domingo, 29 de julho de 2012
OS TIPOS DE METAPLASMOS
As mudanças mais comuns
na fala espontânea ocorrem com acréscimos ou decréscimos de fonemas que geram
outra forma de falar a mesma coisa.
Prótese – acontece quando acrescentamos um fonema no início da
sílaba. Encontramos a prótese em: voar
=> avoar, lembrar => alembrar, entre outros. Na escrita remos aglutinações do tipo: de repente => derrepente, a cerca de, acerca de.
Epêntese – ocorre no meio da sílaba. Hoje podemos encontrar em: asterisco no lugar de asterístico, beneficiência no lugar de beneficência, prazeirosamente =>
prazerosamente. Por sem formas
correntes na linguagem oral, algumas epênteses já são variantes dicionarizadas.
Aférese – acontece quando eliminamos fonemas no início da palavra,
em casos como: tá => está, cê =>
você, inda => ainda.
Sincope – ocorre quando eliminamos fonemas no meio das palavras: padinho => padrinho, nego => negro, memo
=> mesmo, coscas => cócegas. ®Sérgio.
OS METAPLASMOS
Desde a origem de nossa
língua têm ocorrido transformações fonéticas e ainda hoje persistem na fala
espontânea. A Linguística Histórica chama esse desvio da composição fonética da
palavra de metaplasmos.
O professor Joaquim
Mattoso Câmara Jr. (1904 – 1970) a respeito dos metaplasmos, dizia:
"A língua é o meio
pelo qual o homem expressa suas próprias idéias, as de sua geração, as da
comunidade a que pertence. Ela é, enfim, um retrato de seu tempo. Cada falante
é usuário e agente modificador de sua língua, nela imprimindo marcas geradas
pelas novas situações com que se depara. Nesse sentido, podemos constatar que a
língua é instrumento privilegiado da projeção da cultura de um povo, enquanto
conjunto das criações do homem que constituem universo humano." ®Sérgio.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
O EXÓRDIO
O exórdio (do Latim
exordium = começo) e a parte inicial de um discurso oratório; recebe também o
nome de intróito, preâmbulo, prólogo, prefácio.
O exórdio contendo a introdução do discurso,
objetiva "ganhar" a simpatia do público para o assunto do discurso.
Pode se apresentar de duas maneiras, dependendo do grau de defensibilidade da
causa:
Proêmio, quando simples e direto.
Insinuação quando impetuoso, veemente, insinuante.
"No exórdio o
orador seleciona, de modo sintético e direto, os fatos que convém e os focaliza
da perceptiva que mais lhe favorece o intento, emprestando relevo a alguns e
minimizando outros" (Heinrich Lausberg, Manual de Retórica Literária, tr. esp., 1966, vol. I, p. 261). ®Sérgio.
O TEXTO ARQUÉTIPO
O termo vem do grego archéypon = padrão, modelo. Arquétipo é um termo empregado na
crítica textual, para indicar o texto que teria dado origem às outras cópias,
reconstituível pelo seu confronto ou classificação dos textos em ordem
cronológica. O crítico pode, baseando-se no conhecimento do autor e do texto
original, sugerir emendas ou correções.
®Sérgio.
®Sérgio.
O DISCURSO NA POÉTICA FRANCESA
Na poética francesa, o
discurso (discours) costituia um poema didático, em versos alexandrinos,
rimados dois a dois (aa, bb, cc, etc.).
Foi introduzido por Du
Bellay em 1559 e desenvolvido por Ronsard. Voltaire consagrou sete discursos em
versos ao Homem, e nas Méditations
Poétiques (1820) Lamartine destinou uma composição a Imortalidade.
®Sérgio.
®Sérgio.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
LOIRO OU LOURO?
Tanto faz. Ambas as formas são igualmente
usuais, pois são formas variantes, para designar a cor de pelos humanos que
entre o amarelo e o castanho-claro.
A forma louro designa ainda:
Uma planta aromática: o loureiro.
A folha do loureiro é muito usada como condimento e, foi muito usada entre os
antigos gregos e romanos, na confecção das coroas dos vencedores de competições:
● Era
uma árvore com frutas e flores em ramos de louro.
● O
cozinheiro é viciado em folhas de louro.
Uma ave: o papagaio (designação comum). ®Sérgio.
DAR-SE AO TRABALHO ou DAR-SE O TRABALHO?
Ambas as construções são aceitáveis, mas a
primeira é a que sempre mereceu a preferência dos bons escritores:
● Quem
se der o trabalho de consultar... (Ciro dos Anjos)
● O
homem dera-se ao trabalho de contar... (Cecília Meireles)
Variantes: Dar-se ao incomodo
ou dar-se o incômodo, poupar-se ao trabalho ou poupar-se o trabalho, dar-se ao
luxo ou dar-se o luxo. ®Sérgio.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
O ENTERRO DO JACI
Aqui no sertão quando
se vai levar um defunto para enterrar, não se pode parar para nada. O falecido
tem de estar sempre em movimento. Se os caboclos querem fazer mal a alguém é
parar com o finado na frente da casa dele. Se isso acontecer é desgraça na
certa para os moradores. Por isso, os residentes da casa ficam "de
olho" quando o enterro passa com o finado. Se há a ameaça de parar, até
tiro de carabina é capaz de se dar. Dizem que se deve dar sossego o mais rápido
possível à alma do defunto, para a alma dele não ficar com raiva, vagando pelo
povoado.
A que, numa tarde, seo,
não é que morre o Jaci. E então daí, o falecido tinha que ser enterrado. Logo
apareceram quatro voluntários para carregar o finado até o cemitério. Botaram Jaci
numa rede, passaram uma vara bem grossa e dois a dois foram carregando o
falecido até o campo-santo. Saíram de tardezinha; vencido obra de meia légua, o
sol se some, a noite vêem, e no denso, no escuro não dava para chegar ao
cemitério; então, resolveram descansar e sair de manhazinha, no nascer do sol.
Ajeitaram o falecido
num canto e "puxaram o ronco", menos o Dudu que não conseguiu
"pegar no sono", ressabiado observando... A noite ia grossa quando vê
uma coisa que o assustou forte; o falecido se levanta e vem caminhando em
direção aos caboclos, passa por cima deles e segue no rumo do Dudu. Travou-lhe
um medo e o caboclo rompeu nos gritos:
— Ara, mas será
possível, meu senhor?! Pra cima de mim não! Por amô de Deus, Dudu! Vai pro seu
corpo, diabo! Cruz credo!...
O berreiro do Dudu
acordou os outros caboclos, que foram logo pedindo uma explicação para aquela
vozearia toda. Dudu explicou bem explicadinho o acontecido e todos ficaram com
"a pulga atrás da orelha". Um dos caboclos, preocupado diz:
— A, pois gente! Isso é castigo de Deus.
O morto num descansou até agora porque a gente num enterrô ele, que deve tá
puto da vida com agente! E o pior é que ele passou por riba de nós, sô! Isso é
mau sinal. Queira Deus que certas coisas que o povo fala seja só pra
assustar...
Um dos caboclos, um
tanto incrédulo, tenta acalmar:
— Bobices, gente! Larga
mão disso! Quem morreu, morreu! Num volta mais. O Dudu tava era com sonhação! Daquela
hora pra frente ninguém mais dormiu.
Beirando aí às oito
horas da manhã, os caboclos chegaram com o corpo frio e duro do Jaci no
cemitério. Enterraram. Passaram num boteco para molhar a goela e se mandaram de
novo, estrada a fora, cada qual pro seu canto.
Dê daí, compadre; o
Dudu naquele ano teve, de uma feita, que fazer o enterro de mais quatro
caboclos. Quem havera de supor! ®Sérgio.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
O BESTIÁRIO
O termo vem do latim bestiariu(m) = besta, fera. Eram,
durante a Idade Média, sobretudo nos séculos XIII e XIV, livros em prosa ou
verso, que retratavam animais (verdadeiros ou ficcionais) considerados
simbolicamente portadores de qualidades sobrenaturais, geralmente, ligados ao
Cristianismo.
Vindos do Oriente,
através de textos gregos, como o Physiologus
- de autor desconhecido e escrito na segunda metade do século II, em
Alexandria – que narra uma sucessão de histórias baseadas nos fenômenos da
Natureza, divididas por quarenta e oito seções, uma para cada planta, pedra ou
animal vinculados com a Bíblia. o Physiologus teve ampla divulgação no mundo
latino e germânico medieval, a ponto de só perder para a Bíblia.
Apesar dos Bestiários
evocarem um mundo de valores desaparecidos, deles se originaram mitos que
vieram incorporar-se definitivamente na simbologia das artes, como o da fênix,
para só citar esse exemplo. ®Sérgio.
A METÁFORA HIPERBÓLICA
Do
Grego hyperbolê (excesso), é a figura
do exagero deliberado, que leva o escritor a deformar a realidade exagerando de
uma ideia, seja por amplificação, seja por atenuação, visando à obtenção de
maior expressividade, quer no sentido positivo, que no negativo, segundo o seu
modo particular de sentir. Exemplos:
- Corria feito um raio. – A sua alma era um vulcão.
- Comi sem parar a noite inteira! – Sou louca pelos meus filhos.
Expressões como essas
fazem parte das hipérboles do dia-a-dia e, por isso mesmo, seu valor
estilístico praticamente já desapareceu, porque já se incorporaram ao falar
cotidiano de tal forma que as expressões não provocam mais surpresa ou
estranheza. Contudo, o valor afetivo dessas expressões, permanece. Na
literatura, não raro, a hipérbole é usada como um recurso estilístico: Envio
beijos, mas tantos beijos / Quantas estrelas há no Brasil. Nestes
versos de Martins Fontes, é fácil sentir o efeito expressivo da hipérbole. ®Sérgio.
CATACRESE: A METÁFORA VICIADA
Do Grego katákhresis (= uso impróprio, abuso) e denominada abusio em Latim. A catacrese é uma
metáfora estereotipada, mas obrigatória, por atender a uma necessidade de uso,
e não por um efeito expressivo. De feição nitidamente popular, resulta a
catacrese da ausência de um termo próprio para designar determinado objeto ou
coisa (pernas da mesa, cabeça de alfinete, etc.). É um fenômeno da pobreza (inópia)
do sistema linguístico, que falha diante da necessidade de designação de uma
palavra, fazendo esta representar com base numa pura analogia, um objeto ou
parte de um objeto para os quais não existem nomes de referência particulares; conduzindo-a,
às vezes, ao estabelecimento de relações de semelhança, até abusivas e
forçadas. Ou, existindo a palavra, no caso um termo exato ou técnico,
substituí-lo por um menos formal. A catacrese aproxima-se da metáfora, ou chega
mesmo a confundir-se com esta: Veja os exemplos:
- Barriga da perna em vez de
panturrilha.
- Céu da boca em vez de
palato.
- Embarcar num trem
(embarca-se na barca).
- Enterrou uma farpa no dedo
(enterra-se na terra).
-
Braço de mar - dente de alho - pé de montanha.
Essas metáforas já foram incorporadas pela
língua, ou seja, perderam seu caráter inovador, original e transformaram-se
numa metáfora comum, morta, que não mais causa estranheza. Em outras palavras, transformaram-se
numa catacrese. Porém será um deslize gramatical quando não vier duma
necessidade, ou seja, quando o ser ou coisa já ostentar expressão própria; por
exemplo:
- Bebeu a sopa, em vez de,
tomou a sopa.
-
Arrancou laranjas, em vez de, colheu laranjas.
Fora daí, admite-se a catacrese
como enriquecimento metafórico:
"Dobrando o cotovelo da estrada, Fabiano sentia
distanciar-se um pouco dos lugares onde tinha vivido alguns anos; [...]." (Graciliano Ramos, Vidas Secas.) ®Sérgio.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
AUTORES TRÁGICOS DA GRÉCIA ANTIGA
A Tragédia (do grego antigo τραγῳδία, composto de trago =>
bode e oidé => canto = canto ao bode) é uma manifestação ao deus Dioniso,
que se transformava em bode para fugir da perseguição da deusa Hera. Em alguns
rituais se sacrificavam esses animais em homenagem ao deus.
A tragédia tinha como características
principais, o terror e a piedade que despertava no público. Para os autores
clássicos, era o mais nobre dos gêneros literários.
Era composta de cinco atos e, além dos
atores, intervinha o coro, que manifestava a voz do bom senso, da harmonia, da
moderação, face à exaltação dos protagonistas.
Diferentemente do
drama, na tragédia o herói sofre sem culpa. Ele teve o destino traçado pelos
deuses e seu sofrimento é irrefutável. Por exemplo, Édipo nasce com o destino
de matar o pai, Laio, e se casar com a mãe. É um dos exemplos de histórias da
mitologia grega que serviram de base para o teatro.
Os estudiosos do
assunto (a partir de alguns registros) acreditam que foram cerca de 150 os
autores trágicos. Os que conhecemos, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, escreveram
cerca de 300 peças, das quais apenas 10% chegaram até nós.
Ésquilo
(525 a. C. a 456 a. C.) – Tido como fundador do gênero, das peças que
escreveu sete sobreviveram à destruição do tempo. São elas: Os Persas, Sete contra Tebas, As
Suplicantes, Prometeu Acorrentado, Agamêmnon, Coéforas e Eumênides.
Sófocles (496 a. C. a 406 a. C.) – Além de importante tragediógrafo, também trabalhava como ator. Entre suas
peças estão à trilogia Édipo Rei, Édipo em Colona e Antígona. Se tiver
interessado em ler um resumo da trilogia, clique nestes links:
Édipo
Rei e Édipo em Colona e Antígona.
Eurípides (485 a. C. a 406 a. C.) - Pouco se sabe sobre sua vida. Ainda assim, é
dele o maior número de peças que chegaram até nós. São 18 no total, entre elas:
Medéia, As Bacantes, Heracles, Electra,
Ifigênia em Áulis e Orestes. ®Sérgio.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
PERÍODO HELÊNICO E HELENÍSTICO
Helênico era um adjetivo que os gregos da
antiguidade usavam quando se referiam a eles mesmos. Desse modo que os gregos
da antiguidade se autodenominavam Helênicos, assim como a Grécia era chamada Hélade (o conjunto das províncias centrais
da Grécia antiga, e, mais tarde, a Grécia inteira).
Helenístico é, atualmente, utilizado para
descrever o período que vai da morte de Alexandre (323 a. C.) à conquista final
do mundo Helênico por Roma (36 a. C.). ®Sérgio.
DANTE E VIRGÍLIO NO INFERNO
Este quadro
representando Dante e Virgílio no Inferno (1850), pintado por William-Adolphe
Bouguereau, pintor francês, (1825–1905), foi inspirado em uma cena de A Divina
Comédia de Dante Alighieri, situado no oitavo círculo do Inferno (o círculo de
falsificadores e falsários), onde Dante, acompanhado por Virgílio, assiste a
uma luta entre duas almas condenadas: Capocchio, um herege e alquimista, é
atacado e mordido no pescoço por Gianni Schicchi que tinha usurpado a
identidade de um homem morto, a fim de reivindicar sua herança de forma
fraudulenta. Gianni Schicchi se joga em Capocchio, seu rival, com fúria através
de músculos, nervos, tendões e dentes. Ao fundo, vê-se um demônio sorrindo para
Dante e Virgílio, contemplando-os, parece deliciar-se com todo o cenário de
eterna angústia, sofrimento e terror. Em redor deles, os que sofrem as
respectivas consequências de suas existências materiais voltadas todas para a
violência.
Há amargura e força
nesta tela. ®Sérgio.
O BODE E A ONÇA - Recontando Contos Populares
Caminhando pelo mato, o
bode descobriu um bom lugar para fazer uma casa. Como o terreno estava coberto
pelo capim duro do cerrado, capinou-o, deixando-o limpinho para dar início à
construção. Cansado, preferiu ir embora e começar no dia seguinte.
A onça também procurava
um terreno para erguer sua casa. Deparando com o lugar que o bode capinara,
achou que estava com muita sorte. Cortou e empilhou as madeiras para fazer a
estrutura de uma casa. Depois foi embora, pois precisava dormir.
No dia seguinte, ao ver
a madeira à sua disposição, o bode ergueu a estrutura da casa. “Que sorte que
estou dando!”, pensou ao fim do trabalho, quando já se retirava do terreno.
Mais tarde foi a vez de
a onça chegar ao terreno e ver a estrutura pronta. “Que sortuda eu sou!”,
disse, enquanto cobria a madeira com taipa (barro amassado). Terminado o
trabalho, foi buscar seus móveis e, ao voltar, deu de cara com o bode, sentado
numa poltroninha, embrulhando um cigarro, muito à vontade. Os dois não custaram
a perceber que haviam dividido o trabalho da construção. Quem havera de supor!
Decidiram, então, morar juntos.
A convivência ia bem,
entretanto, viviam desconfiados um do outro e não lhes faltava uma boa razão
para isso. Um dia, a onça voltou da caçada, arrastando um cabrito entre os
dentes. O bode, assustado, saiu de fininho para o mato, certo de que, mais dia
menos dia, aquele seria o seu destino.
Naquele mesmo dia,
porém, o bode encontrou uma onça morta por um caçador e levou-a para casa,
deixando seu corpo estendido na porta de entrada. Vendo a companheira morta, a
onça quis saber do bode como é que ele a tinha matado. O bode explicou que era
dono de um anel mágico. Bastava colocá-lo no dedo e apontar alguém para
matá-lo. A onça fingiu não acreditar, então o bode, colocando o anel no
indicador, perguntou:
— Quer que eu lhe
mostre?
Travou um medo e a onça
disparou mato adentro, apavorada, voando que nem um corisco e, sem olhar pra
aqui nem pra acolá. Nunca mais voltou. O bode, feliz da vida, ficou vivendo
sozinho na sua casa, sem motivo para preocupações. ®Sérgio.
MAUS-TRATOS E MAL-ENTENDIDOS
Não será exagero dizer que não são poucas
às vezes em que escrevedores erram ao grafar a palavra "maus-tratos".
Por conta disso, é comum escrever-se no seu lugar a forma
"maltratos". Ora, conscientemente falando, maltratos não existe. O
que existe é a forma verbal maltratar (verbo transitivo direto) = infligir
maus-tratos a; tratar com aspereza, grosseiramente, com violência, etc.:
• Maltratava
a mulher com recriminações diárias.
• Ele
sentia prazer em me maltratar...
• Eu
não maltrato os mais velhos.
O substantivo composto
"maus-tratos" escreve-se sempre no plural. Nesse composto o adjetivo
[mau] qualifica o substantivo [trato], daí a concordância entre eles. Os dois
(adjetivo + substantivo) formam o substantivo composto maus-tratos =
"delito de quem submete alguém, sob sua dependência ou guarda, a castigos
imoderados, trabalhos excessivos e/ou privação de alimentos e cuidados,
pondo-lhe, assim, em risco a vida ou a saúde". (Dicionário Eletrônico
Houaiss)
Na expressão "mal-entendido", é
o advérbio [mal] que modifica a forma verbal [entendido] = aquilo que foi
entendido de maneira incorreta ou inadequada. Os dois elementos, advérbio e
verbo, juntos constituem um substantivo composto. No plural, somente o segundo elemento, porque
advérbios são formas invariáveis. ®Sérgio.
sábado, 16 de junho de 2012
O APÓLOGO
A origem do apólogo (do Grego apólogos = narrativa
detalhada.) é remota e um tanto obscura, acredita-se que tenha surgido
no oriente, porém, está presente na literatura de todos os povos.
É uma narrativa em
prosa, curta e alegórica, comumente confundida com a fábula e a parábola, em
razão do conteúdo moral explícito ou implícito, ou seja, um conceito moral que
sempre encerra a narrativa e à estrutura dramática a qual se fundamenta. No
entanto, estudiosos do assunto afirmam que a distinção se faz pelas
personagens.
Apólogo é protagonizado
por coisas inanimadas (plantas, pedras, rios, relógios, montanhas, relógios,
estátuas, etc.) que adquirem certos dotes humanos: a fala, por exemplo. Ao
passo que a fábula conteria de preferência animais irracionais, e a parábola
seres humanos. Eis um exemplo de apólogo:
Havia no alto de uma
montanha três árvores, que cresciam e sonhavam juntas. Sonhavam,
principalmente, o que seriam depois de grandes. E assim, todo dia, repetiam
entre si, seus sonhos.
A primeira, olhando as
estrelas, dizia: "Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de
tesouros. E, para tanto, até me disponho a ser cortada".
A segunda, sempre que
olhava o riacho a correr, suspirava: "Eu quero ser um navio grande para
transportar reis e rainhas".
A terceira que amava
aquele vale, que pulsava em vida, anunciava: "Quero ficar aqui, no alto da
montanha, e crescer tanto que as pessoas, ao olharem para mim, levantem os
olhos e pensem na grandiosidade de Deus".
Passado muitos anos, um
dia, três lenhadores subiram a montanha e as cortaram. As duas primeiras,
vibravam, ansiosas, em serem transformadas naquilo que sonhavam, porém a
terceira, nem tanto. Mas os lenhadores não costumavam ouvir ou entender sonhos
de árvores. E a primeira acabou sendo transformada em um cocho, aonde os
animais vinham comer. A segunda virou um simples barco de pesca, carregando
pessoas, carga e peixes. A terceira, foi cortada em grossas vigas, e quase
todas, usadas na construção um estábulo para os animais, somente duas foram
guardadas num depósito à espera de utilização.
Desiludidas e tristes
as três irmãs árvores se perguntavam: Por quê?
Eis que, numa noite,
uma jovem mulher, prestes a dar à luz, e seu marido José não encontrando lugar nas
hospedarias, colocou seu bebê recém-nascido naquele cocho de animais. A
primeira árvore, então, percebeu que abrigava o maior tesouro do mundo e que
Deus não só realizara o seu sonho como ainda a privilegiara entre todas as árvores
do mundo. E deu glória a Deus.
Anos mais tarde esse
menino, agora homem, entrou num barco - o mesmo em que a segunda árvore havia
se transformado-, e nele acabou dormindo, quando uma tempestade abateu-se sobre
a embarcação. O homem levantou-se e disse: "Que se faça a bonança"! E
veio a calma e a tranquilidade no mar revolto; e a árvore, compreendeu que
estava transportando o rei do céu e da terra, que estava recebendo de Deus
muito mais do que pedira.
Outros três anos se
passaram. E numa fatídica sexta-feira, a terceira árvore espantou-se quando
suas vigas foram unidas em forma de cruz e nela um homem foi deitado e pregado.
A princípio, a terceira árvore, sentiu-se horrível e cruel. Mas, dois dias
depois, aquele que em suas vigas tinha sido crucificado, ressuscitava dos
mortos para subir ao céu. E a terceira árvore percebeu que nela havia sido
pregado um homem para a salvação da humanidade e que as pessoas sempre se
lembrariam de Deus e de seu Filho ao olharem para aquela cruz.
As árvores haviam tido
sonhos e desejos... E os julgaram perdidos. Porém eles aconteceram, e foi maior
do que haviam imaginado. Assim, digo-lhes: nunca deixe de acreditar em seus
sonhos, mesmo que, aparentemente, eles sejam impossíveis de se realizar.
Na Literatura
Brasileira o apólogo encontrou adeptos em: D. Francisco Manuel de Melo, Apólogos Dialogais (1721); João Vicente
Pimentel Maldonado, Apólogos (1820); Machado
de Assis, Um Apólogo (também conhecido
por A Agulha e a Linha), pertencente ao volume Várias Histórias (1896); Coelho Neto, Apólogos (1904). ®Sérgio.
A ALUSÃO
Entende-se por alusão toda
referência explícita ou implícita, direta ou indireta, proposital ou causal, a
uma obra, um autor, personagem, situação, etc., pertencente ao mundo literário,
artístico, mitológico, etc., e que seja do conhecimento do leitor. Por exemplo,
no enunciado: "O Comandante americano alcançara uma vitória de
Pirro".
Está sendo feita uma alusão ao
célebre general grego Pirro. Você só poderá entender essa alusão, se conhecer a
história do general; que é a seguinte: seu exército após uma difícil vitória
sofreu tantas baixas que o levou a dizer: "Mais uma vitória como esta e
estou perdido". De modo que a alusão à vitória de Pirro passou a ser, em
qualquer contexto, uma conquista difícil.
Camões, ao
dizer que "Cessem do sábio Grego e Troiano / As navegações grandes que
fizeram" (Os Lusíadas, c. I, est. 3), alude a Ulisses e Enéias.
Percebe-se,
sem dúvida, que a alusão é a leve menção de outros textos dentro de um texto,
pela inserção do autor. A alusão não transcreve um texto preexistente, apenas o
referencia. Por outro lado, nem sempre o leitor, ainda que culto e atento, reconhece
a alusão encerrada numa passagem.
Segundo
estudiosos de literatura como Earl Miner e outros, podemos distinguir os
seguintes tipos de alusão:
1. Alusão Tópica ou Histórica, quando se
refere a acontecimentos passados ou recentes. É o caso do general Pirro.
2. Alusão Pessoal, quando o escritor
menciona fatos relativamente notórios de sua própria existência. Como é o caso
do poeta e dramaturgo William Butler Yeats, cuja obra está repleta de alusões
restritas à sua vida privada.
3. Alusão Nominal, quando se refere a um
nome próprio do conhecimento geral. Homero, Platão, Ulisses, Enéias, James
Joyce.
4. Textual, quando se refere a textos
preexistentes na tradição literária. Uma obra literária pode ser, no seu todo,
uma alusão de uma obra anterior, como no caso de Osman Lins, que transpôs para
o sertão pernambucano, em O Fiel e a Pedra, a Eneida de Virgílio. ®Sérgio.
_____________________________________________________
Para saber mais:
E-Dicionário de Termos Literários, coord. de Carlos Ceia.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
SANTIDADE E MARTÍRIO
Na tela A Morte de Marat (1973) de
Jaques-Louis David, vemos o revolucionário Jean-Paul Marat (1743 - 1793), líder
da Revolução Francesa, romanticamente representado com uma áurea de santidade e
martírio. Na realidade, Marat tinha uma aparência bastante desagradável, devido
a uma debilitante doença crônica da pele (escrófula), adquirida quando ele se
escondia nos esgotos de Paris.
Sua doença de pele ia piorando, e seu
último recurso para evitar o desconforto era tomar banhos medicinais. Marat
estava em sua banheira em 13 de julho de 1793, quando uma jovem mulher,
Charlotte Corday, dizendo ser uma mensageira pediu para ser admitida em suas
dependências. Quando ela entrou, armou-se com uma faca e esfaqueou-o no peito.
Ele gritou "À moi, ma chère amie!" (ajude-me, cara amiga) e morreu. ®Sérgio.
terça-feira, 5 de junho de 2012
O PARADOXO
Benito Amilcare Andrea Mussolini (1883 - 1945) já mostrava que não estava para brincadeiras desde
pequeno. Foi-lhe dado o nome
de Benito em honra do
revolucionário mexicano Benito Juárez. Com apenas 11 anos ele esfaqueou um de seus colegas, de uma escola regida por monges salesianos, e jogou tinta em um professor, sendo expulso logo em seguida. Após
ingressar em uma nova escola, alcançou boas notas, e conseguiu um emprego como professor da escola
primária, depois foi artesão, redator de jornal e escritor, tendo publicado
alguns contos e um romance. Uma curiosidade é que ele evadiu-se da Itália para
fugir do serviço militar obrigatório, mas foi expulso da Suíça por vagabundagem
e foi obrigado a cumprir, na Itália, o serviço militar. ®Sérgio.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
OBRIGADOS A LUTAR ATÉ A MORTE
Lucius Aelius Aurelius Commodus (161-192
a. C.), imperador romano (o vilão do filme Gladiador) era filho do Imperador César
Marco Aurélio Antonino Augusto (121–180 a. C.). Aos 17 anos Commodus foi
empossado vice-imperador e reinou em conjunto com o pai durante três anos. Com
a morte do pai assumiu o poder e pelos 12 anos seguintes (bem mais que no
filme), mandou e desmandou em Roma.
Commodus recolhia pelas ruas de Roma,
anões, leprosos, aleijados e cegos para levá-los ao Coliseu, onde eles eram
obrigados a lutar uns com outros até a morte usando facas de açougueiros. ®Sérgio.
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