A legítima argumentação, tal como deve ser
entendida, não se confunde com o bate-boca estéril ou carregado de animosidade.
Ela deve ser, ao contrário, construtiva na sua finalidade, cooperativa em
espírito e socialmente útil. Embora seja exato que os ignorantes discutem pelas
razões mais tolas, isto não constitui motivo para que os homens inteligentes se
omitam de advogar ideias e projetos que valham a pena. (J.R. Whitaker. Apud Garcia Othon M.
Comunicação em prosa moderna)
domingo, 18 de setembro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
OS ARISTOCRATAS E A PEBLE
Basta lembrar que os poetas líricos
elegíacos, os que cantavam liricamente a angústia e a tristeza na Antiga
Grécia, já dividiam os homens em duas categorias: os aristocratas, belos,
justos e virtuosos e a plebe, vil e feia. ®Sérgio.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
A LITERATURA ANÔNIMA
Em todas as
literaturas, iremos, sem dúvida, encontrar um número considerável de obras
anônimas, ou seja, cujo autor se desconhece. Especialmente as originárias de
tempos muito remotos, por terem um caráter oral e pertencerem culturalmente a
toda comunidade, e, por isso mesmo, não se atribuía importância à ideia de uma
autoria individual.
Não se conhece os nomes
dos autores das grandes epopeias populares da Idade Média, como, por exemplo, as
que relatam as lendas da mitologia germânica. Per Abbat, cujo nome aparece no
fim do Cantar de mio Cid, poema épico
espanhol, não é o autor da obra, mas sim copista dos manuscritos. Tampouco se
conhecem, nas literaturas orientais, os autores dos textos védicos (Sânscritos vedas) ou de As Mil e Uma Noites e, nas literaturas ocidentais, os de numerosos
hinos.
A partir do século XVI,
o anonimato visava não tornar conhecido o nome do autor; a intenção deliberada era
a de ocultar a origem da obra. O mesmo objetivo podia ser alcançado pela
atribuição da obra a um autor de nome livremente inventado - o pseudônimo.
Geralmente, um autor
principiante prefere o anonimato ou usa o pseudônimo, quando ainda não tem
coragem de se expor ao julgamento do público e da crítica, ou, então, quando
inicia novo estilo ou gênero, de cujo sucesso, ainda, não está seguro. Foi esse
o caso de Waverley, publicado
anonimamente por Sir Walter Scott (1771-1832), em 1814, dando origem a um novo gênero
de romance: o romance histórico.
Casos mais frequentes
de anonimato em literatura é a pressão da censura, da qual o autor espera
severas medidas. Um dos primeiros e mais famoso caso de anonimato por medo de
censura são as Letters of Junius
(Cartas de Junius), que, publicadas entre 1769 e 1772 no jornal londrino The
Public Advertiser, atacavam fortemente as tendências absolutistas do rei Jorge
III. Tais cartas são uma obra-prima de jornalismo político e um monumento da
prosa inglesa em sua fase classicista, do século XVIII. A identidade de Junius até
hoje não é conhecida e poderá nunca ser esclarecida, a menos que sejam
encontrados documentos que a estabeleçam de forma inequívoca. No entanto,
acredita-se que o autor das Cartas de Junius possa ter sido o político inglês
Sir Philip Francis (1740 – 1818).
Outra famosa obra
anônima é o Lazarillo de Tormes, primeiro exemplo de romance picaresco,
caracterizado por Benedetto Croce como uma espécie de epopeia da fome. ®Sérgio.
A RAPOSA E A ONÇA
Certa vez, uma raposa
caiu nas garras duma onça; mas, espertíssima como era, a raposa disse-lhe com
toda a tranquilidade:
— Dona Onça deve
certamente estar ciente de que Deus acaba de me nomear rainha desta floresta,
com a missão de governar todos os animais... E quer a senhora comer-me?! Que
ousadia! Quer desrespeitar o Todo-Poderoso?
A Onça não acreditou
nessa conversa. Como é que animalzinho tão fraco e tão magro como a raposa
poderia ser a rainha da floresta?
Percebendo a hesitação
da Onça, disse então a raposa:
— Não acredita? Mas a
ignorância não é crime, por isso não vou puni-la. Esta sua rainha sempre se fez
respeitar pela sua generosidade. Vamos fazer o seguinte: vou passar revista aos
meus súditos, e a senhora vai seguir-me e observar como eles me temem.
A Onça aceitou a
proposta, e lá foram os dois - a raposa à frente, toda arrogante, e a onça
atrás.
Vendo a onça, os outros
animais puseram-se em fuga, foi um "salve-se quem puder".
Mas a onça, sem
desconfiar de nada, acreditou no poder da raposa, pensando que todos fugiam com
medo da "rainha".
De modo que foi assim
que a raposa conseguiu livrar-se das garras da onça, e salvar-se da morte. ®Sérgio.
domingo, 4 de setembro de 2011
O HOMEM QUE AMPUTOU O TEMPO
Na noite de quatro de outubro de 1582, os
romanos foram dormir como sempre faziam, porém, na manhã seguinte, acordaram em
quinze de outubro, onze dias depois.
Entenda bem, os romanos não dormiram
"onze dias"; eles dormiram apenas uma noite e acordaram onze dias
depois.
É complicado não é?! Não dá nem para acreditar!
Porém aconteceu, mesmo. Quer saber como aconteceu?!
Pois bem, vamos à cidade de Roma no ano de
46 a.C. Por essa época, o calendário romano estava na maior bagunça. Tanto estava
que a primavera romana começava em novembro. Daí, o ditador romano Júlio César,
resolveu consertar a bagunça. Para começar, decidiu que o ano 46 teria 90 dias
a mais, criando um ano excepcional de 446 dias, numa tentativa de pôr as
estações em sincronia. Criou o ano bissexto - onde fevereiro, a cada quatro
anos, teria 30 dias, em vez de 29.
Tudo teria funcionado
muito bem, se os sacerdotes, interpretando incorretamente as determinações de
César, não tivessem resolvido criar um ano bissexto a cada três, em vez de a
cada quatro. Resultado: o calendário começou, novamente, a acumular uma
distorção de onze minutos a cada ano em relação ao ano solar.
Daí, por volta do
século XVI, como era de se esperar, o débito era de dez dias. A bagunça no
calendário era total. O início da primavera já estava quase coincidindo com o
Natal.
Isso incomodou demais a
Igreja Católica, pois a Páscoa (comemorada sempre no início da primavera que no
hemisfério norte começa a 21 de março) estava sendo empurrada no calendário,
porque, segundo as Escrituras, Cristo teria sido crucificado por volta de 21 de
março, e não próximo ao Natal. Alguém tinha que fazer alguma coisa!
É nesse ponto, que
entra em cena o papa Gregório XIII. Na ambiciosa tentativa de controlar o tempo
e o Dia da Páscoa, reuniu uma comissão, da qual fazia parte o renomado
matemático e astrônomo Cristóvão Clávio, e editou a bula papal que criou o atual
calendário cristão gregoriano.
Resumindo a história:
além das medias anunciadas, como por exemplo, a mudança do Ano-Novo de 25 de
março para 1º de janeiro, o papa simplesmente amputou 11 dias do mês de outubro
de 1582.
Assim, quem dormiu em
quatro de outubro acordou em 15 de outubro.
Não vá pensando você,
que o tempo foi controlado. Ainda há uma pequena diferença em relação ao ano
solar, de modo, que o início das estações continua a se afastar, lentamente,
das datas ideais. Até que alguém resolva nos envelhecer outros 15 dias. ®Sérgio.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A QUADRILHA
A denúncia afirmava que, todas as
sextas-feiras, no edifício Minas Gerais, aptº. 99, por volta das 10 horas da
noite, várias pessoas de aparência suspeita entravam no apartamento e ficavam
até de madrugada. Que os sons que vinham de dentro do apartamento, eram os mais
discretos possíveis. As conversas eram quase murmuradas. Tudo era muito
suspeito.
Tendo em mente, apanhar a possível quadrilha
em fragrante, a polícia - em uma viatura - chegou de mansinho e encostou a uma
quadra do prédio, para não ser identificada; os componentes da patrulha
desceram da viatura, adentraram o edifício e seguiram para o apartamento
suspeito.
Foi tudo muito fácil.
A tropa de ataque, protegida pelas suas metralhadoras, subiu ao andar onde ficava
o apartamento; o chefe da patrulha bateu a porta, devagarzinho, para que não
desconfiassem. Abriram a porta e lá dentro estavam alguns casais jogando biriba
(buraco).
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
MUITO OBRIGADOS / OBRIGADAS?
O homem deve agradecer dizendo "obrigado",
e a mulher, "obrigada". Isto porque "obrigado/a"
varia de acordo com o sexo da pessoa que agradece e não de acordo com a pessoa
a quem dirigimos o agradecimento. Se o agradecimento partir de vários
homens ou de várias mulheres, usamos o plural:
●
Ficamos-lhe
obrigados / obrigadas por tanta gentileza.
●
Vamos
bem obrigados / obrigadas.
O plural de obrigado/a
(registrado, inclusive, no Houaiss)
segue a norma de qualquer substantivo terminado em [o/a]: obrigados / as.
Apesar do uso correto de obrigado/a no
plural, seu uso fica, realmente, estranho porque raramente empregamos
"obrigados/as". Para sair dessa estranheza, a solução é empregarmos
outras fórmulas, por exemplo:
●
Ficamos-lhe
gratos / gratas
por tanta gentileza.
●
Ficamos-lhe
agradecidos / agradecidas
por tanta gentileza.
●
Estamos reconhecidos / reconhecidas
por tanta gentileza.
Outra maneira de evitarmos
obrigados/as é substantivar o adjetivo, neste caso, "obrigado"
fica apenas no masculino e no singular (homem e mulher, homens ou mulheres): o
meu obrigado, o meu muito obrigado, o nosso muito obrigado.
●
O nosso muito
obrigado por tanta
gentileza.
●
A todos,
o nosso muito obrigado.
●
O meu muito obrigado, a todos. ®Sérgio.
sábado, 27 de agosto de 2011
FUGINDO DA CIDADE
Ausentei-me da cidade porque não sei mais viver nela sem ficar contrariado. Aqui vivo em paz comigo. Aqui os dias não passam, porque o tempo fugitivo por ver a minha solidão, para em meio do caminho.
Graças Deus, que não vejo neste tão doce retiro, hipócritas embusteiros, velhacos intrometidos. Não me entram nesta palhoça visitadores que falam demais, políticos enfadonhos e cerimoniosos vadios. Esse povo maldito... (Fugindo da Bahia, Gregório de Matos).
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
A GRADAÇÃO - Figuras de Linguagem
A gradação consiste em dispor as ideias em ordem crescente ou decrescente. Quando o encadeamento das ideias se faz na ordem crescente temos o "clímax", ou seja, o encadeamento caminha em direção ao "clímax"; quando em ordem decrescente, ao "anticlímax". A técnica pode ser aplicada em diversas situações:
Na construção de um poema:
"Ó não guardes, que a madura idade
te converta essa flor, essa beleza,
em terra, em cinzas, em pó, em sombra, em nada." (G. de Matos)
Na construção de uma narrativa, quando as sequências narrativas evoluem até um clímax ou caminham, retrospectivamente, para um anticlímax. No início do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, o autor trabalha a gradação crescente para passar a ideia da meteórica ascensão de Rubião:
[...]. Cotejava o passado com o presente. Quem era há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Tunis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, [...].
Num texto argumentativo, quando é necessário ir aumentando a carga emotiva ou a força dos argumentos, como o faz António Vieira nos seus sermões, para conduzir a atenção dos seus ouvintes até um ponto alto e decisivo das suas conjecturas:
"Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba." (Vieira)
"O trigo... nasceu, cresceu, espinhou, amadureceu, colheu-se, mediu-se." (Vieira)
O discurso político, tentando convencer a totalidade dos ouvintes, frequentemente lança mão do recurso da gradação.
No aforismo:
"O primeiro milhão possuído excita, acirra, assanha a gula do milionário." (Olavo Bilac)
"Nada fazes, nada tramas, nada pensas que eu não saiba, que eu não veja, que eu não conheça a fundo." (Cícero)
Na música Mar e Lua, Chico Buarque de Holanda, faz uso de uma gradação decrescente:
[...] / Carregando flores / E a se desmanchar / E forma virando peixes,
Virando conchas / Virando seixos /Virando areia / [...] ®Sérgio.
QUEM EU?
Você é daqueles/as que confundem dor de cabeça com tumor cerebral? Que rima tosse com tuberculose?
Você é daqueles/as que quando sente uma dor no peito lembra-se de um amigo próximo que morreu de enfarto?
Você é daqueles/as que mesmo diante de um diagnóstico que o isenta de qualquer doença não se convence?
Então, bem vindo/a ao clube, você é um Hipocondríaco/a.
Sabe por quê?
Cerca de 80% dos casos de dor no peito não tem relação com problemas cardíacos. Pode ser um refluxo gástrico a ansiedade e dores musculares.
Ah! Mas a sensação de pontada no peito?
Essa, em geral tem origem muscular. A dor típica de um infarto é um aperto no peito, na região do coração e migra para os braços, mandíbula e costas.
E aquela dor de cabeça que não passa?
Essa jamais levantará no médico a suspeita de tumor cerebral. O mais comum e que sejam uma sinusite ou enxaqueca. O tumor, além da dor de cabeça, compromete a visão, a fala, a audição, além da perda de sensibilidade em regiões do corpo.
Sobrou a tosse. Essa em geral, é um resquício de uma gripe ou resfriado. Sinusite é outra razão para o sintoma. A tuberculose, por sua vez, provoca, além da tosse (com sangue), febre, suor excessivo e emagrecimento.
Está vendo, não adianta negar, você é um hipocondríaco/a. ®Sérgio.
______________________________________
Fontes: Antônio Carlos Carvalho - Cardiologista da UFSP. / Elias Knobel - Cardiologista dfo Hospital Israelita Albert Einstein. / Sérgio Daniel Simon - Coordenado do departamento de oncologia do HIAE.
sábado, 13 de agosto de 2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
AGOSTO MÊS DO DESGOSTO
Aqui, mal começa agosto o Sol já aparece amarelo e fosco, num mormaço sufocante. Logo vem as "fumaradas", deixando o ar parado e denso, num calor de febre. Pois é agosto, como diz o provérbio, mês do desgosto.
Deixando escapar, por agora, essa questão do clima, descobri que a expressão - "agosto mês de desgosto" - não é nossa, herdamos dos nossos colonizadores portugueses.
No século XVI - época das grandes navegações - as caravelas portuguesas iam ao mar no mês de agosto. De modo que, as namoradas dos navegadores nunca casavam nesse mês. Primeiro, porque não poderiam desfrutar da lua de mel; e, segundo, porque poderiam passar rapidamente da condição de recém-casadas para a de viúvas.
Segundo o escritor português Mário Souto Maior, ficou, então, consagrada essa tradição com a frase: "casar em agosto traz desgosto". Ora bem, quando ela (a frase) chegou aqui, fizemos o que mais gostamos de fazer com nomes e expressões: abreviar, reduzir. E, assim, agosto virou "mês do desgosto".
Mais ainda, a má fama do agosto agourento, já existia bem antes das grandes navegações portuguesas. Os romanos, no século I, acreditavam que um dragão passeava pelo céu noturno em agosto (mês batizado em homenagem ao imperador Augusto). O monstro nada mais era do que a constelação de Leão, mais visível nessa época do ano.
Pois aí está, agosto do desgosto veio de lá, mas agosto "fumarado" é mais que nosso. É ou Noé? ®Sérgio.
domingo, 24 de julho de 2011
SANGUE LIMPO
— Sou filho de um escravo , e que tem isso ? Onde está a mancha indelével ?… O Brasil é uma terra de cativeiro . Sim todos aqui são escravos . O negro que trabalha seminu , cantando aos raios do sol ; o índio que por um miserável salário é empregado na feitura de estradas e capelas ; o selvagem , que , fugindo a colonização, vaga de mata em mata ; o pardo a quem apenas se reconhece o direito de viver esquecido; o branco , enfim , o branco , que sofre de má cara a insolência dos mais ricos e o desdém do governo . Oh ! Quando caírem todas essas cadeias , quando esses cativos todos se resgatarem, há de ser um belo e glorioso dia ! (Ato II, cena 12, da peça Sangue Limpo de Paulo Eiró¹)
Sangue Limpo é um drama que tem por cenário São Paulo nos dias da Independência e situa um caso de amor entre um jovem da burguesia e uma jovem parda . O preconceito é vencido pelo rapaz que se rebela contra o pai , ao mesmo tempo em que este é assassinado por Rafael, um negro que jurara nunca mais "ajoelhar-se aos pés de um senhor".
Na cena 12 do ato II, temos a fala em que Rafael, irmão da jovem mestiça , responde ao "Senhor" que lhe perguntara se corria sangue escravo em suas veias . ®Sérgio.
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1 - Paulo Eiró (1836-1871), foi poeta e dramaturgo.
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1 - Paulo Eiró (1836-1871), foi poeta e dramaturgo.
sábado, 16 de julho de 2011
AS REGÊNCIAS DO VERBO AGRADECER
Nós aprendemos a regência naturalmente, intuitivamente, no dia-a-dia. Ninguém precisou ensinar para nós que quem gosta, gosta de alguém. Ou que quem concorda, concorda com alguma coisa. Ou que quem confia, confia em algo. E assim por diante. Só que a gramática, muitas vezes, estabelece formas diferentes das que utilizamos na linguagem cotidiana, como as que veremos abaixo:
1ª. Com o sentido de mostrar-se grato por alguma coisa, é transitivo direto. Use-o sem preposição:
● Agradeceu o favor recebido.
● Agradeço o favor que me prestou.
● Agradeço a audiência recebida.
● Agradeço as flores que me enviou.
● Agradecemos o bom atendimento.
2ª. Com sentido de demonstrar gratidão a alguém, é transitivo indireto. Use-o com a preposição [a]:
● Agradeço aos ouvintes.
● Já agradeci aos que me ajudaram.
● Recebi o livro e ainda não lhe agradeci. (lhe = a você)
● A empresa agradece aos funcionários.
3ª. Com o sentido de demonstrar gratidão "a alguém" por "alguma coisa", é transitivo direto e indireto:
● Agradecemos a V.S.ª (indireto) / o convite (direto).
● Agradecemos ao Senhor (indireto) / as bênçãos (direto) recebidas.
● Agradeço ao chefe / a carta de recomendação.
● Agradeceu-lhe (= a ele) o convite.
● Agradeceu-lhes (= a eles) a gentileza.
● Agradeceu a Deus (indireto) a graça alcançada (direto).
Observação: Como se agradece sempre a alguém, não existe a forma "agradecê-lo", mas apenas agradecer-lhe. ®Sérgio.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
O SOL DA MEIA-NOITE
O poeta e diplomata João Cabral de Mello Neto (1920-1999), estava sempre a dizer que uma de suas grandes frustrações era não ter sido jornalista. Aos 16 anos foi rejeitado por um jornal. A rejeição lhe afetou tanto que, segundo ele, uma enxaqueca do lado esquerdo passou a lhe incomodar por 50 anos. Dor que médico nenhum foi capaz de detê-la.
Ouviu muitas recomendações de simpatias. Entretanto, atendeu a sugestão de um parente, que lhe recomendou um sanatório. "Foi uma internação que durou cerca de seis meses. Mas apesar disso – dizia – não produziu qualquer resultado positivo. Só deixou más lembranças".
Sem esperança de cura, o poeta apelou para a aspirina. Passou a tomar 10 comprimidos por dia; um a cada 4 horas, regularmente; o que o impedia de ter uma noite de sono inteira. Contudo, vivia agradecido a pírula, que passou a chamar de "sol artificial" e a homenageou no inusitado poema Num Momento a Aspirina:
Claramente, o mais prático dos sois,
O sol de um comprimido de aspirina;
De emprego fácil, portátil e barato,
Compacto de sol na lápide sucinta.
Principalmente por que, sol artificial,
Que nada limita a funcionar de dia,
Que a noite, não expulsa, cada noite,
Sol imune às leis de meteorologia,
A toda hora em que se necessita dele
Levanta e vem (sempre num claro dia):
Acende, para secar a aniagem da alma,
Quará-la, em linhos de meio-dia.
Convergem: a aparência e os efeitos
Da lente do comprimido de aspirina:
O acabamento esmerado desse cristal,
Polido a esmeril e repolido a lima,
Prefigura o clima onde ele faz viver
E o cartesiano de tudo nesse clima.
De outro lado, porque lente interna,
De uso interno, por detrás da retina,
Não serve exclusivamente para o olho
A lente, ou o comprimido de aspirina:
Ela reenfoca, para o corpo inteiro,
O borroso de ao redor, e o reafina.
Mas, 10 comprimidos ingeridos ao longo de 50 anos, só podia causar, ao trato digestivo, úlceras. Então chegou o dia que o poeta pernambucano necessitou de uma cirurgia emergencial. Mas, como há coisas que não tem explicação, João após a cirurgia, aos 66 anos, pode comemorar o desaparecimento da dor de cabeça. ®Sérgio.
terça-feira, 5 de julho de 2011
ALFINETADAS LITERÁRIAS
Harold Bloom (1930), autor de Contos e Poemas para Crianças Extremamente Inteligentes de Todas as Idades, em uma entrevista pública, provoca abertamente Joanne Kathleen Rowling (1965), conhecida como J. K. Rowling e autora dos sete livros da famosa e premiada série Harry Potter: "Como ler Harry Potter e a Pedra Filosofal? Rapidamente, para começar, e talvez também para acabar logo. Por que ler esse livro? Presumivelmente, se você não pode ser convencido a ler nenhuma outra obra, Rowling vai ter que servir".
Oscar Wilde também não deixou por menos; perguntado sobre Alexander Pope (1688-1744) um dos maiores poetas britânicos do século XVIII, disparou: "Existem duas formas de se odiar poesia: uma delas é não gostar, a outra é ler Pope". ®Sérgio.
Salve-se quem puder!
segunda-feira, 4 de julho de 2011
A COLHEITA DO DIABO - Recontando Contos Populares
São Pedro morava ao lado da casa do diabo. Quando chegou o tempo da colheita de batatas doces na chácara de São Pedro, este chamou o diabo e perguntou-lhe:
— Quer ajudar-me a colher as batatas? Eu lhe darei metade da produção.
O diabo pensou um pouco e achando que era bom negócio, respondeu:
— Está bem. Vamos fazer a colheita.
Saíram com o sol saindo, e, ao chegarem à horta onde estavam plantadas as batatas doces, São Pedro perguntou ao diabo:
— Agora, você tem de escolher: quer ficar com a metade de cima da terra, ou com a metade debaixo?
O diabo respondeu:
— Ora essa! Quero ficar com a metade de cima da terra!
Sem mais delongas, São Pedro aceitou o acordo:
— Está bem; pode colher sua parte; quando terminar, virei colher a minha!
De daí, depois que o diabo cortou todas as ramas de batata doce e as levou para a casa dele, São Pedro voltou ao terreno e arrancou as batatas que tinham ficado debaixo da terra. Satisfeito com a colheita, ofereceu um grande almoço e até convidou o diabo para à sua mesa. O diabo, que não conseguiu comer as ramas colhidas, ficou alumiando de raiva e com muita inveja do santo, prometendo a si mesmo que se vingaria.
Passados alguns dias, São Pedro encontrou-se novamente com o diabo e perguntou-lhe se queria ajudá-lo a colher repolhos de sua horta. O diabo aceitou imediatamente, mas foi logo dizendo que dessa vez seria ele a ficar com a parte debaixo da terra. São Pedro que não é bobo - concordou. Então, o seguinte é esse: irei colher minha parte e deixarei a sua no terreno.
E, São Pedro colheu todas as bonitas cabeças de repolho, deixando para o diabo somente as raízes.
O diabo, se sentido logrado outra vez, redobrou a vontade de vingar-se do santo e aceitava todos os convites que este lhe fazia para colher os produtos de sua chácara, mas nunca acertava na escolha: quando a planta dava em cima da terra, ele preferia a parte debaixo; quando dava embaixo, ele preferia a parte de cima. E assim, fez as colheitas de mandioca, de alface, de amendoim, de tomates e outras tantas.
Todos os dias, depois que passaram esses, o diabo está pelejando para ver se engana São Pedro - sem conseguir. ®Sérgio.
O TERMO BARDO
Atualmente o termo "bardo" é usado como sinônimo de "poeta". Entretanto, originalmente, esse vocábulo significava – entre galeses, irlandeses e escoceses – a espécie de poetas e cantores, que empregavam o talento para elogiar os príncipes e reis, celebrar feitos de guerra e conservar a memória das classes aristocráticas. Alem disso, elaboravam, às vezes, poesia de cunho satírico. Não seria sem razão dizer que o "bardo" correspondia ao "trovador" da poesia trovadoresca.
Lá pelo século VI, alguns brados emigraram para a Betranha francesa, levando seus poemas e canções. Ora prestigiados, ora em desgraça, conseguiram se mantiver até o século XVIII, então reduzidos a condição de vagabundos ou mendigos. ®Sérgio.
sábado, 25 de junho de 2011
VOU FAZER UMA COLOCAÇÃO
O termo colocação é um modismo da linguagem popular muito usado atualmente em assembleias, reuniões e debates de agremiações não científicas. Não faz parte da linguagem culta. Portanto, se em uma reunião alguém pede a palavra e diz: "Gostaria de fazer uma colocação bastante polêmica ". Ele está usando um modismo não recomendado pela gramática, principalmente para os textos formais. A terceira edição do dicionário Aurélio¹ já registra colocação como brasileirismo popular.
As palavras colocar e colocação só devem ser usadas no sentido de arrumação , disposição, lugar. Elas não equivalem à observação , sugestão ou ideia:
● Ficou na segunda colocação.
● Não gostei da colocação do quadro acima do sofá.
● Conseguiu uma colocação na farmácia de um parente.
● Arranjou uma boa colocação no banco.
● Colocou a bola na marca do pênalti.
● Vou colocar o livro na estante.
No caso do vou fazer uma colocação, use termos mais precisos, como: exposição, argumentação, opinião, observação, afirmação...
● Posso fazer uma observação [e não: colocação] sobre este assunto
● Gostaria de fazer uma observação / afirmação / exposição [e não: colocação] bastante polêmica.
● Ele fez uma observação / afirmação [e não: colocação].
● Era uma observação / afirmação / exposição [e não: colocação] equivocada. ®Sérgio.
_______________________________________
1 - Novo Aurélio Século XXI: o Dicionário da Língua Portuguesa. 3a ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 1999.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
O TERMO ADÁGIO
Adágio é o mesmo que os conhecidos ditos, provérbios, sentenças ou máximas, que segundo o filósofo alemão Friedrich Von Schlegel, um dos grandes teóricos do romantismo, é "a maior quantidade de pensamento no menor espaço". Não raro, o adágio registra a experiência culta dos Antigos, universalmente difundida. Quando o adágio tem origem não literária, diz-se adágio popular.
Um dos adagiários mais famoso é o Adágios (1500-1506) escrito por Erasmo de Roterdã (1466-1536), que compila mais de quatro mil sentenças colhidos nos autores da Antiguidade Greco-latina.
O termo adágio também é usado (ainda) na linguagem musical, para indicar um movimento vagaroso e gracioso. ®Sérgio.
sábado, 18 de junho de 2011
UMA JANELA PARA O MUNDO
"Tenho muitas deficiências físicas, mas no jogo Star Wars Galaxies posso pilotar uma moto voadora, enfrentar monstros ou, simplesmente, encontrar os amigos em um bar. Minha vida real é bem mais limitada. Como os movimentos de minhas mãos são restritos, não consigo pressionar as teclas de um teclado normal. Por isso uso um teclado virtual que me permite conversar on-line com outros jogadores. A tela do computador é a minha janela para o mundo. Online, não importa a aparência. Os mundos virtuais reúnem as pessoas – e todos estão na mesma situação (é uma pena que nem todos pensem assim) [opinião minha]. No mundo real, elas podem se sentir desconfortáveis perto de mim antes de me conhecer e descobrir que, sem levar em conta a aparência, eu sou como elas. Aí está uma vantagem da internet: é possível interagir com alguém antes de conhecê-lo fisicamente. Assim, uma pessoa é conhecida por suas ideias e personalidade, não pela aparência física. Num encontro de jogadores em 2002, a Ultimate Online Fan Faire, em Austin, percebi que as pessoas ficaram intrigadas, mas agiam como se eu fosse uma delas. Elas me trataram como igual, como se eu não fosse do jeito que sou – quer dizer, deficiente e em uma cadeira de rodas. Éramos todos apenas jogadores."
(Jason Rowe, 32 anos, Texas, Estados Unidos)
Em nossas leituras, de repente, “damos de cara”, com pequenas coisas que nos atinge de dentro e penetra as íntimas fibras do nosso ser e nos deixa envergonhados por acharmos que a vida, ás vezes, nos é injusta.
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Fonte e imagem:
sexta-feira, 17 de junho de 2011
O CÉREBRO INIMITÁVEL
"A consciência baseada em silício, se ela algum dia surgir, certamente se manifestará de formas muito distintas daquelas exibidas pela versão humana. [...] Nossa peculiar história evolutiva não pode ser comprimida em nenhum algoritmo computacional, um fato que elimina qualquer esperança de que máquinas, simulações computacionais ou formas artificiais de vida poderiam ser sujeitas a uma lista idêntica de pressões evolutivas, geradas por qualquer código de computador ou outra máquina criada pelo homem. [...] Por carregar o legado de sua própria história impresso dentro de seus circuitos, o cérebro recebeu como recompensa a imunidade mais poderosa contra possíveis tentativas de copiar seus mais íntimos segredos e arte."
Trecho do livro Muito Além do Nosso Eu, do neurocientista Miguel Nicolelis.
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