segunda-feira, 29 de abril de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA E TIRADENTES
Durante os
interrogatórios feitos pelo governo português para descobrir "os
cabeças" da malograda conspiração mineira, todos os envolvidos procuraram
diminuir sua culpa e responsabilizar Tiradentes, o único participante pobre e
popular do movimento. Tomás Antônio Gonzaga, por exemplo, que nunca se dera bem
com Tiradentes, chega a chamá-lo numa de suas liras escritas na prisão, de «pobre,
sem respeito e louco». Gonzaga foi o inconfidente que melhor se deu bem no
exterior, tornando-se um verdadeiro magnata no exílio. Casou-se com Juliana de
Souza Mascarenhas, herdeira de uma das maiores fortunas de Moçambique, filha de
um riquíssimo "traficante de escravos". Quando morreu em janeiro ou
fevereiro de 1810, Gonzaga era juiz de alfândega de Moçambique. ®Sérgio.
sábado, 30 de março de 2013
A AFLIÇÃO DE ADOLF HITLER - Notas Biográficas
Rudolph Binion (psicohistoriador) em seu livro Hitler Entre os Alemães (1984)¹, considera que o ódio de Hitler
pelos judeus teria sido motivado por um incidente ocorrido em sua infância: a
morte de sua mãe. Nascido em Braunau, na Áustria, Hitler era o quarto filho de
Klara, que perdera os três primeiros, pequeninos ainda, pela difteria. Cinco
anos depois de Adolf nascia Edmund, que também morreria (de sarampo), e
finalmente Paula, que cresceria junto com Adolf. Klara, em vista da má sorte
com os filhos homens, agarrou-se tremendamente ao pequeno Adolf, que ela,
também, temia perder. Mãe e filho viviam numa associação afetiva.
Quando Klara desenvolveu câncer de seio, a aflição tomou conta da vida
de Adolf. Desesperado, ele decidiu contratar o Dr. Edmund Bloch, famoso médico
judeu, de honorários elevados. Este médico deixou como testemunho jamais ter
visto um jovem tão transtornado com a já esperada morte de sua mãe. Bloch
propõe usar, como única medida para tentar minorar o terrível sofrimento de
Klara, a aplicação de gaze embebida em iodo sobre as feridas cancerosas;
deixando bem claro que tal medida poderia envenenar a paciente. O jovem Hitler
insistiu em que tal tratamento fosse realizado e, de fato, Klara morreu da
intoxicação provocada pelo iodo; na verdade, o iodo apenas abreviou o curso de
sua morte, muito próxima e inevitável. Hitler sentia-se culpado desta morte e
por ter permitido o tratamento. Desde então, passou a nutrir um tremendo rancor
pelo médico e, evidentemente pelos judeus. ®Sérgio.
____________________
1- BINION, Rudolph. Hitler Entre os
Alemães. Northern Illinois University Press, 1984. Northern Illinois
University Press, 1984.
sexta-feira, 29 de março de 2013
A HERESIA GREGA
Em 500 a. C., o filósofo grego Anaxágoras concebeu a teoria de que o
Sol é uma massa de pedra ardente, do tamanho pouco maior que o território da
Grécia.
Foi preso, acusado de heresia. Para os
gregos o Sol era resultado do passeio do Deus Hélio pelo céu, a bordo de uma
carruagem com cavalos que soltavam fogo pelas narinas. ®Sérgio.
__________________________
Fonte: A Luz da
Ciência e da Fé, Revista Veja, 9 de março de 211; p. 84.
quarta-feira, 27 de março de 2013
DANTE E VIRGÍLIO NO INFERNO
A cada dia entro em meu estúdio cheio de alegria; à noite, quando a
escuridão me obriga a deixá-lo, mal posso esperar pelo dia seguinte. Se eu não
pudesse devotar-me à minha amada pintura eu seria um pobre coitado.
Este quadro representando Dante e Virgílio no Inferno (1850),
pintado por William-Adolphe Bouguereau, pintor francês, (1825–1905), foi
inspirado em uma cena de A Divina Comédia
de Dante
Alighieri, situado no oitavo círculo do Inferno (o círculo de
falsificadores e falsários), onde Dante, acompanhado por Virgílio, assiste a
uma luta entre duas almas condenadas: Capocchio, um herege e alquimista, é
atacado e mordido no pescoço por Gianni Schicchi que tinha usurpado a
identidade de um homem morto, a fim de reivindicar sua herança de forma
fraudulenta. Gianni Schicchi se joga em Capocchio, seu rival, com fúria através
de músculos, nervos, tendões e dentes. Ao fundo, vê-se um demônio sorrindo para
Dante e Virgílio, contemplando-os, parece deliciar-se com todo o cenário de
eterna angústia, sofrimento e terror. Em redor deles, os que sofrem as
respectivas consequências de suas existências materiais voltadas todas para a
violência. Há amargura e força nesta tela. ®Sérgio.
segunda-feira, 11 de março de 2013
A PARÓDIA
A crítica literária moderna reconhece
em Don Quixote de La Mancha a maior paródia (grego, paróidía) de todos os tempos. Ao parodiar as
peripécias do romance de cavalaria, Cervantes criticou a vaidade, a presunção
do gênero e criou a nova linguagem da ficção. De caráter lúdico (divertido) ou
ideológico e conteúdo crítico mais ou menos explícito, mas, sempre presente, a
paródia é a recriação cômica ou imitação burlesca (cômica) de uma obra. Um dos
livros do escritor Mário de Andrade, por exemplo, recebeu o título de A Escrava que não era Isaura, numa
referência cômica ao romance de Bernardo Guimarães, A Escrava Isaura.
A paródia é, geralmente, confundida com
a sátira, a paráfrase e a alusão. Entretanto, é possível estabelecer uma
distinção entre esses gêneros:
A sátira , por exemplo, censura um texto
preexistente, mas não o deforma. A paráfrase desenvolve, ou seja, reescreve um
texto preexistente, sem censurá-lo, não imita. A alusão faz, somente, uma
referência indireta a um texto preexistente.
Observe, a seguir, o fragmento do poema Canção do
Exílio (à esquerda), e a paródia (fragmento) escrita pelo poeta Murilo Mendes:
Nossos céus têm mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
|
Nossas flores são mais bonitas,
Nossas frutas mais gostosas,
Mas custam cem mil réis a dúzia.
Aí quem me dera chupar uma carambola
de verdade.
|
Embora conserve o tema de Gonçalves
Dias, Murilo Mendes corrompe e modifica o conteúdo, transformando a exaltação
de Gonçalves em ironia-crítica, criando, assim, uma paródia. ®Sérgio.
sábado, 9 de março de 2013
A PERSONAGEM OU O PERSONAGEM?
Em português, quase
todas as palavras terminadas em [-agem] são do gênero feminino: a ramagem, a
abordagem, a folhagem, a aparelhagem. Entretanto, no caso da palavra personagem,
atualmente, você tem três opções de uso. Vejamos:
1. Como
Sobrecomum Masculino - serve para
ambos os sexos, mas só tem a forma masculina. Portanto, se optar por esse tipo de substantivo uniforme, você deve usar sempre
a forma masculina, ou seja, o personagem, independente de ser homem ou
mulher: o personagem Jeca Tatu, o personagem Bentinho, o personagem Iracema, o
personagem Capitu: João e Maria são os
personagens de um conto de carochinha.
2. Como Sobrecomum
Feminino — serve para ambos os sexos, mas só tem a forma feminina.
Se a opção for esta, deve
usar sempre a forma feminina a personagem, também, independente de ser
homem ou mulher: a
personagem Jeca Tatu, a personagem Bentinho, a personagem Iracema, a personagem
Peri.
● João
e Maria são as personagens de um conto de carochinha.
3. Como Comum-de-Dois
— quando distinguimos o masculino e o feminino pelo termo que o antecede: [o],
[a], [teu], [tua], [esse], [essa] personagem. Assim, vamos usar a personagem quando mulher e o personagem quando homem: o personagem Hamlet, a personagem Aída.
● O personagem Visconde povoa o imaginário das crianças.
●
A personagem Narizinho
povoa o imaginário das crianças.
Observações:
1ª. Quando usar o termo personagem
sem a definição de gênero, isto é, de forma abstrata, coloque-o no
masculino (o personagem): Como ficarão os personagens (homens e mulheres) da oposição?
2ª. O Dicionário
Houaiss da Língua Portuguesa e o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, consideram personagem um substantivo
de dois gêneros. ®Sérgio.
quarta-feira, 6 de março de 2013
segunda-feira, 4 de março de 2013
O TERRÍVEL CRONOS
Os titãs nasceram da união entre Urano,
que representava o Céu, e Gaia, que seria a Terra. O poeta grego Hesíodo, que
viveu no século sete a. C., narra o surgimento dos titãs, numa obra clássica
chamada Teogonia:
Urano irritou-se, certa feita, com as
injúrias que imaginava receber de seus filhos. Por isso decidiu encerrá-los no
ventre de Gaia, a mediada que iam nascendo. Tendo de segurar em suas entranhas
os turbulentos titãs e suportar ao mesmo tempo, o assédio insaciável e
ininterrupto do marido, Gaia incentivou um de seus filhos, Cronos - o mais
importante dos titãs e o mais jovem também - a decepar os órgãos genitais de
Urano, fazendo com que este se afastasse dela. Gaia erguendo uma enorme foice
de diamante entregou-a ao filho para que mutilasse os órgãos genitais do pai.
Cronos apanhou a foice
e dirigiu-se para o local onde seu velho pai descansava. Ao chegar empunhou a
foice e a fez descer abaixo da cintura do pobre Urano. Seus testículos,
arrancados pelo golpe certeiro da foice, voaram longe e foram cair no oceano.
Imediatamente foram soltos todos os outros titãs, irmãos de Cronos, que era
agora o senhor de todo o universo. A partir de então, o mundo foi governado
pela linhagem dos Titãs que, segundo Hesíodo, constituía a segunda geração
divina.
Cronos se uniu a uma de
suas irmãs, Réia, com quem teve seis filhos (os Crónidas): três mulheres,
Héstia, Deméter e Hera e três rapazes, Hades, Poseidon e Zeus. Como tinha medo
de que os descendentes desafiassem seu poder sobre o mundo, ele engolia todos
os seus filhos. Esse medo era oriundo da praga que seu pai lhe lançara no dia
em que o mutilara com a foice: "Do mesmo modo que usurpou o meu mando
supremo, irá também perdê-lo pela mão de um dos seus filhos". Comeu todos
exceto Zeus, que Réia, depois de entregá-lo aos cuidados das ninfas da
floresta, enganou Cronos enrolando uma pedra em um pano, a qual ele engoliu sem
perceber a troca.
Após crescer e se
tornar forte, Zeus resolveu vingar-se de seu pai, solicitando para esse feito o
apoio de Métis - a Prudência - filha do Titã Oceano. Esta ofereceu a Cronos uma
poção mágica, que o fez vomitar os filhos que havia devorado.
Com a ajuda dos irmãos,
Zeus derrotou Cronos e outros titãs numa grande batalha chamada Titanomaquia, e
passou a ser o grande chefe de todos os deuses gregos. Cronos e seus aliados
foram presos para sempre no Tártaro, o mundo subterrâneo para onde iam os
mortos. O abismo de Tártaro é tão profundo que seus recessos estavam tão abaixo
de seus pés quanto o céu estava acima de suas cabeças. ®Sérgio.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
MARTÍRIO
Seleta de Poemas representa as poesias que
li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas
preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
MARTÍRIO
Beijar-te a fronte linda
Beijar-te o aspecto altivo
Beijar-te a tez morena
Beijar-te o rir lascivo
Beijar o ar que aspiras
Beijar o pó que pisas
Beijar a voz que soltas
Beijar a luz que visas
Sentir teus modos frios,
Sentir tua apatia,
Sentir até repúdio,
Sentir essa ironia,
Sentir que me resguardas,
Sentir que me arreceias,
Sentir que me repugnas,
Sentir que até me odeias,
Eis a descrença e a crença,
Eis o absinto e a flor,
Eis o amor e o ódio,
Eis o prazer e a dor!
Eis o estertor de morte,
Eis o martírio eterno,
Eis o ranger dos dentes,
Eis o penar do inferno!
• Luís José Junqueira Freire (1832 —1855 ) ®Sérgio.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
A FARSA
A farsa - principal forma de teatro cômico medieval -,
despontou no crepúsculo da Idade Média francesa, por volta do século XVI. A
princípio consistia numa breve peça cômica, apresentada, a modo de intervalo,
no meio dos mistérios (peça de longa duração sobre a história da religião);
mais tarde passou a desenvolver existência autônoma. Por sua origem cômica, a
farsa tende para a comédia de costumes e de caracteres.
Dentre todas as peças
curtas do teatro profano, este tipo pretende provocar o riso sem intenção
didática ou moralizante; mas sim, a partir de exageros tirados da observação da
vida quotidiana. A farsa depende mais da ação do que do diálogo; mais dos
aspectos externos (cenários, roupas, gestos, etc.) do que do conflito
dramático. É simples (não usa alegorias), é maliciosa, grosseira e direta (vai
diretamente as coisas). Mostra gente do povo em seu ambiente familiar. Seus
personagens, em número restrito, são tirados da vida urbana em desenvolvimento.
Não estão investidos de requintes psicológicos, mas representam "condições" (marido, mulher, amante, patrão, empregado),
ou tipos facilmente reconhecíveis tomados à burguesia
(o comerciante, o advogado, o louco, o
médico, o tolo, etc.). Seu esquema repousa no trapalhão, enganado por
alguém mais esperto.
A farsa se distingue da
comédia propriamente dita por não observar regras de verossimilhança e difere
da sátira ou da paródia por não pretender questionar valores. Também é possível definir a farsa como o oposto da
fábula, na medida em que a farsa, ao contrário da fábula, apresenta o que se
pode denominar de uma falso moral.
Dentre os numerosos exemplares desse gênero (mais
de cento e cinquenta) produzidos entre 1440 e 1560, época de seu florescimento,
destaca-se La Farce de Maîte Pathélin, composta entre 1460 e 1470. Após exercer
notável influência sobre o teatro seiscentista (Molière, Shakespeare, Commedia
Dell'arte) a farsa continou até nossos dias com Labiche, Tristan Bernard, para
citar apenas dois nomes. A comédia romântica, não raro, utilizou expedientes
peculiares a farsa. ®Sérgio.
O BURLESCO
Termo proveniente do
latim burrula = gracejo, brincadeira,
farsa; em italiano burla e em
francês burlesque.
O Burlesco rotula as
obras literárias ou teatrais que visam à comédia de obras clássicas de assunto
sério como as epopeias, por meio do ridículo, da zombaria ou da paródia; quer
dizer, transveste o nobre em vulgar. Tomemos como exemplo a obra Virgile
Travesti (1648) do autor francês
(século XVII) Paul Scarron, uma paródia ao poema épico de Virgílio. Scarron foi
o primeiro autor a empregar o termo burlesco (1643) e adotá-lo como rótulo de
sua paródia. Do mesmo autor, destaca-se: Le
Roman Comique (1651), em que satiriza a vida e os costumes provincianos da
época. Na frança o burlesco perdurou até 1660.
O Burlesco acabou por
migrar para outras formas de exposição pública, como a rádio e a televisão,
sendo que hoje muitos espetáculos musicais e humorísticos da televisão e do
teatro devem seu sucesso ao burlesco. ®Sérgio.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
A ONÇA, O BURRO E A RAPOSA - Recontando Contos Populares
No tempo em que os animais falavam a Onça,
o Burro e a Raposa, se juntaram para uma caçada. Os três conseguiram abater um
animal muito grande, e a Onça pediu ao Burro que repartisse a caça, para cada
um ter a sua porção.
O Burro partiu o animal em três porções
iguais, e disse a Onça e à Raposa que escolhessem suas partes.
A Onça zangou-se por não receber uma
porção maior, e atirando-se ao Burro, comeu-o. Depois, disse para a Raposa:
— Agora pegue a sua
porção!
A Raposa pegou para ela
só um bocadinho da caça; juntou o resto e disse a Onça:
— Pegue o resto. Para
mim chega essa porçãozinha!
Diz a Onça:
— Beleza! Quem te
ensinou a repartir assim?
Responde a Raposa:
Quem foi?! Foi a
desgraça do pobre Burrico.
Salve-se quem puder! ®Sérgio.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
O ANIMISMO OU PERSONIFICAÇÃO
Também
chamada de prosopopeia. A personificação atribui vida
ou qualidades humanas a seres inanimados, irracionais, ausentes, mortos ou
abstratos. A humanização ou animismo pode dar-se de vários modos, a saber:
a) Quando se conferem a objetos
inanimados e a abstrações qualificativos próprios do ser humano, por exemplo: O dia
amanheceu enfurecido.
b) Ao emprestar às coisas inanimadas poder de ação peculiar aos
seres humanos: A chuva semeou um pouco de esperança
no solo calcinado.
c) Quando nas
apóstrofes, nos dirigimos aos seres inanimados como se fossem capazes de
inteligência ou compreensão: E tu, nobre Lisboa, que no mundo [...]. (Camões)
d) Quando a matéria inerte e os seres abstratos adquirem [voz], como, por exemplo,
no Criton, diálogo acerca de Sócrates na prisão, em que Platão põe as Leis a
falar.
A mais genialmente arrojada prosopopeia da
língua portuguesa é, sem dúvida, a personificação do Cabo das Tormentas na
figura do Gigante Adamastor. (Camões, Os Lusíadas, V, 39-59.)
Há, todavia, quem estabeleça distinção
entre Prosopopeia, Personificação e Animismo, reservando os dois primeiros para
referir a atribuição de qualidades ou comportamentos humanos a seres que não o são
e o último para a expressão de sinais ou comportamentos vitais atribuídos a
coisas inanimadas, como as rochas, os metais, os objetos, etc.; mas sem os
elevar à categoria de humanos. Exemplificando:
●
As árvores torciam-se e gemiam,
vergastadas pelo vento. (Prosopopéia
e personificação)
●
Chegada à noite, os cumes das montanhas e os picos das serras
deixavam-se adormecer no travesseiro celeste. (animismo) ®Sérgio.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
AS DUAS MÃES
Seleta de Poemas representa as poesias que
li e me tocaram a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas
preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
AS DUAS MÃES
Numa igreja se encontraram
Duas mães em certo dia;
Uma entrava, e nesse instante,
Toda cheia de alegria,
Orgulhosa e triunfante,
Levava, chegando ao peito,
Um filhinho a batizar.
Outra, a infeliz que saía
Levava um filho também...
Oh! Mas essa pobre mãe
Levava um filho a enterrar!
Cruzaram-se, a poucos passos,
Cheio de vida e conforto,
O filho dos seus encantos,
E a triste, lavada em prantos,
Que seguia o filho morto!
Trocaram ambas o olhar...
Nisto a mãe afortunada
Foi que rompeu a chorar;
Enquanto a desventurada
Que o filho tinha perdido
— Oh! Maravilha do amor –
No meio de sua dor
Sorriu ao recém-nascido!
• Soulary (1815-1891), poeta francês (tradução
de Bulhão Pato). ®Sérgio.
O ENTERRO DA CIGARRA
Seleta de Poemas representa as poesias que
li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas
preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
O ENTERRO DA CIGARRA
As formigas levaram-na... Chovia...
Era o fim... Triste outono fumarento!
Perto uma fonte, em suave movimento,
Cantigas de água trêmula fazia.
Quando eu a conheci, ela trazia
na voz um triste e doloroso canto.
Era a cigarra de maior talento,
Mais cantadeira desta freguesia.
Passa o cortejo entre árvores amigas...
Que tristeza nas folhas... Que tristeza!
Que alegria nos olhos das formigas!
Pobre cigarra! Quando te levavam,
Enquanto te chorava a natureza,
• Olegário
Mariano Carneiro da Cunha (1889 - 1958). ®Sérgio.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
O QUE FAÇO É SIMPLES...
Sempre fui colecionador de frases e porque não compartilhar com vocês,
minhas citações preferidas colhidas em inúmeras fontes:
"O que faço é simples: ponho pão
na mesa e compartilho." (Madre Teresa de Calcutá)
SE ACASO... ou SE CASO...?
Se acaso... É a forma correta. Com a conjunção
condicional [se], só podemos usar
acaso:
●
Se acaso você
chegasse...
●
Se acaso você viajar
ainda hoje, não deixe de me avisar.
Portanto, não existe a construção se caso você viajar... Há, isto sim, o
equivalente: Caso você viaje ainda hoje, não deixe de me
avisar.
As conjunções [se e caso] são sinônimas. Ou usamos a
conjunção [se] ou a conjunção [caso]. Ou uma ou outra:
●
Caso você viaje ainda
hoje, não deixe de me avisar.
●
Se acaso você viajar
ainda hoje, não deixe de me avisar.
É possível usar acaso sem a
conjunção se:
●
Acaso te disseram
alguma coisa?
●
Isto
aconteceu ao acaso.
● Ele veio por acaso.
®Sérgio.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
O NASCIMENTO DE HEFESTO (Vulcano)
Deus do fogo, artesão divino que produzia
muitos dos objetos utilizados pelos deuses: os raios de Zeus, a armadura de
Aquiles e a primeira mulher mortal, Pandora, que recebeu vida dos deuses.
Segundo o poeta Hesíodo, Hefesto foi gerado espontaneamente por Hera, em
represália a paixão de Zeus por Metis. Nasceu coxo, sua mãe decepcionada com a
feiura do filho, o atirou Olimpo abaixo. Outra versão diz que Zeus atiro-o para
fora do Olimpo com um pontapé, devido a sua participação numa briga de Zeus com
Hera. O defeito físico de Hefesto seria consequência dessa queda. Sua queda
durou um dia inteiro. Hefesto acabou caindo na ilha de Leno e foi recolhido por
Tétis e Eurínome, com as quais permaneceu durante nove anos; voltando, depois,
ao Olimpo, construindo um magnífico palácio de bronze para si próprio. Em seu
livro Paraíso Perdido, John Milton
(1608-1674), alude a esse episódio:
Caiu do amanhecer ao meio-dia,
Do meio-dia até a noite vir.
Um dia inteiro de verão, com sol
Posto, de zênite caiu, tal como
Uma estrela cadente, na ilha egéia
De Lenos. ®Sérgio.
A MULHER QUE PRENDEU O DIABO - Recontando Contos Populares
Um marido muito ciumento tendo que fazer uma viagem
e não depositando confiança na mulher, disse aborrecido:
— Isto é o diabo!
Mal acabara de exclamar, o cujo lhe apareceu e
perguntou:
— Por que me queres?
Como o marido não tinha mesmo solução para seu
problema, respondeu:
— Tenho que viajar e queria que você tomasse conta
de minha mulher.
O diabo que nem por sombras podia imaginar o que
lhe ia suceder, aceitou a incumbência. Além do mais, ia ganhar aquela alma...
No dia seguinte o homem partiu, deixando em casa o
diabo - na forma humana - como empregado de cozinha. Mas sua mulher, que não
era nada tola, percebeu que o criado era o cujo, porque tudo o que lhe mandava
fazer, fazia-o num repente.
— Vá moer aquele quarto de café!
E num instante o diabo voltava com o café em pó.
— Vá moer aquele meio saco de milho!
E, sem mais demora, ele estava de volta com o meio
saco de fubá. Mas mulher é bicho pior que o diabo. Vai daí, que o chamou e lhe
disse:
— Estou admirada com o seu poder, porque tem feito
coisas que parecem milagres. Mas duvido que consiga fazer uma coisa. Não é
capaz de entrar naquela garrafa...
E lhe apontou uma, vazia de líquido. Ora, o diabo
que é muito vaidoso e orgulhoso, ficou tentado em mostrar todo o seu poder e
mais que depressa se meteu pela garrafa adentro. Mal ele acabou de entrar, a
mulher arrolhou a garrafa, de maneira que o diabo ficou preso e ela pode gozar
da liberdade que ambicionava.
Quando o marido voltou, foi recebido com beijos e
afagos pela mulher, a quem ele perguntou pelo criado.
— Ah, maridinho do coração, ele saiu, não sei para
que, e não voltou mais. Também aquilo parecia o diabo. Olha que cheiro de
enxofre ficou em casa...
Era uma catinga de pano queimado que ela pusera
para queimar, pois o diabo estava preso na garrafa, danado de raiva...
— É mesmo, mulher, que catinga! O que havemos de
fazer?
— Só há um jeito, corre à igreja com esta garrafa e
enche-a de água benta para espalhar na casa. O marido, um tanto aturdido com os
acontecimentos, pegou a garrafa e fez o que a mulher lhe mandava.
Quando entrou na igreja e desarrolhou a garrafa
para encher na pia benta, esta, ao encostar-se a água, deu um estouro e o diabo
atordoado com a água benta e avistando os santos nos altares, saiu zunindo,
como um raio, e ninguém mais soube dele. O marido, muito espantado e mais
aturdido ainda, voltou para casa sem saber explicar o acontecido e sem ter
conhecido o segredo da mulher.
É como diz o ditado: mulher quando quer nem o diabo
a guarda. ®Sérgio.
______________________________
Nota Sobre o
Texto: Este causo também corre em
Portugal. Serviu de tema para o conto O Almocreve e o Diabo.
sábado, 29 de dezembro de 2012
A HISTÓRIA DE CÍCERO E ROSÂNGELA
Cícero e Rosângela
formavam o mais belo casal do vilarejo. Seus pais moravam em casas adjacentes,
o que aproximou os dois jovens e a amizade logo se transformou em amor.
Tudo seria maravilhoso
se os seus pais não fossem brigados. Assim, a namoro de Cícero e Rosângela foi proibido.
Uma coisa, contudo, não podiam proibir: que o amor crescesse com a mesma paixão
no coração dos dois jovens. Conversavam por sinais ou por meio de olhares. No
muro que separava as duas casas havia uma fenda. Ninguém havia notado antes,
mas os jovens notaram. A fenda permitia a passagem da voz; e mensagens amorosas
passavam nas duas direções. Quando à noite chegava e tinham de dizer adeus,
apertavam o lábio contra a parede, ela do seu lado, e ele do outro, já que não
podiam aproximar-se mais.
Numa manhã os dois
encontraram-se no lugar de costume. E, então, combinaram que, na noite
seguinte, quando todos estivessem dormindo, fugiriam. Encontrar-se-iam debaixo
de uma imensa e antiga amoreira branca, bem ao lado da fonte, fora dos limites
do vilarejo. Combinaram que aquele que chegasse primeiro esperaria o outro.
Então, naquela noite, tão
logo todos dormiram, Rosangela ergueu-se, cautelosamente de sua cama e sem ser
observada pela família, cobriu a cabeça com um véu e, deslizando furtivamente
pela janela, deixou sua casa. Caminhou até a amoreira e sentou-se embaixo da
árvore e assim, sozinha, permaneceu por um bom tempo, até que de repente avistou
uma onça, que com a boca ensanguentada por uma presa recente, aproximou-se da
fonte, que havia perto da amoreira, para matar a sede. Rosângela, assustada,
esgueirou-se por trás da árvore e fugiu a procura de um refúgio. Na presa,
entretanto, deixa cair o véu. A onça depois de saciar a sede na fonte virou-se
para voltar à mata, e, ao ver o véu no chão, começou a brincar com ele até
reduzi-lo a um monte de tiras ensanguentadas.
Cícero que se atrasara,
aproximou-se do local de encontro. Viu na areia as pegadas da onça, e o sangue
fugiu-lhe das faces. Logo em seguida encontrou o véu, espedaçado e sujo de
sangue. Apanhou-o e levando até a árvore onde fora combinado o encontro, e
cobriu-lhe de beijos e lágrimas.
— Meu sangue também
manchará teu tecido – exclamou.
E arrancando seu punhal
da bainha, enterrou-o em seu próprio coração. O sangue esguichou da ferida, e
penetrando terra adentro, pelo caule da amoreira, atingiu suas raízes, de modo
que a cor vermelha subiu, através do tronco até os frutos.
Enquanto isso,
Rosângela, ainda tremula de medo, saiu cautelosamente de seu refúgio, a procura
de Cícero, ansiosa por contar-lhe o perigo que atravessara. Chegando ao local e
vendo a nova cor das amoras, duvidou que estivesse no mesmo lugar. Enquanto
hesitava, avistou um vulto que agonizava. Um temor percorreu-lhe todo o corpo.
Reconheceu Cícero, gritou e abraçou o corpo sem vida de seu amante. Avistando a
bainha vazia de punhal, disse:
— Tua própria mão te
matou e por minha causa. Também posso ser corajosa uma vez, e meu amor é tão
forte quanto o teu. Seguir-te-ei na morte. E tu árvore, conserva as marcas de
nossa morte.
Assim dizendo apanhou o
punhal que caíra da mão de Cícero, enterrando-o em seu próprio peito.
E assim ficaram os dois
corpos juntos, unidos como um só. Foram enterrados na mesma sepultura e a
amoreira passou a dar frutos vermelhos, como faz até hoje.
Cícero e Rosângela
separados em vida, foram finalmente unidos pela morte. ®Sérgio.
________________________________________________________
Nota
Sobre o Texto.: Este texto é baseado
na história da mitologia grega Píramo e Tisbe. A comédia, Sonho de uma noite de verão,
de Shakespeare e baseado também em Píramo e Tisbe só que de uma forma
divertida.
O ADVÉRBIO LATINO [SIC]
Sic
(Latim, sik = assim) é a "palavra
que se pospõe a uma citação, ou que nesta se intercala, entre parênteses ou
entre colchetes, para indicar que o texto original é bem assim, por errado ou
estranho que pareça." (verbete extraído do Novo Dicionário Eletrônico Aurélio)
Cabe lembrar que [sic] é um advérbio
latino e não uma abreviação; de maneira que deve ser escrito em negrito ou
itálico [sic]. Quando um mesmo erro se
repete em várias passagens duma citação ou texto, usa-se [sic passim = está assim por toda parte].
Derivado do sic, temos o verbo "sicar", de uso constante entre os
acadêmicos: "Eu não posso sicar esta
expressão, pois não tenho certeza do erro".
Se você está citando o texto de alguém e observa que em determinada parte
do texto há um erro ou uma expressão estranha, o sic serve para indicar aos
seus futuros leitores que, por mais errado ou estranho que pareça, é assim
mesmo que consta no texto original. Se você intercala o sic no seu próprio
texto, está alertando a seus leitores de que é dessa maneira mesmo que quis
grafar; não foi um erro ou um equívoco de digitação. É obvio que um deslize na
digitação não pode ser considerado como erro do autor citado; portanto, nesse
caso, não devemos usar o sic. O mais certo é corrigir o deslize ao fazer a
transcrição:
Segundo alguns pesquisavores [sic]... => Segundo alguns
pesquisadores...
No entanto, se o erro for ortográfico, você, como uma espécie de crítica
ao autor, pode reproduzi-lo exatamente como está e intercalar o sic.
Entretanto, o mais ético é ignorar o erro e transcrever a palavra da forma
correta. Há casos, porém, que a definição
de erro é subjetiva, e, nesse caso, não convém a intercalação do sic. Veja: "Fulano de tal, escreveu aos 92 [sic]
anos a obra X, seu primeiro sucesso literário". A informação, apesar
de exagerada, pode configurar-se um erro ou, talvez, não. De modo que devemos
evitar sicá-la. ®Sérgio.
Assinar:
Postagens (Atom)
















