segunda-feira, 25 de junho de 2012

MAUS-TRATOS E MAL-ENTENDIDOS

Não será exagero dizer que não são poucas às vezes em que escrevedores erram ao grafar a palavra "maus-tratos". Por conta disso, é comum escrever-se no seu lugar a forma "maltratos". Ora, conscientemente falando, maltratos não existe. O que existe é a forma verbal maltratar (verbo transitivo direto) = infligir maus-tratos a; tratar com aspereza, grosseiramente, com violência, etc.:
  Maltratava a mulher com recriminações diárias.
  Ele sentia prazer em me maltratar...
  Eu não maltrato os mais velhos.
O substantivo composto "maus-tratos" escreve-se sempre no plural. Nesse composto o adjetivo [mau] qualifica o substantivo [trato], daí a concordância entre eles. Os dois (adjetivo + substantivo) formam o substantivo composto maus-tratos = "delito de quem submete alguém, sob sua dependência ou guarda, a castigos imoderados, trabalhos excessivos e/ou privação de alimentos e cuidados, pondo-lhe, assim, em risco a vida ou a saúde". (Dicionário Eletrônico Houaiss)
Na expressão "mal-entendido", é o advérbio [mal] que modifica a forma verbal [entendido] = aquilo que foi entendido de maneira incorreta ou inadequada. Os dois elementos, advérbio e verbo, juntos constituem um substantivo composto.  No plural, somente o segundo elemento, porque advérbios são formas invariáveis. ®Sérgio.

sábado, 16 de junho de 2012

RIO + 20!


O APÓLOGO

A origem do apólogo (do Grego apólogos = narrativa detalhada.) é remota e um tanto obscura, acredita-se que tenha surgido no oriente, porém, está presente na literatura de todos os povos.
É uma narrativa em prosa, curta e alegórica, comumente confundida com a fábula e a parábola, em razão do conteúdo moral explícito ou implícito, ou seja, um conceito moral que sempre encerra a narrativa e à estrutura dramática a qual se fundamenta. No entanto, estudiosos do assunto afirmam que a distinção se faz pelas personagens.
Apólogo é protagonizado por coisas inanimadas (plantas, pedras, rios, relógios, montanhas, relógios, estátuas, etc.) que adquirem certos dotes humanos: a fala, por exemplo. Ao passo que a fábula conteria de preferência animais irracionais, e a parábola seres humanos. Eis um exemplo de apólogo:
Havia no alto de uma montanha três árvores, que cresciam e sonhavam juntas. Sonhavam, principalmente, o que seriam depois de grandes. E assim, todo dia, repetiam entre si, seus sonhos.
A primeira, olhando as estrelas, dizia: "Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros. E, para tanto, até me disponho a ser cortada".
A segunda, sempre que olhava o riacho a correr, suspirava: "Eu quero ser um navio grande para transportar reis e rainhas".
A terceira que amava aquele vale, que pulsava em vida, anunciava: "Quero ficar aqui, no alto da montanha, e crescer tanto que as pessoas, ao olharem para mim, levantem os olhos e pensem na grandiosidade de Deus".
Passado muitos anos, um dia, três lenhadores subiram a montanha e as cortaram. As duas primeiras, vibravam, ansiosas, em serem transformadas naquilo que sonhavam, porém a terceira, nem tanto. Mas os lenhadores não costumavam ouvir ou entender sonhos de árvores. E a primeira acabou sendo transformada em um cocho, aonde os animais vinham comer. A segunda virou um simples barco de pesca, carregando pessoas, carga e peixes. A terceira, foi cortada em grossas vigas, e quase todas, usadas na construção um estábulo para os animais, somente duas foram guardadas num depósito à espera de utilização.
Desiludidas e tristes as três irmãs árvores se perguntavam: Por quê?
Eis que, numa noite, uma jovem mulher, prestes a dar à luz, e seu marido José não encontrando lugar nas hospedarias, colocou seu bebê recém-nascido naquele cocho de animais. A primeira árvore, então, percebeu que abrigava o maior tesouro do mundo e que Deus não só realizara o seu sonho como ainda a privilegiara entre todas as árvores do mundo. E deu glória a Deus.
Anos mais tarde esse menino, agora homem, entrou num barco - o mesmo em que a segunda árvore havia se transformado-, e nele acabou dormindo, quando uma tempestade abateu-se sobre a embarcação. O homem levantou-se e disse: "Que se faça a bonança"! E veio a calma e a tranquilidade no mar revolto; e a árvore, compreendeu que estava transportando o rei do céu e da terra, que estava recebendo de Deus muito mais do que pedira.
Outros três anos se passaram. E numa fatídica sexta-feira, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e nela um homem foi deitado e pregado. A princípio, a terceira árvore, sentiu-se horrível e cruel. Mas, dois dias depois, aquele que em suas vigas tinha sido crucificado, ressuscitava dos mortos para subir ao céu. E a terceira árvore percebeu que nela havia sido pregado um homem para a salvação da humanidade e que as pessoas sempre se lembrariam de Deus e de seu Filho ao olharem para aquela cruz.
As árvores haviam tido sonhos e desejos... E os julgaram perdidos. Porém eles aconteceram, e foi maior do que haviam imaginado. Assim, digo-lhes: nunca deixe de acreditar em seus sonhos, mesmo que, aparentemente, eles sejam impossíveis de se realizar.
Na Literatura Brasileira o apólogo encontrou adeptos em: D. Francisco Manuel de Melo, Apólogos Dialogais (1721); João Vicente Pimentel Maldonado, Apólogos (1820); Machado de Assis, Um Apólogo (também conhecido por A Agulha e a Linha), pertencente ao volume Várias Histórias (1896); Coelho Neto, Apólogos (1904). ®Sérgio.

A ALUSÃO

Entende-se por alusão toda referência explícita ou implícita, direta ou indireta, proposital ou causal, a uma obra, um autor, personagem, situação, etc., pertencente ao mundo literário, artístico, mitológico, etc., e que seja do conhecimento do leitor. Por exemplo, no enunciado: "O Comandante americano alcançara uma vitória de Pirro".
Está sendo feita uma alusão ao célebre general grego Pirro. Você só poderá entender essa alusão, se conhecer a história do general; que é a seguinte: seu exército após uma difícil vitória sofreu tantas baixas que o levou a dizer: "Mais uma vitória como esta e estou perdido". De modo que a alusão à vitória de Pirro passou a ser, em qualquer contexto, uma conquista difícil.
Camões, ao dizer que "Cessem do sábio Grego e Troiano / As navegações grandes que fizeram" (Os Lusíadas, c. I, est. 3), alude a Ulisses e Enéias.
Percebe-se, sem dúvida, que a alusão é a leve menção de outros textos dentro de um texto, pela inserção do autor. A alusão não transcreve um texto preexistente, apenas o referencia. Por outro lado, nem sempre o leitor, ainda que culto e atento, reconhece a alusão encerrada numa passagem.
Segundo estudiosos de literatura como Earl Miner e outros, podemos distinguir os seguintes tipos de alusão:
1. Alusão Tópica ou Histórica, quando se refere a acontecimentos passados ou recentes. É o caso do general Pirro.
2. Alusão Pessoal, quando o escritor menciona fatos relativamente notórios de sua própria existência. Como é o caso do poeta e dramaturgo William Butler Yeats, cuja obra está repleta de alusões restritas à sua vida privada.
3. Alusão Nominal, quando se refere a um nome próprio do conhecimento geral. Homero, Platão, Ulisses, Enéias, James Joyce.
4. Textual, quando se refere a textos preexistentes na tradição literária. Uma obra literária pode ser, no seu todo, uma alusão de uma obra anterior, como no caso de Osman Lins, que transpôs para o sertão pernambucano, em O Fiel e a Pedra, a Eneida de Virgílio. ®Sérgio.
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Para saber mais: E-Dicionário de Termos Literários, coord. de Carlos Ceia. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

SANTIDADE E MARTÍRIO

Na tela A Morte de Marat (1973) de Jaques-Louis David, vemos o revolucionário Jean-Paul Marat (1743 - 1793), líder da Revolução Francesa, romanticamente representado com uma áurea de santidade e martírio. Na realidade, Marat tinha uma aparência bastante desagradável, devido a uma debilitante doença crônica da pele (escrófula), adquirida quando ele se escondia nos esgotos de Paris.
Sua doença de pele ia piorando, e seu último recurso para evitar o desconforto era tomar banhos medicinais. Marat estava em sua banheira em 13 de julho de 1793, quando uma jovem mulher, Charlotte Corday, dizendo ser uma mensageira pediu para ser admitida em suas dependências. Quando ela entrou, armou-se com uma faca e esfaqueou-o no peito. Ele gritou "À moi, ma chère amie!" (ajude-me, cara amiga) e morreu. ®Sérgio.

terça-feira, 5 de junho de 2012

O PARADOXO

Benito Amilcare Andrea Mussolini (1883 - 1945) já mostrava que não estava para brincadeiras desde pequeno. Foi-lhe dado o nome de Benito em honra do revolucionário mexicano Benito Juárez. Com apenas 11 anos ele esfaqueou  um de seus colegas, de uma escola regida por monges salesianos, e jogou tinta em um professor, sendo expulso logo em seguida. Após ingressar em uma nova escola, alcançou boas notas, e conseguiu um emprego como professor da escola primária, depois foi artesão, redator de jornal e escritor, tendo publicado alguns contos e um romance. Uma curiosidade é que ele evadiu-se da Itália para fugir do serviço militar obrigatório, mas foi expulso da Suíça por vagabundagem e foi obrigado a cumprir, na Itália, o serviço militar. ®Sérgio.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

OBRIGADOS A LUTAR ATÉ A MORTE

Lucius Aelius Aurelius Commodus (161-192 a. C.), imperador romano (o vilão do filme Gladiador) era filho do Imperador César Marco Aurélio Antonino Augusto (121–180 a. C.). Aos 17 anos Commodus foi empossado vice-imperador e reinou em conjunto com o pai durante três anos. Com a morte do pai assumiu o poder e pelos 12 anos seguintes (bem mais que no filme), mandou e desmandou em Roma.
Commodus recolhia pelas ruas de Roma, anões, leprosos, aleijados e cegos para levá-los ao Coliseu, onde eles eram obrigados a lutar uns com outros até a morte usando facas de açougueiros. ®Sérgio.

sábado, 2 de junho de 2012

OS 10 LIVROS MAIS VENDIDOS NO MUNDO NOS ÚLTIMOS 50 ANOS

A Bíblia Cristã, As Citações de Mao Tse-Tung, A Saga Harry Potter, Saga O Senhor dos Anéis, O Alquimista, O Código Da Vinci, Saga Crepúsculo, E o Vento Levou, Pense e Enriqueça, o Diário de Anne Frank. Números expressos em milhões de cópias.
Fonte: EBook Livre

quinta-feira, 31 de maio de 2012

MITOLOGIA E MITO

A palavra Mitologia vem do grego mythos, que significa fábula, e logos, que significa tratado. Dois conceitos designam a Mitologia: É o conjunto de mitos e lendas que um povo imaginou e o estudo dos mesmos.
A base da mitologia é o esforço permanente e contínuo de entender o mundo e o próprio homem. Nos primórdios da civilização, o ser humano nutria intensa necessidade de explicar os fenômenos da natureza, o que se passava a sua volta, enfim, explicar o mundo. Por isso, o mito, relata uma estória verdadeira, na medida em que toca, profundamente, o homem – ser mortal, organizado em sociedade, obrigado a trabalhar para viver, submetido a acontecimentos e imprevistos que independem de sua vontade. E, à medida que são recontadas, essas histórias tornam-se mais complexas, ganham novos personagens e variantes.
Os primeiros mitos brotaram da projeção imaginativa que o homem fez das funções da vida: nascimento, amor e morte; maternidade, paternidade e virgindade. E sintetizam tudo o que o homem, mediante a inteligência e o sentimento, conseguiu conquistar, em face de uma vida que não solicitou, de uma morte que o amedronta, de um amor que o domina e de uma doença cujos fenômenos o assombram ou o aniquilam.
Não há nenhum grupo cultural ou étnico na terra que não associe a origem do mundo, dos seres humanos, das plantas, dos animais e dos acidentes geográficos a uma força superior, sobre-humana. Deuses e heróis convivem com a humanidade desde a aurora de nossa espécie. E essas histórias que não tem autores, continuam a nos encantar.
Para as sociedades o mito era uma narrativa verdadeira. A história de um mito é sentida e vivida como verdadeira, embora para outra sociedade pareça invenção. A história de Jesus para um cristão é verdadeira, assim como é verdadeira a história de Buda para os budistas ou a história de Tupã para um indígena brasileiro. Os nórdicos achavam que o mundo começara da luta, em um grande campo de gelo, do calor contra o frio. Para os gregos e indianos os deuses viviam numa montanha. Os africanos imaginavam que o mundo surgiu de um ovo cósmico. Em muitas culturas, o homem veio da argila, do barro ou do sopro divino.
Alguns tipos de mitos: Teogonia, mitos que contam a criação do mundo; Cosmogonia, mitos que explicam o destino do homem após a morte; Escatologia mitos que explicam as coisas que devem acontecer no fim dos tempos, no fim do mundo, etc. ®Sérgio.

O EXORCISMO

Essa internet, em alguns aspectos, tira a gente do sério. Dia desses, estava navegando pelo Google sem nenhuma procura definida, quando dei "de cara" com a notícia abaixo; mas vou logo explicando que não estou inventando nada.
A paulista Doralice de Freitas, pediu a um pastor evangélico para exorcizar o diabo do corpo de sua filha, o que foi prontamente executado. Após o exorcismo o pastor engarrafou os dois diabinhos e entregou a ela. Sem saber o que fazer com a garrafa, Doralice resolveu leiloar os capetas pela internet.
Por mais incrível que possa parecer, perto de 20.000 pessoas se interessaram pela garrafa, que foi arrematada por um empresário de produtos para centros espíritas. Com o dinheiro, Doralice aproveitou para pagar a conta do pastor exorcista que, segundo ela, livrou sua filha dos diabos que a assombravam.
Salve-se quem puder! ®Sérgio.

O FUTURO


segunda-feira, 21 de maio de 2012

CÂNTICO NEGRO

Não sei se José Régio, poeta português, gostaria de ver o fragmento de sua poesia expostas assim em meu blog, mas não posso deixar de postar meus poemas preferidos de vez em quando... Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
Cântico Negro (fragmento)
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Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
— Sei que não vou por aí!
José Régio. Poemas de Deus e do Diabo, p 57.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A CASA ASSOMBRADA - Causos de Assombração

Numa noite fui surpreendido, em minha casa, por portas que se abriam e se fechavam sozinhas. Em outras noites, eram as luzes que se acendiam como que por magia, além de copos que voavam da pia para o chão. Até pedras caíam no telhado. Apesar desses acontecimentos, felizmente, ninguém se feria.
Tivesse um raio caído aos meus pés, não me mostraria eu tão aturdido com esses acontecimentos. Envolto em fria mortalha de medo, decidi recorrer ao padre capelão. Pedi-lhe que fosse a minha casa, fizesse umas rezas e expulsasse os espíritos.  O capelão bebeu uma grande taça de vinho, ficou um instante a refletir e, então, pediu ao sacristão para lhe trazer a grande cruz de madeira, a bíblia e o vaso de água benta. Colocou a estola e julgando-se armado para afugentar aquelas almas demoníacas, seguiu comigo para a casa assombrada.
Não queria acreditar, quando assistiu, ele próprio o que lhe tinha relatado na sacristia. Aquelas coisas estranhas aconteciam mesmo. Todos, em casa, lhe rogaram para que benzesse o lar e, mais, que fizesse um exorcismo e terminasse com aquela aflição.
Entoando os sete salmos e orações (o sacristão, por ordem do padre, à frente com a cruz erguida) o capelão ia espalhando água benta por todos os cantos gritando: “Vai-te embora satanás, vai-te embora...”.
Mesmo na presença capelão, os espíritos não se  aniquilaram. Choveram pedras, portas e janelas abriram e fecharam-se sozinhas e até alguns peças de roupa começaram a arder.
Não se deixando convencer, ainda que tenha presenciado tão estranhos eventos, sem solução, o capelão recorreu a uns amigos ligados à parapsicologia.
Um dos parapsicólogos perguntou-me, pela idade de todos que frequentavam a casa, na esperança de que o causador fosse algum adolescente dado a brincadeiras. Segundo os estudos de parapsicologia, são eles os responsáveis por 90% destes casos. Respondi que adolescente na minha casa só o meu neto, um rapaz de 15 anos, que viera passar as férias. Por sugestão do parapsicólogo afastamos meu neto de casa por alguns dias e, tal como se supunha, não houve mais nenhum objeto voador. Ele confessou ao parapsicólogo que seus pais tiveram de viajar, a trabalho, e deixaram-no na casa dos avós, cuja cidadezinha detestava. ®Sérgio.

terça-feira, 15 de maio de 2012

A SINÉDOQUE

Não é costume, hoje, estabelecer grande diferença ente a metonímia e a sinédoque, pois esta é um caso especial de metonímia, onde, ora se exprime o mais restrito (a parte) pelo mais extenso (o todo), ora o todo pela parte: chaminé pela fábrica, o telhado pela casa, o singular pelo plural, a substância pelo produto, a nação pelo governo, o gênero pela espécie, etc. Observe:
  As chaminés forjam a grandeza de São Paulo. (a parte: chaminé, pelo todo: fábrica).
  O homem é mortal (a espécie pelo gênero).
  A vela singrou os mares (a parte: vela, pelo todo: navio).
  O índio é valente (o singular: índio, pelo plural: índios).
  Não dá para viver sem um teto. (a parte pelo todo)
  Lento o bronze (o sino) soa. (a matéria pelo objeto que dela é feito)
Fica explicito, portanto, que na sinédoque há uma relação de extensão. Isto é, um termo de extensão menor substitui outro de extensão maior, e vice-versa.
Convém ter-se presente que a metonímia e a sinédoque nem sempre são percebidas como uma figura de estilo, pois algumas de suas construções já pertencem à linguagem comum: o pão de cada dia, ter bocas para alimentar, dizem as más línguas, os sem-teto, etc. ®Sérgio.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A HOMOSSEXUALIDADE DE FARAÓS

Um papiro com 5000 anos de idade, pertencente ao Museu Rosa-Cruz de San Jose, na Califórnia, mostra que os antigos egípcios tinham tendência a bisbilhotarem sobre a vida alheia. No papiro especulam a homossexualidade de faraós, entre outras coisas. O documento fala de um rei não identificado que visita à noite, frequentemente, a casa de um de seus generais. O uso da frase em cuja casa não existe esposa sugere que o faraó estava tendo um relacionamento gay. Isso, entretanto, não significa necessariamente que os egípcios fossem contra tal tipo de relacionamento. A desaprovação implícita parece estar mais focada no fato de que dessa maneira não haveria herdeiro para o trono. ®Sérgio.
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Fonte: O Fascínio do Antigo Egito. Disponível em: http://www.fascinioegito.sh06.com/index.html

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A ESTÂNCIA

Serve para dar nome às estrofes regulares, isto é, a seqüência de grupos de versos organizados segundo um único padrão. O que a difere a estância da estrofe é a repetição do mesmo dispositivo estrófico em todo o poema, ou seja, agrupamentos com número de versos fixos, sujeitos a mesma medida e igual arranjo de rima. Os Lusíadas, por exemplo, tem 1 102 estâncias, quer dizer que suas unidades métricas apresentam estrutura uniforme: a oitava heróica. No soneto, entretanto, o termo válido é estrofe, visto que se compõe de modo irregular: duas quadras e dois tercetos. Cabe ressaltar que os estudiosos nem sempre estão de acordo com tal consideração. ®Sérgio.

OSSOS DO OFÍCIO


DÉCIMA

É o poema ou a estrofe de dez versos. Podemos distinguir dois tipos de décima:
A medieval: encontrada com freqüência desde o Trovadorismo até o século XVI. Segundo alguns estudiosos, era uma falsa décima, pois, compunha-se de duas quintilhas independentes pela rima e separadas por uma pausa.
A clássica, também chamada de espinela (em homenagem ao seu presumido inventor, o poeta espanhol do século XVI, Vicente Espinel), consta de uma quadra e uma sextilha, geralmente formada por versos heptassílabos (de sete sílabas) e com o seguinte esquema de rimas: ABBA ACCDDC. A ideia apresentada na quadra é desenvolvida na sextilha:
Soltai-me, Amor enganado, [a]
Que enganado me prendeis; [b]
Que em meu poder não tereis [b]
Seguro o vosso cuidado. [a]
Sou um pastor desprezado, [a]
Que numa aspereza vivo, [c]
A toda brandura esquivo, [c]
Sujeito a todo rigor, [d]
Não posso servir a Amor, [d]
Que estou de sorte cativo. [c]
Francisco Rodrigues Lobo (1580-1622), poeta português.
Também chamada de pequeno soneto a décima foi vastamente empregada, sobretudo como estrofe. O poeta Gregório de Matos, entretanto, a cultivou como poema isolado:
Décima
Se Pica-flor me chamais, [a]
Pica-flor aceito ser, [b]
mas resta agora saber, [b]
se no nome que me dais, [a]
meteis a flor, que guardais [a]
no passarinho melhor! [c]
Se me dais este favor, [c]
Sendo só de mim o Pica, [d]
e o mais vosso, claro fica, [d]
que fica então Pica-flor. [c]
Os românticos não a apreciaram muito. Mas os parnasianos a repuseram em circulação. Os nossos cantadores nordestinos utilizam-na com freqüência. ®Sergio.

terça-feira, 8 de maio de 2012

COMIC-STRIPS

Comic-Strips é uma expressão em língua inglesa que significa: tiras cômicas e pela qual são conhecidas as histórias de quadrinhos publicadas ao longo do século 20 e no 21, em jornais diários (as tiras diárias), as tiras de domingo (em sequências mais longas) e em revistas que se especializaram nisso.
As tiras diárias normalmente são impressas em preto e branco, e as tiras de domingo são normalmente de cor. No entanto, alguns jornais publicam tiras diárias coloridas, e alguns jornais publicam as tiras de domingo em preto e branco.
A finalidade do comic-strips é contar histórias através da imagem com o mínimo de texto, passando os episódios a se explicarem por si mesmo, através da ação, dos balões que contém as falas, reduzidas sempre à expressão mais sintética, geralmente, baseadas em expressões onomatopaicas.
A ideia, entretanto, vem da Antiguidade. Arqueólogos encontraram no Egito frisos que continham desenhos narrando aspectos da vida de importantes personalidades. Os pintores sacros da Renascença fizeram a mesma coisa com episódios bíblicos, chamados de o Pauperum Bíblia (Indigente Bíblia). Foi nos Estados Unidos, porém, que as histórias em quadrinhos chegaram ao apogeu. Na Itália também fizeram sucesso. Quando desenhadas são ali chamadas fumetti e quando fotografadas foto filmes. O Brasil tem também criado as suas comic-strips. ®Sérgio.

A BAILADA OU BAILIA

Do Latim; ballare = dançar - Poema medieval, acompanhado de movimentos coreográficos, do tipo das cantigas de amigo, originário da Provença. Composta geralmente em estrofes com repetições de versos, pressupunha a existência de um grupo de moças com funções diferenciadas: uma delas, dotada de melhor voz, a cantadeira, entoaria as principais cobras (estrofes), e as demais, em coro, o estribilho ou refrão. Se o número de estrofes correspondesse ao número de figurantes, cada uma delas se encobriria de uma estrofe, e todas se reuniriam para dizer o estribilho ou refrão. Geralmente, a bailada abordava temas e situações alegres e festivos. O vocábulo bailada e balada tem a mesma origem: ballare. ®Sérgio.

O APOTEGMA

O Apotegma - do Grego apóphthegma = sentença - diferencia-se do aforismo por encerrar de modo primoroso e claro, um saber baseado em sentenças de figuras ilustres antigas, dignas de lembrança e imitação. Ao passo que, o aforismo pode abrigar sentenças de autoria popular.
Plutarco (século I a. C.) foi o primeiro nome na Antiguidade greco-latina a reunir ditos memoráveis de reis, políticos e soldados eminentes, de várias regiões e épocas, em sua Apophthegmata Lacônica.
A Nova Floresta (1706 –1728), do Padre Manuel Bernardes, é um dos mais significativos, pela quantidade e qualidade dos apotegmas que coleciona e comenta.
O Marquês de Maricá ficou célebre por suas Máximas, Pensamentos e Reflexões (1837-43), de onde se registra este apotegma: A vaidade de muita ciência é prova de pouco saber. ®Sérgio.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

COISAS DE SUPER-HERÓI


LIMA BARRETO: ABSOLUTO ANIQUILAMENTO

O carioca Afonso Henriques de Lima Barreto (1881 – 1922), uma das figuras mais fascinantes e controvertidas da literatura brasileira, entregou-se à bebida o que o levou a constantes crises de depressão, de modo, que teve de internar-se  por duas vezes no Hospício Nacional (em 1943 em 1919). Na segunda estadia, obrigado a varrer, em público, o pátio do manicômio, confessa:
"Veio-me repentinamente, um horror à sociedade e à vida; uma vontade de absoluto aniquilamento, mais daquele que a morte traz; um desejo de perecimento total da minha memória na terra; um desespero por ter sonhado e terem me acenado tanta grandeza, e ver agora, de uma hora para outra, sem ter perdido de fato a minha situação, cair tão, tão baixo, que quase me pus a chorar que nem uma criança." ®Sérgio.

RETRATO DO PARADOXO

Miguel de Cervantes Saavedra é o retrato do paradoxo. É pobre e rico, nobre e plebeu. É síntese de seu tempo, de seu país, intolerante e libertário, poeta e louco. E paradoxal é também (o herói de sua obra principal) Dom Quixote da Mancha. Ambos vivem e meditam, descompassados, ora sonhos altos e nobres de almas generosas, ora mesquinhas realidades de vida agarrada e ridícula. Cervantes é o repórter de Quixote, diz Lourenço. 
Professor José Lourenço de Oliveira (1904 – 1984), humanista, filólogo, linguista e filósofo da linguagem.