sábado, 16 de junho de 2012
O APÓLOGO
A origem do apólogo (do Grego apólogos = narrativa
detalhada.) é remota e um tanto obscura, acredita-se que tenha surgido
no oriente, porém, está presente na literatura de todos os povos.
É uma narrativa em
prosa, curta e alegórica, comumente confundida com a fábula e a parábola, em
razão do conteúdo moral explícito ou implícito, ou seja, um conceito moral que
sempre encerra a narrativa e à estrutura dramática a qual se fundamenta. No
entanto, estudiosos do assunto afirmam que a distinção se faz pelas
personagens.
Apólogo é protagonizado
por coisas inanimadas (plantas, pedras, rios, relógios, montanhas, relógios,
estátuas, etc.) que adquirem certos dotes humanos: a fala, por exemplo. Ao
passo que a fábula conteria de preferência animais irracionais, e a parábola
seres humanos. Eis um exemplo de apólogo:
Havia no alto de uma
montanha três árvores, que cresciam e sonhavam juntas. Sonhavam,
principalmente, o que seriam depois de grandes. E assim, todo dia, repetiam
entre si, seus sonhos.
A primeira, olhando as
estrelas, dizia: "Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de
tesouros. E, para tanto, até me disponho a ser cortada".
A segunda, sempre que
olhava o riacho a correr, suspirava: "Eu quero ser um navio grande para
transportar reis e rainhas".
A terceira que amava
aquele vale, que pulsava em vida, anunciava: "Quero ficar aqui, no alto da
montanha, e crescer tanto que as pessoas, ao olharem para mim, levantem os
olhos e pensem na grandiosidade de Deus".
Passado muitos anos, um
dia, três lenhadores subiram a montanha e as cortaram. As duas primeiras,
vibravam, ansiosas, em serem transformadas naquilo que sonhavam, porém a
terceira, nem tanto. Mas os lenhadores não costumavam ouvir ou entender sonhos
de árvores. E a primeira acabou sendo transformada em um cocho, aonde os
animais vinham comer. A segunda virou um simples barco de pesca, carregando
pessoas, carga e peixes. A terceira, foi cortada em grossas vigas, e quase
todas, usadas na construção um estábulo para os animais, somente duas foram
guardadas num depósito à espera de utilização.
Desiludidas e tristes
as três irmãs árvores se perguntavam: Por quê?
Eis que, numa noite,
uma jovem mulher, prestes a dar à luz, e seu marido José não encontrando lugar nas
hospedarias, colocou seu bebê recém-nascido naquele cocho de animais. A
primeira árvore, então, percebeu que abrigava o maior tesouro do mundo e que
Deus não só realizara o seu sonho como ainda a privilegiara entre todas as árvores
do mundo. E deu glória a Deus.
Anos mais tarde esse
menino, agora homem, entrou num barco - o mesmo em que a segunda árvore havia
se transformado-, e nele acabou dormindo, quando uma tempestade abateu-se sobre
a embarcação. O homem levantou-se e disse: "Que se faça a bonança"! E
veio a calma e a tranquilidade no mar revolto; e a árvore, compreendeu que
estava transportando o rei do céu e da terra, que estava recebendo de Deus
muito mais do que pedira.
Outros três anos se
passaram. E numa fatídica sexta-feira, a terceira árvore espantou-se quando
suas vigas foram unidas em forma de cruz e nela um homem foi deitado e pregado.
A princípio, a terceira árvore, sentiu-se horrível e cruel. Mas, dois dias
depois, aquele que em suas vigas tinha sido crucificado, ressuscitava dos
mortos para subir ao céu. E a terceira árvore percebeu que nela havia sido
pregado um homem para a salvação da humanidade e que as pessoas sempre se
lembrariam de Deus e de seu Filho ao olharem para aquela cruz.
As árvores haviam tido
sonhos e desejos... E os julgaram perdidos. Porém eles aconteceram, e foi maior
do que haviam imaginado. Assim, digo-lhes: nunca deixe de acreditar em seus
sonhos, mesmo que, aparentemente, eles sejam impossíveis de se realizar.
Na Literatura
Brasileira o apólogo encontrou adeptos em: D. Francisco Manuel de Melo, Apólogos Dialogais (1721); João Vicente
Pimentel Maldonado, Apólogos (1820); Machado
de Assis, Um Apólogo (também conhecido
por A Agulha e a Linha), pertencente ao volume Várias Histórias (1896); Coelho Neto, Apólogos (1904). ®Sérgio.
A ALUSÃO
Entende-se por alusão toda
referência explícita ou implícita, direta ou indireta, proposital ou causal, a
uma obra, um autor, personagem, situação, etc., pertencente ao mundo literário,
artístico, mitológico, etc., e que seja do conhecimento do leitor. Por exemplo,
no enunciado: "O Comandante americano alcançara uma vitória de
Pirro".
Está sendo feita uma alusão ao
célebre general grego Pirro. Você só poderá entender essa alusão, se conhecer a
história do general; que é a seguinte: seu exército após uma difícil vitória
sofreu tantas baixas que o levou a dizer: "Mais uma vitória como esta e
estou perdido". De modo que a alusão à vitória de Pirro passou a ser, em
qualquer contexto, uma conquista difícil.
Camões, ao
dizer que "Cessem do sábio Grego e Troiano / As navegações grandes que
fizeram" (Os Lusíadas, c. I, est. 3), alude a Ulisses e Enéias.
Percebe-se,
sem dúvida, que a alusão é a leve menção de outros textos dentro de um texto,
pela inserção do autor. A alusão não transcreve um texto preexistente, apenas o
referencia. Por outro lado, nem sempre o leitor, ainda que culto e atento, reconhece
a alusão encerrada numa passagem.
Segundo
estudiosos de literatura como Earl Miner e outros, podemos distinguir os
seguintes tipos de alusão:
1. Alusão Tópica ou Histórica, quando se
refere a acontecimentos passados ou recentes. É o caso do general Pirro.
2. Alusão Pessoal, quando o escritor
menciona fatos relativamente notórios de sua própria existência. Como é o caso
do poeta e dramaturgo William Butler Yeats, cuja obra está repleta de alusões
restritas à sua vida privada.
3. Alusão Nominal, quando se refere a um
nome próprio do conhecimento geral. Homero, Platão, Ulisses, Enéias, James
Joyce.
4. Textual, quando se refere a textos
preexistentes na tradição literária. Uma obra literária pode ser, no seu todo,
uma alusão de uma obra anterior, como no caso de Osman Lins, que transpôs para
o sertão pernambucano, em O Fiel e a Pedra, a Eneida de Virgílio. ®Sérgio.
_____________________________________________________
Para saber mais:
E-Dicionário de Termos Literários, coord. de Carlos Ceia.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
SANTIDADE E MARTÍRIO
Na tela A Morte de Marat (1973) de
Jaques-Louis David, vemos o revolucionário Jean-Paul Marat (1743 - 1793), líder
da Revolução Francesa, romanticamente representado com uma áurea de santidade e
martírio. Na realidade, Marat tinha uma aparência bastante desagradável, devido
a uma debilitante doença crônica da pele (escrófula), adquirida quando ele se
escondia nos esgotos de Paris.
Sua doença de pele ia piorando, e seu
último recurso para evitar o desconforto era tomar banhos medicinais. Marat
estava em sua banheira em 13 de julho de 1793, quando uma jovem mulher,
Charlotte Corday, dizendo ser uma mensageira pediu para ser admitida em suas
dependências. Quando ela entrou, armou-se com uma faca e esfaqueou-o no peito.
Ele gritou "À moi, ma chère amie!" (ajude-me, cara amiga) e morreu. ®Sérgio.
terça-feira, 5 de junho de 2012
O PARADOXO
Benito Amilcare Andrea Mussolini (1883 - 1945) já mostrava que não estava para brincadeiras desde
pequeno. Foi-lhe dado o nome
de Benito em honra do
revolucionário mexicano Benito Juárez. Com apenas 11 anos ele esfaqueou um de seus colegas, de uma escola regida por monges salesianos, e jogou tinta em um professor, sendo expulso logo em seguida. Após
ingressar em uma nova escola, alcançou boas notas, e conseguiu um emprego como professor da escola
primária, depois foi artesão, redator de jornal e escritor, tendo publicado
alguns contos e um romance. Uma curiosidade é que ele evadiu-se da Itália para
fugir do serviço militar obrigatório, mas foi expulso da Suíça por vagabundagem
e foi obrigado a cumprir, na Itália, o serviço militar. ®Sérgio.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
OBRIGADOS A LUTAR ATÉ A MORTE
Lucius Aelius Aurelius Commodus (161-192
a. C.), imperador romano (o vilão do filme Gladiador) era filho do Imperador César
Marco Aurélio Antonino Augusto (121–180 a. C.). Aos 17 anos Commodus foi
empossado vice-imperador e reinou em conjunto com o pai durante três anos. Com
a morte do pai assumiu o poder e pelos 12 anos seguintes (bem mais que no
filme), mandou e desmandou em Roma.
Commodus recolhia pelas ruas de Roma,
anões, leprosos, aleijados e cegos para levá-los ao Coliseu, onde eles eram
obrigados a lutar uns com outros até a morte usando facas de açougueiros. ®Sérgio.
sábado, 2 de junho de 2012
OS 10 LIVROS MAIS VENDIDOS NO MUNDO NOS ÚLTIMOS 50 ANOS
A
Bíblia Cristã, As Citações de Mao Tse-Tung, A Saga Harry Potter, Saga O Senhor
dos Anéis, O Alquimista, O Código Da Vinci, Saga Crepúsculo, E o Vento Levou,
Pense e Enriqueça, o Diário de Anne Frank. Números expressos em milhões de
cópias.
Fonte: EBook Livre
quinta-feira, 31 de maio de 2012
MITOLOGIA E MITO
A
palavra Mitologia vem do grego mythos, que significa fábula, e logos, que significa tratado. Dois
conceitos designam a Mitologia: É o conjunto de mitos e lendas que um povo
imaginou e o estudo dos mesmos.
A
base da mitologia é o esforço permanente e contínuo de entender o mundo e o
próprio homem. Nos primórdios da civilização, o ser humano nutria intensa
necessidade de explicar os fenômenos da natureza, o que se passava a sua volta,
enfim, explicar o mundo. Por isso, o mito, relata uma estória verdadeira, na
medida em que toca, profundamente, o homem – ser mortal, organizado em
sociedade, obrigado a trabalhar para viver, submetido a acontecimentos e
imprevistos que independem de sua vontade. E, à medida que são recontadas,
essas histórias tornam-se mais complexas, ganham novos personagens e variantes.
Os primeiros mitos brotaram da projeção imaginativa que o homem fez das
funções da vida: nascimento, amor e morte; maternidade, paternidade e
virgindade. E sintetizam tudo o que o homem, mediante a inteligência e o
sentimento, conseguiu conquistar, em face de uma vida que não solicitou, de uma
morte que o amedronta, de um amor que o domina e de uma doença cujos fenômenos
o assombram ou o aniquilam.
Não há nenhum grupo cultural ou étnico na terra que não associe a origem
do mundo, dos seres humanos, das plantas, dos animais e dos acidentes
geográficos a uma força superior, sobre-humana. Deuses e heróis convivem com a
humanidade desde a aurora de nossa espécie. E essas histórias que não tem
autores, continuam a nos encantar.
Para as sociedades o mito era uma narrativa verdadeira. A história de um
mito é sentida e vivida como verdadeira, embora para outra sociedade pareça
invenção. A história de Jesus para um cristão é verdadeira, assim como é
verdadeira a história de Buda para os budistas ou a história de Tupã para um
indígena brasileiro. Os nórdicos achavam que o mundo começara da luta, em um
grande campo de gelo, do calor contra o frio. Para os gregos e indianos os
deuses viviam numa montanha. Os africanos imaginavam que o mundo surgiu de um
ovo cósmico. Em muitas culturas, o homem veio da argila, do barro ou do sopro
divino.
Alguns tipos de mitos: Teogonia, mitos que contam a criação do mundo;
Cosmogonia, mitos que explicam o destino do homem após a morte; Escatologia mitos
que explicam as coisas que devem acontecer no fim dos tempos, no fim do mundo,
etc. ®Sérgio.
O EXORCISMO
Essa
internet, em alguns aspectos, tira a gente do sério. Dia desses,
estava navegando pelo Google sem nenhuma procura definida, quando dei "de
cara" com a notícia abaixo; mas vou logo explicando que não estou inventando
nada.
A paulista
Doralice de Freitas, pediu a um pastor evangélico para exorcizar o diabo do
corpo de sua filha, o que foi prontamente executado. Após o exorcismo o pastor
engarrafou os dois diabinhos e entregou a ela. Sem saber o que fazer com a
garrafa, Doralice resolveu leiloar os capetas pela internet.
Por mais incrível
que possa parecer, perto de 20.000 pessoas se interessaram pela garrafa, que
foi arrematada por um empresário de produtos para centros espíritas. Com o
dinheiro, Doralice aproveitou para pagar a conta do pastor exorcista que,
segundo ela, livrou sua filha dos diabos que a assombravam.
Salve-se quem
puder! ®Sérgio.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
CÂNTICO NEGRO
Não sei se José Régio, poeta português, gostaria de ver o
fragmento de sua poesia expostas assim em meu blog, mas não posso deixar de
postar meus poemas preferidos de vez em quando... Seleta de Poemas
representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com
vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
Cântico
Negro (fragmento)
...........................................................
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
— Sei que não vou por aí!
José Régio. Poemas de Deus e do Diabo, p 57.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
A CASA ASSOMBRADA - Causos de Assombração
Numa noite fui surpreendido, em minha casa,
por portas que se abriam e se fechavam sozinhas. Em outras noites, eram as luzes
que se acendiam como que por magia, além de copos que voavam da pia para o
chão. Até pedras caíam no telhado. Apesar desses acontecimentos, felizmente,
ninguém se feria.
Tivesse um raio caído aos meus pés, não me
mostraria eu tão aturdido com esses acontecimentos. Envolto em fria mortalha de medo, decidi recorrer ao padre
capelão. Pedi-lhe que fosse a minha casa, fizesse umas rezas e expulsasse os
espíritos. O capelão bebeu uma grande taça de
vinho, ficou um instante a refletir e, então, pediu ao sacristão para lhe trazer
a grande cruz de madeira, a bíblia e o vaso de água benta. Colocou a estola e
julgando-se armado para afugentar aquelas almas demoníacas, seguiu comigo para
a casa assombrada.
Não queria acreditar,
quando assistiu, ele próprio o que lhe tinha relatado na sacristia. Aquelas
coisas estranhas aconteciam mesmo. Todos, em casa, lhe rogaram para que
benzesse o lar e, mais, que fizesse um exorcismo e terminasse com aquela aflição.
Entoando os sete salmos
e orações (o sacristão, por ordem do padre, à frente com a cruz erguida) o
capelão ia espalhando água benta por todos os cantos gritando: “Vai-te embora
satanás, vai-te embora...”.
Mesmo na presença
capelão, os espíritos não se
aniquilaram. Choveram pedras, portas e janelas abriram e fecharam-se
sozinhas e até alguns peças de roupa começaram a arder.
Não se deixando
convencer, ainda que tenha presenciado tão estranhos eventos, sem solução, o
capelão recorreu a uns amigos ligados à parapsicologia.
Um dos parapsicólogos
perguntou-me, pela idade de todos que frequentavam a casa, na esperança de que
o causador fosse algum adolescente dado a brincadeiras. Segundo os estudos de
parapsicologia, são eles os responsáveis por 90% destes casos. Respondi que
adolescente na minha casa só o meu neto, um rapaz de 15 anos, que viera passar
as férias. Por sugestão do parapsicólogo afastamos meu neto de casa por alguns
dias e, tal como se supunha, não houve mais nenhum objeto voador. Ele confessou
ao parapsicólogo que seus pais tiveram de viajar, a trabalho, e deixaram-no na
casa dos avós, cuja cidadezinha detestava. ®Sérgio.
terça-feira, 15 de maio de 2012
A SINÉDOQUE
Não é costume, hoje, estabelecer
grande diferença ente a metonímia e
a sinédoque, pois esta é um caso especial de metonímia, onde, ora se exprime o
mais restrito (a parte) pelo mais extenso (o todo), ora o todo pela parte: chaminé
pela fábrica, o telhado pela casa, o singular pelo plural, a substância pelo produto, a nação pelo
governo, o gênero pela espécie, etc.
Observe:
•
As chaminés
forjam a grandeza de São Paulo.
(a parte: chaminé, pelo todo: fábrica).
•
O homem é mortal (a espécie pelo gênero).
•
A vela singrou
os mares (a parte: vela, pelo todo: navio).
•
O índio é valente (o singular:
índio, pelo plural: índios).
•
Não dá
para viver sem um teto. (a parte pelo todo)
•
Lento o
bronze (o sino) soa. (a
matéria pelo objeto que dela é feito)
Fica explicito, portanto, que na sinédoque
há uma relação de extensão. Isto é, um termo de extensão menor substitui outro de
extensão maior, e vice-versa.
Convém ter-se presente que a metonímia e a
sinédoque nem sempre são percebidas como uma figura de estilo, pois algumas de
suas construções já pertencem à linguagem comum: o pão de cada dia, ter bocas
para alimentar, dizem as más línguas, os sem-teto, etc. ®Sérgio.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
A HOMOSSEXUALIDADE DE FARAÓS
Um
papiro com 5000 anos de idade, pertencente ao Museu Rosa-Cruz de San Jose, na
Califórnia, mostra que os antigos egípcios tinham tendência a bisbilhotarem
sobre a vida alheia. No papiro especulam a homossexualidade de faraós, entre
outras coisas. O documento fala de um rei não identificado que visita à noite,
frequentemente, a casa de um de seus generais. O uso da frase em cuja casa não
existe esposa sugere que o faraó estava tendo um relacionamento gay. Isso,
entretanto, não significa necessariamente que os egípcios fossem contra tal
tipo de relacionamento. A desaprovação implícita parece estar mais focada no
fato de que dessa maneira não haveria herdeiro para o trono. ®Sérgio.
________________________________________
Fonte: O Fascínio do Antigo Egito.
Disponível em: http://www.fascinioegito.sh06.com/index.html
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A ESTÂNCIA
Serve para dar nome às
estrofes regulares, isto é, a seqüência de grupos de versos organizados segundo
um único padrão. O que a difere a estância da estrofe é a repetição do mesmo
dispositivo estrófico em todo o poema, ou seja, agrupamentos com número de
versos fixos, sujeitos a mesma medida e igual arranjo de rima. Os Lusíadas, por exemplo, tem 1 102
estâncias, quer dizer que suas unidades métricas apresentam estrutura uniforme:
a oitava heróica. No soneto, entretanto, o termo válido é estrofe, visto que se
compõe de modo irregular: duas quadras e dois tercetos. Cabe ressaltar que os
estudiosos nem sempre estão de acordo com tal consideração. ®Sérgio.
DÉCIMA
É
o poema ou a estrofe de dez versos. Podemos distinguir dois tipos de décima:
A medieval: encontrada com freqüência desde o Trovadorismo até o século XVI.
Segundo alguns estudiosos, era uma falsa décima, pois, compunha-se de duas
quintilhas independentes pela rima e separadas por uma pausa.
A clássica, também chamada de espinela
(em homenagem ao seu presumido inventor, o poeta espanhol do século XVI,
Vicente Espinel), consta de uma quadra e uma sextilha, geralmente formada por
versos heptassílabos (de sete sílabas) e com o seguinte esquema de rimas: ABBA
ACCDDC. A ideia apresentada na
quadra é desenvolvida na sextilha:
Soltai-me,
Amor enganado, [a]
Que
enganado me prendeis; [b]
Que
em meu poder não tereis [b]
Seguro o vosso cuidado. [a]
Sou
um pastor desprezado, [a]
Que
numa aspereza vivo, [c]
A
toda brandura esquivo, [c]
Sujeito
a todo rigor, [d]
Não
posso servir a Amor, [d]
Que
estou de sorte cativo. [c]
Francisco Rodrigues Lobo (1580-1622), poeta português.
Também
chamada de pequeno soneto a décima
foi vastamente empregada, sobretudo como estrofe. O poeta Gregório de Matos,
entretanto, a cultivou como poema isolado:
Décima
Se
Pica-flor me chamais, [a]
Pica-flor
aceito ser, [b]
mas
resta agora saber, [b]
se
no nome que me dais, [a]
meteis
a flor, que guardais [a]
no
passarinho melhor! [c]
Se
me dais este favor, [c]
Sendo
só de mim o Pica, [d]
e
o mais vosso, claro fica, [d]
que fica então Pica-flor. [c]
Os
românticos não a apreciaram muito. Mas os parnasianos a repuseram em
circulação. Os nossos cantadores nordestinos utilizam-na com freqüência. ®Sergio.
terça-feira, 8 de maio de 2012
COMIC-STRIPS
Comic-Strips é uma expressão em língua
inglesa que significa: tiras cômicas
e pela qual são conhecidas as histórias de quadrinhos publicadas ao longo do
século 20 e no 21, em jornais diários (as tiras diárias), as tiras de
domingo (em sequências mais longas) e em revistas que se especializaram
nisso.
As tiras diárias normalmente são impressas
em preto e branco, e as tiras de domingo são normalmente de cor. No entanto,
alguns jornais publicam tiras diárias coloridas, e alguns jornais publicam as
tiras de domingo em preto e branco.
A finalidade do comic-strips é contar
histórias através da imagem com o mínimo de texto, passando os episódios a se
explicarem por si mesmo, através da ação, dos balões que contém as falas,
reduzidas sempre à expressão mais sintética, geralmente, baseadas em expressões
onomatopaicas.
A ideia, entretanto, vem da Antiguidade.
Arqueólogos encontraram no Egito frisos que continham desenhos narrando
aspectos da vida de importantes personalidades. Os pintores sacros da
Renascença fizeram a mesma coisa com episódios bíblicos, chamados de o Pauperum Bíblia (Indigente
Bíblia). Foi nos Estados Unidos, porém, que as histórias em quadrinhos chegaram
ao apogeu. Na Itália também fizeram sucesso. Quando desenhadas são ali chamadas
fumetti e quando fotografadas foto
filmes. O Brasil tem também criado as suas comic-strips. ®Sérgio.
A BAILADA OU BAILIA
Do Latim; ballare = dançar - Poema medieval, acompanhado de
movimentos coreográficos, do tipo das cantigas de amigo, originário da
Provença. Composta geralmente em estrofes com repetições de versos, pressupunha
a existência de um grupo de moças com funções diferenciadas: uma delas, dotada
de melhor voz, a cantadeira, entoaria as principais cobras (estrofes), e as
demais, em coro, o estribilho ou refrão. Se o número de estrofes correspondesse
ao número de figurantes, cada uma delas se encobriria de uma estrofe, e todas
se reuniriam para dizer o estribilho ou refrão. Geralmente, a bailada abordava
temas e situações alegres e festivos. O vocábulo bailada e balada tem a mesma
origem: ballare. ®Sérgio.
O APOTEGMA
O Apotegma - do Grego apóphthegma = sentença - diferencia-se
do aforismo por encerrar de modo primoroso e claro, um saber baseado em sentenças
de figuras ilustres antigas, dignas de lembrança e imitação. Ao passo que, o
aforismo pode abrigar sentenças de autoria popular.
Plutarco (século I a. C.)
foi o primeiro nome na Antiguidade greco-latina a reunir ditos memoráveis de
reis, políticos e soldados eminentes, de várias regiões e épocas, em sua Apophthegmata Lacônica.
A Nova Floresta (1706 –1728), do Padre Manuel Bernardes, é um dos
mais significativos, pela quantidade e qualidade dos apotegmas que coleciona e
comenta.
O Marquês de Maricá
ficou célebre por suas Máximas, Pensamentos
e Reflexões (1837-43), de onde se registra este apotegma: A vaidade de muita ciência é prova de pouco
saber. ®Sérgio.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
LIMA BARRETO: ABSOLUTO ANIQUILAMENTO
O carioca Afonso
Henriques de Lima Barreto (1881 – 1922), uma das figuras mais fascinantes e
controvertidas da literatura brasileira, entregou-se à bebida o que o levou a
constantes crises de depressão, de modo, que teve de internar-se por duas vezes no Hospício Nacional (em 1943
em 1919). Na segunda estadia, obrigado a varrer, em público, o pátio do
manicômio, confessa:
"Veio-me repentinamente,
um horror à sociedade e à vida; uma vontade de absoluto aniquilamento, mais
daquele que a morte traz; um desejo de perecimento total da minha memória na
terra; um desespero por ter sonhado e terem me acenado tanta grandeza, e ver
agora, de uma hora para outra, sem ter perdido de fato a minha situação, cair
tão, tão baixo, que quase me pus a chorar que nem uma criança." ®Sérgio.
RETRATO DO PARADOXO
Miguel de Cervantes Saavedra é o retrato do paradoxo. É pobre e rico,
nobre e plebeu. É síntese de seu tempo, de seu país, intolerante e libertário,
poeta e louco. E paradoxal é também (o herói de sua obra principal) Dom Quixote
da Mancha. Ambos vivem e meditam, descompassados, ora sonhos altos e nobres de
almas generosas, ora mesquinhas realidades de vida agarrada e ridícula. Cervantes
é o repórter de Quixote, diz Lourenço.
Professor José Lourenço de
Oliveira (1904 – 1984), humanista, filólogo, linguista e filósofo da linguagem.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
VENDER SÓ FARELO
Não
sei se Geoffrey Chaucer gostaria de ver
sua poesia exposta assim em meu blog, mas não posso deixar de postar meus poemas
preferidos de vez em quando...
Seleta de Poemas representa as poesias que
li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas
preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
Vender
Só Farelo
Meu Jesus Cristo! Quando me recordo
Da minha juventude da alegria,
Arrepia-me a raiz do coração.
Até hoje ao coração me faz um bem
Ter tido o meu mundo no meu tempo.
Mas a idade – ai de mim – que tudo estraga
Roubou-me a beleza e o vigor.
Pois que se vá, adeus! Para o diabo!
Acabou-se a farinha, já não há:
Resta-me, então, vender só o farelo.
Geoffrey
Chaucer (1343 - 1400), escritor, filósofo e diplomata inglês. Embora
tenha escrito muitas obras, é mais lembrado pela sua obra narrativa inacabada,
Os Contos da Cantuária (The Canterbury
Tales), uma das mais importantes da literatura inglesa medieval.
Assinar:
Postagens (Atom)













.jpg)




