segunda-feira, 20 de junho de 2011

O TERMO ADÁGIO

Adágio é o mesmo que os conhecidos ditos, provérbios, sentenças ou máximas, que segundo o filósofo alemão Friedrich Von Schlegel, um dos grandes teóricos do romantismo, é "a maior quantidade de pensamento no menor espaço". Não raro, o adágio registra a experiência culta dos Antigos, universalmente difundida. Quando o adágio tem origem não literária, diz-se adágio popular.
Um dos adagiários mais famoso é o Adágios (1500-1506) escrito por Erasmo de Roterdã (1466-1536), que compila mais de quatro mil sentenças colhidos nos autores da Antiguidade Greco-latina.
O termo adágio também é usado (ainda) na linguagem musical, para indicar um movimento vagaroso e gracioso. ®Sérgio.

sábado, 18 de junho de 2011

UMA JANELA PARA O MUNDO

"Tenho muitas deficiências físicas, mas no jogo Star Wars Galaxies posso pilotar uma moto voadora, enfrentar monstros ou, simplesmente, encontrar os amigos em um bar. Minha vida real é bem mais limitada. Como os movimentos de minhas mãos são restritos, não consigo pressionar as teclas de um teclado normal. Por isso uso um teclado virtual que me permite conversar on-line com outros jogadores. A tela do computador é a minha janela para o mundo. Online, não importa a aparência. Os mundos virtuais reúnem as pessoas – e todos estão na mesma situação (é uma pena que nem todos pensem assim) [opinião minha]. No mundo real, elas podem se sentir desconfortáveis perto de mim antes de me conhecer e descobrir que, sem levar em conta a aparência, eu sou como elas. Aí está uma vantagem da internet: é possível interagir com alguém antes de conhecê-lo fisicamente. Assim, uma pessoa é conhecida por suas ideias e personalidade, não pela aparência física. Num encontro de jogadores em 2002, a Ultimate Online Fan Faire, em Austin, percebi que as pessoas ficaram intrigadas, mas agiam como se eu fosse uma delas. Elas me trataram como igual, como se eu não fosse do jeito que sou – quer dizer, deficiente e em uma cadeira de rodas. Éramos todos apenas jogadores."
(Jason Rowe, 32 anos, Texas, Estados Unidos)
Em nossas leituras, de repente, “damos de cara”, com pequenas coisas que nos atinge de dentro e penetra as íntimas fibras do nosso ser e nos deixa envergonhados por acharmos que a vida, ás vezes, nos é injusta.
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Fonte e imagem:

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O CÉREBRO INIMITÁVEL

"A consciência baseada em silício, se ela algum dia surgir, certamente se manifestará de formas muito distintas daquelas exibidas pela versão humana. [...] Nossa peculiar história evolutiva não pode ser comprimida em nenhum algoritmo computacional, um fato que elimina qualquer esperança de que máquinas, simulações computacionais ou formas artificiais de vida poderiam ser sujeitas a uma lista idêntica de pressões evolutivas, geradas por qualquer código de computador ou outra máquina criada pelo homem. [...] Por carregar o legado de sua própria história impresso dentro de seus circuitos, o cérebro recebeu como recompensa a imunidade mais poderosa contra possíveis tentativas de copiar seus mais íntimos segredos e arte."
Trecho do livro Muito Além do Nosso Eu, do neurocientista Miguel Nicolelis. 

domingo, 12 de junho de 2011

O ENTERRO DO BOIADEIRO - Recontando Contos Populares

Certo dia, lá pros lados do sertão de Minas, morreu Bastião Boiadeiro. Caboclo novo ainda. Os parentes se debulharam em lágrimas. Houve muita tristeza entre os amigos boiadeiros. Mas Bastião tinha que ser enterrado. Chico do Laço, seu amigão do peito, arrumou mais cinco caboclo para carregar o corpo do defunto até o cemitério de Rio Claro. Caminho longo de quase quatro léguas. Botaram Bastião numa rede, onde passaram uma vara bem grossa e, dois a dois, foram carregando o amigo até a cidade dos "pés juntos". Vencida obra de duas léguas, o cansaço era muito. Por isso, diminuíram um pouco a marcha, porém continuaram a andar. O dia também andava. Chegou à tardezinha. O sol se some. À noite veem; não dá para chegar a Rio Claro antes do fechamento do cemitério. O negócio é descansar e continuar no rompante da manhã.
Colocaram o morto num canto, e cada qual se ajeitou como podia. Logo, puxavam um ronco danado. Cansaço dos diabos. Só o Chico Boiadeiro, pesaroso com a morte do amigo e medroso como ele só, não consegue pegar no sono e fica apreciando a lua cheia que alumiava até passeio de pulga no chão. Lá pelas tantas, com os olhos ainda arregalados, vê uma coisa que o deixou de cabelos em pé. O morto se levanta e meio no ar vem em direção ao grupo de amigos, no rumo dele. Passa por cima de um. Passa pelo outro e mais outro, até passar pelo quinto. Tudo muito vagaroso, como deve de ser um fantasma. Quando Bastião vai passar por cima do Chico, este não se contém e apronta o maior berreiro, soltando guinchos como os de boneca rapidamente apertada na barriga.
— Por amor de Deus, Bastião! Vai pro seu corpo, diabo! Cruz credo!... Avemaria!... Será possível, meu senhor?!
Com a gritaria do Chico Boiadeiro, os companheiros acordam querendo saber o que foi...
Chico explica bem explicadinho. Alguns acharam graça e outros ficaram com a pulga atrás da orelha, preocupados. Um deles foi o Italívio:
— Óia, gente! Isso é castigo de Deus. O morto num discansô até agora porque a gente num interrô ele. Bastião deve tá devera puto da vida com a gente!
E o diacho é que ele passô inriba de nóis, né sô? Tocou no crucifixo que no peito trazia... e continuou. Isso é mau siná. Queira Deus que certas coisa que o povo fala seja só boataria...
Foi o que conseguiu completar Manuel, todo cismado, o primeiro que o espírito do Bastião passou por cima. Daquela hora pra frente ninguém mais dormiu. Só o Deodoro que, de madrugadinha, conseguiu tirar uma pestana. Afinal, ele não acreditava nas lorotas que o povo contava.
— Deixa de bobage, gente! Larga de mão disso! Quem morreu, morreu! Num vorta mais. O Chico tava era com sonhação!
Saíram com o sol saindo, e, na metade da manhã chegaram com o corpo frio e duro do Bastião no cemitério. Enterraram o amigo. Passaram num boteco para molhar a goela e se mandaram de novo, estrada a fora, rumo do sertão, cada qual pro seu canto.
É crença no sertão de que, quando se vai levar um defunto para enterrar, não se pode parar. Pra nada. Parar é desgraça na certa para os carregadores.
Dê daí, ô gente... o Chico Boiadeiro, naquele ano, teve que fazer o mesmo trajeto de carregamento de defunto mais cinco vezes. ®Sérgio.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O APÓCRIFO

Apócrifo, do Grego, apókryphos = oculto. Primitivamente, esse termo designava os textos que eram mantidos secretos, escondidos, como o Livro das Sabinas, na Roma Antiga.
Com o advento do cristianismo o termo passou a caracterizar os textos bíblicos isento de "inspirações divinas" e, por isso, não incluído nas escrituras, como o Livro de Enoch, Vida de Adão e Eva, de Salomão, pertencentes ao Antigo Testamento; Atos de Mateus, Apocalipse e Evangelho de Pedro, do Novo Testamento.
Modernamente, toma-se apócrifo como sinônimo de textos falsos, não autênticos, ou seja, falsamente atribuído a determinado autor, ou ainda de autor incerto. ®Sérgio.

A APOSIOPESE - Figuras de Linguagem

A Aposiopese - do Grego, aposiópesis = silêncio súbito - consiste na suspensão de um pensamento já iniciado, por meio de um corte repentino ao perceber que vai adiantar raciocínios, surpresas, ou quando pretende dar ênfase as suas palavras, ou ainda quando se dá conta que vai dizer mais do que deseja. De modo geral, a aposiopese, se evidencia, graficamente, pelas reticências.
"Seria inútil querer dissuadi-la, e ainda que não fosse inútil, seria desarrazoado, porque uma viúva moça... Ela amava muito o marido, não?" (M. Assis, Ressurreição)
"Deus tenha misericórdia de mim! E esse homem... Jesus! Esse homem era... esse homem tinha sido..." (Garrett, Frei Luís de Souza) ®Sérgio.

A LENDA DA JOVEM ARACNE

Numa antiga região da Ásia Menor chamada de Lídia, vivia uma jovem de nome Aracne, que tinha uma extraordinária habilidade e grande reputação na arte de tecer e bordar.
As tapeçarias que desenhava eram tão belas e perfeitas que pessoas vinham de terras distantes só para contemplá-las. Devido a tanta admiração, Aracne começou a comparar-se à Atena - deusa das fiandeiras – e que seria capaz de derrotá-la na arte da tecelagem. Quando a notícia chegou ao Olimpo, Atena ficou furiosa com a petulância da mortal. Sentiu-se desafiada e resolveu aceitar a competição com Aracne, para ver quem merecia de fato ser considerada a melhor na arte de bordar. Antes, porém, a deusa disfarçou-se de uma humilde velhinha e foi ter com Aracne. Pediu-lhe que a escutasse, devido à experiência de sua idade avançada: "Busque entre os mortais toda fama que desejar, mas reconheça a posição da deusa". Aracne, entretanto, não aceitou os conselhos da deusa, e, mais uma vez, a desafiou, dizendo: "Por que motivo sua deusa está evitando competir comigo"? Nesse momento, Atena tirou o disfarce e todos, ao redor, ficaram surpresos, exceto Aracne, que permaneceu impassível. As duas, então, dão início à competição.
 Ambas trabalharam com rapidez e habilidade. Atena representou sobre a tapeçaria os doze deuses do Olimpo em toda a sua majestade e para aviso da sua rival acrescentou nos quatro cantos a representação de quatro episódios mostrando a derrota dos mortais que tinham ousado desafiar os deuses. Aracne ousou ilustrar sobre o seu trabalho as conquistas amorosas de Zeus. Sob a forma de touro, arrebatando Europa; sob a forma de águia, abordando Astéria; sob a forma de cisne, conquistando Leda; sob a forma de sátiro, fazendo amor com Antíope; Zeus fazendo-se passar por Anfitríon para seduzir Alcmene, mãe de Heraclés (Hércules); Zeus, o pastor que fez amor com Mnemosine, mulher-titã; e, ainda, Zeus conquistando Egina, Deméter e Danae, disfarçado de chama, serpente e chuva de ouro, respectivamente. Isso deixou Atena tão enraivecida que rasgou em pedaços o trabalho e golpeou, com o bastão de tecer, a cabeça Aracne. Ultrajada e desesperada, Aracne enforca-se.
Atena, ao ver o que sua cólera havia provocado, compadeceu-se de Aracne e transformou a corda que ela usara para enforcar-se numa teia. Em seguida, derramou sobre Aracne fluidos retirados das ervas da deusa Hecate e transformou-a em uma aranha. Dessa forma, Aracne foi salva da morte e, embora condenada a ficar dependurada em sua teia, a fiar e a tecer para sempre. ®Sérgio.

terça-feira, 7 de junho de 2011

TESTANDO NOSSA PACIÊNCIA

Estamos vivendo um século das grandes conquistas tecnológicas. Apesar disso, quem se dispõe a abrir um CD recém-comprado, enfrentará um grande desafio se não tiver a mão um objeto cortante. Embora o plástico seja fininho, rasgá-lo é um teste para cardíaco.
Pior é o saquinho de sachê de ketchup, mostarda e maionese. Sem chance de você conseguir rasgar aquela pontinha sugerida pelo produto, principalmente se a mão estiver um tanto engordurada pelo sanduíche.
No pacote de bolacha, ao puxar a "abinha" identificada com os dizeres "abra aqui", automaticamente, duas bolachas serão sacrificadas no topo desprotegido da embalagem.
No copo de água mineral, a tampa de alumínio parece ter sido soldada ao copinho.
E a bandeja de frios? Encontrar a ponta do plástico é tarefa impossível.
Não podemos esquecer-nos da tampa do vidro de azeitona e outros similares. É rezar para vencê-la, ou ganhar um pulso aberto.
Pois é, apesar de tanta tecnologia, simples embalagens parecem que foram unicamente projetadas para dificultar nossa vida e testar nossa paciência. Não é mesmo? ®Sérgio.

sábado, 4 de junho de 2011

QUE LEITE MAMOU MEU PROCESSO?

Dizem que quem é criado no sertão com leite de cabra, fica ligeiríssimo no correr. Estou considerando que leite mamou meu processo na mão dos juízes e seus oficiais, pois não há remédio que o faça correr. Decerto bebeu leite de preguiça, que gasta dois dias em subir a uma árvore e outros dois em descer.
O processo a cada passo para e dorme. Dois meses para entrar o papel, e parou; outros dois para subir a consulta, e tornou a parar; outros dois para descer abaixo, e outra vez parado. Mais tantos meses para se consultarem os autos, mais outro tanto para se formar a resolução, mais tantos anos virão, para embargos, apelações, suspensões, dilações, vistas, revistas, réplicas, tréplicas... Já eu digo, não por ironia, senão por boa verdade: "Oh! Preguiça da Justiça"! ®Sérgio.
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Baseado no fragmento do texto Dá Duas Vezes quem Dá Logo do Padre Manuel Bernardes (1644-1710). In: Marques Rebelo, org. Antologia Escolar Portuguesa. Rio de Janeiro, FENAME/MEC, 1970. P.261.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

AS MULHERES DE IDI AMIN DADA

Idi Amin Dada Oumee (1925-2003) foi lider militar e ditador de Uganda de 1971 a 1979. Tinha um temperamento megalômano, vingativo e violento. Quando Idi Amin se interessava por uma mulher, e esta fosse casada ou noiva, ele, simplesmente, ordenava a execução de seu marido ou noivo. As mulheres que não se submetessem aos seus caprichos eram estupradas, tinham os seios extirpados e poderiam até acabar dentro de uma geladeira. Sua quinta esposa, Sarah Amin, revelou ter visto no congelador do ditador a cabeça de uma de suas amantes, uma jovem muito bela chamada Ruth. Ela havia tido esse triste fim porque Idi suspeitava de sua fidelidade. Divorciou-se das três primeiras esposas porque elas haviam se tornado mulheres de negócios – o que era verdade, já que administravam tecelagens que ele próprio lhes havia dado. Chegou a surrar tão fortemente uma de suas esposas que fraturou o próprio pulso – e não perdoava as mulheres nem mesmo quando estavam grávidas. ®Sérgio.

domingo, 29 de maio de 2011

O DISFEMISMO - Linguagem Figurada

O Disfemismo é, simplesmente, o oposto do eufemismo. Enquanto no eufemismo ocorre a substituição de uma palavra ou expressão rude, desagradável, por outra de sentido agradável ou menos chocante, no disfemismo há uma substituição de termos normais por outros mais vulgares, rudes, desagradáveis:

   A esta hora, os mineiros soterrados, já bateram as botas.
   Aí vem a Olívia palito. (Olívia palito = pessoa magra)
   Quem é que vai querer dançar com um pintor de rodapé?
   Depois de muito sofrimento foi para a terra dos pés juntos.
   Ela está, a esta hora, começando a apodrecer, não a perturbemos.
O disfemismo é comumente empregado na oralidade. ®Sérgio.

A DEPRECAÇÃO - Linguagem Figurada

A Deprecação consiste em exprimir uma súplica comovente, ardente, ou um convite, por meio de uma oração. A deprecação acontece, frequentemente, nas súplicas religiosas, face às calamidades ou a algo de trágico:
"Ó cristãos, pelas chagas de Cristo, e pelo que deveis a vossas almas, que não queirais que vos aconteça tão grande infelicidade [...]" (A. Vieira)
Um belo exemplo de deprecação está neste fragmento de Inocência de Visconde de Taunay:
"Minha Nossa Senhora, mãe da Virgem que nunca pecou, ide adiante de Deus. Pedi-lhe que tenha pena de mim, que não me deixe assim nessa dor cá de dentro tão cruel. Estendei vossa mão sobre mim. Se é crime amar Cirino mandai-me a morte. Que culpa tenho eu ao que me sucede? Rezei tanto para não gostar desse homem!" ®Sérgio.

A IMPRECAÇÃO - Linguagem Figurada

A Imprecação é uma figura de pensamento que consiste em exprimir uma ameaça ou uma maldição ditada pela raiva, desespero, ou desejo de vingança, rogada contra uma pessoa ou entidade. Não se trata de um diálogo e sim de um monólogo, pois apenas um dos interlocutores é quem a faz. Este fala para acusar, ameaçar, ou injuriar. O outro interlocutor é passivo, apenas, escuta não se defende, não tem o direito a palavra. Sente-se incapaz de reverter a situação:
   Que o Diabo te carregue!
   Vai para raio que te parta! 
   Que você fique seca como palha!
   Desejo-te tantos anos de vida, como os que me desejas!
   Que você viva a vida toda desassossegada, como fez com a minha!
   Maldita a hora em que meus olhos te enxergaram!
A imprecação também pode aparecer em maus exemplos de oração:
Entre o Cálice e a Hóstia
Meu Deus, eu vos peço:
Que fulano tenha tantas fadigas
Como as que afligem a mim. ®Sérgio. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A PARÁBOLA - Figuras de Linguagem

A Parábola (do Grego parabolê = comparação, alegoria) é uma narrativa curta, não raro, confundida com o apólogo e a fábula em razão do conteúdo moral explícito ou implícito que encerra e de sua estrutura dramática. No entanto, a distinção das outras duas se faz pelo fato de a parábola ser protagonizada por elementos humanos.
Parábola é uma prosa altamente metafórica que realça fatos que sirvam de comparação a outros de conteúdo moral. Serve de uma lição ética indireta ou simbólica.
A parábola é, geralmente, inventada; entretanto, um acontecimento histórico também pode servir de parábola. Ninguém se serviu de maneira mais perfeita e frequente da parábola do que Jesus Cristo. As parábolas do Evangelho adquiriram um sentido tão exemplar que seria impossível um princípio ou uma verdade mais objetivo:
"Como vês a palha no olho de teu irmão, e não vês a trave* (lasca de madeira) no teu? Como ousas dizer a teu irmão: deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trava de teu olho, então tratarás de tirar do olho de teu irmão (Mt 7,1-5)."
A trave representa o defeito que ignoramos ou tentamos ignorar em nós mesmos e palha é o defeito que apontamos nos outros.
"Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram. Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. Outra caiu no meio dos espinhos; e, estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um" (Lucas 8:5-8).
Jesus assim explicou essa parábola: "A semente é a palavra de Deus. A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem, a seguir, o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos. A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam. A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer. A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido d bom e reto coração retêm a palavra; estes frutificam com perseverança" (Lucas 8:11-15).
Fica explicito, portanto, que não obstante haver exemplos profanos, a parábola é exclusiva da Bíblia. ®Sérgio.

NÃO SE ENGANE...

"Não se engane", diz o Dr. Edward M. Hallowel¹, "a Internet e o telefone celular não economizam tempo, apenas aceleram o nosso já movimentado ritmo de vida. Ficamos maravilhados com a velocidade da Internet e adotamos seu ritmo instantaneamente; sentimos-nos obrigados a obter respostas imediatas, ou seja, abrir e responder e-mails e mensagens eletrônicas por impulso. Devemos preencher nossas horas de folga com tarefas agradáveis e não com obrigações".
Há uma frase, título de um livro, do qual não me recordo mais o autor, que resume em poucas palavras todo o assunto tratado nesse texto: A vida é incerta... coma a sobremesa primeiro! ®Sérgio.
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1 - Dr. Edward M. Hallowel é especialista no diagnóstico e tratamento do transtorno do déficit da atenção.

domingo, 22 de maio de 2011

PROJETADAS PARA DIFICULTAR NOSSAS VIDAS

Estamos vivendo o século das grandes conquistas tecnológicas. Apesar disso, quem se dispõe a abrir um CD recém-comprado, enfrentará um grande desafio se não tiver a mão um objeto cortante. Embora o plástico seja fininho, rasgá-lo é um desafio.
E o saquinho de sachê de Ketchup, mostarda e maionese. Sem chance de você conseguir rasgar aquela pontinha sugerida pelo produtor, principalmente se a mão estiver um tanto engordurada pelo sanduíche. Tem mais:
No pacote de bolacha, ao puxar a "abinha" identificada com os dizeres "abra aqui", automaticamente, duas bolachas serão sacrificadas no topo desprotegido da embalagem.
No copo de água mineral, a tampa de alumínio parece ter sido soldada ao copinho.
E a bandeja de frios? Encontrar a ponta do plástico é tarefa impossível.
Não podemos esquecer-nos da tampa do vidro de azeitonas e outros similares. É rezar para vencê-la; mesmo os mais fortes.
Pois é, apesar de tanta tecnologia, simples embalagens parecem que foram simplesmente projetadas para dificultar nossa vida. ®Sérgio.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O TRENZINHO DAS MOSCAS BÊBADAS

Descobri algo que me deixou pasmado e, com certeza, vai afastar-me, para sempre, da companhia dos amantes de uma boa cachaça. Vejam:
Cientistas da universidade do Estado da Pensilvânia, para entender como o álcool atua no nosso sistema nervoso, resolveram embriagar as moscas-das-frutas, conhecidas cientificamente como drosófilas, um dos organismos mais propícios a experiências de laboratório.
Como eles realizaram a experiência? Trancafiaram as inofensivas mosquinhas dentro de uma câmara de plástico apelidada de bar das moscas (em inglês flypub) e tacaram dentro da câmara vapor de álcool. Pois foi aí que aconteceu o inimaginável. As mosquinhas (machos), completamente bêbadas, ficaram grandemente excitadas e... atacaram furiosamente as fêmeas. É o que se esperava, não é mesmo? Porém não foi isso que aconteceu. "Ababacados", os cientistas viram com seus próprios olhos (desculpe a redundância) os machos se cortejarem, ou seja, passaram a fazer, mutuamente, aquele convite indecoroso que normalmente fazemos somente as mulheres. Pior, chegaram a formar "trenzinhos", um subindo sobre o outro.
Passada a bebedeira, os machos voltaram a acasalarem normalmente, isto é, com suas parceiras. Mas... a caneca já tinha sido virada... ou algo semelhante.
Pois bem, os cientistas concluíram que o álcool, afeta da mesma forma o sistema nervoso dos seres humanos.
Salve-se quem puder!
Se eu fosse você meu amigo, largava, agora mesmo, de tomar aquele chopinho com a rapaziada. Ou faça como eu, que estou tomando minha cachaça somente em companhia da minha parceira e em lugar reservado. ®Sérgio.

POR ORA ou POR HORA?

Dependendo da situação em que elas vão ser empregadas, ou seja, cada uma em seu sentido, as duas expressões estarão corretamente grafadas.
1. Por Ora – significa "por este momento, por enquanto". Ora é uma redução de "agora", que vem do latim "hac hora (ag-ora) = esta hora".
   Não necessito de seus serviços por ora (por enquanto).
   Por ora (por enquanto), não dispomos de fax.
   O prefeito não pretende, por ora, revogar a decisão.
2. Por Hora - correspondem a "cada 60 minutos", "por 60 minutos":
   Paguei o estacionamento por hora (por 60 minutos).
   Ele passou aqui a mil por hora.
   O carro chega a correr 300 km por hora. ®Sérgio.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

COMO MALASARTE IMPEDIU QUE O MUNDO DESABASSE

Vinha Pedro Malasarte viajando por uma estrada, quando lhe deu vontade de verter água. Encostou-se a um paredão pertencente a uma bonita chácara. E quando estava no melhor, apareceu o dono da chácara, de bota e espora, alumiando raiva nos olhos, armado de uma baita espingarda, a perguntar-lhe quem tinha lhe autorizado fazer aquilo ali. Malasarte disfarçou e respondeu:
— Ah! Meu senhor, desde manhã que estou aqui encostado, sem comer, nem beber, só por causa dos outros.
— Por causa dos outros? Como, assim, por causa dos outros?
— Estou escorando o mundo.
— Ara sô, você está doido!
— Pois é verdade, seô patrão, vinha eu caminhando com meus pensamentos, no meu quieto, mas, quando cheguei neste lugar, me apareceu a figura de um anjo que veio descendo do céu, envolto em luz muito brilhante, que me disse estas palavras:
— Por ordem do senhor Deus o mundo vai acabar à meia-noite de hoje.
Imagine o susto que não levei! Mas o anjo me aquietou:
— Há um remédio para se evitar isso: é encontrar alguém que escore este muro, desde este momento até depois da meia-noite. Se é só isso, não tem problema, respondi ao anjo, vou cortar uma estaca...
— Não, não há tempo. Antes de um minuto o muro deve estar escorado. E me empurrou para aqui onde me acho sem poder arredar o pé, pois, se saio, o mundo vem abaixo.
— Deveras! Então, é melhor você escorar bem esse muro.
— Ah! Se o patrão me fizesse o favor de tomar um bocadinho meu lugar enquanto eu vou ali ao mato cortar uma escora para o muro, tudo estará arranjado, mesmo porque se eu ficar aqui por mais tempo, não vou resistir e o mundo virá abaixo. Ninguém escapará, a morte é certa.
O chacareiro pensou e resolveu tomar o lugar de Pedro que prometeu voltar logo com a escora, e até hoje ele está esperando. ®Sérgio.

O LOTAÇÃO OU A LOTAÇÃO?

Embora os falantes de nossa língua tenham popularizado o termo, a gramática estabelece formas diferentes das que utilizamos na linguagem cotidiana. Portanto, no sentido de "veículo", "lotação" é substantivo masculino:
O lotação ainda não passou.
No sentido de "estar lotado", é substantivo feminino:
A lotação está esgotada.
Utilizar, na fala do cotidiano, termos popularizados é muito comum. Mas se você deseja escrever, existem regras que precisam ser respeitadas para que o texto possa ser considerado correto. Devemos respeitar, mais ainda, essas regras, numa prova de português, num vestibular ou num concurso. ®Sérgio.

sábado, 14 de maio de 2011

DE ENCONTRO AO e AO ENCONTRO DE

É comum as pessoas usarem a expressão de encontro ao, no lugar da ao encontro de, porque são duas expressões semelhantes na forma; entretanto, diferentes no significado. Quando escrevo que a opinião de fulano vem de encontro à minha, quero dizer que nossas opiniões se opõem. Quando escrevo que a opinião de fulano vem ao encontro da minha, quero dizer que nossas opiniões coincidem. Portanto, não confunda:
 ●   Ir ao encontro de é coincidir: A aula veio ao encontro de nossos desejos. Fui ao encontro do que desejava.
 ●  Ir de encontro a é opor-se, ir contra, encontrar, bater: O carro foi de encontro ao poste. ®Sérgio.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O ENCONTRO DO CABOCLO COM A MORTE - Recontando Contos Populares

Certa vez, um rico fazendeiro mandou o seu capataz a cidade, a fim de comprar provisões. Pouco tempo depois, o capataz retornou a fazenda, pálido e trêmulo, balbuciando palavras sem nexos, muito assustado.
— Patrão, ainda há pouco, quando eu atravessava a praça do mercado, fui abordado por uma mulher! Quando me voltei para ver de quem se tratava, vi que era a morte! Ela me fitou com um gesto ameaçador. Por piedade patrão, empreste-me seu cavalo para eu fugir desta fazenda! Irei para aquela que tem uma cabana na beira do rio, onde a morte não me encontrará!
O fazendeiro, penalizado com a situação, cedeu-lhe o cavalo e o capataz, mais que depressa, montou; fincou as esporas nos flancos do animal e partiu a todo galope.
Naquele mesmo dia, o fazendeiro, curioso, partiu para a cidade em direção a praça do mercado. Mal chegou, deparou-se com a morte no meio do povo. Sem medo, chegou-se a ela e disse:
— Porque motivo ameaçou meu capataz quando o viste hoje de manhã?
— Eu? Eu não o ameacei – respondeu a morte – Foi apenas um gesto de surpresa de minha parte. Fiquei atônita ao vê-lo aqui na cidade, pois tenho um encontro com ele, esta noite, numa cabana a beira de um rio. ®Sérgio.
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Nota do Texto: Este causo é uma variante da fábula oriental, Encontro em Samarra, cuja autoria é dada ao ficcionista britânico Somerset Maugham (1874-1965).

terça-feira, 10 de maio de 2011

A DIFERENÇA ENTRE RESOLVER E FAZER


Cinco rãs estão sentadas num tronco.
Quatro resolvem saltar dali.
Quantas restam?
Resposta: Cinco.
Por quê?
Porque há uma diferença entre Resolver e Fazer. ®Sérgio.
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Baseado no artigo de Mark Feldman & Michael F. Spratt, na revista Haper  Busines.

domingo, 8 de maio de 2011

INVASÃO DE PRIVACIDADE

Um homem ou uma mulher, um ser... qualquer, explorando as fraquezas do amor, valendo-se de uma farsa amorosa,  pode apoderar-se de seu pensamento, de sua alma, esse santuário de tudo quanto ama, de tudo o que ocultas aos olhos humanos, esse recesso do Eu, refúgio dos indecifráveis segredos que julgas impenetrável. Esse ser invade, viola, expõe, mostra, escancara. Não é isso um ato atroz, criminoso, infame? ®Sérgio.
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Nota: Essa reflexão foi inspirada em Um Louco de Guy Maupassant, escritor e poeta francês, falecido no manicômio aos 39 anos.

sábado, 7 de maio de 2011

SHAKESPEARE X VOLTARIE

Creio ser conhecido de todos que Voltaire (François Marie Arouet – 1694/1778), traduziu para o Francês, muitos trechos de obras inglesas: "Arisquei traduzir alguns trechos dos melhores poetas ingleses". Entre esses poetas, como não poderia deixar de ser, está Shakespeare: "Escolhi o monólogo de Hamlet, conhecido de todos, e que começa com estes versos: To be or not to be, that is the question". Se você confrontar o texto de Shakespeare com o de Voltaire, notará que, Hamlet nos versos voltairianos, perde sua universalidade trágica para se transformar num nobre e atormentado católico francês, descontente com a decadente corte de Versalhes. É uma transição da problemática inglesa para a francesa. Eis a tradução livre de Voltaire:
Hamlet, príncipe da Dinamarca, fala:
"Fica. É preciso escolher e passar num instante
Da vida à morte, ou do ser ao nada.
Deuses cruéis! Se existis, iluminai minha coragem.
É preciso envelhecer curvado sob a mão que me ultraja?
Deve suceder talvez às doçuras do sono.
Ameaçam-nos. Dizem que esta curta vida
De tormentos eternos é logo seguida.
Ó morte! Ó momento fatal! Terrível eternidade!
Todo coração ao teu nome enregela, apavorado.
Oh! Quem poderia sem ti suportar esta vida,
De nossos Padres mentirosos suportar a hipocrisia?
De uma indigna amante incensar* os erros?                  *bajular
Arrastar-se sob um Ministro, adorar sua altivez?
E mostrar os langores de sua alma abatida
A amigos ingratos que desviam a vista?
A morte seria muito doce nesses extremos;
Mas o escrúpulo fala e nos grita: Parai!
Suportar ou acabar minha infelicidade e minha sina?
Quem sou? Que me detém? Que é a morte?
É o fim dos males, é meu único asilo;
Dorme-se e tudo morre. Mas um terrível despertar
Proíbe às nossas mãos este horrível homicídio,
E de um herói guerreiro faz-se um cristão tímido".
"Não acrediteis que traduzi o inglês palavra por palavra. Infelizes os que fazem traduções literais, que traduzindo cada palavra enervam o sentido."
"Perdoai a cópia em favor do original e lembrai-vos, sempre, quando virdes uma tradução, verdes uma fraca estampa de um belo quadro."
                    Voltaire.
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Seleção e tradução do texto de Marilena de Souza Chauí.