
Antipatia [a, contra, por]
|
Lento, [em]
|
Apto [a, para]
|
Medo [de, a]
|
Atenção [a]
|
Obediência [a]
|
Atencioso [com, para com]
|
Pasmado [de]
|
Aversão [a, para, por]
|
Passível [de]
|
Avesso [a]
|
Peculiar [a]
|
Capacidade [de, para]
|
Pendente [de]
|
Certeza [de]
|
Preferível [a]
|
Coerente [com]
|
Propício [a]
|
Compaixão [de, para com, por]
|
Próximo [a, de]
|
Compatível [com]
|
Receio [de]
|
Concordância [a, com, de, entre]
|
Relação [a, com, de, por, para]
|
Conforme [a, com]
|
Rente [a]
|
Constituído [com, de, por]
|
Inerente [a]
|
Consulta [a]
|
Junto [a, de]
|
Contente [com, de, em, por]
|
Residente [em]
|
Contíguo [a]
|
Respeito [a, com, para com, por]
|
Cruel [com, para, para com]
|
Simpatia [a, para com, por]
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Curioso [de, por]
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Situado [a, em, entre]
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Desgostoso [com, de]
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Solidário [com]
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Desprezo [a, de, por]
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Suspeito [a, de]
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Devoção [a, para, com, por]
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Tentativa [contra, de, para, com]
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Devoto [a, de]
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Último [a, de, em]
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Dificuldade [com, de, em, para]
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União, [a, com, entre]
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Facilidade [de, em, para]
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Versado [em]
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Dúvida [acerca de, em, sobre]
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Vizinho [a, de, com]
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Discordância [com, de, sobre]
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®Sérgio.
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