quarta-feira, 4 de novembro de 2009

MARY SHELLEY - Grandes Prosadores

Mary Wollstonecraft Shelley (1797-1851), escritora britânica, mais conhecida por Mary Shelley, era filha do filósofo William Godwin e da pedagoga e escritora Mary Wollstonecraft, uma das primeiras feministas da História, autora da famosa Declaração dos Direitos da Mulher. Em 1814, Mary, que contava 17 anos, foge com o poeta britânico Percy Bysshe, casando com ele dois anos depois.

O romance que lhe deu fama foi Frankenstein, ou o Prometeu Moderno [1818]. Nele, o doutor Frankenstein desafia a Ciência e a natureza e, como um pequeno deus, cria um ser disforme a partir de restos humanos e do cérebro de um condenado. Mas sua obra não é um simples conto de terror, está cheio de implicações metafísicas sobre Deus e o homem, além das preocupações religiosas. Simboliza a impossibilidade de se opor às leis da natureza e ao poder de criação de Deus. Mary Shelley também editou as obras poéticas do marido. Morreu em 1851, aos 54 anos. ®Sérgio.

Veja Também: (clique no link)

Herman Melville: Moby Dick - Grandes Prosadores.

Alexandre Dumas (Pai) – Grandes Prosadores.

Marie Henri: O Vermelho e O Negro - Grandes Prosadores.

Daniel Defoe: Robinson Crusoé – Grandes Prosadores.

Robert Louis: O Médico E O Monstro - Grandes Prosadores.

Júlio Verne – Grandes Prosadores.

Victor Hugo: Os Miseráveis - Grandes Prosadores.

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Fontes: http://www9.georgetown.edu/faculty/irvinem/

http://www2.lucidcafe.com/ lucidcafe/ library/

NOTAS CURIOSAS (3)

Boa parte das histórias que se conta sobre Arquimedes (287 a.C-212 a.C.) não passa de lenda. Como a de que saiu nu pelas ruas de Siracusa gritando "heureca" (eu achei) depois de perceber que a quantidade de água transbordada em uma banheira é igual ao volume do corpo imerso nela.

O grande Victor Hugo (1802-1885) costumava pedir ao criado que lhe escondesse as roupas; desse modo, não tendo o que vestir, podia ficar em casa para escrever.

Voltaire (1694-1778), após ler a obra de Rousseau (1712-1778), Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, enviou uma cartinha ao autor com os seguintes dizeres: "Quando se lê o seu trabalho, da vontade de andar sobre quatro patas".

Dois dias antes de sua morte, em cinco de julho de 1948, Monteiro Lobato declarou numa entrevista: "Meu cavalo está cansado e o cavaleiro tem muita curiosidade em verificar, pessoalmente, se a morte é vírgula ou ponto final". ®Sérgio.

O CRIME DO CORONEL HONÓRIO

Coronel Honório - fazendeiro rico e viúvo precocemente - não era, nem um pouquinho, um homem virtuoso. Não senhor. Ele estava sempre "de olho" nas senhoras e senhoritas do vilarejo; olhos perscrutadores, vivos e buliçosos. Quando se encantava com uma, perseguia-a até conseguir o que queria. Depois, como uma criança que se enjoou do brinquedo, largava-a.
Ora bem, veio morar no vilarejo, uma bonita moçinha, solteira e de família não conhecida. Não demorou muito para o coronel cortejar, como um galo de quintal, a bonita mocinha. Ela, moça pobre, começou a olhar para Honório, na esperança de arrumar a vida. Uma coisa levou à outra, e um dia, ele transformou a sua bela mocinha, em mãe solteira; e "babau", deixou-a "na mão".
Agora, o vilarejo tinha um menino, uma moça bonita, e um tempo difícil face às despesas crescentes com o filho. Ela, então, começou a fazer pressão sobre Honório para assumir as responsabilidades para com menino. Mas o som de seus soluços morreu no ouvido dele.
Pressionado, o Coronel, arquitetou um plano para eliminar a mocinha que ousava lhe afrontar. Começou a espalhar pela vila o boato de que ela era uma macumbeira, uma bruxa. Acontecera tudo tão rapidamente que a princípio, o vilarejo mal podia compreendê-lo e ficaram em estado de expectativa, como se alguma coisa mais devesse acontecer. Por isso, passaram a temê-la.
O tempo passou e, um dia, a vila incitada pelo coronel, agarrou a "bruxa" e levou-a ante os conselheiros da justiça, que, por sinal, eram "paus mandados" do coronel. Condenaram-na à morte na fogueira por sua magia. A mocinha, já mulher, gritou uma maldição ao coronel, jurando que ele, e a vila, iam carregar para sempre a marca desta injustiça.
Seu pobre filho foi obrigado a assistir sua mãe ser queimada como bruxa. Quando o fogo queimava o corpo de sua mãe, um dos braços caiu próximo a fogueira; seu filho, correndo, atravessou a multidão e, frente à fogueira, pegou o braço e fugiu. Era a única parte de sua mãe que lhe sobrou para enterrar.
Depois da morte do coronel, uma grande pedra tumular foi erguida em sua honra. Algumas semanas mais tarde, uma estranha descoloração começou a se formar sobre a pedra. Era a imagem de um braço de mulher. A lembrança da mulher e sua maldição assustaram o povo da vila; trouxe-lhes a insônia, pois aquilo representava algo fora das leis naturais que conheciam.
Quando uma idéia muito forte obceca uma criatura no momento de morrer, basta isso para mantê-la presa a este mundo material. Tudo provem de um desejo violento, e só quando esse desejo se satisfaz o espírito se acalma.
Removeram a pedra tumular e a atiraram no rio que "atravessava" a cidade. Mas a pedra reapareceu na sepultura do coronel, com a imagem do braço ainda a marcá-la. Quebraram a pedra em pedaços, e colocaram uma nova lápide na sepultura. E o fato se repetiu: a imagem do braço reapareceu na nova pedra, que não pôde mais ser removida, por mais que tentassem. Ela permanece lá até hoje. Lembrança de uma pobre menina enganada em sua inocência e, depois, assassinada pelo Coronel Honório. ®Sérgio.

NOTAS CURIOSAS (2)

No leito de morte, o dramaturgo inglês Robert Greene (1558-1616) escreveu um panfleto para espinafrar o então iniciante Willian Shakespeare (1564-1616). Chamava-o de "gralha emergente" e sugeria que ele era um plagiário.

Dois dos maiores poetas da Espanha, Francisco de Quevedo (1580-1645) e Luís de Góngora (1561-1627) eram inimigos ardorosos? Atacavam-se por meio de poemas. Quevedo chegou a comprar a casa em que o rival morava – só para expulsá-lo.

Dionísio de Trácia escreveu a Téchné grammatiké, a primeira gramática tradicional do ocidente. Um livro de quinze págias e vinte e cinco sessões onde ele apresenta uma explicação da estrutura do grego e constituíram a base das formulações gramaticais posteriores. Esta gramática foi preservada até os dias de hoje. Portanto, a gramática tradicional é herança dos gregos, enquanto que a gramática moderna é fruto de pesquisas lingüísticas. ®Sérgio.

DESTINO OU COINCIDÊNCIA?

Dizem que destino não existe, e sim, escolhas diferentes. Tudo bem, pode até ser. Mas o que aconteceu com os gêmeos Mowforth, chamaríamos, então, de coincidência? Veja:
Na noite de 22 de maio de 1975, John Mowforth, um inglês de 65 anos, começou a se queixar de fortes dores no peito e foi levado às pressas para o hospital de Bristol (Inglaterra). Enquanto isso, seu irmão gêmeo, Arthur Mowforth, a 130 km de distância, em Windsor, sem saber o que se passava com John, sofreu subitamente um colapso cardíaco e também foi levado ao mesmo hospital.
Os irmãos faleceram naquela mesma noite, no mesmo hospital, com uma diferença de apenas alguns minutos, sem que tivessem conhecimento um do outro da fatalidade que os uniria na morte.
Coincidência?
Tem mais. Em se tratando de coincidência, o rei Humberto I, da Itália, e o proprietário de um restaurante, onde ele jantou certo dia em 1900, são campeões mundiais. As semelhanças físicas ente o soberano e o dono do restaurante eram tão acentuadas que o rei mandou chamá-lo; depois de alguns minutos de conversa, descobriu que tinham o mesmo nome, eram casados com mulheres chamadas Margarita e o restaurante tinha sido inaugurado no mesmo dia que o rei Humberto fora coroado. Diante de tantas "coincidências", o rei convidou o dono do restaurante para um festival de atletismo que seria realizado em Monza no dia seguinte. Durante a reunião, informaram ao rei que seu convidado não compareceria, pois fora morto a tiros naquela manhã. Na noite desse mesmo dia, um anarquista de nome Gateano Cresci matou o rei a tiros. Isso é verdade histórica Leo, embora não conste no Guinness World Records, o livro de recordes.
Coincidência?
Em fatos como esse, é, realmente, muito comum as pessoas negarem o fator destino e afirmarem que só pode ser uma grande coincidência. Mas aquelas que acreditam nascermos pré-destinados, diriam que esses homens cumpriram o designo divino; e as circunstâncias que os afetaram, é a mais pura evidência da força divina, conduzindo os acontecimentos de nossas vidas.
Eu não sei o que dizer; mas que há algo de misterioso nesses dois casos, isso há. É ou Noé? ®Sérgio.

NOTAS CURIOSAS

O bispo Irlandês James Ussher (1581-1656) somou a idade dos profetas e fixou a criação do mundo na noite que antecedeu o dia 23 de outubro de 4004 a.C., às nove horas, um domingo, no calendário Juliano. Ussher calculou também o dia da expulsão de Adão e Eva do Paraíso (segunda-feira 10 de novembro de 4004 a.C.) e a data em que a Arca de Noé encalhou no monte Ararat depois que as águas do dilúvio baixaram: quarta-feira, cinco de maio de 2348 a.C.

José de Alencar (1829-1877) era filho do padre José Martiniano de Alencar. O escritor foi fruto de uma união ilegal do padre com a prima Ana Josefina de Alencar.

J.K Roling (escritora de Harry Potter) começou a escrever seu primeiro livro, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em guardanapos dum bar que freqüentava e, ao terminar o livro, ficou com uma terrível dúvida: usar o dinheiro que tinha, no momento, para comprar o leite de sua filha ou usá-lo para mandar seu livro à editora. Hoje é milionária! Coisas da vida. ®Sérgio.

domingo, 11 de outubro de 2009

ALMOÇO COM O DIABO

Havia para os lados do sertão de Minas, um fazendeiro rico, viúvo de muito tempo, que vivia sozinho. Por isso, sonhava com um companheiro para almoçar, nem que fosse o diabo.
Certo dia, quando bateu meio-dia e o fazendeiro preparava-se para almoçar, um homem bateu à porta. Era o diabo. Pois bem. Almoçaram, excederam-se no copo e conversaram como velhos e bons amigos.
O diabo não se queixou em nenhum momento e, de nenhum modo, da péssima reputação que gozava no mundo todo. Disse até, que era uma pessoa que maior interesse tinha na queda dessa reputação; sobretudo, porque a tentação agora é completamente inútil. Os homens pecam por si mesmo, natural e espontaneamente, sem necessidade de tentações e convites. Que correm para ele como os rios correm para o mar.
Finalmente, quando as primeiras sombras da noite se precipitaram sobre o dia, o demo despediu-se do fazendeiro e, à saída, disse:
— Quero que guarde de mim boa impressão e para provar-lhe que eu, de quem se diz tanto mal, sou, às vezes, um bom diabo, convido-o para almoçarmos juntos qualquer dia desses no inferno.
Marcaram a data e no dia tratado o diabo veio buscar o fazendeiro. Depois do almoço, o velho fazendeiro foi visitar as dependências do inferno. Havia La dentro, um ar esquisito que lhe fazia lembrar todos os aborrecimentos da sua vida, o desejo de rever seu antigo lar, sua esposa e seus filhos. Em um salão todo em chamas, havia vários caldeirões. E dentro de cada caldeirão estava uma alma fervendo. Havia ali, estranhos rostos de homens e mulheres, marcados por expressões de dor; estranhas caras que davam, ao velho fazendeiro, a impressão de já havê-las visto em épocas e regiões de que lhe era impossível recordar. Mas, num dos caldeirões, ele reconheceu um de seus parentes. Investigando melhor, acabou por descobrir que toda a sua família estava lá. Ficou impressionado e, quando voltou a terra, fez tantas boas obras, que se salvou. ®Sérgio.
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Nota sobre o Texto: Esta história foi inspirada em um causo da oralidade popular.

A INTRANSIGENTE VISÃO DO FREI AMADOR

Para muitos pregadores da verdade, não existe no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, criatura alguma que em si e por si mesma possua a sapiência e as virtudes divinas que eles propagam terem.
Tocar nesse assunto me fez recordar do Frei Amador Arrais, que tive a oportunidade de ler quando estudava Literatura Portuguesa no curso de Letras.
Frei Amador (1530-1600), ortodoxo cristão, pertencia à Ordem dos Carmelitas Descalços, e publicou, em 1519, a obra "Diálogos", um precioso documento da cultura portuguesa do Renascimento. A obra é composta de dez diálogos, numa prosa límpida, de qualidade e que se tornou clássica, travados entre Antíoco, um homem doente, e uma série de pessoas que o visitam.
O excerto que transcrevo abaixo, intitulado: "Em que consiste a verdadeira sapiência", acho que serviria, muito bem, para alguns "sapientes" de hoje:
"[...]. Se quiser conhecer o quanto tem de sábio volva os olhos atrás, lembre-se quantas vezes na carreira de sua vida haja tropeçado, quantas caído, quantas errado, quantas coisas vergonhosas, quantas dignas de dor e arrependimento haja cometido, e, sobretudo conheça, e confesse suas imperfeições e faltas. Poucos são os verdadeiros letrados e quase nenhuns os sábios; porque uma coisa é sabiamente falar, e outra sabiamente viver, uma é chamar-se sábio, e outra sê-lo: como também uma coisa é nomear-se de prudente, e outra sê-lo realmente."
Esta é a intransigente visão de Frei Amador Arrais. Cabe a você julgá-la e concordar comigo ou não. ®Sérgio.

MANIAS, MANIAS E MANIAS

Você tem a mania de roer unhas? Console-se até o Maradona tem. Quer mais?! Confesso-lhe que nunca tive tanto prazer em ver alguém roer unhas.
O nome dessa mania é Onicofagia. A "roeção", que logicamente é de seu conhecimento, começa em momentos de nervosismo; porém, não só nesses momentos, nos de tédios também. É ou Noé? Não sei se você chegou a esse ponto; mas, há pessoas que roem, mastigam e engolem a unha (imagine aqueles que não têm o hábito de limpar as unhas). Roem tanto, a ponto de causar ferida a pele em volta, que, por vezes, inflamam.
Eu já tive uma terrível mania: o colecionismo. Acumulava tralhas: jornais, revistas, livros (de qualquer estilo) e coisas desnecessárias. Cheguei a encher o quarto da empregada (que nunca tive), que mal podia mover-me dentro dele. E assim foi, até que minha mulher resolveu dar um basta na mania. Não perdi a mania, porém está bem controlada. Agora coleciono só os recortes que tiro de revistas e jornais. Quanto aos livros... só os literários. Já vi manias de colecionismo que eram verdadeiros casos de saúde publica.
Bem, já que o assunto é mania, aqui vão outras:
Ablutomania: essa está em voga ultimamente. Devido à suinofobia, causada pela "neuropropaganda", muitos a desenvolveram da noite para o dia. O medo de contágio faz a pessoa lavar as mãos excessivamente, tomar banhos por horas, usar máscaras, talheres descartáveis, não tocar em maçanetas, etc. Num piscar de olhos você está ablutomaníaco, ou seja, maníaco por limpeza.
Tricotilomania: você deve estar a pensar que é mania de fazer tricô. É o que todos pensam. No entanto, é o impulso de puxar os cabelos, ou então, ficar a enrolá-los entre os dedos, até que, por fim, acabam arrancados. É tão automático que o cara só se dá conta quando aparecem falhas visíveis.
Aritomania é a mania de verificação, ou melhor, de repetir tarefas. É a mania de minha mãe. Piorou depois do setenta anos. Ela verifica se uma porta está realmente trancada inúmeras vezes. Levanta, no meio da noite, para verificar se a televisão está desligada ou então se uma determinada luz está apagada, entre outras coisas. Os aritomaníacos acham que isso impede que algo de grave aconteça.
E tem aquela que a pessoa fica cutucando nervosamente a própria pele; chama-se dermatilomania. Depois do nervosismo, vem o alívio.
Vou parar por aqui, porque já estou ficando com mania de falar das manias. ®Sérgio.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

VOCÊ NÃO ME AMA!

— Você não me ama! Disse, certa vez, meu filho, ao ser repreendido por mim. Naquele dia, desconcentrado, surpreso, agoniado, por tão mentirosa afirmação, um ódio surdo me cresceu na alma e retruquei com raiva, estufando o peito como um galo de quintal. Meu filho tinha se transformado, de uma hora para outra, num insuportável carrasco, num torturador.
Tal fato me espantou, porém, ao mesmo tempo, me confundiu e perturbou que muitos dias se passaram antes que eu pudesse recompor minhas idéias. Não atinei, naquele momento, que tal exclamação, não vinha do fundo da alma de meu filho. Não atinei que era apenas um adolescente, como muitos outros, dando vazão à indignação de um ato repressivo.
Mais tarde, ao ler um artigo sobre psicologia do adolescente, deparei-me com o relato de uma mãe – que passara pela mesma situação – e que me ensinou, tardiamente, como deveria ter procedido naquele dia. Leia, caro amigo, e diga-me se não foi um verdadeiro "tapa de pelica" que ela aplicou no filho:
— Você não me ama! Disse-lhe o filho.
— Amo você o suficiente para incomodá-lo com perguntas sobre onde vai, com quem vai, a que horas volta para casa. Responde a mãe.
- Amo você o suficiente para deixá-lo descobrir que seu amigo era um crápula.
- Amo você o suficiente para ignorar o que outras mães faziam ou diziam.
- Amo você o suficiente para deixá-lo tropeçar, cair, machucar e fracassar.
- Amo você o suficiente para aceitá-lo como é e não como gostaria que fosse. Sobretudo, amo você o suficiente para dizer não quando você me odiava por isso.
É... Pois é, se arrependimento matasse... ®Sérgio.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

“POETA FUI...”

José Abreu Albano (1882 – 1923), é um poeta quase desconhecido em nossa literatura. Cearense, mas, educado em colégios da Inglaterra, Áustria e França, esteve inteiramente fora de nossa poesia.

Albano foi um homem triste. Uma crise mais forte de melancolia exigiu seu internamento por um ano em uma casa de saúde. Ele confessa, no mais famoso de seus sonetos, essa melancolia:

Poeta fui e do áspero destino

Senti bem cedo a mão pesada e dura

Conheci mais tristeza que ventura

E sempre andei errante e peregrino.

Vivi sujeito ao doce desatino

Que tanto engana, mas tão pouco dura;

E ainda choro o rigor da sorte escura,

Se nas dores passadas imagino.

Como agora me vejo isento

Dos sonhos que sonhava noite e dia

E só com saudades me atormento;

Entendo que não tive outra alegria

Nem nunca outro qualquer encantamento

Senão de ter cantado o que sofria.

No entanto, os versos que me tocaram a alma são estes em que ele diz coisas tristes e suavíssimas, e, conforme M. Bandeira, “versos que pareciam cantiga para adormecer a sua loucura”:

Há no meu peito uma porta

A bater continuamente:

Dentro a esperança jaz morta

E o coração jaz doente.

Em toda parte onde eu ando

Ouço este ruído infindo:

São as tristezas entrando

E as alegrias saindo.

José Abreu Albano faleceu em Montauban (França), onde estão seus restos mortais, a 11 de julho de 1923. ®Sérgio.

A RAINHA DO FLAGELO - Notas Biográficas

Você, por acaso, já ouviu falar na Madame Theresa Berkley? Bem, se não ouviu, vou lhe contar algo interessante sobre ela. Se já ouviu, paciência; vou contar assim mesmo.

Theresa Berkley foi dona de um bordel no número 28 da Charlotte Street, Portland Place, bairro de Londres. Mas, sua casa de entretenimento masculino e feminino, não era como outra qualquer do ramo.

Em 1718, quando foi publicado, na Inglaterra, anonimamente, um livro chamado Tratado sobre o Uso do Açoite - embora o título tenha um caráter um tanto científico - o conteúdo continha um teor claramente pornográfico. Rapidamente, o tratado se espalhou pela Europa e virou moda com o nome de vício inglês; o que equivalia dizer que ninguém gostava mais de apanhar na cama do que um inglês. É aí que entra madame Berkley. Determinada a atuar na área do entretenimento masculino e tendo ciência do gosto de seus conterrâneos, montou no mencionado endereço, um bordel especializado em tortura e flagelação e, assim, tornou-se a pioneira do sadomasoquismo.

Theresa era uma amante perfeita dessa arte, por isso não ficou só na tradicional coleira e o dolorido chicotinho. Sua casa era realmente um local de tortura. Para satisfazer os clientes, ela aprimorou e criou numerosos instrumentos de tortura. Usava diversos tipos de chicotes, de vários tamanhos, com nove correias de couro, conhecido como gato-de-nove-rabos, porque tinham nas pontas, unhas de metal, semelhantes a dos felinos. As varas para o açoite eram mantidas na água, de modo que quando usadas, estivessem sempre verdes e flexíveis. Cintas feitas de exclusivo couro grosso com pregos de uma polegada, que perfuravam a pele mais dura e deixavam flagelos que levavam um bom tempo para cicatrizarem. Vários tipos de escovas, como: a escova de furze (uma sempre-viva espinhosa), de urtigas. Além diisso tudo, na primavera de 1828, uma obra-prima de tortura foi inventada para sua casa: o Cavalo de Berkley.

A descrição desse aparelho, responsável pelos gritos dos clientes de Madame, vem de um nobre inglês vitoriano, aficionado em sacanagens, chamado Henry Spencer Ashbee: “(...) era uma espécie de pau-de-arara móvel que podia ser girado tanto na vertical como na horizontal. Assim, sem muito esforço, a Madame, ou as moças e os rapazes que trabalhavam para ela, infligiam a dor exatamente no ponto desejado pelo cliente”. E, por incrível que pareça, conclui Henry, “muitos nobres exibiam com orgulho as marcas e cicatrizes deixadas pelas torturas a que se submeteram”. O cavalo original está, hoje, exposto na Sociedade Real de Artes, e foi doado pelo Doutor Vance, o testamenteiro dela.

Assim, no bordel de Madame Theresa Berkley, quem ia com bastante dinheiro, poderia ser açoitado, chicoteado, fustigado, agulhado, pendurado, escovado, perfurado, ou seja, torturado até ficar satisfeito.

Segundo o texto abaixo, extraído da correspondência de um devoto apaixonado pela flagelação, e profundo conhecedor do assunto, naquela época, as mulheres eram muito mais apaixonadas em agitar a vara de flagelo e vice-versa, que os homens:

"Em minha experiência eu conheci pessoalmente várias senhoras da nobreza que tiveram uma paixão extraordinária e uma severidade impiedosa em administrar a vara. Eu conheci a esposa de um clérigo, jovem e bonito, que levou o gosto ao excesso. Eu soube que a pessoa quando bebia tornava-se vulgar e se permitia ser açoitada até que o fundo dela ficasse totalmente em carne viva e a vara saturada com sangue; ela durante a flagelação gritava: 'mais forte! mais forte! ' e blasfemava se assim não fizessem. Dum estabelecimento em Londres, do qual eu suprimo o nome, vinham vinte meninas que passavam por todas as fases do chicote até se tornarem professoras.”

Numa noite de setembro de 1836, a famosa casa de Miss Berkley estava silenciosa. Nem um grito, nem uma visita, madame Theresa Berkley havia falecido. Foi uma morte súbita e inesperada, pois era um tanto jovem. Durante oito anos ela não só governou seu bordel com maestria, como foi uma completa mulher de negócio, acumulou durante esse tempo uma considerável soma de dinheiro...

Nessa mesma noite, chega ao número 28 da Rua Charlotte, apressado e aparentando estar nervoso, o Dr. Vance, responsável pelo testamento. “Onde está o cofre de Theresa”? Pergunta para um criado. Era nesse cofre que Theresa guardava todas as cartas, nomes e recibos dos clientes de seu bordel. O doutor, sem nenhum remorso, queimou toda a papelada.

Conta-se que algumas das figuras (masculinas e femininas), de maior destaque da nobreza britânica eram clientes exclusivas do local, como o rei da Inglaterra, George IV. Portanto, a história da Inglaterra poderia ser outra, se o doutor não tivesse ateado fogo aos papéis.

Logo após a morte de Theresa, seu irmão, missionário durante 30 anos na Austrália, chegou à Inglaterra, mas quando ele tomou conhecimento de que sua irmã lhe havia deixado a mais famosa casa de flagelação da Inglaterra como herança, renunciou a propriedade e voltou imediatamente para a Austrália. Na falta do herdeiro, a propriedade passou ao Dr. Vance (médico e testamenteiro dela) ele também se recusou a administrar o bordel, e tudo ficou para a coroa inglesa.

Por essa época, já havia em Londres diversas casas especializadas em flagelação, como a da senhora Collette e da senhora Emma Lee. No entanto, em matéria de dor como êxtase, Miss Berkley foi, indubitavelmente, a rainha de sua profissão, ninguém a superava. ®Sérgio.

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Fonte: http://public.diversity.org.uk/deviant/ssflg1.htm

TREMENDA HERESIA

“Antônio José da Silva, judeu, teatrólogo brasileiro, foi queimado pela inquisição portuguesa em 1739, porque escrevia coisas como céu da boca. Tremenda heresia.” (Millôr)

A VIDA SEGUNDO CHARLES CHAPLIN

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás para frente. Nós deveríamos morrer primeiro e nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado para fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha quarenta anos até ficar novo o suficiente para aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, beba bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Então você vai para o colégio, têm várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da sua mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando e... termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito? (Charles Chaplin)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A ALMA PENADA - Meus Contos

Conta-se que em uma cidadezinha do interior, uma velha senhora - viúva de muito tempo - vivia em companhia de um chipanzé que ganhara nos idos tempos em que era artista circense. Certo dia, ela caiu doente, e a cada dia adoecia cada vez mais; já nem saia mais do quarto, de modo que teve de ser amparada pelas suas comadres. Vencida, afinal, pela enfermidade e pela velhice, entregou a alma a Deus, confortada com a comunhão e a extrema unção realizada pelo padre da paróquia.
Enquanto as beatas preparavam as cerimônias fúnebres e rezavam os últimos ofícios pela defunta, o chipanzé, num canto do quarto, observava tudo com muita atenção. As comadres amortalharam o corpo e o colocaram no caixão; veio o padre e, juntamente com a irmandade religiosa, realizou as cerimônias de costume: fazer as orações pela alma da defunta e cantar os hinos. Em seguida, o corpo foi levado para a igreja, que ficava próxima, para que se desse o velório.
O macaco que durante a encomenda do corpo não dera um pio, mas observara tudo; agora voltava a atenção às coisas que o rodeavam. Começou a despejar as gavetas e a examinar o que continham. Como tinha observado à defunta nos seus trajes mortuários; a forma como tinha a cabeça coberta pela mortalha; o macaco começou a se vestir exatamente do modo que presenciara. Mas, cansado da brincadeira, deitou-se na cama, jogou por cima de si o lençol que cobrira a defunta e ali se deixou ficar até adormecer.
O velório prosseguia na igreja, quando uma das comadres lembrou-se de que, a falecida havia lhe pedido para ser enterrada junto com bíblia dela. Então, as comadres retornaram a casa da falecida para buscar o livro santo. Quando entraram no quarto e viram o macaco amortalhado, fugiram aterrorizadas, pensando terem visto a alma da defunta. Na igreja, depois de tomarem água com açúcar e recuperado o fôlego, contaram que tinham visto a alma da falecida comadre repousando no leito onde estivera doente.
A notícia se espalhou mais que depressa pela freguesia e a comunidade correu, curiosa, para a igreja. Dois incrédulos disseram que as comadres estavam "vendo coisas" e resolveram ir ao quarto da falecida para desfazerem o mal-entendido. Como a noite se aproximava, sentiram - apesar de demonstrarem indiferença - uma sensação desagradável ao entrarem no quarto. Aproximaram-se da cama e sentiram algo respirar por baixo do lençol; quando perceberam que o lençol se movia como se quisesse saltar da cama, fugiram rua abaixo, numa correria despinguelada, até o interior da igreja.
Comprovada a existência da alma penada, chamaram o padre e o caso lhe foi explicado. O padre bebeu uma grande taça de vinho, ficou um instante a refletir e, então, pediu ao sacristão para lhe trazer a grande cruz de madeira, a bíblia e o vaso de água benta. Colocou a estola e julgando-se armado para afugentar aquela alma demoníaca, seguiu com suas beatas para a casa da defunta.
Entoando os sete salmos e orações, subiram as escadas. Ia o sacristão, por ordem do padre, à frente do cortejo, com a cruz erguida. Quando chegaram à porta do quarto, apesar da água benta que o padre vinha espalhando por todos os cantos, o cortejo se deixou ficar para trás, enquanto o valente sacerdote ordenava ao sacristão que avançasse. Aproximando-se da cama viram o chipanzé amortalhado, como se fosse uma alma penada. Murmuraram algumas orações, agitaram a cruz durante algum tempo, e nada da alma ir embora. Com vergonha de recuar, o sacerdote começou a espalhar água benta em grande quantidade, gritando: “Vai-te embora satanás, vai-te embora...” e tacou uma porção bem servida de água benta sobre o macaco, enquanto o sacristão agitava freneticamente a cruz por cima da alma. O chipanzé temendo ser cumprimentado com uma pancada da enorme cruz, começou a fazer careta e a guinchar de um modo tão macabro, que o vaso sagrado caiu das mãos do padre e o sacristão deixou tombar a cruz, fugindo, ambos, na maior carreira. Tal era a pressa que o padre caiu por cima do sacristão, e, rolando escada abaixo, estatelaram-se no piso da casa.
Ao ouvirem os gritos do padre: Jesus! Jesus!... As beatas, que o aguardavam no jardim, correram ao seu encontro. Perguntavam, enlouquecidas, o que tinha acontecido. Os dois olhavam para elas, estarrecidos, sem conseguirem prenunciar uma palavra sequer. Por fim o padre teve força suficiente para dizer:
— Minhas filhas, é verdade, vi a falecida na forma de um feroz demônio...
Mal ele tinha acabado de pronunciar estas palavras, desce, pela escada banhada de água benta, o chipanzé envolto da cabeça aos pés num lençol branco. E o resto vocês podem imaginar. ®Sérgio.
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Este conto foi inspirado na obra de Matteo Bandello (1485-1561), escritor italiano. Muitos escritores famosos, que surgiram depois, foram buscar fonte de inspiração para seus textos nos escritos de Matteo; não escapando o próprio Shakespeare, que retirou assunto para Romeu e Julieta.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

DONA MARIA, A LOUCA

Cícero escreveu, certa vez, que "viver na ignorância do que aconteceu antes de nascermos é ficar para sempre na infância. Pois qual é o valor da vida humana se não a relacionarmos com os eventos do passado que a história guardou para nós”?
Depois que tomei conhecimento desse aforismo de Cícero, acatei seu conselho. Daí por diante, leio qualquer evento do passado, que me caia as mãos. E foi assim que li, numa recente brochura, alguns fatos, ainda não detalhados, de nossa História Colonial, relacionados, mais precisamente, a família real. Achei o assunto interessante e tenho certeza de que também o achará. De modo que vou repassá-lo.
O Livro reconstitui em detalhes a história da loucura da rainha D. Maria I, de Portugal, também chamada de Dona Maria, a Louca. Não vou, é claro, transcrever todos os detalhes, somente alguns pontos deles que achei interessante a nós.
A depressão e a loucura tinham raízes na família de Dona Maria. Seu tio Fernando VI, depressivo, trocava o dia pela noite e obrigava toda a corte a fazer o mesmo. Certa ocasião chegou a ficar sem mudar de roupa por um ano. Fernando era, realmente, uma vergonha para a depressão; não acha?
Além das raízes, a vida de Dona Maria foi marcada por tragédias que provavelmente contribuíram para sua doença. Como seu pai não teve filhos homens, a dinastia dos Bragança ficava, desse modo, em risco. A solução foi casá-la com um tio, Dom Pedro III. Casamento entre parentes, você já sabe, só traz problemas. Dona Maria perdeu cinco de seus seis filhos, três deles ainda criança. Num espaço de dois anos ela viu morrer o marido, o filho primogênito - de varíola, pois ela se recusou a vaciná-lo por motivos religiosos - e uma filha.
Em fevereiro de 1792, quando voltava do teatro, Dona Maria - aos 57 anos - "surtou" em público. Ela gritava, pedia ajuda divina e dizia ter visões do inferno, mais exatamente com as penas eternas que o pai estaria sofrendo no inferno, por ter permitido a Pombal perseguir os jesuítas. Depois desse surto, delírios constantes passaram a atormentá-la. Documentos da época demonstram que já fazia cinco meses que a rainha vinha alternando momentos de melancolia e agitação. Olha a bipolaridade aí gente.
A rainha foi examinada por 21 especialistas, que tentaram banhos frios, sangrias e evacuações forçadas. Não era mole ser bipolar naquela época. Banho frio ainda vai, mas o resto... Francis Willis, um famoso médico inglês diagnosticou que o caso da rainha, era um caso perdido. Com isso Portugal entrou num período de luto. Os espetáculos públicos foram proibidos e a família real se enclausurou no palácio. Ela só voltou a aparecer em publico quando a família real se mudou para o Brasil. Foi embarcada a força.
Dona Maria (a Louca), apesar de tudo, tinha berço esplêndido o que amenizou um pouquinho o sofrimento dela. Se não tivesse, se fosse povo; naquela época seria jogada num asilo para loucos e isolada do mundo, numa pocilga, para sempre. ®Sérgio.

ENTRE RISADAS E GRACEJOS

Disse, certa vez, Inês Pedrosa que “só aos amigos é dado o espetáculo da nossa miséria”. Portanto, sou bipolar, hiperativo nuns dias, depressivo noutros; talvez um pouco neurótico; esquizofrênico não, mas já cheguei a pensar que era. Passei por duas depressões brabas que exigiram internação. Mas, agora, os remédios controlam eficazmente a situação.
Na época das internações, o que as minhas visitas mais me perguntavam, era: como são as pessoas aqui? Respondia-lhes: como em todo o lugar! Mas... não eram como em todo o lugar. Eram pessoas trôpegas, enfraquecidas, deformadas pelas sequelas da insanidade, algumas saídas das pocilgas da rua, onde vagueavam dias após dias, carregando seus delírios.
Na clínica, elas continuavam caminhando dia após dia, só que de um canto a outro do pátio, sempre numa única direção, perfazendo um curso de quilômetros em um só dia.
Mas, lá acontecia algo inacreditável: essas pessoas tinham a coragem de rirem. Trocavam dizeres zombeteiros. Apelidavam-se, ridicularizando suas próprias desgraças. Riam da própria infelicidade.
Diziam, entre risadas e gracejos, "que lá o diabo não entrava para não ficar com complexo de inferioridade do inferno". ®Sérgio.

O TEATRO MELODRAMÁTICO

No princípio do século XVI, o melodrama indicava a tentativa de reproduzir as características do teatro greco-latino, ou seja, buscava a união da ação teatral e a música. Dessa tentativa, no final do mesmo século, o melodrama passou a ser considerado sinônimo de «ópera»; e assim permaneceu até meados do século XVIII. A seguir, passou a designar a declamação de qualquer texto com acompanhamento musical. De 1790 em diante, finalmente o melodrama perde o suporte musical e passa a ser um tipo de peça autônoma, em prosa e de caráter eminentemente popular, visto que o intelectualismo das classes mais elevadas deixa as pessoas muito racionais e menos emocionáveis.

Para ser mais preciso, o melodrama teatral surge oficialmente como gênero em 1800 com a obra «Coeline» de René-Charles Guilbert de Pixérécourt (1773-1844), autor de sessenta e três melodramas, definindo um tipo de espetáculo cênico em torno de ingredientes fáceis, explorados ilimitadamente: o sentimentalismo (não raro beirando o patético), o suspense, assassínios, mistérios, incêndios, cenas de medo, equívocos que se desfazem por milagre, ritmo ofegante, sem obediência à verossimilhança, epílogos felizes, linguagem despojada e de imediato entendimento. Daí seu caráter popular; é a oportunidade de purificação (catarse) dos mais pobres, menos intelectualizados, pois esse era o objetivo do melodrama: impressionar e comover cada espectador.

O melodrama teatral surgiu com grande sucesso de público em temporadas que, pela primeira vez na história do teatro, ultrapassaram as mil representações, isto o fez o primeiro gênero teatral de características internacionais do século XIX; e, posteriormente, fez com que o melodrama teatral fosse absorvendo e exportando elementos a todos os estilos, formas e gêneros artísticos que surgiram durante este período, como o Drama Romântico e, principalmente, o Folhetim.

Uma das vertentes do melodrama foi o gótico, onde o autor apresentava como personagens, espíritos que retornavam de outra dimensão para exigir justiça, fantasmas, acontecimentos sobrenaturais.

Ao final do século XIX, as novas propostas estéticas que surgiam, passaram a considerar as formas de interpretação do melodrama antinaturais, ou melhor, sinônimo de uma interpretação exagerada, de apelo fácil à platéia.

Não obstante, ter sido substituído pelo drama romântico, o melodrama deixou marcas permanentes no teatro e na própria ficção, e chegou até nossos dias. Além de eventuais representações que lembram o velho estilo, é visível a sua presença nas novelas, mini-séries, seriados, tele-comédias, programas de auditórios, entre outros. Todos buscando uma linguagem popular para um o telespectador comum. ®Sérgio.

Tópicos Relacionados: (clique no link)

O Teatro Elisabetano.

O Teatro dos Mistérios.

O Teatro das Moralidades.

O Teatro dos Milagres.

Comédia Dell' Arte.

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Informações foram extraídas e adaptadas ao texto de:

BERTHOLD, Margot. História Mundial do Teatro. Editora Perspectiva, São Paulo, 2001.

VASCONCELLOS, Luiz Paulo. Dicionário de Teatro. Porto Alegre: L&PM, 2001.

DESCONTEI O CHEQUE JUNTO AO BANCO OU COM O BANCO?

As locuções junto a, junto de são sinônimas, invariáveis e significam perto de, ao lado de:
    A bola passou junto à trave (perto, ao lado da trave).
    A loja fica junto ao viaduto (perto, ao lado do viaduto).
    Jorge comprou chácara junto (perto, ao lado) à minha.
    Esperei o socorro junto (perto, ao lado) do carro.
No entanto, ninguém desconta cheques junto ao (ao lado do) banco. Nem pede providências junto à (perto da) prefeitura. Descontamos cheques com o Banco. Pedimos providências para a prefeitura.
O português falado no Brasil está sempre sendo modificado, moldado pelas necessidades dos usuários. Assim, junto a, junto de ganhou novos significados. Passou a substituir as preposições [com, para, em, de].  Cometer erros de na fala do cotidiano é muito comum, mas no texto formal é necessário que observemos as regras gramaticais. Por isso, ao escrever evite o uso de junto a, junto de com outro sentido que não seja [perto de]. Fora isso, use a preposição que o verbo exigir (com, para, em, de, etc.). Será mais simples e mais claro você dizer ou escrever:
    Estava em negociações com o Banco. (em vez de: junto ao Banco)
    Adquiriu do Santos o passe do jogador. (e não: junto ao)
    Ele levará a notícia para a associação de bairro. (e não: junto a)
    A decisão repercutiu mal entre os brasileiros. (e não: junto aos)
    Conseguimos autorização da prefeitura. (e não: junto à)
    O vereador levará a notícia para associação de bairro.
Junto a, no entanto, pode equivaler a: adido a. Veja:
    O embaixador brasileiro junto (adido) ao Vaticano deixa o cargo.
  O ex-presidente foi nomeado embaixador junto (adido) ao governo italiano.
Junto com é redundância, pois equivale a juntamente com. Melhor usar apenas [com]:
    Os empresários participaram da festa com os sindicalistas. (e não: junto com)
    Saiu com o diretor. (e não: junto com) ®Sérgio.

domingo, 30 de agosto de 2009

ESTRANHA ILUSÃO

"Todo o homem quando não devidamente espiritualizado, vive na estranha ilusão de que a sua influência sobre os outros homens provenha das suas palavras ou dos seus atos externos; acha que é o seu saber, a sua perícia, a sua eloqüência que conduz as almas do erro à verdade, das trevas à luz. É dificílimo tirá-lo dessa ilusão [...]. O que influi sobre os outros, o que os comove, abala, arrasta, ilumina, converte, santifica, é, em última análise, a nossa espiritualidade e não a nossa ardente e espalhafatosa atividade."
(Humberto Rohden, filósofo e educador)

KHALIL GIBRAN: NA CIDADE DOS POBRES - Seleta de Prosa

Gibran Khalil Gibran, assim assinava em Árabe. Nasceu em 6 de dezembro na cidade de Bicharre, no Líbano. Gibran publica entre 1905 e 1920 sete livros em árabe (após sua morte é publicado o oitavo). Entre 1918 e 1931, produz mais oito livros, todos publicados em língua inglesa (após sua morte publicou-se mais dois). Morreu em Nova Iorque a 10 de abril. Foi enterrado em sua terra natal na vertente de uma colina, num velho convento cavado na rocha, onde sonhara ir viver seus últimos anos. Em cima do seu túmulo, esta simples inscrição: “Aqui, entre nós, dorme Gibran”.

O texto selecionado pertence ao seu sétimo livro Uma lágrima e um Sorriso, cujo original foi publicado em Árabe (1914). É composto pelos primeiros escritos árabes de Gibran (meditações, contos e parábolas) que foram publicados em um jornal local entre 1903 e 1908, quando tinha de 20 a 25 anos. O texto foi traduzido por Mansour Challita.

NA CIDADE DOS POBRES

Ontem, libertei-me do barulho da cidade e saí a caminhar por arredores mais tranqüilos até atingir um cume elevado que a natureza havia enfeitado com suas jóias mais belas. Diante de mim, estendia-se a cidade com seus arranha-céus e suas mansões, sob as densas nuvens de fumaça dos veículos e das indústrias.

Ante aquele lugar bucólico, me ponho a meditar sobre as atividades humanas. Achei-as, na sua maioria, mera agitação e fadiga. Esquecendo o homem, desviei o olhar para o campo, sede da glória divina e, não muito distante, vi uma necrópole, com seus túmulos de mármore rodeados por pinheiros.

Frente à cidade dos vivos e à dos mortos continuei a pensar. Pensava no movimento permanente e na luta incansável da primeira, e na quietude e paz que dominam na outra. Na primeira, lutam a esperança e o desespero, o amor e o ódio, a pobreza e a opulência, a fé e o ceticismo. Na outra a natureza acumula pó sobre pó, e neles ela cria, tranqüilamente, árvores e flores.

Enquanto me entregava a essas meditações, chamou-me a atenção uma multidão que avançava, vagarosamente, precedida por um elegante carro fúnebre engalanado por coroas de flores de muitas cores. No cortejo havia majestade, poder e homens de todas as classes. Era o funeral de alguém rico e poderoso: um cadáver que os vivos levavam para sua nova morada entre choros e lágrimas. Quando o cortejo atingiu o mausoléu e o ataúde era retirado de sua condução, consegui distingui-lo. Estava recoberto de elaboradas inscrições, desenhos e cercado por suntuosas coroas de flores. Agruparam-se todos a sua volta; um sacerdote tomou a frente de todos para orar, salmodiar e queimar incenso. Depois, sucederam-se os oradores e os poetas com suas elegias. Enfim, dispersou-se a multidão; voltou o cortejo à cidade, enquanto eu continuava a observá-lo de longe e a meditar.

Logo, o sol começou a descer para o poente, prolongando cada vez mais a sombra das árvores, e a natureza despiu pouco a pouco seu vestido de ouro. A um ruído, me virei e vi dois homens carregando um caixão de madeira comum, seguido por uma mulher em farrapos que segurava uma criança no colo e por um vira-lata miserável que olhava ora para a mulher, ora para o caixão. Era o enterro de um pobre. A mulher era sua esposa, que vertia as lágrimas da dor; a criança era seu filho, que chorava quando via a mãe chorar; o cachorro era seu amigo fiel, que pressentia o que se passava e andava com tristeza.

Chegou o pequeno cortejo ao cemitério; e logo foram enterrar o morto num canto distante, longe dos túmulos de mármore. Depois, afastaram-se num silêncio comovente. Observei-os, até desaparecerem por detrás das árvores.

Olhei, então, para a cidade dos vivos, e disse a mim mesmo: Ela pertence aos ricos e poderosos. Olhei então para a cidade dos mortos, e disse a mim mesmo: Ela também pertence aos ricos e poderosos. Onde está, ó Deus, a cidade dos pobres e humildes?

Ao fazer a pergunta, fitei as densas nuvens coloridas pelos últimos raios de sol e ouvi uma voz no meu interior responder: “Lá!”. ®Sérgio.

EM NOME DE DEUS - Notas Biográficas

Vocês estão lembrados da escritora americana Anne Rice (64 anos) que entrou para o rol da fama com o livro “Entrevista com Vampiro”, transformado em película de grande sucesso, principalmente nas bilheterias dos cinemas pelo mundo afora?

Dizer que entre o céu e a terra há mais mistérios do que sonha nossa vã filosofia, vocês certamente diriam que a frase é do tempo em que «omo-sexual» era sabão em pó para as partes íntimas, porém quem explicaria os últimos acontecimentos da vida de Anne Rice?

Primeiro, ela perde uma filha para a leucemia; depois o marido para o câncer no cérebro e, por último, ela própria esteve duas vezes à beira da morte. Não é algo «pra lá» de misterioso, tipo a maldição do faraó?

Certo é que a própria autora atribui todos esses sofrimentos a sua visão sombria do mundo e à saga estrelada pelo "Lestat" (protagonista de sua ficção), o vampiro mais famoso da literatura depois de Drácula.

Castigo ou pura fatalidade? Eu de mim não saberia dizê-los, porém Ana não pensou em questionar o assunto e mudou radicalmente seus conceitos religiosos e literários. Reconciliou-se com a religião católica e do ponto de vista literário, diz que fez a promessa de, de agora em diante, só escrever para, ou em nome de Deus.

De maneira, que o seu novo livro, Cristt the Lord — Out of Egypt, foi uma decepção para o público viciado naquele habitual enredo de bruxas e bebedores de sangue. Este tem o próprio Jesus, aos sete anos, narrando sua história com a linguagem e do ponto de vista de uma criança. Pelo visto, ela só não mudou a mania pelas sagas: já publicou o segundo volume da narrativa e pretende escrever no mínimo mais dois. ®Sérgio.