sábado, 14 de janeiro de 2012
SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS ACOMPANHADOS DE SUAS PREPOSIÇÕES
Apresentamos aqui uma pequena relação de
substantivos e adjetivos acompanhados de suas preposições mais usuais. A
escolha desta ou aquela preposição deve obedecer às exigências da clareza e
adequar-se as diferentes formas de construção frasal:
Acessível [a]
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Empenho [de, em, por]
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Admiração [a, por]
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Fácil [a, de, para]
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Afável [para, para com]
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Feliz [de, com, em, por
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Afeição [a, por]
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Fértil [de, em]
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Aflito [com, por]
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Horror [a]
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Alheio [a, de] Hostil [a, par
com]
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Indulgente [com, para com]
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Aliado [a, com]
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Imune, [a, de]
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Análogo [a]
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Impaciência [com]
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Antipatia [a, contra, por]
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Lento, [em]
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Apto [a, para]
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Medo [de, a]
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Atenção [a]
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Obediência [a]
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Atencioso [com, para com]
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Pasmado [de]
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Aversão [a, para, por]
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Passível [de]
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Avesso [a]
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Peculiar [a]
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Capacidade [de, para]
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Pendente [de]
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Certeza [de]
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Preferível [a]
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Coerente [com]
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Propício [a]
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Compaixão [de, para com, por]
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Próximo [a, de]
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Compatível [com]
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Receio [de]
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Concordância [a, com, de, entre]
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Relação [a, com, de, por, para]
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Conforme [a, com]
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Rente [a]
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Constituído [com, de, por]
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Inerente [a]
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Consulta [a]
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Junto [a, de]
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Contente [com, de, em, por]
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Residente [em]
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Contíguo [a]
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Respeito [a, com, para com, por]
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Cruel [com, para, para com]
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Simpatia [a, para com, por]
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Curioso [de, por]
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Situado [a, em, entre]
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Desgostoso [com, de]
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Solidário [com]
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Desprezo [a, de, por]
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Suspeito [a, de]
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Devoção [a, para, com, por]
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Tentativa [contra, de, para, com]
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Devoto [a, de]
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Último [a, de, em]
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Dificuldade [com, de, em, para]
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União, [a, com, entre]
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Facilidade [de, em, para]
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Versado [em]
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Dúvida [acerca de, em, sobre]
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Vizinho [a, de, com]
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Discordância [com, de, sobre]
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®Sérgio.
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
TUDO O QUE ou TUDO QUE?
Emprega-se
indiferentemente [tudo o que] ou [tudo que]. No entanto, o mais usado é [tudo o que]:
• Fez
pelo país tudo o que pôde.
• Fez
pelo país tudo que pôde.
• Conseguiu
tudo o que queria.
• Conseguiu
tudo que queria.
• Deu
à família tudo o que estava ao seu alcance.
• Deu
à família tudo que estava ao seu alcance.
Da mesma forma, [tudo o mais] ou [tudo mais]:
• Isso
posto e tudo o mais que dos autos consta.
• Isso
posto e tudo mais que dos autos consta.
• Meus
livros e tudo o mais.
• Meus
livros e tudo mais.
• Computadores
e tudo o mais precisam de manutenção.
• Computadores
e tudo mais precisam de manutenção.
Emprega-se
[tudo a ver]. E nunca [tudo haver]:
• Essa
roupa tem tudo a ver (e não: tudo haver) com você.
O
pronome "tudo" corresponde a "todas as coisas" e é de
gênero neutro. ®Sérgio.
DOUTOR SALVADOR
Por volta de 2001, um
forte esgotamento e um princípio de depressão, forçaram-me a fazer um
tratamento terapêutico. O terapeuta era o Dr. Salvatore, que chamávamos
carinhosamente de «Doutor Salvador»; um americano de quase dois metros de
altura, com um par de pés que não precisavam de esqui para fazer equitação,
sempre bem servidos por dois chinelos. Além disso, trazia sempre, no canto da
boca, um enorme cachimbo, às vezes aceso (em homenagem a extinta maria-fumaça),
às vezes apagado, mas sempre no canto da boca. Assim era ele, tanto que, na
minha primeira visita ao seu consultório, indaguei-me: quem é o maluco aqui?
Um dia, em uma de suas
sessões, sabendo dos comentários que rolavam a seu respeito, perguntou-me,
repentinamente:
— Você sabe qual a
diferença entre "eu e meus pacientes", lá no sanatório?
Respondi, surpreendido,
que não.
Então, ele diz:
— É que eu tenho as
chaves!
E soltou um largo e
extenso sorriso, que se estivesse usando batom sujaria as orelhas, enquanto
levantava, com seu enorme braço, bem alto, um molho de chaves; e as balançava
como se fosse uma sineta de escola. ®Sérgio.
MEU SONHO
"Pus o
meu sonho num navio
E o navio em
cima do mar;
Depois abri o
mar com as mãos,
Para meu
sonho naufragar."
Cecília Meireles.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
NA ÉPOCA DO TELÉGRAFO
Na época dos telégrafos, a
empresa Western Union, maior provedora de serviços de mensagens telegráficas
nos EUA, testava os novos aparelhos a fim de garantir que eles enviariam todas
as letras sem erros. Para fazer os testes, foi criada a frase "the quick
brown fox jumps over the lazy dog" (a rápida raposa marrom pula sobre o
cão preguiçoso), sentença que une em apenas uma linha todas as letras do
alfabeto.®Sérgio.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
O PERDÃO MENTIROSO
"Os Reis Fernando e Isabel de Espanha entraram
para a história por duas razões: o financiamento da viagem de Cristóvão Colombo
e o apoio total às execuções em massa ordenadas por Tomás de Torquemada, fins
do século XV, em nome da Inquisição. Tomás de Torquemada, inquisidor-mor
da Espanha, mandou para a fogueira, entre 1483 e 1498, nada menos do que oito
mil pessoas acusadas de feitiçaria."
No livro - La
Inquisición de Logrono y um Judaizante Quemado, em 1719, do historiador espanhol Fidel Fita Colomé
(1835-1918), descreve-se a queima de um cristão-novo:
Era uma manhã de agosto; o condenado já
está amarrado ao poste; um padre passa-lhe diante do rosto uma tocha (para
preveni-lo do que o espera se não se arrepender). A sua volta, acham-se outros
religiosos, todos insistindo para que o mesmo se converta. Tais pedidos (rogos)
se prolongam, cada vez com mais insistência, durante certo tempo; até que, em
dado momento, o réu decidiu-se à conversão. Com perfeita serenidade diz: "Quero
converter-me a religião de Jesus Cristo". Palavras, estas, que não se
ouvira dele até aquele momento. Isso deixou os religiosos bastante alegres, que
o abraçaram com ternura e deram infinitas graças a Deus por ter-lha aberto uma
porta para a conversão.
Quando fazia sua confissão
de fé, um padre da Ordem dos Franciscanos perguntou-lhe: "Em que lei
morrerá?" Ele virou-se, e olhando nos olhos do religioso, disse-lhe:
"Padre já lhe disse que morro na religião de Jesus Cristo." Todos
novamente se alegraram e o franciscano que se achava ajoelhado levantou-se e
abraçou o criminoso. Nesse momento, o criminoso viu o carrasco - que se mantivera,
até um pouco antes, atrás do poste onde aquela alma convertida se encontrava
amarrada, e perguntou-lhe: "Porque você me chamou de cão antes?" O
carrasco respondeu: "Porque negou a religião de Jesus Cristo; mas agora
que confessou, somos irmãos, e, se lhe ofendi pelo que falei, peço perdão de
joelhos." O criminoso perdoou-o e ambos abraçaram-se.
Desejoso de que não se
perdesse aquela alma que havia dado tantos sinais de conversão, dirigi-me (o
inquisidor) casualmente para trás do poste, onde estava o carrasco e dei-lhe
ordem para que o estrangulasse imediatamente, porque era muito importante não
haver demora. Ele fez isso com grande presteza.
Assegurando-se de que o
condenado estava morto, o carrasco recebeu ordem para atear fogo nos quatro
cantos da pilha de lenha e carvão. Fê-lo imediatamente e a pilha começou a
queimar de todos os lados, erguendo-se as chamas rapidamente na plataforma e
queimando a madeira e a roupa. Quando a corda que amarrava o prisioneiro
queimou-se ele caiu no alçapão para dentro da pilha e seu corpo ficou reduzido
a cinzas.
Cenas degradantes como esta, e outras ainda mais cruéis, iriam se
repetir milhares de vezes, desde que a Inquisição ou Santo Ofício foi
instaurado. Entre as vítimas da Intolerância religiosa, não estariam apenas os
conversos, os heréticos, os cristãos-novos e os feiticeiros anônimos, mas
figuras do porte de um Galileu, de um John Huss, de um Giordano Bruno ou de uma
Joana d’Arc. ®Sérgio.
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Nota:Fiz adaptações linguísticas no texto de Fidel Fita, para melhor situá-lo no vernáculo de nossos dias.
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Nota:Fiz adaptações linguísticas no texto de Fidel Fita, para melhor situá-lo no vernáculo de nossos dias.
A LENDA SIOUX -
Há uma lenda dos índios Sioux que, com a devida licença, não
poderia deixar de contar-lhes. Mas vou avisando que apesar da narrativa ser
minha, a essência da lenda não foi modificada.
Conta-se que, certa vez, os jovens índios Sioux Touro Bravo
e Nuvem Azul, foram à tenda do velho feiticeiro fazer um pedido:
— Sábio senhor, eu amo Nuvem Azul e ela a mim e vamos nos
casar. Nosso amor é tanto que viemos lhe pedir um conselho: há algo que
possamos fazer que nos garanta ficarmos para sempre juntos, um ao lado do outro
até a morte?
O velho feiticeiro,
ao ver aqueles jovens, tão apaixonados e
tão ansiosos por uma palavra, disse emocionado:
— Há uma coisa que podem fazer, porém é uma tarefa muito
difícil e exige muito sacrifício. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte, ao
norte da aldeia, levando consigo apenas uma rede, caçar o falcão mais vigoroso
e trazê-lo aqui, com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro
Bravo, deves escalar a montanha do trono e também levar apenas uma rede; quando
chegares lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias. Deves
apanhá-la e trazê-la para mim, viva!
Touro Bravo e Nuvem Azul abraçaram-se com ternura,
agradeceram o velho feiticeiro e partiram para cumprir a missão.
No dia estabelecido, os jovens, com as aves, voltaram à
tenda do feiticeiro. O velho tirou as aves dos sacos de couro e constatou que
eram verdadeiramente os exemplares dos formosos animais que ele tinha pedido.
— E agora, o que faremos? Perguntaram os jovens, tomados de
expectativa.
— Peguem as aves e amarrem uma à outra pelos pés com essas
fitas de couro. Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres.
Touro Bravo e Nuvem Azul fizeram o que lhes foi ordenado e
soltaram os pássaros. A águia e o falcão tentaram voar, mas, o que conseguiram foi
apenas saltar pelo terreno. Após várias tentativas, as aves, irritadas pela
impossibilidade de voarem, arremessaram-se uma contra a outra, bicando-se até
se machucarem. Então o velho disse:
— Jamais esqueçam o que estão vendo, esse é o meu conselho.
Vocês são como a águia e o falcão. Se, um ao outro, estiverem amarrados, ainda
que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde,
começarão a machucarem-se. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem
juntos, porém, jamais amarrados. Libere a pessoa que você ama para que ela
possa voar com as próprias asas.
“A
única verdadeira segurança não se encontra em ter ou possuir, nem em exigir ou
prever; e sim na fluidez, na libertação.” ®Sérgio.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
CONCORDÂNCIA DO VERBO PARECER
Numa locução verbal (combinação de dois
verbos: auxiliar + v. principal) as flexões de tempo, modo, número e pessoa se
dão nos verbos auxiliares; o chamado principal (ideia da ação verbal), não
flexiona e é sempre empregado numa de suas formas nominais.
Entretanto, nas construções formadas pelo
verbo parecer + infinitivo, pode-se flexionar o verbo
parecer ou o infinitivo que o
acompanha:
Flexionando o Verbo Parecer (construção
corrente)
●
As paredes pareciam
estremecer.
●
Os astronautas parecem duvidar do que viram.
●
Os astros parecem
caminhar no firmamento.
●
As
certezas pareciam ser incertas.
●
As borboletas parecem
bailar.
Flexionando o Infinitivo (construção literária)
●
As
paredes parecia estremecerem.
●
Os astronautas parece duvidarem do que viram.
●
Os
astros parece caminharem no firmamento.
●
As certezas parecia
serem incertas.
●
As
borboletas parecia bailarem. ®Sérgio.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O ACRÓSTICO
São composições
poéticas, nas quais, as letras iniciais, de cada verso, formam uma ideia, uma
frase, uma palavra ou um nome. Quando se juntam as letras, tem-se o acróstico
propriamente dito, que se lê na vertical, de cima para baixo ou no sentido
inverso.
Fazia bem em me
dizer
E grata lhe
ficaria
Razão porque em
verso me dizia
Não ser o
bom-bom para si...
A não ser que na
pastelaria
Não lho queiram
fornecer
D’outro motivo
não vi
Ir tal levá-lo a
crer.
Não sei mesmo o
que pensar
Há fastio para o
comer?
Ou não tem massa
pr’o comprar?!
Peço porém me
desculpe
Este incorreto
poema
Seja bom e não
me culpe
Sou estúpida, e
tenho pena
O Sr. é muito
amável
Aturando esta...
pequena...
(Poema de Ofélia Queirós dedicado a Fernando Pessoa)
Se a combinação das
letras se processa no meio dos versos, tem-se o acróstico mesóstico; se no fim, o teléstico.
Quando as primeiras letras formam o alfabeto, tem-se o abecedárius ou o acróstico
alfabético. Se o nome é formado da primeira letra do primeiro verso, da
segunda do segundo verso, da terceira do terceiro verso, e assim
consecutivamente, tem- se o acróstico cruzado.
O acróstico foi
praticado na Antiguidade pelos escritores Gregos e Latinos e na Idade Média
pelos monges. Cícero, escritor e filósofo romano, afirmava que os Oráculos
Enigmáticos eram organizados em acróstico. No Velho Testamento,
podemos encontrar um acróstico, no salmo
118. Na Idade Média, os poetas o empregavam para ocultar, discretamente, o
nome da bem-amada. Em português o acróstico apareceu no Cancioneiro Geral
(século XVI) e foi praticado por Camões no soneto CCIX, cujo primeiro verso é
"Vencido está de amor meu pensamento". No Barroco chegou a ser uma
verdadeira mania.
Já foi feito acróstico
em prosa, com as letras do começo de cada parágrafo.
O acróstico não passa
hoje de um exercício lúdico, isto é, de um jogo, de um divertimento. Entre nós
tem sido cultivado esporadicamente, sem maior interesse literário.®Sérgio.
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011
BARDO: O TROVADOR DO REINO UNIDO
Atualmente o termo "bardo" é usado como sinônimo de
"poeta". Entretanto, originalmente, esse vocábulo significava – entre
galeses, irlandeses e escoceses – a espécie de poetas e cantores, que
empregavam o talento para elogiar os príncipes e reis, celebrar feitos de
guerra e conservar a memória das classes aristocráticas. Alem disso,
elaboravam, às vezes, poesia de cunho satírico. Não seria sem razão dizer que o
"bardo" correspondia ao "trovador" da poesia trovadoresca.
Lá pelo século VI, alguns brados emigraram para a Betranha francesa,
levando seus poemas e canções. Ora prestigiados, ora em desgraça, conseguiram
se mantiver até o século XVIII, então reduzidos a condição de vagabundos ou
mendigos. ®Sérgio.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
CONCORDÂNCIA DOS VERBOS: FALTAR, BASTAR E SOBRAR
Esses verbos concordam normalmente com o sujeito. Portanto:
● Faltam dois minutos para a meia-noite.
● Falta um minuto para a meia-noite.
● Sobraram muitos doces e salgados na
festa.
● Bastam duas crianças para a casa virar
do avesso.
● Basta uma criança para a casa virar do
avesso.
● Faltam poucos minutos para bater o sinal
de saída.
● Faltam duas semanas para terminar a
competição.
● Falta uma semana para terminar a
competição. ®Sérgio.
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
RITUAL PARA REVERTER UM PERÍODO RUIM
Um amigo atravessava um período bastante negativo. Estava mergulhado numa
série de problemas sem mais saber como emergir deles. A coisa estava tão feia
que ele estava topando qualquer coisa para se salvar. Ele já estava quase
apertando o nó da corda quando alguém lhe passou um ritual, que, segundo ele
foi "tiro e queda" na reversão do período ruim. Se você também atravessa
um período negativo, aí vai a receita do meu amigo:
Prepare o Seguinte
Material:
Uma vela branca em um suporte.
Um incenso de patchulli.
Um cobertor.
Um sino.
O Ritual
Encha uma banheira ou bacia (grande) de água com um pouco de sal. Acenda a
vela e entre na banheira ou na bacia. Permaneça na banheira o tempo necessário
para relaxar. Concentre-se na lavagem de todas as vibrações negativas. Depois,
saia da banheira, seque-se e vista uma túnica ou roupão. Segure a vela com uma
mão e o sino na outra. No sentido horário visite todos os cômodos da casa,
badalando o sino enquanto caminha. Erga a vela diante de cada janela, porta e
espelho e em seguida toque o sino, dizendo:
— Trevas! Fujam deste sino e desta vela, que entre o equilíbrio e vá
embora a escuridão.
Coloque a vela no suporte, acenda o incenso e espalhe a fumaça lentamente
sobre o seu corpo. Deite-se em uma posição confortável e enrole-se no cobertor,
deixando apenas o nariz e a boca descobertos, para permitir sua respiração.
Feche os olhos. Relaxe completamente e deixe-se levar às profundezas da
terra. À medida que afunda, derrame sua infelicidade e seus sentimentos
depressivos na Mãe Terra e no Senhor da Floresta. Se você sentir vontade de
chorar, chore, pois lhe fará muito bem.
Agora esvazie sua mente de qualquer pensamento. Deixe seus sentimentos
fugirem ao controle da mente consciente, deixe rolar o que tiver que rolar...
Você sentirá então, o abraço da Mãe Terra e a escuridão e a depressão de
seu interior começarão a se desintegrar. Uma paz profunda tomará conta de todo
o seu ser.
À medida que sente estar dirigindo a mente para pensamentos mais positivos,
comece a se livrar do cobertor. Mas saia lentamente de dentro dele, como se
fosse um bebê nascendo para um novo mundo. Uma vez livre do cobertor, estique
os braços e as pernas. Não se espante se estiver rindo ou chorando de emoção, é
bem normal.
Agora dê boas-vindas às mudanças que floresceram dentro de você, e salve-se quem puder! ®Sérgio.
domingo, 27 de novembro de 2011
ANTIGA LENDA CHINESA
Na hora de ir para o trabalho, um
lenhador dá falta do machado. Observa seu vizinho: tem o aspecto típico de um
ladrão de machados, o olhar os gestos e o modo de falar de um ladrão de
machados. Mas o lenhador encontra sua ferramenta, que estava caída por ali. E, enquanto torna a observar seu vizinho, constata que não se parece nem um pouco
com um ladrão de machados, nem no olhar, nem nos gestos, nem no modo de falar. ®Sérgio.
sábado, 26 de novembro de 2011
OS CABOCLOS QUE SE INVEJAVAM
Conta o povo, que viviam num lugar pequeno, muito
afastado dos centros mais civilizados, dois homens que se queriam muito mal. Os
moradores da região tentaram de tudo para fazê-los amigos; porém, como o ódio
era de coração, não durava neles a amizade que prometiam. Esse ódio, cada vez
mais forte, acabou incomodando o Criador. De maneira, que ele resolveu enviar a
Terra um de seus assistentes, a fim de inquirir ambos os homens, o melhor que
pudesse, para saber a causa de tanto ódio; porque sabendo o princípio do mal,
mais fácil se faria a paz.
O Criador logo tomou ciência de que era pura inveja
que cada um tinha dos bens e da fazenda do outro, porque nisto eram quase
iguais e abastadamente ricos; porém, cada um desejava ver-se acima do outro,
ainda que fosse à custa de ver o outro perdido e destruído. O mesmo mal que um
queria ao outro, lhe queria o outro a ele.
Desejoso de levar a paz a ambos, o Criador envia
outro emissário, que os encontra em pleno bate-boca e lhes diz:
— Sejam amigos e nosso Pai terá o prazer de lhes dar
tudo o que quiserem pedir do Reino dele. Porém, com uma condição: o que um
pedir, para não haver inveja, ao outro ele dará em dobro.
Eles, a primeira vista, aceitaram e agradeceram ao
emissário, crendo que cada um ficaria avantajado ao outro; porém quando caíram
na conta que, ainda que um pedisse muito, o outro receberia dobrado; nenhum
queria ser o primeiro a pedir, para não ficar com menos que o vizinho.
Tal situação irritou o Criador que desceu a Terra e
lhes ordenou que sorteassem a quem coubesse pedir primeiro. Feito o sorteio,
àquele que coube pedir, ficou um instante a meditar e depois prosseguiu, nestes
termos:
— Senhor, eu já sei o que hei de pedir e se cumprir
a sua palavra, ficarei contente e amigo do meu vizinho.
O Criador prometeu cumprir sem falta; então, ele se
pôs de joelhos, beijou-lhe a mão, e logo pediu:
— Senhor, tire-me um de meus olhos!
O Pai Eterno, espantado com o pedido, lhe diz:
— Jesus! E por quê?
E o homem tornou a dizer:
— Porque, conforme a sua promessa se me tirarem um
olho, hão de tirar os dois olhos dele; e assim, vendo este dano, eu me contento
e serei amigo do meu vizinho.
Pois é, a inveja é o diabo! ®Sérgio.
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Nota Sobre o
Texto: Este conto foi inspirado em um “caso” que circulava na tradição popular
lusitana.
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