segunda-feira, 22 de julho de 2013

O EUFEMISMO - Figuras de Linguagem

O eufemismo é uma espécie de perífrase, ou seja, é atenuação, a substituição - por motivos religiosos, éticos, supersticiosos ou emocionais - de uma palavra ou expressão de sentido rude, desagradável, por outra de sentido agradável ou menos chocante. Por exemplo, a infinidade de eufemismo popular para dissimular o nome do Diabo: Arrenegado, Cão, Coisa-ruim, Tinhoso, etc.
[...] pelo menos ele descansou.
A utilização do verbo descansar atenua o impacto da ideia de "morrer". A morte, na nossa cultura, ê considerada algo desagradável, assustador, daí a grande quantidade de eufemismos criados e utilizados para designar essa ideia - falecer, passar desta para a melhor, ganhar a vida, etc.:
  Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao senhor.
  Quando a indesejada da gente chegar. (Manuel Bandeira)
  Era uma estrela divina que ao firmamento voou! (A. de Azevedo)
Expressões populares como: Ir para a terra dos pés juntos; Comer capim pela raiz; Vestir o paletó de madeira; são exemplos de eufemismo, porém o caráter cômico dessas expressões em situações de grande impacto como a morte, subtrai a função do eufemismo.
Outros exemplos:
  Ele faltou com a verdade. (= mentiu)
  [...] trata-se de um usurpador do bem alheio. (= ladrão)
  Vivia de caridade pública. (= esmolas) (Machado de Assis)
  O aluno foi convidado a sair da escola. (= expulso da escola)
  Paulo não foi feliz nos exames. (= foi reprovado)
  Enriqueceu por meios ilícitos. (= roubou)
  Querida, ao pé do leito derradeiro. (= túmulo) (A. de Azevedo)

Como se vê, no eufemismo, existe uma intenção, por parte do falante ou do escritor, de não chocar o seu interlocutor ou leitor. ®Sérgio.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O DILÚVIO SEGUNDO A MITOLOGIA GREGA

A mitologia grega desde a sua criação conheceu várias épocas, que a história batizou de Idades. Na primeira delas, a Idade do Ouro, todos eram felizes. Reinavam a verdade e a justiça, não havia juízes para ameaçar ou punir. A velhice não existia, tampouco as doenças. Reinava uma primavera permanente, os alimentos brotavam da terra por si só.
Depois dessa idade feliz seguiu-se a Idade da Prata, nela Zeus (Júpiter) reduziu a primavera e dividiu o ano em estações. Pela primeira vez o homem teve de sofrer os rigores do calor e do frio. Tornou-se necessário plantar para colher.
Veio a Idade do Cobre na qual começaram as disputas entre os homens, até que se chegou, finalmente, à Idade do Ferro. Nessa idade a violência propagou-se pela Terra. O hospede não se sentia em segurança na casa em que se hospedara; os genros e sogros, os irmãos e irmãs, os maridos e as mulheres não podiam confiar um nos outros. Os filhos desejavam a morte dos pais, a fim de lhes herdar a riqueza. A paz abandonou definitivamente a Terra.
Vendo então o estado das coisas, Zeus indignou-se e convocou os deuses para um conselho. Convocado o conselho dos deuses, todos obedeceram e tomaram o caminho do palácio do céu. Esse caminho pode ser visto no céu em todas as noites claras, a chamada Via Láctea, e ao longo dela fica os palácios dos deuses ilustres; a plebe celestial vive à parte, de um lado ou do outro.
O Dilúvio de Deucalião.
Dirigindo-se à assembléia, Zeus expôs as terríveis condições que reinavam na terra e encerrou suas palavras anunciando a intenção de destruir todos os seus habitantes e fazer surgir uma nova raça diferente da primeira, que seria mais digna de viver e saberia melhor cultivar os deuses. Tomou o seu raio, e já ia despedi-lo contra o mundo, destruindo-o pelo fogo, quando percebeu o perigo que um incêndio teria para os próprios deuses. Decidiu então inundar a Terra. O vento norte que espalha as nuvens foi aprisionado; o vento sul foi solto e em breve cobriu todo céu com escuridão profunda, torrentes de chuva caíram; as plantações inundaram-se. Não satisfeito com suas próprias águas, Zeus pediu ajuda de seu irmão Poseidon (Netuno). Este soltou os rios e lançou-os sobre a Terra. Ao mesmo tempo sacudiu-a com um terremoto e lançou o refluxo dos oceanos sobre as praias. Rebanhos, animais, homens, casas e templos foram tragados pelas águas. De todas as montanhas, apenas a do Parnaso ultrapassava as águas. No entanto, Zeus resolveu poupar da destruição um homem e sua esposa, que considerava os únicos justos sobre a face da Terra. Deucalião e Pirra eram seus nomes.
Avisado do dilúvio, Deucalião construiu um barco de madeira para salvar sua esposa e levar mantimentos. Ao verem que tudo naufragava sob as ondas impetuosas, Deucalião abraçou-se à esposa, e foram ambos refugiar-se no barco. Durante nove dias e nove noites o casal vagou pela água dentro do barco. No décimo dia, o barco encalhou no Monte Parnasos. Quando Zeus viu que apenas eles haviam sobrevivido ao dilúvio, cessou a tempestade e Poseidon retirou as suas águas. ®Sérgio.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

DIZER “O QUÊ” ou “O QUE”...?

Diz a regra que escreve-se o "que" com acento para indicá-lo como monossílabo tônico, da mesma forma que se faz com dê, lê, sê. Essa tonicidade ocorre com o "que" quando interjeição ou substantivo e quando pronome no final da frase.
Por outro lado, há um caso que deixa o escrevedor em dúvida. É o que se pode ver, por exemplo, quando o "que" soa como tônico, mas não vem no fim da frase de sentido completo que se conclui com um ponto final, de exclamação ou de interrogação. É para destacar essa tonicidade que alguns escrevedores usam o "que" acentuado no meio da frase, ou antes, de acabado o período:
  Dizer o quê, Fernando?
  Está pensando em quê, Maria?
Convém ter-se presente que, nesses casos, não se pode considerar o acento gráfico um erro. Entretanto, em termos práticos, não é uma boa opção ignorar a gramática e acentuar o "que" situado no meio da frase:
  Por que, professor?
  Vamos fazer o que, Carlos? ®Sérgio. 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

sábado, 15 de junho de 2013

A ARMADILHA DE ZEUS

Para punir o titã Prometeu e seu irmão Epimeteu pela ousadia de furtar o fogo divino, Zeus armou uma armadilha: Ordenou que Hefesto, o deus-ferreiro do mundo subterrâneo, fizesse a mulher.
Hefesto fez uma mulher belíssima, fascinante e cada um dos deuses do olimpo contribuiu com algum atributo para aperfeiçoá-la. Recebeu de Atena a arte da tecelagem, de Venus a beleza e o poder de sedução, de Hermes as artimanhas e assim por diante. Por fim, batizou-a como Pandora (pan = todos, dora = presente) e mandou-a à Terra ao atrapalhado Epimeteu, que, despeito da advertência de seu irmão para ter cuidado com Zeus e seus presentes, ingenuamente a aceitou.
A vingança planejada por Zeus estava contida numa grande e belíssima caixa de marfim, que foi levada como presente de núpcias para Epimeteu com a seguinte instrução: jamais, em hipótese alguma, deveria abrir aquela caixa.
Pandora, levada pela curiosidade feminina, Resolveu abri-la. Ao fazê-lo descobriu que a caixa continha todas as desgraça da humanidade, ou seja, nossos vícios: egoísmo, crueldade, inveja, ciúme, ódio, intriga, ambição, desespero, tristeza, violência e todas as outras coisas que causam miséria e infelicidade. Rapidamente a fechou, mas todas as desgraças e calamidades já haviam escapado, restando apenas à Esperança.
Com a liberação de todos nossos vícios, o paraíso terrestre acabou; o homem e a mulher antes imortais tornam-se mortais, e assim, conhecem a dor e o sofrimento que antes não existiam. O Fogo Olímpico que ardia no interior do homem quase apagou. Restou apenas uma centelha que é a própria Esperança de um dia regressar ao Paraíso Perdido. ®Sérgio.

domingo, 9 de junho de 2013

O COVEIRO E O BÊBADO

Por diversas vezes resisti à tentação de compartilhar com vocês esta Fábula de Millôr Fernandes¹, a tentação, porém, acabou vencendo-me:
Ele foi cavando, cavando, pois sua profissão – coveiro – era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que sozinho não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouvia um som humano, embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais do mato. Só pouco depois da meia-noite é que lá vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia: “O que é que há?”
 O coveiro então gritou desesperado: “Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível!” – “Mas, coitado!” – condoeu-se o bêbado. – “Tem toda a razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho!” E, pegando a pá, encheu-a de terra e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.
Moral: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem apela. ®Sérgio.
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¹ - Fernandes, Millôr, Socorro. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro, Nórdica, 1977. p.13.

O GATO E O RATO

Contaram-me esta fábula moderna, que achei "pra lá de ótima". Com a devida licença, conto para vocês. Mas vou logo explicando que o amigo que me contou essa história, não se lembra quem lhe contou, e que não inventei nada, vou escrevê-la da maneira que ouvi.
O ratinho na toca e do lado de fora o gato:
— Miau, miau, miau...
O tempo passava e do lado de fora o gato continuava:
— Miau, miau, miau...
Depois de passadas muitas horas e já com muita fome o rato ouviu:
— Au! Au! Au!
Então deduziu: "Se tem cachorro lá fora, o gato foi embora". Mal terminou sua dedução, saiu disparado em busca de comida.
Nem bem saiu da toca, o gato, Crau!
Inconformado, já na boca do gato, perguntou:
— Pô gato! Que sacanagem e essa????
E o gato respondeu:
— Meu filho, hoje, nesse mundo "globalizado", quem não fala, pelo menos, dois idiomas... morre de fome... ®Sérgio.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

OS ANIMAIS E A PESTE

Em certo ano terrível de peste entre os animais, o leão, mais apreensivo, consultou um macaco de barbas brancas.
— Esta peste é um castigo do céu – respondeu o macaco – e o remédio é aplacarmos a cólera divina sacrificando aos deuses um de nós.
— Qual? – perguntou o leão.
— O mais carregado de crimes.
O leão fechou os olhos, concentrou-se e, depois duma pausa, disse aos súditos reunidos em redor:
— Amigos! É fora de dúvida que quem deve sacrificar-se sou eu. Cometi grandes crimes, matei centenas de veados, devorei inúmeras ovelhas e até vários pastores. Ofereço-me, pois, para o sacrifício necessário ao bem comum.
A raposa adiantou-se e disse:
— Acho conveniente ouvir a confissão das outras feras. Porque, para mim, nada do que Vossa Majestade alegou constitui crime. São coisas que até que honram o nosso virtuosíssimo rei Leão.
Grandes aplausos abafaram as últimas palavras da bajuladora e o leão foi posto de lado como impróprio para o sacrifício.
Apresentou-se em seguida o tigre e repete-se a cena. Acusa-se de mil crimes, mas a raposa mostra que também ele era um anjo de inocência.
E o mesmo aconteceu com todas as outras feras.
Nisto chega à vez do burro. Adianta-se o pobre animal e diz:
— A consciência só me acusa de haver comido uma folha de couve da horta do senhor vigário.
Os animais entreolharam-se. Era muito sério aquilo. A raposa toma a palavra:
— Eis amigos, o grande criminoso! Tão horrível o que ele nos conta, que é inútil prosseguirmos na investigação. A vítima a sacrificar-se aos deuses não pode ser outra porque não pode haver crime maior do que furtar a sacratíssima couve do senhor vigário.
Toda a bicharada concordou e o triste burro foi unanimemente eleito para o sacrifício. (Monteiro Lobato, Fábulas.)
Moral da Estória: Aos poderosos, tudo se desculpa… Aos miseráveis, nada se perdoa. ®Sérgio.

terça-feira, 28 de maio de 2013

A FELICIDADE E A DEPRESSÃO

“Há uma perpétua distância entre mim e minha alegria e quanto mais procuro vivê-la mais me parece que ela se afasta de mim: como se os esforços que faço para conquistar a luz só servissem para tornar mais espessa e impenetrável à cortina que me separa dela.” (Jacques Lavigne)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A LENDA DO OVO

Vivia num belo país um casal humilde e feliz. O casal tinha tudo o que necessitava para viver em alegria. Um belo casebre, embora pequeno, com um bonito jardim, um rio que passava perto e um belo conjunto de árvores de diversos tipos. Sol brilhava radiante.
Mas um dia a tristeza começou a cobrir a casa. Havia uma coisa que o casal não tinha e desejava muito: filhos. Faltava-lhes o riso e as brincadeiras das crianças. Todos os dias acordavam com o mesmo desejo no coração.
Ora, numa bela noite estrelada, um raio de luz intenso entrou pela janela do quarto. Na sua cauda vinha sentada uma fada.
O casal ficou muito espantado, mas não se assustou porque sabia que a fada era boa. Então a fadinha começou a falar:
— Eu conheço os seus desejos, e já estava à espera que um dia isto lhes acontecesse. Fiz todo o possível para felicidade de suas vidas, mas calculei que não seria o suficiente. Pois bem, vou dar-lhes duas filhas, com dois anos de diferença. Terão de fazer com que elas sejam muito unidas, para que continuem a ser uma família feliz.
— Oh, sim! Nós prometemos boa fada. Isto foi tudo o que sempre desejamos - replicou o casal.
— Aviso-lhes que a tarefa não é fácil. Se o desejarem conseguirão cumpri-la, senão eu voltarei com melhor solução. E com estas palavras a fada desapareceu.
O casal ficou muito feliz e esperou ansiosamente pela chegada da primeira filha.
Um dia, finalmente chegou. Era uma linda menina. Tinha uma pele muito rosada, uns olhos claros e brilhantes e um belo cabelo muito louro, que mais tarde se tornou numa cabeleira loura. A esta filha, o casal deu o nome de Gema.
Tinham desejado tanto esta filha que lhe dedicaram todo o seu amor e acabaram por mimá-la demais.
Gema tornou-se indolente, vaidosa e preguiçosa, mas os seus pais não a achavam assim.
Passaram-se dois anos e a outra filha nasceu. Esta, ao contrário de Gema, não era tão bonita. O cabelo era muito claro, quase transparente como a água, a pele era muito branca - os olhos, esses, eram claros, cintilantes, a única semelhança com Gema. Os pais deram-lhe o nome de Clara.
As duas crianças cresceram felizes e muito brincalhonas, apesar das brincadeiras que Gema fazia a Clara. Elas pareciam gostar muito uma da outra. Gema era muito mais viva e brincalhona que Clara e muito mais forte também. Clara era mais séria e trabalhadora. Gema irritava-se com Clara, pois esta, nem sempre queria brincar, e por isso passava a vida a apoquentá-la.
O tempo foi passando e as maldades crescendo, assim como as arrelias que faziam uma à outra. Quando os pais repararam, já era tarde demais para que conseguissem mudar alguma coisa. A felicidade nunca mais voltou a reinar naquela casa. O tempo passou e a situação mantinha-se.
Um dia a fada voltou:
— Eu avisei-os, a tarefa não era fácil, não quiseram ouvir-me e deixaram que a alegria desaparecesse. Infelizmente, terei que agir e como castigo ordeno que Clara e Gema se unam num só alimento, rico e completo. As duas partes serão indispensáveis e assim vivam em conjunto para sempre.
Dizendo isto, apontou a varinha para Clara e Gema, apareceu uma luz muito forte e quando desapareceu no lugar das duas estava um ovo. E assim, Clara e Gema viveram juntas para sempre, tornando-se úteis para nós. O casal aprendeu bem a lição e a partir daí tiveram muitos filhos e filhas. ®Sérgio.
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Nota sobre o Texto: Alguns contos conseguiram manter suas autorias, outros, porém, como este, pularam das fronteiras do livro e do registro autoral e caíram na memória do povo, em tantas feições e línguas, que acabaram por passar ao domínio de ninguém, isto é, ao uso de todos.

sábado, 25 de maio de 2013

A QUEDA

Seleta de Poemas representa os poemas que li e me emocionaram ou me agradaram no conteúdo. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
A QUEDA
É terrível cair.
Não é apenas o orgulho que cai
Quando caímos,
Mas toda a segurança interior
Equilíbrio de cérebro e pessoa.
Caindo nos perdemos;
E alguma coisa fica lá em toda queda.
[...]
Os que já caíram,
No Paraíso, na rua, na História.
Na escada caiu Fidel.
Na aventura da Alice,
Caiu à própria Alice.
Caiu a mãe de Hamlet,
Caem as folhas no outono,
Mais triste quando cai à tarde.
E depois do primeiro homem
E da primeira mulher
Todos os grandes caem
Em seu dia e hora.
Caiu Saul, e Jonas, e Golias,
E também os muros que cercavam
Os poderosos donos de Jericó.
Caiu Tróia e caíram os Romanos.
Há grandeza nos que caem.
Não se respeitam, porém, as decaídas.
A gravidade é a negação da vida
Desde a invenção dos tempos.
Millôr Fernandes (1923) é poeta, desenhista, humorista, dramaturgo, escritor e tradutor brasileiro. ®Sérgio.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

SUPERSTIÇÕES E CRENDICES - Coisas de Nossa Gente

As lendas e crendices de nossa gente. São tão incontáveis e lindas por sua cativante ingenuidade, que não consigo conter o desejo de expor a vocês a minha antologia. Todas as lendas e crendices foram colidas em diversas fontes.
SUPERSTIÇÕES E CRENDICES
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• Quando passa um enterro, não se deve atravessar o acompanhamento, pois isso traz a morte para pessoas da família.
• Pôr o chapéu em cima da cama traz azar.
• Vaga-Lume dentro de casa impede o leite de coalhar.
• Mês de agosto não presta para fazer negócio.
• Varrer a casa à noite causa problemas financeiros ao lar.
• Não tenha coruja em casa porque é ave agourenta.
• Presente de lenço desfaz as amizades.
• Não presta acender só três velas para defunto; deve-se acender quatro.
• Acender muitas velas numa mesa ou numa sala chama defunto e atrai a morte.
• Coser roupa no corpo de pessoa viva atrai a morte.
• Se você e seu noivo já vivem juntos, passem a noite antes do casamento, separados.
• Quando o pedaço de pão cai no chão, não se deve apanhá-lo mais: pertence às almas. A não ser que lhe dê um beijo.
• Não se case em janeiro, para não ter problemas econômicos ao longo da sua vida conjugal.
• Quem pisa em rabo de gato não acha casamento por sete anos.
• Pôr o chapéu em cima da cama traz azar.
Mulher que está amamentando não deve visitar pessoa mordida por cobra. Se o fizer a pessoa morrerá.
• Quem passar por debaixo do arco-íris muda de sexo: o homem vira mulher, e a mulher vira homem.
• Viajar ou fazer mudança em sexta-feira dá azar de toda a espécie.
• Passar por baixo de escada dá azar e atrai desgraças.
• Quando está ventando muito forte é que o diabo está zangado.
• Quando se vê uma pessoa muito preguiçosa, é costume se dizer: Coitado, aquele ali o diabo cruzou os braços.
• Não fique de costa para o umbral de uma porta; dá azar.
• Quando a porta bate forte, após a nossa saída ou entrada em casa, foi o diabo que a fechou.
• Quando várias pessoas estão conversando e param repentinamente, é que algum padre morreu.
• Passar a vassoura, ao varrer a casa, nos pés de moça solteira, atrapalha o noivado ou casamento.
• Não use pérolas no dia do casamento; dizem que elas trazem má-sorte para os noivos.
• Três velas ou três lâmpadas acesas em um mesmo quarto podem ser prenúncio de morte.
Não se deve passar a ferro as costas da camisa de um homem: este se tornará desmoralizado, sem-vergonha etc.
• Colocar a vassoura atrás da porta, de cabeça pra baixo, espanta as visitas.
• Uma pessoa solteira que se senta à quina de uma mesa não se casará nos próximos sete anos.
• Não se deve olhar num espelho à luz de velas, traz azar.
• Guardar espelho quebrado atrai desgraças, dá azar.
• Se um homem levar uma vassourada fica impotente, a não ser que se vingue desferindo 7 vassourada com a mesma vassoura.
• Dentro de casa o guarda-chuva deve ficar sempre fechado. Deixá-lo aberto traz infortúnios e problemas aos familiares.
• Acender três cigarros com um mesmo palito de fósforo significa perigo.
Apontar estrelas com o dedo faz nascer berruga na ponta do dedo.
• Quando desaparece uma coisa qualquer, foi o diabo que levou. O jeito é esperar, porque quando ele não quiser mais, devolve.
• Saltar da cama, de manhã, com o pé esquerdo atrapalha a vida durante o dia todo.
Não presta comer cabeça de galinha: faz perder o juízo.
• Varrer a casa depois de alguém sair afasta os espíritos malignos.
• Casar no mês de agosto é casamento infeliz, porque agosto traz desgosto.
• Redemoinho de vento é diabo que está dançando. E se no redemoinho entrarmos, o diabo nos carrega.
• Não se deve chorar a morte de um anjinho, pois as lágrimas molharão as suas asas e ele não alcançará o céu.
• Perder a aliança do casamento deixa a pessoa viúva ou viúvo.
• Matar gato atrasa a vida de quem o matou por sete anos.
• Marcado o dia do casamento não devem os noivos comer mais qualquer coisa na própria panela em que o petisco foi feito, a fim de que não chova no dia do enlace.
• Colocar criança de colo, que ainda não fala, diante do espelho faz com que ela custe a falar.
• Homem velho que muda de casa, morre logo.
• Nas sextas-feiras, ao nos levantarmos, se virmos uma pessoa preta, o diabo vai nos atentar o dia inteiro.
• Deixar chinelo emborcado no meio da casa dá azar.  
• Coloque vaga-lumes sob um copo, e na manhã seguinte encontrará uma moeda junto deles.
• Varrer uma casa logo pela manhã afasta os espíritos malignos.
Borboleta preta é sinal de que algo de mal vai acontecer.
• Dormir com os pés para a porta da rua agoura morte.
• Duas pessoas juntas lavarem as mãos ao mesmo tempo provoca afastamento e desunião.
• Menino que brinca com fogo urina na cama.
• Não construa casa em local onde caiu raio. O lugar em que cai raio é lugar maldito.
Essas antologias estão reunidas no e-livro: CRENDICES, SUPERSTIÇÕES E SIMPATIAS DE NOSSA GENTE (clique no link para baixá-lo). 

SIMPATIAS E CRENDICES - Coisas de Nossa Gente

As lendas e crendices de nossa gente. São tão incontáveis e lindas por sua cativante ingenuidade, que não consigo conter o desejo de expor a vocês a minha antologia, todas colidas em diversas fontes.
1. SIMPATIAS
Para as moscas mudarem de sua casa, faça em jejum, e, em qualquer sexta-feira pela manhã, o seguinte pedido:
Moscas malvadas,
da sexta pro sábado
estejam mudadas.
Quando beber água de uma fonte, de um poço, ou doutro local qualquer. Diga antes de beber a água:
Aqui passou S. João,
Com uma cruzinha na mão.
Se esta água tiver baba,
Não me chega ao coração.
Quando uma visita está demorando a ir-se embora e começa a aborrecer joga-se um punhado de sal no fogo. A visita vai-se embora logo.
Para emagrecer, amarrar na cintura, por baixo das roupas, um cordão bem fininho.
Devemos sair de casa ou entrar em qualquer lugar, sempre com o pé direito, para evitar o azar.
Na hora de acordar, abra os dois olhos ao mesmo tempo para ver, durante o dia, tudo com clareza e não ser enganado por ninguém.
Quando se perde alguma coisa e não se consegue encontrar, toma-se uma palha de milho e damos-se nela três nós, com o que se amarra o diabo, e o objeto perdido aparecerá. Mas, depois de encontrá-lo não se deve esquecer-se de desmanchar os nós, se não tudo de ruim acontecerá na casa.
Queimar chifre de boi e casca de coco no canto da casa, à noite, espanta o capeta.
Ponha um caroço de melancia na testa e, antes que ele caia, faça um desejo.
Se tivermos um gato e formos mudar de casa, é bom passar manteiga em suas patinhas, para que ele não volte para a casa antiga.
Pôr um chifre de boi estrepado na ponta de um pau, no terreiro, espanta o capeta.
Para garantir muito sol no seu dia de seu casamento, dias antes, leve alguns ovos a uma igreja de Santa Clara.
Quando tiver um tremor, é porque a morte passou por perto de você. Diga rápido: Sai morte, que estou bem forte.
Deixar um copo de vidro cheio de sal grosso no canto da sala traz sorte. ®Sérgio.

sábado, 18 de maio de 2013

PARADOXO - Figuras de Linguagem

Paradoxo é a reunião de idéias contraditórias e aparentemente inconciliáveis, num só pensamento, o que nos leva a expressar uma verdade com aparência de mentira. Quando falamos, por exemplo:
     ●   Eles são ricos pobres.
Tanto "rico" quanto "pobre" são adjetivos que se referem ao sujeito [eles]. Os dois adjetivos pertencem a uma mesma unidade da frase, ambos qualificam um mesmo ser. Mas estes dois adjetivos têm sentidos opostos. Estamos a conciliar dois julgamentos distintos: pensamos na riqueza deles porque têm dinheiro, mas simultaneamente na pobreza, por sabermos do vazio de vida que vivem, ou da aridez de alma.
Todo o paradoxo, em última análise, encerra uma antítese, porém uma antítese especial, que em vez de opor, enlaça idéias contrastantes: Antítese: Eu sou velho, você é moço. Paradoxo: Eu sou um velho moço.
O paradoxo revela-nos que a conciliação de contrários é possível e, por vezes, indispensável para se exprimir a verdade. Exemplos de paradoxos modernos: Inocente culpa / lúcida loucura / silêncio eloquente / ditadura democrática / ilustre desconhecido / um silêncio ensurdecedor / um supérfluo essencial / boatos fidedignos / espontaneidade calculada / mentiras sinceras / É proibido proibir. / Foi sem querer, querendo.
Quando Camões em célebre soneto sobre as contradições do amor, disse que esse sentimento:
“Amor é fogo que arde sem se ver, / É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente, / É dor que desatina sem doer.”
Criou um dos mais bonitos paradoxos do lirismo português. O contrário do paradoxo é o pleonasmo. ®Sérgio.

ANTÍTESE - Figuras de Linguagem

A língua latina, posteriormente, adotou a grafia de antithese, designando oposição, contraste. Antítese é uma figura de pensamento que consiste na aproximação de dois pensamentos de sentido antagônicos, contrários. O contraste pode realizar-se entre palavras, frases ou orações; geralmente ligadas por coordenação:
       Nesta cidade habitam o amor e o ódio.
   Você se preocupa com o passado; eu, com o presente.
   O esforço é grande e o homem é pequeno. (Fernando Pessoa)
   Amigos e inimigos estão, amiúde em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal. (Rui Barbosa)
A antítese, em outras palavras, harmoniza dois conceitos contraditórios numa só expressão, formando assim um terceiro. Este recurso expressivo veio a ter extraordinário desenvolvimento no Barroco; foi apreciado por poetas e prosadores, em particular, por Gregório de Mattos, Por exemplo, no poema A Instabilidade das Cousas do Mundo:
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, (antítese: nascer / morrer)
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura, (antítese: feio / belo)
Em contínuas tristezas a alegria. (...)
A antítese realça, dá ênfase a dualidade de sentimentos do poeta. Por isso eles a empregam com frequência. ®Sérgio.