domingo, 13 de novembro de 2011

JESUS ARVORIFICADO

Jesus pode não ter sido exatamente crucificado, mas sim, arvorificado. É a teoria do arqueólogo Joe Zias, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Diz ele que as vítimas dos romanos eram mais comumente crucificadas em árvores, pregando-se uma tábua de madeira no tronco para prender os braços do condenado. ®Sérgio.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PORQUE BARRABÁS?

No julgamento, a multidão teria pedido que Barrabás (era costume da Páscoa, naquela época a libertação de um condenado) fosse solto, em vez de Jesus? Porque, Barrabás era um tipo de sicário, ou seja, judeus que saiam armados de punhais para matar romanos na calada da noite como uma forma de vingança pela destruição do templo pelo imperador romano Vespasiano. Por isso, os sicários eram assassinos amados pela população. ®Sérgio.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

CLEÓPATRA E O TAPETE

Conta Plutarco, num episódio lendário da sua biografia dos Césares, que Cleópatra marcou um encontro com Júlio César, quando este chegou ao Egito, no inverno de 48 a. C. – 49 a. C., a fim de lhe dar um presente, que consistia num tapete. Este, ao ser desenrolado, mostrou que a própria rainha estava em seu interior, coberta de joias, majestosa. (Cleópatra tinha sido enrolada no tapete pelo seu servo Apolodoro). Mas, Stacy Schiff, aurora de Cleópatra – Uma Biografia, desmente essa versão explicando que o intuito da rainha sempre foi "a sobrevivência, mais que a sedução". As histórias desta biografia baseada em fontes da Antiguidade serão, em breve, personificadas por Angelina Jolie em filme de James Cameron. ®Sérgio.
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Schiff, Stacy. Cleopatra: Uma Biografia. Tradução de Jose Rubens Siqueira. Editora: Jorge Zahar, 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

A ALMA PENADA - Recontando Contos Populares

Conta-se que em uma cidadezinha do interior, uma velha senhora - viúva de muito tempo - vivia em companhia de um chipanzé que ganhara nos idos tempos em que era artista circense. Certo dia, ela caiu doente, e a cada dia adoecia cada vez mais; já nem saia mais do quarto, de modo que teve de ser amparada pelas suas comadres. Vencida, afinal, pela enfermidade e pela velhice, entregou a alma a Deus, confortada com a comunhão e a extrema unção realizada pelo padre da paróquia.
Enquanto as beatas preparavam as cerimônias fúnebres e rezavam os últimos ofícios pela defunta, o chipanzé, num canto do quarto, observava tudo com muita atenção. As comadres amortalharam o corpo e o colocaram no caixão; veio o padre e, juntamente com a irmandade religiosa, realizou as cerimônias de costume: fazer as orações pela alma da defunta e cantar os hinos. Em seguida, o corpo foi levado para a igreja, que ficava próxima, para que se desse o velório.
O macaco que durante a encomenda do corpo não dera um pio, mas observara tudo; agora voltava a atenção às coisas que o rodeavam. Começou a despejar as gavetas e a examinar o que continham. Como tinha observado à defunta nos seus trajes mortuários; a forma como tinha a cabeça coberta pela mortalha; o macaco começou a se vestir exatamente do modo que presenciara. Mas, cansado da brincadeira, deitou-se na cama, jogou por cima de si o lençol que cobrira a defunta e ali se deixou ficar até adormecer.
O velório prosseguia na igreja, quando uma das comadres lembrou-se de que, a falecida havia lhe pedido para ser enterrada junto com bíblia dela. Então, as comadres retornaram a casa da falecida para buscar o livro santo. Quando entraram no quarto e viram o macaco amortalhado, fugiram aterrorizadas, pensando terem visto a alma da defunta. Na igreja, depois de tomarem água com açúcar e recuperado o fôlego, contaram que tinham visto a alma da falecida comadre repousando no leito onde estivera doente.
A notícia se espalhou mais que depressa pela freguesia e a comunidade correu, curiosa, para a igreja. Dois incrédulos disseram que as comadres estavam "vendo coisas" e resolveram ir ao quarto da falecida para desfazerem o mal-entendido. Como a noite se aproximava, sentiram - apesar de demonstrarem indiferença - uma sensação desagradável ao entrarem no quarto. Aproximaram-se da cama e sentiram algo respirar por baixo do lençol; quando perceberam que o lençol se movia como se quisesse saltar da cama, fugiram rua abaixo, numa correria despinguelada, até o interior da igreja.
Comprovada a existência da alma penada, chamaram o padre e o caso lhe foi explicado. O padre bebeu uma grande taça de vinho, ficou um instante a refletir e, então, pediu ao sacristão para lhe trazer a grande cruz de madeira, a bíblia e o vaso de água benta. Colocou a estola e julgando-se armado para afugentar aquela alma demoníaca, seguiu com suas beatas para a casa da defunta.
Entoando os sete salmos e orações, subiram as escadas. Ia o sacristão, por ordem do padre, à frente do cortejo, com a cruz erguida. Quando chegaram à porta do quarto, apesar da água benta que o padre vinha espalhando por todos os cantos, o cortejo se deixou ficar para trás, enquanto o valente sacerdote ordenava ao sacristão que avançasse. Aproximando-se da cama viram o chipanzé amortalhado, como se fosse uma alma penada. Murmuraram algumas orações, agitaram a cruz durante algum tempo, e nada da alma ir embora. Com vergonha de recuar, o sacerdote começou a espalhar água benta em grande quantidade, gritando: “Vai-te embora satanás, vai-te embora...” e tacou uma porção bem servida de água benta sobre o macaco, enquanto o sacristão agitava freneticamente a cruz por cima da alma. O chipanzé temendo ser cumprimentado com uma pancada da enorme cruz, começou a fazer careta e a guinchar de um modo tão macabro, que o vaso sagrado caiu das mãos do padre e o sacristão deixou tombar a cruz, fugindo, ambos, na maior carreira. Tal era a pressa que o padre caiu por cima do sacristão, e, rolando escada abaixo, estatelaram-se no piso da casa.
Ao ouvirem os gritos do padre: Jesus! Jesus!... As beatas, que o aguardavam no jardim, correram ao seu encontro. Perguntavam, enlouquecidas, o que tinha acontecido. Os dois olhavam para elas, estarrecidos, sem conseguirem prenunciar uma palavra sequer. Por fim o padre teve força suficiente para dizer:
— Minhas filhas, é verdade, vi a falecida na forma de um feroz demônio...
Mal ele tinha acabado de pronunciar estas palavras, desce, pela escada banhada de água benta, o chipanzé envolto da cabeça aos pés num lençol branco. E o resto vocês podem imaginar. ®Sérgio.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PESQUISA DIZ QUE BRASIL É O 3º PAÍS ONDE MAIS SE CRÊ EM DEUS


A EXPRESSÃO "EM FUNÇÃO DE" - Estudos Gramaticais

Tornou-se comum o uso da locução [em função de] em frases como:
   Não fui jogar bola em função do calor.
   Cheguei atrasado em função do trânsito.
   Maria não foi trabalhar em função da dengue.
   Ele morreu em função de um tétano.
Acontece que [em função de] equivale a finalidade e não causa. O certo é escrever ou dizer:
   Ele vivia em função da família. (ele vive para a família)
   Sandra vive em função do dinheiro. (para o dinheiro)
   O político agia em função de seus objetivos. (para seus objetivos)
No caso de significar [causa], use: porém, em virtude de, por causa de, em consequência de:
   Não fui jogar bola em virtude do calor.
   Cheguei atrasado por causa do trânsito.
   Maria não foi trabalhar em consequência da dengue.
   Ele morreu em consequência de um tétano. ®Sérgio.

ELA TEM ALGUMA COISA DE BOA ou DE BOM? - Estudos Gramaticais

Embora os falantes de nossa língua tenham popularizado o termo "alguma coisa de boa", a gramática estabelece que o adjetivo que vem depois da preposição [de] não varia:
   Ela tem alguma coisa de bom (e nunca de boa).
   A moça ocultava alguma coisa de misterioso (e não de misteriosa).
Mas, atenção: Se, por acaso, não houver a preposição, faz-se a concordância normalmente:
   Ela tem alguma coisa boa.
   A moça ocultava alguma coisa misteriosa.
Observação: Seguem a mesma concordância: nenhuma coisa de, qualquer coisa de, algo de, nada de e tudo de:
   Ela tem tudo de bom.
   A moça não tem nada de misterioso. ®Sérgio.
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Informações foram retiradas e adaptadas ao texto de: Prof. Sérgio Nogueira, O Português do Dia a dia – Rio de Janeiro: Rocco, 2004. Eduardo Martins, Manual de Redação e Estilo – São Paulo: Moderna, s.d.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A TIA

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas, ou homenagear autores que admiro.
A TIA¹
Eu tive uma velha tia,
Que um velho livro possuía;
Dentro dele era guardada
Uma folinha mirrada.
Também está mirrada agora
A mão que a colheu outrora.
Não sei o que a velha tinha,
— Chorava ao ver a folinha.
Anastasius Grün, pseudônimo de Alexander, conde de Auersperg, poeta e prosador austríaco.
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1 – In O Livro de Ouro da Poesia Universal. Trad. Ari de Mesquita (org.). Tecnoprint, 1988.

domingo, 18 de setembro de 2011

A LENDA DA FORMIGA SAÚVA - Recontando Lendas Populares

Diz a lenda, que no tempo de dantes, havia uma formiga que ganhava a vida costurando. E para ajudá-la, nas muitas costuras, ensinava a filha a coser. Quando saía, deixava deveres de costura para a filha. A formiguinha, porém, ignorava o trabalho e ia para o mato juntar uma porção de folhas que trazia para casa. Então pegava a tesoura e começava a cortá-las.
Quando a mãe chegava e encontrava aquele montão de folhas cortadas, agarrava a filha e lhe dava umas boas chineladas. E isso era todo o santo dia. A formiga já não sabia mais o que fazer para corrigir a filha. Até que um dia, muito zangada, pegou uma corda, amarrou-a pela cintura e a outra extremidade da corda ao pé da mesa. Em seguida saiu para entregar umas costuras, trancando a porta.
Tanto fez a formiguinha, tanto esperneou, tanto espinoteou que o nó da corda foi lhe apertando, arrochando-lhe a cintura que quase a corta em dois pedaços.
Quando sua mãe chegou e a viu naquele estado, com a cintura tão fina por causa do arrocho da corda, teve pena da filha e soltou-a.
Mal se viu solta, a formiguinha sem mais conversa correu para o mato, e toca a carregar folhas para cortar em casa. Sua mãe vendo que não ia conseguir corrigi-la do mau costume botou-a para fora de casa, dizendo:
— Arre! Vai-te embora! Tua sina há de ser cortar folhas, até o mundo se acabar.
Por isso é que a formiga saúva tem cintura fina, uma tesoura na cabeça e só vive cortando folhas. ®Sérgio.

A LEGÍTIMA ARGUMENTAÇÃO

A legítima argumentação, tal como deve ser entendida, não se confunde com o bate-boca estéril ou carregado de animosidade. Ela deve ser, ao contrário, construtiva na sua finalidade, cooperativa em espírito e socialmente útil. Embora seja exato que os ignorantes discutem pelas razões mais tolas, isto não constitui motivo para que os homens inteligentes se omitam de advogar ideias e projetos que valham a pena. (J.R. Whitaker. Apud Garcia Othon M. Comunicação em prosa moderna)

sábado, 17 de setembro de 2011

OS ARISTOCRATAS E A PEBLE

Basta lembrar que os poetas líricos elegíacos, os que cantavam liricamente a angústia e a tristeza na Antiga Grécia, já dividiam os homens em duas categorias: os aristocratas, belos, justos e virtuosos e a plebe, vil e feia. ®Sérgio.

EUA DECIDEM NÃO EXIBIR FOTO DE BIN LADEN MORTO

Chargista Cearense Newton Silva

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A LITERATURA ANÔNIMA

Em todas as literaturas, iremos, sem dúvida, encontrar um número considerável de obras anônimas, ou seja, cujo autor se desconhece. Especialmente as originárias de tempos muito remotos, por terem um caráter oral e pertencerem culturalmente a toda comunidade, e, por isso mesmo, não se atribuía importância à ideia de uma autoria individual.
Não se conhece os nomes dos autores das grandes epopeias populares da Idade Média, como, por exemplo, as que relatam as lendas da mitologia germânica. Per Abbat, cujo nome aparece no fim do Cantar de mio Cid, poema épico espanhol, não é o autor da obra, mas sim copista dos manuscritos. Tampouco se conhecem, nas literaturas orientais, os autores dos textos védicos (Sânscritos vedas) ou de As Mil e Uma Noites e, nas literaturas ocidentais, os de numerosos hinos.
A partir do século XVI, o anonimato visava não tornar conhecido o nome do autor; a intenção deliberada era a de ocultar a origem da obra. O mesmo objetivo podia ser alcançado pela atribuição da obra a um autor de nome livremente inventado - o pseudônimo.
Geralmente, um autor principiante prefere o anonimato ou usa o pseudônimo, quando ainda não tem coragem de se expor ao julgamento do público e da crítica, ou, então, quando inicia novo estilo ou gênero, de cujo sucesso, ainda, não está seguro. Foi esse o caso de Waverley, publicado anonimamente por Sir Walter Scott (1771-1832), em 1814, dando origem a um novo gênero de romance: o romance histórico.
Casos mais frequentes de anonimato em literatura é a pressão da censura, da qual o autor espera severas medidas. Um dos primeiros e mais famoso caso de anonimato por medo de censura são as Letters of Junius (Cartas de Junius), que, publicadas entre 1769 e 1772 no jornal londrino The Public Advertiser, atacavam fortemente as tendências absolutistas do rei Jorge III. Tais cartas são uma obra-prima de jornalismo político e um monumento da prosa inglesa em sua fase classicista, do século XVIII. A identidade de Junius até hoje não é conhecida e poderá nunca ser esclarecida, a menos que sejam encontrados documentos que a estabeleçam de forma inequívoca. No entanto, acredita-se que o autor das Cartas de Junius possa ter sido o político inglês Sir Philip Francis (1740 – 1818).
Outra famosa obra anônima é o Lazarillo de Tormes, primeiro exemplo de romance picaresco, caracterizado por Benedetto Croce como uma espécie de epopeia da fome. ®Sérgio.

A RAPOSA E A ONÇA

Certa vez, uma raposa caiu nas garras duma onça; mas, espertíssima como era, a raposa disse-lhe com toda a tranquilidade:
— Dona Onça deve certamente estar ciente de que Deus acaba de me nomear rainha desta floresta, com a missão de governar todos os animais... E quer a senhora comer-me?! Que ousadia! Quer desrespeitar o Todo-Poderoso?
A Onça não acreditou nessa conversa. Como é que animalzinho tão fraco e tão magro como a raposa poderia ser a rainha da floresta?
Percebendo a hesitação da Onça, disse então a raposa:
— Não acredita? Mas a ignorância não é crime, por isso não vou puni-la. Esta sua rainha sempre se fez respeitar pela sua generosidade. Vamos fazer o seguinte: vou passar revista aos meus súditos, e a senhora vai seguir-me e observar como eles me temem.
A Onça aceitou a proposta, e lá foram os dois - a raposa à frente, toda arrogante, e a onça atrás.
Vendo a onça, os outros animais puseram-se em fuga, foi um "salve-se quem puder".
Mas a onça, sem desconfiar de nada, acreditou no poder da raposa, pensando que todos fugiam com medo da "rainha".
De modo que foi assim que a raposa conseguiu livrar-se das garras da onça, e salvar-se da morte. ®Sérgio.

domingo, 4 de setembro de 2011

O HOMEM QUE AMPUTOU O TEMPO

Na noite de quatro de outubro de 1582, os romanos foram dormir como sempre faziam, porém, na manhã seguinte, acordaram em quinze de outubro, onze dias depois.
Entenda bem, os romanos não dormiram "onze dias"; eles dormiram apenas uma noite e acordaram onze dias depois.
É complicado não é?! Não dá nem para acreditar! Porém aconteceu, mesmo. Quer saber como aconteceu?!
Pois bem, vamos à cidade de Roma no ano de 46 a.C. Por essa época, o calendário romano estava na maior bagunça. Tanto estava que a primavera romana começava em novembro. Daí, o ditador romano Júlio César, resolveu consertar a bagunça. Para começar, decidiu que o ano 46 teria 90 dias a mais, criando um ano excepcional de 446 dias, numa tentativa de pôr as estações em sincronia. Criou o ano bissexto - onde fevereiro, a cada quatro anos, teria 30 dias, em vez de 29.
Tudo teria funcionado muito bem, se os sacerdotes, interpretando incorretamente as determinações de César, não tivessem resolvido criar um ano bissexto a cada três, em vez de a cada quatro. Resultado: o calendário começou, novamente, a acumular uma distorção de onze minutos a cada ano em relação ao ano solar.
Daí, por volta do século XVI, como era de se esperar, o débito era de dez dias. A bagunça no calendário era total. O início da primavera já estava quase coincidindo com o Natal.
Isso incomodou demais a Igreja Católica, pois a Páscoa (comemorada sempre no início da primavera que no hemisfério norte começa a 21 de março) estava sendo empurrada no calendário, porque, segundo as Escrituras, Cristo teria sido crucificado por volta de 21 de março, e não próximo ao Natal. Alguém tinha que fazer alguma coisa!
É nesse ponto, que entra em cena o papa Gregório XIII. Na ambiciosa tentativa de controlar o tempo e o Dia da Páscoa, reuniu uma comissão, da qual fazia parte o renomado matemático e astrônomo Cristóvão Clávio, e editou a bula papal que criou o atual calendário cristão gregoriano.
Resumindo a história: além das medias anunciadas, como por exemplo, a mudança do Ano-Novo de 25 de março para 1º de janeiro, o papa simplesmente amputou 11 dias do mês de outubro de 1582.
Assim, quem dormiu em quatro de outubro acordou em 15 de outubro.
Não vá pensando você, que o tempo foi controlado. Ainda há uma pequena diferença em relação ao ano solar, de modo, que o início das estações continua a se afastar, lentamente, das datas ideais. Até que alguém resolva nos envelhecer outros 15 dias. ®Sérgio.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

SEM PALAVRAS


A QUADRILHA

A denúncia afirmava que, todas as sextas-feiras, no edifício Minas Gerais, aptº. 99, por volta das 10 horas da noite, várias pessoas de apa­rência suspeita entravam no apartamento e ficavam até de madrugada. Que os sons que vinham de dentro do apartamento, eram os mais discretos possíveis. As conversas eram quase murmuradas. Tudo era muito suspeito.
Tendo em mente, apanhar a possível quadrilha em fragrante, a polícia - em uma viatura - chegou de mansinho e encostou a uma quadra do prédio, para não ser identificada; os componentes da patrulha desceram da viatura, adentraram o edifício e seguiram para o apartamento suspeito.
Foi tudo muito fácil. A tropa de ataque, protegida pelas suas metralhadoras, subiu ao andar onde ficava o apartamento; o chefe da patrulha bateu a porta, devagarzinho, para que não desconfiassem. Abriram a porta e lá dentro estavam alguns casais jogando biriba (buraco).
Salve-se quem puder! ®Sérgio.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

MUITO OBRIGADOS / OBRIGADAS?

O homem deve agradecer dizendo "obrigado", e a mulher, "obrigada". Isto porque "obrigado/a" varia de acordo com o sexo da pessoa que agradece e não de acordo com a pessoa a quem dirigimos o agradecimento. Se o agradecimento partir de vários homens ou de várias mulheres, usamos o plural:
   Ficamos-lhe obrigados / obrigadas por tanta gentileza.
   Vamos bem obrigados / obrigadas.
O plural de obrigado/a (registrado, inclusive, no Houaiss) segue a norma de qualquer substantivo terminado em [o/a]: obrigados / as.
Apesar do uso correto de obrigado/a no plural, seu uso fica, realmente, estranho porque raramente empregamos "obrigados/as". Para sair dessa estranheza, a solução é empregarmos outras fórmulas, por exemplo:
   Ficamos-lhe gratos / gratas por tanta gentileza.
   Ficamos-lhe agradecidos / agradecidas por tanta gentileza.
   Estamos reconhecidos / reconhecidas por tanta gentileza.
Outra maneira de evitarmos obrigados/as é substantivar o adjetivo, neste caso, "obrigado" fica apenas no masculino e no singular (homem e mulher, homens ou mulheres): o meu obrigado, o meu muito obrigado, o nosso muito obrigado.
   O nosso muito obrigado por tanta gentileza.
   A todos, o nosso muito obrigado.
   O meu muito obrigado, a todos. ®Sérgio.

sábado, 27 de agosto de 2011

FUGINDO DA CIDADE

Ausentei-me da cidade porque não sei mais viver nela sem ficar contrariado. Aqui vivo em paz comigo. Aqui os dias não passam, porque o tempo fugitivo por ver a minha solidão, para em meio do caminho.
Graças Deus, que não vejo neste tão doce retiro, hipócritas embusteiros,  velhacos intrometidos. Não me entram nesta palhoça visitadores que falam demais, políticos enfadonhos e cerimoniosos vadios. Esse povo maldito... (Fugindo da Bahia, Gregório de Matos).

EM FAVOR DA TECNOLOGIA DIVINA


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A GRADAÇÃO - Figuras de Linguagem

A gradação consiste em dispor as ideias em ordem crescente ou decrescente. Quando o encadeamento das ideias se faz na ordem crescente temos o "clímax", ou seja, o encadeamento caminha em direção ao "clímax"; quando em ordem decrescente, ao "anticlímax". A técnica pode ser aplicada em diversas situações:

Na construção de um poema:
"Ó não guardes, que a madura idade
te converta essa flor, essa beleza,
em terra, em cinzas, em pó, em sombra, em nada." (G. de Matos)
Na construção de uma narrativa, quando as sequências narrativas evoluem até um clímax ou caminham, retrospectivamente, para um anticlímax. No início do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, o autor trabalha a gradação crescente para passar a ideia da meteórica ascensão de Rubião:
[...]. Cotejava o passado com o presente. Quem era há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Tunis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, [...].
Num texto argumentativo, quando é necessário ir aumentando a carga emotiva ou a força dos argumentos, como o faz António Vieira nos seus sermões, para conduzir a atenção dos seus ouvintes até um ponto alto e decisivo das suas conjecturas:
"Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba." (Vieira)
"O trigo... nasceu, cresceu, espinhou, amadureceu, colheu-se, mediu-se." (Vieira)
O discurso político, tentando convencer a totalidade dos ouvintes, frequentemente lança mão do recurso da gradação.
No aforismo:
"O primeiro milhão possuído excita, acirra, assanha a gula do milionário." (Olavo Bilac)
"Nada fazes, nada tramas, nada pensas que eu não saiba, que eu não veja, que eu não conheça a fundo." (Cícero)
Na música Mar e Lua, Chico Buarque de Holanda, faz uso de uma gradação decrescente:
[...] / Carregando flores / E a se desmanchar / E forma virando peixes,
Virando conchas / Virando seixos /Virando areia / [...] ®Sérgio.

QUEM EU?

Você é daqueles/as que confundem dor de cabeça com tumor cerebral? Que rima tosse com tuberculose?
Você é daqueles/as que quando sente uma dor no peito lembra-se de um amigo próximo que morreu de enfarto?
Você é daqueles/as que mesmo diante de um diagnóstico que o isenta de qualquer doença não se convence?
Então, bem vindo/a ao clube, você é um Hipocondríaco/a.
Sabe por quê?
Cerca de 80% dos casos de dor no peito não tem relação com problemas cardíacos. Pode ser um refluxo gástrico a ansiedade e dores musculares.
Ah! Mas a sensação de pontada no peito?
Essa, em geral tem origem muscular. A dor típica de um infarto é um aperto no peito, na região do coração e migra para os braços, mandíbula e costas.
E aquela dor de cabeça que não passa?
Essa jamais levantará no médico a suspeita de tumor cerebral. O mais comum e que sejam uma sinusite ou enxaqueca. O tumor, além da dor de cabeça, compromete a visão, a fala, a audição, além da perda de sensibilidade em regiões do corpo.
Sobrou a tosse. Essa em geral, é um resquício de uma gripe ou resfriado. Sinusite é outra razão para o sintoma. A tuberculose, por sua vez, provoca, além da tosse (com sangue), febre, suor excessivo e emagrecimento.
Está vendo, não adianta negar, você é um hipocondríaco/a. ®Sérgio.
______________________________________
Fontes: Antônio Carlos Carvalho - Cardiologista da UFSP. / Elias Knobel - Cardiologista dfo Hospital Israelita Albert Einstein. / Sérgio Daniel Simon - Coordenado do departamento de oncologia do HIAE.

sábado, 13 de agosto de 2011

SEM PALAVRAS

Desenho João Bosco - http://jboscocartuns.blogspot.com/

sexta-feira, 29 de julho de 2011

AGOSTO MÊS DO DESGOSTO

Aqui, mal começa agosto o Sol já aparece amarelo e fosco, num mormaço sufocante. Logo vem as "fumaradas", deixando o ar parado e denso, num calor de febre. Pois é agosto, como diz o provérbio, mês do desgosto.
Deixando escapar, por agora, essa questão do clima, descobri que a expressão - "agosto mês de desgosto" - não é nossa, herdamos dos nossos colonizadores portugueses.
No século XVI - época das grandes navegações - as caravelas portuguesas iam ao mar no mês de agosto. De modo que, as namoradas dos navegadores nunca casavam nesse mês. Primeiro, porque não poderiam desfrutar da lua de mel; e, segundo, porque poderiam passar rapidamente da condição de recém-casadas para a de viúvas.
Segundo o escritor português Mário Souto Maior, ficou, então, consagrada essa tradição com a frase: "casar em agosto traz desgosto". Ora bem, quando ela (a frase) chegou aqui, fizemos o que mais gostamos de fazer com nomes e expressões: abreviar, reduzir.  E, assim, agosto virou "mês do desgosto".
Mais ainda, a má fama do agosto agourento, já existia bem antes das grandes navegações portuguesas. Os romanos, no século I, acreditavam que um dragão passeava pelo céu noturno em agosto (mês batizado em homenagem ao imperador Augusto). O monstro nada mais era do que a constelação de Leão, mais visível nessa época do ano.
Pois aí está, agosto do desgosto veio de lá, mas agosto "fumarado" é mais que nosso. É ou Noé? ®Sérgio.

domingo, 24 de julho de 2011

SANGUE LIMPO

— Sou filho de um escravo, e que tem isso? Onde está a mancha indelével?… O Brasil é uma terra de cativeiro. Sim todos aqui são escravos. O negro que trabalha seminu, cantando aos raios do sol; o índio que por um miserável salário é empregado na feitura de estradas e capelas; o selvagem, que, fugindo a colonização, vaga de mata em mata; o pardo a quem apenas se reconhece o direito de viver esquecido; o branco, enfim, o branco, que sofre de má cara a insolência dos mais ricos e o desdém do governo. Oh! Quando caírem todas essas cadeias, quando esses cativos todos se resgatarem, há de ser um belo e glorioso dia! (Ato II, cena 12, da peça Sangue Limpo de Paulo Eiró¹)
Sangue Limpo é um drama que tem por cenário São Paulo nos dias da Independência e situa um caso de amor entre um jovem da burguesia e uma jovem parda. O preconceito é vencido pelo rapaz que se rebela contra o pai, ao mesmo tempo em que este é assassinado por Rafael, um negro que jurara nunca mais "ajoelhar-se aos pés de um senhor".
   Na cena 12 do ato II, temos a fala em que Rafael, irmão da jovem mestiça, responde ao "Senhor" que lhe perguntara se corria sangue escravo em suas veias. ®Sérgio.
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1 - Paulo Eiró (1836-1871), foi poeta e dramaturgo.