domingo, 10 de maio de 2009
CHORANDO - Seleta de Poemas
SAUDADES E DESALENTO - Fragmentos Poéticos
SAUDADES (fragmento)
Pálida sombra dos amores santos!
Passa quando eu morrer no meu jazigo,
Ajoelha ao luar e entoa um canto...
Que lá na morte eu sonharei contigo.
DESALENTO (fragmento)
Feliz daquele que no livro d’alma
Não tem folhas escritas
E nem saudade amarga, arrependida,
Nem lágrimas malditas!
Manuel Antônio Álvares de Azevedo (São Paulo, 1831 — Rio de Janeiro, 1852) poeta da segunda geração romântica (Ultra Romântica, Byroniana ou Mal do Século), contista, dramaturgo, escritor e ensaísta brasileiro. ®Sérgio.
SELETA DE PENSAMENTOS
A CAÇADA - Recontando Contos Populares
A ARTE DE VIAJAR NO TEMPO E NO ESPAÇO
“Depois de ter mergulhado com Dafne no lago que Narciso mirou-se; depois de ter chamuscado os pés em Pompéia; depois de ter corrido no vácuo com os átomos de Epicuro; depois de haver calculado números com Pitágoras e ouvido sua música; depois de ter percorrido as muralhas da China e de ter passado por algumas regiões da metafísica e da loucura; quis, enfim, adormecer”.
Condenados a uma existência que nunca está à altura de nossos sonhos, tivemos de inventar um subterfúgio para escapar do nosso confinamento: a «ficção». Ela nos permite viver mais e melhor, sermos outros sem deixar de sermos o que somos; deslocarmos-nos no espaço e no tempo sem sairmos do nosso lugar nem da nossa hora, e vivermos as mais ousadas aventuras do corpo, da mente e das paixões, sem perdermos o juízo ou trairmos o coração.
Depois de haver vivido, nem que seja de modo fugaz, a outra vida (a fictícia, criada pela nossa imaginação à medida de nossos desejos), você irá compreender que ela é a compensação e consolo pelas muitas limitações e frustrações que fazem parte de todo destino individual. ®Sérgio.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
AS LENDAS POLITICAMENTE INCORRETAS
AFORISMO: O LIVRO DE UMA LINHA
COISAS DA VIDA CONJUGAL
Não inventei o que vou lhes contar, nem inventou o amigo que me contou o fato com todas as circunstâncias e um dia em conversa, fez resumidamente a narração que me ficou na memória e aqui vai tal qual.
Na noite da véspera de Natal, meu amigo ganhou duas belas camisas de sua sogra.
No dia seguinte, Natal, o almoço era na casa da sogra. Para agradá-la, ele resolveu vestir uma das camisas que ganhara.
Vestia a camisa quando sua mulher entrou no quarto e observou:
— Por que você está usando essa camisa, não gostou da outra?
Lembrei-me do Caco Antibes, em “Sai de Baixo”:
— Cala a boca, Magda!!!
Depois de ouvir o relato de meu amigo disse-lhe:
— Se lhe servir de consolo, também passei por coisa semelhante.
Certa ocasião, tentava consertar, sem sucesso, o vazamento do cano de escoamento da pia da cozinha - aquele cano que fica naquele cubículo embaixo da pia. Pois então, estava eu, lá, naquele cubículo, com parte do corpo espremido, molhado e minha mulher a assistir o trabalho, quando soltou este conselho:
— É melhor arrumarmos um homem para esse serviço!
Salve-se quem puder!!!
Em Tempo: Se você já passou por situação parecida, não é o único, console-se. ®Sérgio.
EM DEUS MEU CRIADOR
quinta-feira, 7 de maio de 2009
ENTRAR DE FÉRIAS ou EM FÉRIAS?
quarta-feira, 6 de maio de 2009
SOBRE UM DEPRIMIDO
É bem difícil julgar vultos do passado. Existiram homens estranhos, paradoxais que provocaram opiniões apaixonadas e, ainda hoje, continuam a ser bastante discutidos. O fator tempo, nossas simpatias, idiossincrasias, influem de modo decisivo em nossos julgamentos.
Na História da Humanidade também iremos encontrar muitos homens célebres que sofreram das mais variadas doenças. Veja-se Alexandre da Macedônia, que depois de derrotar Dario - rei dos Persas, de conquistar todas as fortalezas, de vencer todos os reis da terra e avançado até os confins do globo; caiu enfermo e compreendeu que ia morrer.
Dentre essas doenças muitos sofriam de depressão. Porém, destes, raros foram os que nunca se renderam totalmente ao seu desespero de deprimido.
Falo de um homem singular, Paulo VI, Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini (1897 - 1978), foi Papa da Igreja Católica Romana do dia 21 de junho de 1963 até a data da sua morte, em 06 de agosto de 1978.
Um heróico deprimido, que como poucos, teve do mundo e dos homens uma visão tão angustiada e ao mesmo tempo cheia de esperança. Não muito antes que a morte o levasse, no final de uma tarde de verão, fez sua última anotação:
“Esta vida mortal, apesar das suas preocupações, dos seus mistérios obscuros, dos seus sofrimentos e da sua caducidade fatal, é um fato belíssimo, um prodígio sempre original e comovente, um acontecimento digno de ser cantado em [prosa e verso¹].”
Quando li suas últimas palavras diante deste mundo de Deus, recordei-me de um trecho do poema "Em Deus, meu Criador" de José de Anchieta, que, a bem da verdade, poderia ter sido o “adeus” de Paulo VI:
Contente assim minh'alma,
Do doce amor de Deus,
Toda ferida,
O mundo deixa em calma,
Buscando a outra vida,
No qual deseja ser
Absorvida.²
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1- Inserção feita por mim. No original está escrito: “em alegria e glória”.
2 - No poema "Em Deus, meu Criador", Anchieta traduz a sua visão do mundo arredia em relação aos bens terrenos.
A MÁXIMA DE LEONARDO DA VINCI
Há um episódio na vida de Leonardo da Vinci, que ele registrou no seu bloco de notas:
Era um sábado, feriado santo, e um padre fazia a ronda de sua paróquia abençoando as casas com água benta. Ao entrar na sala do pintor, o padre foi logo espalhando água benta sobre algumas obras de Leonardo.
— Por que o senhor está molhando as minhas pinturas?
Perguntou Leonardo aborrecido.
— Esse é o meu dever! Disse o padre.
Depois explica:
— Segundo a promessa divina, quem pratica o bem na terra recebe o dobro no céu.
Leonardo esperou o padre terminar a bênção e subiu para o andar de cima de sua casa e se postou na janela que ficava bem acima da porta por onde o padre sairia. Quando este saía, despejou uma bacia de água sobre a cabeça do padre e disse-lhe:
— Eis o dobro que está vindo de cima em retribuição ao bem que acabou de me fazer com a água benta, arruinando metade de minhas obras.
Leonardo di ser Piero da Vinci (1452 —1519) foi pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, matemático, fisiólogo, químico, botânico, geólogo, cartógrafo, físico, mecânico, escritor, poeta e músico do Renascimento italiano. É considerado um dos maiores gênios da história da Humanidade. Não tinha propriamente um sobrenome, sendo "di ser Piero" uma relação ao seu pai, "Messer Piero" (algo como Sr. Pedro), e "da Vinci", uma relação ao lugar de origem de sua família, significando "vindo de Vinci". Leonardo era filho ilegítimo de Piero da Vinci com uma camponesa. Assinava seus trabalhos apenas como Leonardo sem o da Vinci. Calcula-se que assim fazia por ser filho ilegítimo. ®Sérgio.
A INVEJA É O DIABO...
À TOA ou À-TOA?
UM MISTO ESTRANHO DE MALDADE E BONDADE
terça-feira, 5 de maio de 2009
A ALMA QUE NÃO NASCEU - Recontando Contos Populares
Era uma vez um advogado muito velhaco e sabido como não havia outro. Ninguém o enganava e ele gabava-se de haver "engazopado" toda a gente com quem tinha negócios.
Era já sabido, naquela época, que alma de advogado não entrava no céu. Mas como o causídico era fino como um rato e não havia notícia de jamais haver perdido uma demanda, quando morreu foi bater à porta de S. Pedro.
O santo mal abriu à porta e deu de cara com ele, recuou espantado da tamanha ousadia.
— Não se espante, meu Santo, quero entrar no céu. Estou arrependido, venho suplicar a sua misericórdia.
— Impossível, respondeu São Pedro. Siga o teu destino, já que foi o maior velhaco de tua região.
Mas, o advogado tanto fez e aconteceu que o santo lhe dirigiu a seguinte proposta:
— Permito que entre no "quarto" das almas, às escuras, e da lá me traga a alma de Adão. Se conseguir, visto que é esperto, entrara no céu.
Assim se fez. E daí a pouco voltou o advogado com a alma de Adão.
São Pedro que queria apenas brincar com ele, ficou muito admirado daquele feito, e exclamou:
— Mas como conseguiu descobrir essa alma em meio de milhões de outras!?
O bacharel respondeu:
— É que não sou tolo, meu Santo. Estando todas as almas nuas, fui apalpando e quando encontrei a que não tinha umbigo, já sabia ser de Adão que, como reza a Sagrada Escritura, não nasceu. Não podia, por isso, ter umbigo.
São Pedro, nada tendo de responder, deixou o advogado entrar no céu. E foi assim que, pela primeira vez, entrou no céu uma alma de advogado (¹).
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(1) Este conto foi parafraseado de uma lenda que corre em variantes na França, na Espanha, em Portugal e, em outros países da Europa.



