sexta-feira, 29 de março de 2013

A HERESIA GREGA

Em 500 a. C., o filósofo grego Anaxágoras concebeu a teoria de que o Sol é uma massa de pedra ardente, do tamanho pouco maior que o território da Grécia.
Foi preso, acusado de heresia. Para os gregos o Sol era resultado do passeio do Deus Hélio pelo céu, a bordo de uma carruagem com cavalos que soltavam fogo pelas narinas. ®Sérgio.
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Fonte: A Luz da Ciência e da Fé, Revista Veja, 9 de março de 211; p. 84.

quarta-feira, 27 de março de 2013

DANTE E VIRGÍLIO NO INFERNO

A cada dia entro em meu estúdio cheio de alegria; à noite, quando a escuridão me obriga a deixá-lo, mal posso esperar pelo dia seguinte. Se eu não pudesse devotar-me à minha amada pintura eu seria um pobre coitado.
Este quadro representando Dante e Virgílio no Inferno (1850), pintado por William-Adolphe Bouguereau, pintor francês, (1825–1905), foi inspirado em uma cena de A Divina Comédia de Dante Alighieri, situado no oitavo círculo do Inferno (o círculo de falsificadores e falsários), onde Dante, acompanhado por Virgílio, assiste a uma luta entre duas almas condenadas: Capocchio, um herege e alquimista, é atacado e mordido no pescoço por Gianni Schicchi que tinha usurpado a identidade de um homem morto, a fim de reivindicar sua herança de forma fraudulenta. Gianni Schicchi se joga em Capocchio, seu rival, com fúria através de músculos, nervos, tendões e dentes. Ao fundo, vê-se um demônio sorrindo para Dante e Virgílio, contemplando-os, parece deliciar-se com todo o cenário de eterna angústia, sofrimento e terror. Em redor deles, os que sofrem as respectivas consequências de suas existências materiais voltadas todas para a violência. Há amargura e força nesta tela. ®Sérgio.

segunda-feira, 11 de março de 2013

A PARÓDIA

A crítica literária moderna reconhece em Don Quixote de La Mancha a maior paródia (grego, paróidía) de todos os tempos. Ao parodiar as peripécias do romance de cavalaria, Cervantes criticou a vaidade, a presunção do gênero e criou a nova linguagem da ficção. De caráter lúdico (divertido) ou ideológico e conteúdo crítico mais ou menos explícito, mas, sempre presente, a paródia é a recriação cômica ou imitação burlesca (cômica) de uma obra. Um dos livros do escritor Mário de Andrade, por exemplo, recebeu o título de A Escrava que não era Isaura, numa referência cômica ao romance de Bernardo Guimarães, A Escrava Isaura.
A paródia é, geralmente, confundida com a sátira, a paráfrase e a alusão. Entretanto, é possível estabelecer uma distinção entre esses gêneros:
A sátira , por exemplo, censura um texto preexistente, mas não o deforma. A paráfrase desenvolve, ou seja, reescreve um texto preexistente, sem censurá-lo, não imita. A alusão faz, somente, uma referência indireta a um texto preexistente.
Observe, a seguir, o fragmento do poema Canção do Exílio (à esquerda), e a paródia (fragmento) escrita pelo poeta Murilo Mendes:
Nossos céus têm mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Nossas flores são mais bonitas,
Nossas frutas mais gostosas,
Mas custam cem mil réis a dúzia.
Aí quem me dera chupar uma carambola de verdade.
Embora conserve o tema de Gonçalves Dias, Murilo Mendes corrompe e modifica o conteúdo, transformando a exaltação de Gonçalves em ironia-crítica, criando, assim, uma paródia. ®Sérgio.

sábado, 9 de março de 2013

A PERSONAGEM OU O PERSONAGEM?

Em português, quase todas as palavras terminadas em [-agem] são do gênero feminino: a ramagem, a abordagem, a folhagem, a aparelhagem. Entretanto, no caso da palavra personagem, atualmente, você tem três opções de uso. Vejamos:
1. Como Sobrecomum Masculino - serve para ambos os sexos, mas só tem a forma masculina. Portanto, se optar por esse tipo de substantivo uniforme, você deve usar sempre a forma masculina, ou seja, o personagem, independente de ser homem ou mulher: o personagem Jeca Tatu, o personagem Bentinho, o personagem Iracema, o personagem Capitu: João e Maria são os personagens de um conto de carochinha.
2. Como Sobrecomum Feminino — serve para ambos os sexos, mas só tem a forma feminina. Se a opção for esta, deve usar sempre a forma feminina a personagem, também, independente de ser homem ou mulher: a personagem Jeca Tatu, a personagem Bentinho, a personagem Iracema, a personagem Peri.
   João e Maria são as personagens de um conto de carochinha.
3. Como Comum-de-Dois — quando distinguimos o masculino e o feminino pelo termo que o antecede: [o], [a], [teu], [tua], [esse], [essa] personagem. Assim, vamos usar a personagem quando mulher e o personagem quando homem: o personagem Hamlet, a personagem Aída.
   O personagem Visconde povoa o imaginário das crianças.
   A personagem Narizinho povoa o imaginário das crianças.
Observações:
1ª. Quando usar o termo personagem sem a definição de gênero, isto é, de forma abstrata, coloque-o no masculino (o personagem): Como ficarão os personagens (homens e mulheres) da oposição?
2ª. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, consideram personagem um substantivo de dois gêneros. ®Sérgio.

quarta-feira, 6 de março de 2013

segunda-feira, 4 de março de 2013

O TERRÍVEL CRONOS

Os titãs nasceram da união entre Urano, que representava o Céu, e Gaia, que seria a Terra. O poeta grego Hesíodo, que viveu no século sete a. C., narra o surgimento dos titãs, numa obra clássica chamada Teogonia:
Urano irritou-se, certa feita, com as injúrias que imaginava receber de seus filhos. Por isso decidiu encerrá-los no ventre de Gaia, a mediada que iam nascendo. Tendo de segurar em suas entranhas os turbulentos titãs e suportar ao mesmo tempo, o assédio insaciável e ininterrupto do marido, Gaia incentivou um de seus filhos, Cronos - o mais importante dos titãs e o mais jovem também - a decepar os órgãos genitais de Urano, fazendo com que este se afastasse dela. Gaia erguendo uma enorme foice de diamante entregou-a ao filho para que mutilasse os órgãos genitais do pai.
Cronos apanhou a foice e dirigiu-se para o local onde seu velho pai descansava. Ao chegar empunhou a foice e a fez descer abaixo da cintura do pobre Urano. Seus testículos, arrancados pelo golpe certeiro da foice, voaram longe e foram cair no oceano. Imediatamente foram soltos todos os outros titãs, irmãos de Cronos, que era agora o senhor de todo o universo. A partir de então, o mundo foi governado pela linhagem dos Titãs que, segundo Hesíodo, constituía a segunda geração divina.
Cronos se uniu a uma de suas irmãs, Réia, com quem teve seis filhos (os Crónidas): três mulheres, Héstia, Deméter e Hera e três rapazes, Hades, Poseidon e Zeus. Como tinha medo de que os descendentes desafiassem seu poder sobre o mundo, ele engolia todos os seus filhos. Esse medo era oriundo da praga que seu pai lhe lançara no dia em que o mutilara com a foice: "Do mesmo modo que usurpou o meu mando supremo, irá também perdê-lo pela mão de um dos seus filhos". Comeu todos exceto Zeus, que Réia, depois de entregá-lo aos cuidados das ninfas da floresta, enganou Cronos enrolando uma pedra em um pano, a qual ele engoliu sem perceber a troca.
Após crescer e se tornar forte, Zeus resolveu vingar-se de seu pai, solicitando para esse feito o apoio de Métis - a Prudência - filha do Titã Oceano. Esta ofereceu a Cronos uma poção mágica, que o fez vomitar os filhos que havia devorado.
Com a ajuda dos irmãos, Zeus derrotou Cronos e outros titãs numa grande batalha chamada Titanomaquia, e passou a ser o grande chefe de todos os deuses gregos. Cronos e seus aliados foram presos para sempre no Tártaro, o mundo subterrâneo para onde iam os mortos. O abismo de Tártaro é tão profundo que seus recessos estavam tão abaixo de seus pés quanto o céu estava acima de suas cabeças. ®Sérgio.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

MARTÍRIO

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
MARTÍRIO
Beijar-te a fronte linda
Beijar-te o aspecto altivo
Beijar-te a tez morena
Beijar-te o rir lascivo
Beijar o ar que aspiras
Beijar o pó que pisas
Beijar a voz que soltas
Beijar a luz que visas
Sentir teus modos frios,
Sentir tua apatia,
Sentir até repúdio,
Sentir essa ironia,
Sentir que me resguardas,
Sentir que me arreceias,
Sentir que me repugnas,
Sentir que até me odeias,
Eis a descrença e a crença,
Eis o absinto e a flor,
Eis o amor e o ódio,
Eis o prazer e a dor!
Eis o estertor de morte,
Eis o martírio eterno,
Eis o ranger dos dentes,
Eis o penar do inferno!
• Luís José Junqueira Freire (1832 —1855 ) ®Sérgio.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A FARSA

A farsa - principal forma de teatro cômico medieval -, despontou no crepúsculo da Idade Média francesa, por volta do século XVI. A princípio consistia numa breve peça cômica, apresentada, a modo de intervalo, no meio dos mistérios (peça de longa duração sobre a história da religião); mais tarde passou a desenvolver existência autônoma. Por sua origem cômica, a farsa tende para a comédia de costumes e de caracteres.
Dentre todas as peças curtas do teatro profano, este tipo pretende provocar o riso sem intenção didática ou moralizante; mas sim, a partir de exageros tirados da observação da vida quotidiana. A farsa depende mais da ação do que do diálogo; mais dos aspectos externos (cenários, roupas, gestos, etc.) do que do conflito dramático. É simples (não usa alegorias), é maliciosa, grosseira e direta (vai diretamente as coisas). Mostra gente do povo em seu ambiente familiar. Seus personagens, em número restrito, são tirados da vida urbana em desenvolvimento. Não estão investidos de requintes psicológicos, mas representam "condições" (marido, mulher, amante, patrão, empregado), ou tipos facilmente reconhecíveis tomados à burguesia (o comerciante, o advogado, o louco, o médico, o tolo, etc.). Seu esquema repousa no trapalhão, enganado por alguém mais esperto.
A farsa se distingue da comédia propriamente dita por não observar regras de verossimilhança e difere da sátira ou da paródia por não pretender questionar valores. Também é possível definir a farsa como o oposto da fábula, na medida em que a farsa, ao contrário da fábula, apresenta o que se pode denominar de uma falso moral.
Dentre os numerosos exemplares desse gênero (mais de cento e cinquenta) produzidos entre 1440 e 1560, época de seu florescimento, destaca-se La Farce de Maîte Pathélin,  composta entre 1460 e 1470. Após exercer notável influência sobre o teatro seiscentista (Molière, Shakespeare, Commedia Dell'arte) a farsa continou até nossos dias com Labiche, Tristan Bernard, para citar apenas dois nomes. A comédia romântica, não raro, utilizou expedientes peculiares a farsa. ®Sérgio.

O BURLESCO

Termo proveniente do latim burrula = gracejo, brincadeira, farsa; em italiano burla e em francês burlesque.
O Burlesco rotula as obras literárias ou teatrais que visam à comédia de obras clássicas de assunto sério como as epopeias, por meio do ridículo, da zombaria ou da paródia; quer dizer, transveste o nobre em vulgar. Tomemos como exemplo a obra Virgile Travesti (1648) do autor francês (século XVII) Paul Scarron, uma paródia ao poema épico de Virgílio. Scarron foi o primeiro autor a empregar o termo burlesco (1643) e adotá-lo como rótulo de sua paródia. Do mesmo autor, destaca-se: Le Roman Comique (1651), em que satiriza a vida e os costumes provincianos da época. Na frança o burlesco perdurou até 1660.  
O Burlesco acabou por migrar para outras formas de exposição pública, como a rádio e a televisão, sendo que hoje muitos espetáculos musicais e humorísticos da televisão e do teatro devem seu sucesso ao burlesco. ®Sérgio.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A ONÇA, O BURRO E A RAPOSA - Recontando Contos Populares

No tempo em que os animais falavam a Onça, o Burro e a Raposa, se juntaram para uma caçada. Os três conseguiram abater um animal muito grande, e a Onça pediu ao Burro que repartisse a caça, para cada um ter a sua porção.
O Burro partiu o animal em três porções iguais, e disse a Onça e à Raposa que escolhessem suas partes.
A Onça zangou-se por não receber uma porção maior, e atirando-se ao Burro, comeu-o. Depois, disse para a Raposa:
— Agora pegue a sua porção!
A Raposa pegou para ela só um bocadinho da caça; juntou o resto e disse a Onça:
— Pegue o resto. Para mim chega essa porçãozinha!
Diz a Onça:
— Beleza! Quem te ensinou a repartir assim?
Responde a Raposa:
Quem foi?! Foi a desgraça do pobre Burrico.
Salve-se quem puder! ®Sérgio.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O ANIMISMO OU PERSONIFICAÇÃO

Também chamada de prosopopeia. A personificação atribui vida ou qualidades humanas a seres inanimados, irracionais, ausentes, mortos ou abstratos. A humanização ou animismo pode dar-se de vários modos, a saber:
a) Quando se conferem a objetos inanimados e a abstrações qualificativos próprios do ser humano, por exemplo: O dia amanheceu enfurecido.
b) Ao emprestar às coisas inanimadas poder de ação peculiar aos seres humanos: A chuva semeou um pouco de esperança no solo calcinado.
c) Quando nas apóstrofes, nos dirigimos aos seres inanimados como se fossem capazes de inteligência ou compreensão: E tu, nobre Lisboa, que no mundo [...]. (Camões)
d) Quando a matéria inerte e os seres abstratos adquirem [voz], como, por exemplo, no Criton, diálogo acerca de Sócrates na prisão, em que Platão põe as Leis a falar.
A mais genialmente arrojada prosopopeia da língua portuguesa é, sem dúvida, a personificação do Cabo das Tormentas na figura do Gigante Adamastor. (Camões, Os Lusíadas, V, 39-59.)
Há, todavia, quem estabeleça distinção entre Prosopopeia, Personificação e Animismo, reservando os dois primeiros para referir a atribuição de qualidades ou comportamentos humanos a seres que não o são e o último para a expressão de sinais ou comportamentos vitais atribuídos a coisas inanimadas, como as rochas, os metais, os objetos, etc.; mas sem os elevar à categoria de humanos. Exemplificando:
   As árvores torciam-se e gemiam, vergastadas pelo vento. (Prosopopéia e personificação)
   Chegada à noite, os cumes das montanhas e os picos das serras deixavam-se adormecer no travesseiro celeste. (animismo) ®Sérgio.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

AS DUAS MÃES

Seleta de Poemas representa as poesias que li e me tocaram a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
AS DUAS MÃES
Numa igreja se encontraram
Duas mães em certo dia;
Uma entrava, e nesse instante,
Toda cheia de alegria,
Orgulhosa e triunfante,
Levava, chegando ao peito,
Um filhinho a batizar.
Outra, a infeliz que saía
Levava um filho também...
Oh! Mas essa pobre mãe
Levava um filho a enterrar!
Cruzaram-se, a poucos passos,
A que trazia nos braços
Cheio de vida e conforto,
O filho dos seus encantos,
E a triste, lavada em prantos,
Que seguia o filho morto!
Trocaram ambas o olhar...
Nisto a mãe afortunada
Foi que rompeu a chorar;
Enquanto a desventurada
Que o filho tinha perdido
— Oh! Maravilha do amor –
No meio de sua dor
Sorriu ao recém-nascido!
Soulary (1815-1891), poeta francês (tradução de Bulhão Pato). ®Sérgio.

O ENTERRO DA CIGARRA

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
O ENTERRO DA CIGARRA
As formigas levaram-na... Chovia...
Era o fim... Triste outono fumarento!
Perto uma fonte, em suave movimento,
Cantigas de água trêmula fazia.
Quando eu a conheci, ela trazia
na voz um triste e doloroso canto.
Era a cigarra de maior talento,
Mais cantadeira desta freguesia.
Passa o cortejo entre árvores amigas...
Que tristeza nas folhas... Que tristeza!
Que alegria nos olhos das formigas!
Pobre cigarra! Quando te levavam,
Enquanto te chorava a natureza,
Tuas irmãs e tua mãe cantavam...
• Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889 - 1958). ®Sérgio.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

O QUE FAÇO É SIMPLES...

Sempre fui colecionador de frases e porque não compartilhar com vocês, minhas citações preferidas colhidas em inúmeras fontes:
"O que faço é simples: ponho pão na mesa e compartilho." (Madre Teresa de Calcutá)

SE ACASO... ou SE CASO...?

Se acaso... É a forma correta. Com a conjunção condicional [se], só podemos usar acaso:
     ●   Se acaso você chegasse...
    ●   Se acaso você viajar ainda hoje, não deixe de     me avisar.
Portanto, não existe a construção se caso você viajar... Há, isto sim, o equivalente: Caso você viaje ainda hoje, não deixe de me avisar.
As conjunções [se e caso] são sinônimas. Ou usamos a conjunção [se] ou a conjunção [caso]. Ou uma ou outra:
   Caso você viaje ainda hoje, não deixe de me avisar.
   Se acaso você viajar ainda hoje, não deixe de me avisar.
É possível usar acaso sem a conjunção se:
   Acaso te disseram alguma coisa?
   Isto aconteceu ao acaso.
   Ele veio por acaso. ®Sérgio.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O NASCIMENTO DE HEFESTO (Vulcano)

Deus do fogo, artesão divino que produzia muitos dos objetos utilizados pelos deuses: os raios de Zeus, a armadura de Aquiles e a primeira mulher mortal, Pandora, que recebeu vida dos deuses. Segundo o poeta Hesíodo, Hefesto foi gerado espontaneamente por Hera, em represália a paixão de Zeus por Metis. Nasceu coxo, sua mãe decepcionada com a feiura do filho, o atirou Olimpo abaixo. Outra versão diz que Zeus atiro-o para fora do Olimpo com um pontapé, devido a sua participação numa briga de Zeus com Hera. O defeito físico de Hefesto seria consequência dessa queda. Sua queda durou um dia inteiro. Hefesto acabou caindo na ilha de Leno e foi recolhido por Tétis e Eurínome, com as quais permaneceu durante nove anos; voltando, depois, ao Olimpo, construindo um magnífico palácio de bronze para si próprio. Em seu livro Paraíso Perdido, John Milton (1608-1674), alude a esse episódio:
Caiu do amanhecer ao meio-dia,
Do meio-dia até a noite vir.
Um dia inteiro de verão, com sol
Posto, de zênite caiu, tal como
Uma estrela cadente, na ilha egéia
De Lenos. ®Sérgio.

A MULHER QUE PRENDEU O DIABO - Recontando Contos Populares

Um marido muito ciumento tendo que fazer uma viagem e não depositando confiança na mulher, disse aborrecido:
— Isto é o diabo!
Mal acabara de exclamar, o cujo lhe apareceu e perguntou:
— Por que me queres?
Como o marido não tinha mesmo solução para seu problema, respondeu:
— Tenho que viajar e queria que você tomasse conta de minha mulher.
O diabo que nem por sombras podia imaginar o que lhe ia suceder, aceitou a incumbência. Além do mais, ia ganhar aquela alma...
No dia seguinte o homem partiu, deixando em casa o diabo - na forma humana - como empregado de cozinha. Mas sua mulher, que não era nada tola, percebeu que o criado era o cujo, porque tudo o que lhe mandava fazer, fazia-o num repente.
— Vá moer aquele quarto de café!
E num instante o diabo voltava com o café em pó.
— Vá moer aquele meio saco de milho!
E, sem mais demora, ele estava de volta com o meio saco de fubá. Mas mulher é bicho pior que o diabo. Vai daí, que o chamou e lhe disse:
— Estou admirada com o seu poder, porque tem feito coisas que parecem milagres. Mas duvido que consiga fazer uma coisa. Não é capaz de entrar naquela garrafa...
E lhe apontou uma, vazia de líquido. Ora, o diabo que é muito vaidoso e orgulhoso, ficou tentado em mostrar todo o seu poder e mais que depressa se meteu pela garrafa adentro. Mal ele acabou de entrar, a mulher arrolhou a garrafa, de maneira que o diabo ficou preso e ela pode gozar da liberdade que ambicionava.
Quando o marido voltou, foi recebido com beijos e afagos pela mulher, a quem ele perguntou pelo criado.
— Ah, maridinho do coração, ele saiu, não sei para que, e não voltou mais. Também aquilo parecia o diabo. Olha que cheiro de enxofre ficou em casa...
Era uma catinga de pano queimado que ela pusera para queimar, pois o diabo estava preso na garrafa, danado de raiva...
— É mesmo, mulher, que catinga! O que havemos de fazer?
— Só há um jeito, corre à igreja com esta garrafa e enche-a de água benta para espalhar na casa. O marido, um tanto aturdido com os acontecimentos, pegou a garrafa e fez o que a mulher lhe mandava.
Quando entrou na igreja e desarrolhou a garrafa para encher na pia benta, esta, ao encostar-se a água, deu um estouro e o diabo atordoado com a água benta e avistando os santos nos altares, saiu zunindo, como um raio, e ninguém mais soube dele. O marido, muito espantado e mais aturdido ainda, voltou para casa sem saber explicar o acontecido e sem ter conhecido o segredo da mulher.
É como diz o ditado: mulher quando quer nem o diabo a guarda. ®Sérgio.
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Nota Sobre o Texto: Este causo também corre em Portugal. Serviu de tema para o conto O Almocreve e o Diabo.

sábado, 29 de dezembro de 2012

SEM PALAVRAS


A HISTÓRIA DE CÍCERO E ROSÂNGELA

Cícero e Rosângela formavam o mais belo casal do vilarejo. Seus pais moravam em casas adjacentes, o que aproximou os dois jovens e a amizade logo se transformou em amor.
Tudo seria maravilhoso se os seus pais não fossem brigados. Assim, a namoro de Cícero e Rosângela foi proibido. Uma coisa, contudo, não podiam proibir: que o amor crescesse com a mesma paixão no coração dos dois jovens. Conversavam por sinais ou por meio de olhares. No muro que separava as duas casas havia uma fenda. Ninguém havia notado antes, mas os jovens notaram. A fenda permitia a passagem da voz; e mensagens amorosas passavam nas duas direções. Quando à noite chegava e tinham de dizer adeus, apertavam o lábio contra a parede, ela do seu lado, e ele do outro, já que não podiam aproximar-se mais.
Numa manhã os dois encontraram-se no lugar de costume. E, então, combinaram que, na noite seguinte, quando todos estivessem dormindo, fugiriam. Encontrar-se-iam debaixo de uma imensa e antiga amoreira branca, bem ao lado da fonte, fora dos limites do vilarejo. Combinaram que aquele que chegasse primeiro esperaria o outro.
Então, naquela noite, tão logo todos dormiram, Rosangela ergueu-se, cautelosamente de sua cama e sem ser observada pela família, cobriu a cabeça com um véu e, deslizando furtivamente pela janela, deixou sua casa. Caminhou até a amoreira e sentou-se embaixo da árvore e assim, sozinha, permaneceu por um bom tempo, até que de repente avistou uma onça, que com a boca ensanguentada por uma presa recente, aproximou-se da fonte, que havia perto da amoreira, para matar a sede. Rosângela, assustada, esgueirou-se por trás da árvore e fugiu a procura de um refúgio. Na presa, entretanto, deixa cair o véu. A onça depois de saciar a sede na fonte virou-se para voltar à mata, e, ao ver o véu no chão, começou a brincar com ele até reduzi-lo a um monte de tiras ensanguentadas.
Cícero que se atrasara, aproximou-se do local de encontro. Viu na areia as pegadas da onça, e o sangue fugiu-lhe das faces. Logo em seguida encontrou o véu, espedaçado e sujo de sangue. Apanhou-o e levando até a árvore onde fora combinado o encontro, e cobriu-lhe de beijos e lágrimas.
— Meu sangue também manchará teu tecido – exclamou.
E arrancando seu punhal da bainha, enterrou-o em seu próprio coração. O sangue esguichou da ferida, e penetrando terra adentro, pelo caule da amoreira, atingiu suas raízes, de modo que a cor vermelha subiu, através do tronco até os frutos.
Enquanto isso, Rosângela, ainda tremula de medo, saiu cautelosamente de seu refúgio, a procura de Cícero, ansiosa por contar-lhe o perigo que atravessara. Chegando ao local e vendo a nova cor das amoras, duvidou que estivesse no mesmo lugar. Enquanto hesitava, avistou um vulto que agonizava. Um temor percorreu-lhe todo o corpo. Reconheceu Cícero, gritou e abraçou o corpo sem vida de seu amante. Avistando a bainha vazia de punhal, disse:
— Tua própria mão te matou e por minha causa. Também posso ser corajosa uma vez, e meu amor é tão forte quanto o teu. Seguir-te-ei na morte. E tu árvore, conserva as marcas de nossa morte.
Assim dizendo apanhou o punhal que caíra da mão de Cícero, enterrando-o em seu próprio peito.
E assim ficaram os dois corpos juntos, unidos como um só. Foram enterrados na mesma sepultura e a amoreira passou a dar frutos vermelhos, como faz até hoje.
Cícero e Rosângela separados em vida, foram finalmente unidos pela morte. ®Sérgio.
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Nota Sobre o Texto.: Este texto é baseado na história da mitologia grega Píramo e Tisbe. A comédia, Sonho de uma noite de verão, de Shakespeare e baseado também em Píramo e Tisbe só que de uma forma divertida.

O ADVÉRBIO LATINO [SIC]

Sic (Latim, sik = assim) é a "palavra que se pospõe a uma citação, ou que nesta se intercala, entre parênteses ou entre colchetes, para indicar que o texto original é bem assim, por errado ou estranho que pareça." (verbete extraído do Novo Dicionário Eletrônico Aurélio)
Cabe lembrar que [sic] é um advérbio latino e não uma abreviação; de maneira que deve ser escrito em negrito ou itálico [sic]. Quando um mesmo erro se repete em várias passagens duma citação ou texto, usa-se [sic passim = está assim por toda parte]. Derivado do sic, temos o verbo "sicar", de uso constante entre os acadêmicos: "Eu não posso sicar esta expressão, pois não tenho certeza do erro".
Se você está citando o texto de alguém e observa que em determinada parte do texto há um erro ou uma expressão estranha, o sic serve para indicar aos seus futuros leitores que, por mais errado ou estranho que pareça, é assim mesmo que consta no texto original. Se você intercala o sic no seu próprio texto, está alertando a seus leitores de que é dessa maneira mesmo que quis grafar; não foi um erro ou um equívoco de digitação. É obvio que um deslize na digitação não pode ser considerado como erro do autor citado; portanto, nesse caso, não devemos usar o sic. O mais certo é corrigir o deslize ao fazer a transcrição:
Segundo alguns pesquisavores [sic]... => Segundo alguns pesquisadores...
No entanto, se o erro for ortográfico, você, como uma espécie de crítica ao autor, pode reproduzi-lo exatamente como está e intercalar o sic. Entretanto, o mais ético é ignorar o erro e transcrever a palavra da forma correta.  Há casos, porém, que a definição de erro é subjetiva, e, nesse caso, não convém a intercalação do sic. Veja: "Fulano de tal, escreveu aos 92 [sic] anos a obra X, seu primeiro sucesso literário". A informação, apesar de exagerada, pode configurar-se um erro ou, talvez, não. De modo que devemos evitar sicá-la. ®Sérgio.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ESTAMOS A SUA DISPOSIÇÃO ou À SUA DISPOSIÇÃO

Tanto faz. Pois, antes dos pronomes possessivos (minha, tua, sua nossa…), o uso dos artigos definidos é facultativo.
      ●   Este é o meu irmão. Ou: Este é meu irmão.
      ●   Aquela é a minha casa. Ou: é minha casa.
Se o uso do artigo feminino é facultativo, quando houver a preposição [a] antes de um pronome possessivo feminino singular, o uso do acento da crase também será facultativo:
   Cedi o lugar a minha avó. Ou: Cedi o lugar à minha avó.
   Estamos a sua disposição. Ou: Estamos à sua disposição.
   Não fez menção a nossa empresa. Ou: à nossa empresa.
   Levou a encomenda a sua tia. Ou: à sua tia.
   Abracei a minha prima. Ou: à minha prima.
Podemos comprovar comparando com a forma masculina:
   Estamos ao seu dispor.
Observação: Na maior parte dos casos, a crase dá clareza a esse tipo de oração. ®Sérgio.

domingo, 23 de dezembro de 2012