domingo, 13 de fevereiro de 2011

ENTALHADOR CHATEADO

O Entalhe para mim já foi muito mais do que uma distração, um passatempo, ou seja, um hobby. Houve época que tive um atelier ou ateliê, comercialmente bem localizado, onde além dos artísticos, aceitávamos encomendas de entalhes, principalmente portas.
Às vezes, pessoas que iam observar meus trabalhos na sala de exposição, diziam-me, diante de alguns deles em que havia figuras humanas:
— Mas uma pessoa não é assim!
Eu ficava sem saber o que responder e um tanto chateado com isso, até que, certo dia, li uma máxima de Matisse:
Conta-se que uma vez Matisse mostrou a uma senhora um quadro em que havia pintado uma mulher nua; sua visitante, indignada, retrucou:
— Mas uma mulher nua não é assim!
 E Matisse:
— Não é uma mulher, minha senhora, é uma pintura!
Era a resposta aos meus anseios. ®Sérgio.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O POTE DE BALAS

Na sala de espera do dentista (de um amigo) havia na mesinha de centro um pote cheio de balas e um convite impresso, ao lado dele: "Porque esperar? Comece novas cáries hoje mesmo"!

Será que alguém, algum dia, pegou uma ou algumas daquelas balinhas? ®Sérgio.

TRISTE SOMBRA


“Ah! Não me roubou tudo a negra sorte:
Ainda tenho este abrigo, inda me resta
O pranto, a queixa, a solidão e a morte.”
(Cantando a vida, como o cisne a morte, Bocage, 1765-1805)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O DESPERTAR DE POETA

Arrastava-me para o ermo um sentimento íntimo, o sentimento de haver acordado, vivo, ainda, deste sonho febril chamado vida, e que hoje ninguém acorda, senão depois de morrer.
Sabeis o que é esse despertar de poeta?
É o ter entrado na existência com o coração que transborda de amor sincero e puro por tudo quanto o rodeia, e ajuntarem-se os homens e laçarem-lhe dentro do seu vaso de inocência lodo, fel e peçonha e, depois, rirem.
É ter dado as palavras – virtude, amor, pátria e glória – uma significação profunda e, depois de haver buscado por anos a realidade delas neste mundo, só encontrar hipocrisia, egoísmo e infâmia:
É o perceber a custa de amarguras que o existir é padecer, o pensar descrer, o experimentar desenganar-se, e a esperança nas coisas da terra uma cruel mentira de nossos desejos, um fumo tênue que ondeia em horizonte aquém do qual esta assentada à sepultura. (Fragmento de Eurico, O Presbítero de Alexandre Herculano¹) ®Sérgio.
_____________________________________
 (1) Alexandre Herculano. Eurico, O Presbítero São Paulo, Ática, 1991. p. 21.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

ÉRAMOS INFINITAMENTE FELIZES

Declina o sol no horizonte;
Alongam-se as sombras;
Perde-se na penumbra o contorno das coisas...
O vento rodopia pelas árvores;
Caem as folhas murchas;
Paira no espaço uma paz imensa...
Anoitece.
A solidão é quase completa.
Aprendi com meu pai a saborear, sobremaneira, a solidão e o silêncio que reinam na natureza quando o sol se põe. Nessas horas de mistério e calma, sentávamos debaixo de nosso arvoredo, e surpreendíamos os segredos da noite; os amores das árvores; os gemidos do vento. E éramos infinitamente felizes! ®Sérgio.

OS PALIMPSESTOS DE ARQUIMEDES

Primeiramente denominados códices rescripti (códices reescritos), os palimpsestos (do grego palímpsestos = riscar de novo) são obras cujos textos manuscritos (científicos e filosóficos da Antiguidade Clássica) foram apagados - para o reaproveitamento dos pergaminhos em que tinham sido escritos – a fim de receber outro manuscrito; geralmente orações ou literatura litúrgica. Esta prática era comum na Idade Média, sobretudo entre os séculos VII e XII, devido ao elevado custo do pergaminho. A princípio, a eliminação do texto era feita por meio de lavagem, mais tarde, de raspagem com pedra-pomes.
Na Renascença, os palimpsestos começaram a ser estudados, e no século XVIII se aperfeiçoaram processos de reconstituir, por meios químicos, o manuscrito originário ou o que dele restava. Assim, vários textos antigos foram recompostos, por exemplo: a República, de Cícero, descoberto sob o palimpsesto um Comentário de Santo Agostinho aos Salmos; fragmentos de Eurípides, Plauto e outros. Às vezes, porém, o reagente químico danificava para sempre os pergaminhos.
Um dos mais famosos palimpsestos é o de Arquimedes. Trata-se de uma cópia em 170 páginas, manuscrita em fina pelica de carneiro, da obra O Método, de Arquimedes de Siracusa, feito por um escriba bizantino do século X, e raspado no final do século XII ou princípio do século XIII para dar lugar a um livro de orações. A obra foi desmontada por um monge de Jerusalém, em 1229. Ele raspou o texto, cortou as folhas ao meio e as encadernou novamente, escrevendo orações e pintando iluminuras sobre o delicado pergaminho. Veja a ilustração acima: do lado esquerdo à iluminura e do direito o texto de Arquimedes.
A existência do Palimpsesto de Arquimedes era conhecida, mas o livro sumiu na confusão da I Guerra e só reapareceu em 1998, quando foi leiloado por 2,2 milhões de dólares na Christie’s de Nova York. A primeira tentativa de desvendar o manuscrito foi realizada por um pesquisador dinamarquês em 1906. Ele estudou o livro com lente de aumento e publicou uma versão incompleta com o que conseguira decifrar.
Desta vez, o palimpsesto acaba de ser inteiramente decifrado depois de oito anos de trabalho executado por um grupo de pesquisadores convocados pelo Museu de Arte Walters, em Baltimore, nos Estados Unidos. Os cientistas consumiram quatro anos só para desmontar o livro sem danificá-lo.  As páginas frágeis foram submetidas a duas técnicas de imagens. Uma delas consistia em examinar o material com raios-X especial, de modo a registrar o ferro contido na tinta usada pelo escriba do século X. Reorganizado - o resultado das técnicas - no computador, os cientistas extraíram, na íntegra, o texto perdido de sete ensaios de Arquimedes.
Por derivação de sentido, entende-se também por palimpsesto toda obra derivada de uma obra anterior, por transformação ou por imitação; ou seja, o mesmo que hipertexto. ®Sérgio.
____________________
Imagem: Roger Viollet Collection / Getty Images

A MISSA DAS ALMAS DO PURGATÓRIO

Oláia era uma velha e solteirona lavadeira que vivia sozinha num pequeno cômodo na esquina da Rua José Antônio com a Rua Paraná. Não se conheciam parentes ou amigos dela. Diziam uns, que quando jovem, amara perdidamente e fora traída pela sua melhor amiga, que lhe roubou o noivo. Outros, que essa história, é uma história imaginada. Verdade mesmo, é que Oláia vivia santamente; pois, todas as manhãs, antes de ir para o rio lavar roupa, ia ouvir a primeira missa do dia.
Uma noite, dormia em seu pequeno quarto, quando foi despertada por toques de sinos; viu no quarto uma tênue claridade (não atinou que era o luar), levantou mais que depressa, certa de estar amanhecendo e os sinos anunciando a primeira missa. Vestiu-se, pôs à cabeça a bacia cheia de roupa e desceu à rua. Reinava tamanho silêncio que nem mesmo um cão ladrava ao longe. Ao chegar à igreja, notou que, ao contrário do que era natural, nessa manhã, muita gente entrava para ouvir a missa. Como de costume, arriou a bacia à porta da igreja e entrou para fazer suas orações.
A igreja estava cheia de devotos. Ela, porém, não reconhecia nenhum dos presentes, e estava surpresa ao ver todas aquelas fisionomias estranhas e silenciosas que pareciam imobilizadas no mesmo pensamento. Homens e mulheres continuavam a chegar e iam colocar-se a um lugar, ainda vazio, e não se ouvia enquanto andavam, nem o som dos passos, nem o roçar dos tecidos.
  Ajoelhada em seu lugar costumeiro, Oláia viu o sacerdote caminhar para altar, precedido por dois sacristãos. Não reconheceu nem o sacerdote, nem os ajudantes. Começa a missa. Estavam todos atentos. Porém, Oláia, por mais que tentasse, não conseguia ouvir o som dos lábios do sacerdote, nem o rumor da sineta, inutilmente, agitada.
A missa já ia pela metade, quando um cônego muito velho passou a recolher as esmolas, apresentando uma bandeja de cobre aos presentes, que ali deixavam cair sucessivamente moedas antigas. O velho cônego parou em frente de Oláia que procurou em um saquinho grosseiro de couro, uma moeda, sem nele encontrar. A lavadeira sentiu um frio que a fazia tremer sem saber por quê. O cônego vendo que ela nada possuía prosseguiu a coleta.
Quando acabou o ofício da missa, Oláia benzeu-se e saiu. Ao erguer a bacia para colocá-la na cabeça, tremia tanto que o peso era por demais e não conseguiu erguê-la. Os devotos saiam, uns atrás dos outros. Ela pediu a um deles que a ajudasse a levantar a bacia. Ele, porém, lhe respondeu com uma voz débil, muito fora do comum:
— Não posso, porque morri de tuberculose...
Pediu a outro, que lhe respondeu:
— Não posso, porque morri de enfarte...
E, ainda, a outro:
— Não posso, porque não tenho mais sangue...
No próximo ela não mais pede ajuda, porém, completamente assustada, pergunta:
— Meu bom amigo, diga-me quem são as pessoas que assistiam a essa missa silenciosa?
— Esses homens e essas mulheres são almas do purgatório, que ofenderam a Deus, pecando, mas sem maldade. Somos tão infelizes que um anjo se apiedou de nosso martírio. Com o consentimento de Deus, nos reúne todos os anos, à meia-noite, em nossas igrejas paroquiais; onde nos é permitido, durante uma hora, realizar uma missa...
O relógio da matriz dá uma pancada e os cabelos da lavadeira arrepiaram-se de medo. Então ela compreendeu que tinha assistido a uma missa de mortos e que o luar a tinha enganado. Fez o sinal-da-cruz e, em seguida, voltando-se para a alma penada, diz:
— Finado amigo, Deus vos tenha em sua graça!
E saiu a correr, assombrada. Trancou-se em seu quarto e não mais saiu. Enclausurada, emagreceu, definhou e entregou a alma a Deus. ®Sérgio.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

DEVER DE MORRER

Quando o doutor Osvaldo examinou as tomografias de sua nova paciente, uma mulher de cinquenta anos, percebeu que lhe restava pouco tempo de vida. O câncer de mama espalhara-se para o fígado, ossos e pulmões.
Com muito cuidado, o Doutor explicou à paciente o que tinha visto na tomografia, e que as dores que sentia podiam ser aliviadas com medicamentos. No entanto, tais medicamentos, por terem seu uso restrito e sua aplicação estar sob rígido controle, ela teria de ser internada. Ofereceu-lhe, então, uma vaga no hospital público em que realizava os procedimentos médicos. Entretanto, o Doutor percebeu o temor de sua paciente quanto à internação; e só obteve o consentimento depois de lhe garantir que a cuidaria pessoalmente.
Após 24 horas de tratamento com morfina, Ângela se livrou da dor. Embora consciente de que a morte não lhe tardaria, estava calma e em condições de ver o marido e a família. E assim, passaram-se os dias.
No início da noite de uma quinta-feira, a enfermeira liga para a casa do Doutor com notícias nada agradáveis. Conta-lhe que depois que ele deixara o hospital, outro médico entrou no quarto de Ângela e pediu ao marido e à irmã dela que se retirassem, pois iria realizar procedimentos médicos na paciente. Logo após, ordenou à enfermeira, que o acompanhava, que aumentasse a dose de morfina; ordem que ela atendeu prontamente. Porém, quando a enfermeira lhe pediu que confirmasse a ordem por escrito, o médico recusou-se. Minutos depois a paciente estava morta.
O doutor Osvaldo dirigiu-se imediatamente para o hospital. Lá chegando, pediu ao médico uma explicação:
— Poderia levar mais uma semana até que ela morresse - disse-lhe o colega - Eu precisava do leito.
Osvaldo tomado de perplexidade, não conseguiu pronunciar uma palavra sequer. Ainda atônito, foi até a sala de espera do hospital onde encontrou os familiares de sua paciente. Explicava-lhes o motivo que a levou ao óbito, para que tomassem as devidas providências, quando foi interrompido pelo marido de Ângela que lhe exclamou:
— Ela não aguentava mais! Nenhum de nós aguentava!
O doutor Osvaldo Santana abandonou o trabalho no hospital e a carreira médica para se dedicar à outra opção. ®Sérgio.
________________________________
Nota Sobre o Texto: Essa história é baseada em fatos reais.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

AO MEU VER ou A MEU VER?

A meu ver é uma locução que indica opinião, conceito. Ela se inicia pela preposição [a] e, segundo a norma gramatical, não devemos usar a meu ver com o artigo definido [o], isto é, [ao meu ver]:
    Meu nome foi excluído, a meu ver, injustamente.
    A meu ver sua candidatura é passível de anulação.
    A meu ver o filme é péssimo.
Entretanto...
Há filólogos e dicionaristas que afirmam, com fundadas razões, que, em nosso idioma, temos a opção de usar, ou não, o artigo definido antes do pronome possessivo. De modo que, não faz sentido, então, proibir o uso da locução com o artigo definido. Daí considerarem, também, correto o uso de [ao meu ver].  
Para dar razão ao que foi dito, nas locuções similares a essa, é correto o emprego com os dois modos: Em/No meu modo de ver; A/Ao meu modo de entender:
    No meu modo de ver, não tenho culpa nisso.
    Em meu modo de ver, não tenho culpa nisso.
    A meu modo de entender, o gol era passível de anulação.
    Ao meu modo de entender, o gol era passível de anulação.
    A meu modo de ver o filme é péssimo.
    Ao meu modo de ver o filme é péssimo.
Mas Atenção: nos concursos, vestibulares e textos formais dê preferência à locução [a meu ver]. Fora isso, elege entre as duas formas, a que achar mais conveniente. ®Sérgio.

A ORIGEM DOS CONCEITOS DE SUJEITO E PREDICADO

A origem dos conceitos de sujeito e predicado remonta as escolas filosóficas clássicas da Antiguidade Grega. Portanto, há mais de dois mil e quinhentos anos.
Os filósofos gregos se baseavam no juízo de que o pensamento humano apresenta duas características básicas: conceber a existência dos seres na sua individualidade e enunciar juízos sobre o modo de existência desses seres. Essas duas capacidades do pensamento humano, gramaticalmente, se estampam nos dois termos básicos da oração: o sujeito e o predicado. O sujeito nos dá a percepção dos seres; o predicado o juízo que deles emitimos.
Fica explícito, portanto, que a concepção filosófica dos gregos sobre o pensamento humano deu origem à ideia gramatical de que as orações apresentam um "tema" - aquilo sobre o qual se diz alguma coisa - a que chamamos de "sujeito" e um "comentário" – o que dizemos sobre o tema – que chamamos de "predicado". ®Sérgio.
________________________________________
Referência: Sistema Positivo Semi Extensivo. V. I, 2007.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A MORTE SÚBITA

Na Idade Média temia-se a morte súbita. Por quê? Ora, porque a vítima podia partir em pecado e ir diretamente para o inferno.
O padecimento, a agonia longa dava ao pecador a oportunidade de redimir-se dos pecados.
Salve-se quem puder!
No detalhe do óleo sobre tela (ao lado), Hieronymus Bosch, estampa uma vítima de morte súbita. Aliás, muitas de suas pinturas estão relacionadas com a morte.
A bem da verdade, eu temo a morte, súbita ou não. Quem não teme? ®Sérgio.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

SACI-PERERÊ

Eu sou inté capaz de jurar que durante muitos anos de minha meninice, acreditei na existência do saci. Não que o tenha visto, mas meu falecido avô falava sobre ele de uma maneira tão convincente que não tinha como não acreditar.
Contava que o saci era um negrinho levado da breca. Aparecia à meia-noite ou meio-dia em ponto, mas, também andava pela estrada fora de hora, assobiando e perseguia a gente, léguas e léguas que se andasse. Era pequeno e só tinha uma perna; andava vestido com seu calçãozinho e uma carapuça vermelha. Para uns ele era amigo e protetor e, para outros, perverso e malvado. Pedia, na estrada, aos viajantes, fogo para acender seu cachimbo. Se a gente negasse, ele começava a perseguir, subia nas costas da gente e não largava até fazer acontecer algum mal: um tropeço numa pedra, um galho que despenca na cabeça, uns maribondos que atacam a gente, e por aí vai.
Ao meio-dia começa a aborrecer as cozinheiras. Vai ao fogão a lenha, bota terra nas comidas, apaga o fogo. É o diabo!
De noite bate nas janelas e pede fogo. Deus nos livre! Se a gente lhe dá o fósforo, ele o atira na cara do bobo que lhe deu. Se não lhe dá num pronto, ele atira terra nos olhos da gente. Às vezes, penetra nas casas para praticar toda a sorte de malefícios e acender seu cachimbo.
   Quando a gente encontra o saci tem de encará-lo e puxar de uma faça de aço. Então, o negrinho corre, por esse mundo de fora a fora, que não há quem o apanhe. Se você for por uma estrada e, escuta um assobio fino e áspero, que Deus te livre! É o Saci!
Pois é, acreditava em tudo isso. E para piorar a acreditância, meu avô estava certa noite, a pescar no rio que passa perto da sede da fazenda, quando ouviu que, do outro lado da banda do rio, chamavam o seu nome: “Seu José... Seu José.” Dizia meu avô que era igualzinha voz de gente. Então ele embarcou na canoa e atravessou o rio. Eram 23 horas de uma noite clara como água.
Quando ele chegou à outra margem não viu nenhuma alma. Chamou, assobiou, esperou e cansado, beirando aí a meia-noite, voltou. Embora ele remasse com força, a canoa custava a caminhar como se estivesse carregada de chumbo. Lidou, suou e com o maior esforço conseguiu aportar na margem que pescava. Nem bem a canoa embicou na margem, dela saltou – quem? O Saci, que lhe havia pregado uma peça. Não podendo esse capeta atravessar a água porque Deus disso o proibiu, valeu-se da canoa e da boa vontade de meu avô para atravessar o rio e, do lado de cá, ir judiar das criações que tínhamos na sede.
Quando meu avô chegou à sede da fazenda estava mais branco que a cal da parede, não podia dizer palavra. Só no dia seguinte ele nos contou o que eu lhe contei. Fizemos um terço e benzemos o pesqueiro. Mas quem é que se atreveu ir pescar lá de noite? Mais ninguém, nem os pantaneiros mais atrevidos.
Agora, quem quiser que acredite. Mas que esse causo é verdade, isso lá é verdade. Pela luz que me alumia! ®Sérgio.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

LAVADORA OU LAVADEIRA?

Lavador - substantivo masculino - nomeia a pessoa que se dedica a atividade de lavar.
Lavadora é a forma feminina de lavador. Também se refere à máquina de lavar de uso caseiro ou não.
Entretanto, no Brasil, a forma popularizada para o feminino de lavador é Lavadeira e, nesse caso, há as seguintes designações:
1ª. É usada para nomear a profissional em lavagem de roupas, ou melhor, "a mulher que tem por ofício a lavagem de roupas nas fábricas de lanifícios¹". Também serve para nomear as máquinas usadas nas lavagens de lã.
2ª. É usada para nomear a mulher de origem humilde, de condição modesta que tem como "bico" a lavagem de roupa: Veja Ismael, as lavadeiras batendo roupas no córrego.
3ª. Qualquer mulher que lava roupa.
Este é mais um caso em que o uso popular contraria as prescrições da norma culta.
Vale lembrar, com relação ao termo, que no nosso garimpo o tanque onde se lava o cascalho por meio de bateias também se chama lavadeira. ®Sérgio.
______________________________
1- Dicionário Eletrônico Houaiss.

A ELIPSE DA PREPOSIÇÃO

Nos adjuntos adverbiais de tempo, o emprego da preposição é facultativo. Em termos práticos: tanto faz. Podemos escrever e, sobretudo, dizer de uma ou de outra maneira, sem prejuízo de sentido:
   Na (em + a) próxima sexta-feira começa o carnaval. Ou: Sexta-feira próxima começa o carnaval.
   Viajarei na segunda-feira. Ou: Viajarei segunda-feira.
   O carro fica pronto nesta (em + esta) semana. Ou: O carro fica pronto esta semana.
   No dia 14 irei lá. Ou: Dia 14 irei lá.
   Naquela noite não dormi. Ou: Aquela noite não dormi.
   No domingo que vem não sairei. Ou: Domingo que vem não sairei. ®Sérgio.

domingo, 23 de janeiro de 2011

CARTA DE UM MALUCO

Mãe querida,
Aqui tudo bem, o pessoal anda numa calma que só vendo.
Resolvi ser escritor.
É que me falaram que na internet pode se escrever de tudo. Que tem muitos malucos escrevendo artigos dos mais malucos possíveis. Então pensei: "Como sou um maluco beleza, acho que a internet não vai se importar de mais um maluco escrever sobre suas maluquices". Só não sei se vão ler os meus escritos. Mas aí, alguém falou: "Na internet, tem maluco para tudo o que é maluquice". Animei-me mais ainda.
Falei com o doutor sobre o assunto e lhe pedi para usar o computador. Ele até brincou comigo, dizendo: "Você está louco"! E eu lhe disse: "Não estou não, doutor! Continuo maluco". Mas ele insistia em dizer que eu estava louco.
Pois é, fiquei sem o computador. Então, estou lhe mandando meu escrito para que você peça a alguém para "botar" na internet.
Sobre o que eu vou escrever? Nem sonho! Sei! Vou escrever sobre um sonho que tive.
Sonhei que eu era louco... Não um louco como esses que eu vejo todos os dias aqui; não um louco como esses que passam todo dia pela porta de meu quarto.
Sonhei que eu era um louco... Mas não um louco como esses que eu vejo na televisão com o olhar perturbado e falso que crê transpassar o universo; falando coisas que nem eu acredito.
Sonhei que eu era um louco... Não um louco que diz “sou livre”, mostrando seus ferros... Não um louco que fala de outros loucos como se ele não fosse louco.
Sonhei que eu era louco... Mas não um louco como esse que mandou um homem plantar feijão no céu, quando os que têm aqui não tá dando nem para o povo.
Sonhei que eu era louco...
Na verdade, meu sonho foi bem pequeno e quando acordei chorei. E sabe por quê? Não sabe?
É por que sonhei que eu era um louco, mas... um louco... por você.
Do seu Maluco Beleza.

sábado, 22 de janeiro de 2011

UM CASO DE POBREZA - Recontando Contos Populares

Havia numa cidadezinha do interior, uma família que já fora possuidora de muita riqueza, mas que agora vivia na mais profunda miséria. A situação da família chegou a tal ponto, que seus sete membros compartilhavam o mesmo aposento, nunca tinham o suficiente para comer e suas roupas eram verdadeiros trapos. Não é de se admirar que eles vivessem na maior infelicidade, a reclamar pelos cantos o injusto destino. Seu Aristides, o chefe da casa, homem trabalhador, passava o dia todo e todo dia, a andar pela cidade atrás de um trabalho, mas o que aparecia eram apenas uns bicos aqui e ali. Vai daí, que ele ficou sabendo que numa casinha de pau-a-pique, já quase fora da cidade, morava Pai João, um “nego veio” muito sabido que, com bons conselhos, já ajudara muita gente a se aprumar na vida. Aristides, desesperançado, não deixou por menos, foi procurá-lo imediatamente.
— Seu João, a miséria de minha família é tão grande que mal conseguimos continuar vivos, nunca temos o suficiente para comer e estamos começando a odiar-nos uns aos outros. O que devo fazer?
Pai João, meditou por uns instantes e, simplesmente, respondeu:
— Você arruma um bode e "coloca ele" em sua casa por um mês. Então, “meu fio”, seus problemas serão resolvidos.
— Um bode? Viver com um bode? - Retruca Aristides, atônito.
Mas, pai João insiste.
E já que ele sabia das coisas, Aristides atendeu ao conselho.
Nos dias que se seguiram, a vida infernal daquela família foi além do tolerável. O bode comia tudo e o que via; não havia mais roupas porque o bode as comia também. A casa tornou-se uma verdadeira lixeira. Se já havia desavença dentro dela, agora se tornara explosiva. No final do mês, Aristides voltou à casa de pai João, doido da vida:
— Estamos vivendo há um mês com um bode dentro de nosso casebre. Tem sido horrível. Como pode ter dado um conselho, assim, tão ridículo?
 Seu João sacudiu lentamente a cabeça concordando, e diz:
— Agora se livre do bode e verá como suas vidas se tornarão calmas e tranquilas.
Nego veio tá certo! Quem acha que a vida tá ruim, coloque um bode nela, e vai ver o que é ruim, de fato. ®Sérgio.

O ESPELHO - Recontando Contos Populares

Conta-se que, lá pelos idos de antigamente, um vaqueiro resolveu fazer uma viagem até a cidade grande. Nas suas andanças por lá, viu em um bazar, pela primeira vez, um espelho - objeto até então desconhecido para ele. Quando olhou sua imagem refletida no espelho, julgou reconhecer ali o rosto do pai. Maravilhado com aquela magia, comprou o espelho.
Ao chegar a sua fazendinha, carregando na algibeira sua compra mais preciosa, foi ao celeiro e guardou-o num pequeno baú, onde também guardava sua vestimenta de vaqueiro. Sempre que se sentia triste e solitário, ia ao celeiro, abria o baú, e ficava contemplando o rosto do pai.
Sua mulher - que nada sabia do espelho - começou a notar que sempre que ele ia ao celeiro, saía com um aspecto diferente, isto é, com um "ar de felicidade". Desconfiada, começou a assuntá-lo. Por uma fresta na madeira, viu que o marido abria o baú e ficava longo tempo olhando para dentro dele.
Um dia, depois que o marido saiu para uma vaquejada, ela foi até o celeiro, abriu o baú e viu espantada, dentro dele, o rosto de uma mulher. Cheia de ciúme, esperou o marido chegar e pediu explicações sobre a mulher que ele guardava no baú. Mas o vaqueiro sustentava que era o seu pai que estava no baú. Armou-se então uma grande confusão familiar. Por sorte, uma beata tida como muito instruída e que não sabia mentir, ficou sabendo do caso e querendo esclarecer de vez a discussão, dirigiu-se a casa do vaqueiro. Lá chegando, foi logo pedindo que lhe mostrassem o baú. O vaqueiro e sua mulher a levaram até o celeiro e lhe mostraram o baú. A beata pediu-lhes que esperassem lá fora, enquanto veria o que havia no baú. Passado alguns minutos, ela grita de dentro do celeiro:
— Ora gente, vocês estão brigando em vão: nesse baú não há homem, nem mulher, mas somente uma beata como eu! ®Sérgio.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O QUIASMO - Figuras de Linguagem

Quiasmo (de Grego, Khiasmós = disposto em cruz), que por seu turno, deriva da letra grega [X] qui. O quiasmo é uma espécie de antítese; também conhecido como antimetábole. Consiste no cruzamento de grupos sintáticos paralelos (dois ou quatro vocábulos), de forma que o grupo de vocábulos do primeiro se repete no segundo em ordem inversa (AB x BA):
Melhor é merecê-los [a] sem os ter [b]
Que possuí-los [b] sem os merecer. [a] (Os Lusíadas, c IX, 93)
Com dois elementos:
Desfeito em cinzas,
Em lágrimas desfeito.
O quiasmo também pode ser encontrado na prosa:
“De certos homens, dizia Sócrates, que não comiam para viver, mas só viviam para comer.(Pe. Antônio Vieira)
Risos que se umedeciam de lágrimas e lágrimas que se esmaltavam de risos.” (Antônio Patrício) ®Sérgio.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O OXIMORO - Figuras de Linguagem

Oximoro (do Grego, oksúmoron = agudo, aguçado), é o paradoxismo, ou seja, o mesmo que o paradoxo, porque, aproxima também, termos ou expressões contrastantes e contraditórios num só pensamento, expressando uma verdade com aparência de mentira: Então, falo melhor quando emudeço...
Meu amargo prazer, doce tormento!
Era dor sim, mas uma dor deliciosa.  
O oximoro e o paradoxo são figuras bastante adequadas para manifestar ironia ou sarcasmo:
Nunca vi uma inteligência tão burra quanto a sua!
Essa é a sábia ignorância, a que Sócrates tanto se referia. ®Sérgio.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O ABC DE CASTRO ALVES

"Pois assim foi Castro Alves. Há momentos no mundo em que todas as forças de uma nação se conjugam e, como uma nota mais alta que todas, aparece, tranquilo e terrível, demoniacamente belo, justo e verdadeiro, um gênio. Nasce dos desejos do povo, das necessidades do povo. Nunca morre, imortal como o povo.
Este cuja história vou te contar, foi amado e amou muitas mulheres. Vieram brancas, judias e mestiças, tímidas e afoitas, para os seus braços e para o seu leito. Para uma, no entanto, guardou ele suas melhores palavras, as mais doces, as mais ternas, as mais belas. Essa noiva tem um nome lindo, negra: Liberdade.
Vê no céu, ele brilha, e é a mais poderosa das estrelas. Mas o encontrarás também nas ruas de qualquer cidade, no quarto de qualquer casa. Seja onde for que haja jovens, corações pulsando pela humanidade, em qualquer desses corações encontrarás Castro Alves." (Jorge Amado) ®Sérgio.

sábado, 8 de janeiro de 2011

O JURAMENTO - Recontando Contos Populares

Conta-se que viviam em uma região do sertão dois compadres muito amigos, como se fossem irmãos. Um era fazendeiro, viúvo e muito rico; o outro, sitiante pobre e rodeado de filhos pequenos. Sua mulher era alta, magra e como todas as mulheres de sua condição seu traje habitual era uma blusa preta sobre um vestido qualquer, um lenço branco e engomado ao pescoço, outro na cabeça e um raminho de arruda atrás da orelha. No entanto, essa diferença financeira nunca afetou a amizade dos compadres.
Eis que, de repente o compadre pobre passou a ficar quieto, recolhido num canto virado bicho; emagreceu, definhou, inté dar a alma para Deus. Fosse o que fosse nada mais remediava. No velório, o compadre rico, agoniado, debulhado em lágrimas, acercou-se do caixão e, para que todos testemunhassem, disse ao compadre morto:
— Compadre! Aqui diante de sua mulher e de todos os seus filhos, eu quero fazer um juramento. Deste dia em diante, onde meus filhos estudarem, os seus filhos também vão estudar. Vou arrumar uma boa casa para sua família. Vou mandar todos os meses, por meio de um capataz, carne e alimentações gerais. Hei de respeitar sua memória, meu compadre. E ninguém há de proceder mal com sua mulher!
Pois não é que o compadre rico cumpriu religiosamente seu juramento, mesmo tendo ficado um bom tempo sem ver a família do falecido. Um belo dia resolveu fazer uma visita à comadre. Caminho longo de quatro léguas. Chegando a casa da comadre, qual não foi sua surpresa ao ser atendido por uma mulher alta, o corpo cheio de relevos, linda que só vendo. Linda de qualquer homem virar o tal do juízo.
Esta vida quando descansa de ser ruim, é até engraçada.
Penetrando na casa o compadre rico deu de cara com a foto do falecido; pensou: "Eu preciso de um particular urgente aqui com o compadre". Olhando para o retrato, disse:
 – Compadre! Quero sempre respeitar sua memória, por isso zelo para ninguém proceder mal com sua mulher! Mas, meu compadre, no dia que ela resolver proceder mal, que eu tenha a preferência.
Salve-se quem puder! ®Sérgio.

VIRANDO O ANO SEM SIMPATIAS

Nesta passagem do ano-velho para o ano-novo, resolvemos (a família) despojarmos-nos das tradicionais simpatias que costumávamos realizar em todas as outras passagens de ano.
Comecei abolindo a mania de usar roupa branca; francamente, toda noite de Ano-Novo, parecia que tínhamos, aqui em casa, reunião da Associação Médica ou de Enfermagem.
Foi um alívio não ter mais de guardar a rolha do champanhe estourado. Digo alívio porque no final do ano passado, foi o "ó do borogodó" achar o pedaço de cortiça, com todo o álcool na "cachola".
Manter as minúsculas sete sementes de romã e uma folha de louro no porta-moeda da carteira era um verdadeiro milagre.
O pior era pisar com o pé direito exatamente à meia-noite e dar três pulinhos com uma taça de champanhe na mão, sem derramar uma gota e depois, jogar todo o champanhe para trás, de uma vez só, sem olhar. Imagine todos pisando com o direito o tempo todo minutos antes da meia-noite, depois dando pulinhos e lavando o ambiente com champanhe. Dava a impressão de estarmos no hospício.
Salve-se quem puder!
É comum ouvir que nós, somos um povo muito supersticioso. Creio ser verdade. Entretanto, não sou uma pessoa supersticiosa, porque a pessoa supersticiosa possui apego infundado a qualquer coisa que lhe dizem, crê em fatos sem fundamento real. As simpatias que fazíamos, eram apenas formalidades, costumes passados de avós para netos, e assim, de geração a geração. É ou Noé? ®Sérgio.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A ORIGEM DO ROMANCE FAUSTO

A história do Dr. Fausto - o sábio alemão que vende sua alma ao demônio Mefistófeles em troca de conhecimento e poder - não foi criação de Wolfgang Von Goethe (1749-1832).
Dr. Fausto é o único romance, cujo protagonista tem existência histórica real, que se tornou um mito literário. Magister Georgius Sabelius Faustus, como ele mesmo se apresentava, viveu na Alemanha entre o final do século XV e começo do século XVI. Dr. Fausto, além de médico, era estudioso das Ciências Ocultas; assumia publicamente a sua condição de feiticeiro. Ganhava o seu sustento praticando magia, fazendo horóscopos, vidências e produzindo fenômenos "sobrenaturais". De modo que, é possível que ele tenha realmente tentado alguma comunicação com o demônio, a fim de obter mais conhecimento sobre as Ciências Ocultas.
Na época, era crença popular de que os estudiosos dessa ciência, eram quase sempre signatários de pactos com o diabo. Portanto, se vivo já suspeitavam dele, quando morreu, de maneira violenta e causa misteriosa, virou lenda. E a lenda do Dr. Fausto e seu pacto com o demônio, espalhou-se rapidamente pela Alemanha e passou a fazer parte de sua cultura.
Em 1857, Johann Spiess, livreiro e escritor de Frankfurt, compilou tudo quanto se acreditava e dizia acerca do Dr. Fausto, em um livro de 227 páginas, conhecido por Romance Faustiano ou Faustbuch (O Livro de Fausto); cujo enredo contava como Fausto se vendeu ao diabo, as extraordinárias aventuras que viveu, a magia que praticava, e por fim a sua morte e castigo. Surgia a primeira narrativa literária sobre a lenda do Dr. Fausto. Pesquisadores afirmam que o texto tem um fundo moralista, ou seja, propaganda luterana para doutrinação.
Em 1589, dois anos depois da publicação de Spiess, o escritor e dramaturgo inglês (precursor de Shakespeare) Christopher Marlowe (1564-1593) transforma a primeira versão literária em peça teatral, com o título de A História Trágica do Doutor Fausto, que estreou com grande sucesso em 1594. A peça só foi publicada em 1604 (onze anos após a morte de Marlowe). Christopher Marlowe deu lustro estético à obra; resgatou a dignidade do personagem distinguindo-o do personagem histórico e da lenda popular; mas conservou a punição de Fausto, que na cena final desce ao inferno, porém em um clima muito mais trágico, de grande impacto junto ao público da época.
Coube a outro alemão, Wolfgang Von Goethe, em 1808, três séculos depois da morte do misterioso ocultista, salvar o atormentado sábio, com a versão intitulada Fausto. Drama em verso que consumiu 30 anos da vida de Wolfgang, de 1772 quando iniciou Urfaust (primeira versão) ao ano da publicação de Fausto. Foi a obra de sua vida. Goethe, em sua versão, não mantém a cena final tradicional; troca o trágico pelo dramático: Fausto em vez de ser punido no inferno é resgatado, na última hora, por anjos que enganam Mefistófeles e levam a alma do sábio para o céu.
Em 1943, Thomas Mann publica sua versão com o título de Doutor Fausto. É uma versão fora das raízes do mito. O personagem Fausto encarna um músico. O pacto dispensa os demônios, e o inferno vem na forma da sífilis que mata o protagonista.
O poeta português Fernando Pessoa deixou inconclusa a sua versão do mito, cujo título era Primeiro Fausto, a qual se dedicou durante boa parte da vida. Segundo o próprio poeta, a obra fala do embate entre a inteligência – representada por Fausto – e a vida.
Na música, o mito de Fausto foi tema de obras de Wagner, Schumann, Liszt Berlioz e Gounod.
"Fausto é um daqueles clássicos que, no caso de uma guerra dos mundos, seria preciso salvar para preservar o melhor da arte humana." (Federico Mengozzi, jornalista) ®Sérgio.
__________________________
Alguns dados sobre o Dr. Fausto foram extraídos e adaptados ao texto de: http://tv1.rtp.pt/antena2/index.php?article=672