quarta-feira, 6 de outubro de 2010

AS PÉROLAS DA DITADURA

O Cronista Sérgio Porto, Codinome Stanislaw Ponte Preta, em seu Febeapá um, Primeiro Festival de Besteira que Assola o País, 1996¹, coletou, entre os anos de 1995 e 1996, uma série de casos que faziam jus ao título de sua obra. São casos colhidos pela agência informativa de Stanislaw Ponte Preta a "Pretapress", que dizia ele ser a maior do mundo, porque nela colaboravam todos os seus leito­res. Desse festival de besteiras escolhi alguns casos que - com licença do mestre Sérgio Porto - quero compartilhar com vocês.
Ano de 65:
Em Belo Horizonte, um delegado de polícia distribuía espiões pelas arquibancadas dos estádios porque "da­qui para frente quem disser mais de três palavrões, tor­cendo pelo seu clube, vai preso".
Em Mariana (MG) outro delegado baixou portaria dizendo que moça só poderia ir ao cinema com atestado dos pais.
O Secretário de Segurança de Minas Gerais proibia (já que fevereiro ia entrar) que mulher se apresentasse com pernas de fora em bailes carnavalescos "para impedir que apareçam fan­tasias que ofendam as Forças Armadas". Como se perna de mulher alguma vez na vida tivesse ofendido as armas de alguém!
No nordeste de Minas a cidade de Itaboim, que fica à beira da estrada Rio - Bahia, viria para o noticiário depois que o prefeito local plantou lindas e tenras palmeiras para enfeitar a estrada, e a Oposição — com inveja — soltou 100 cabritos de madrugada, que jantaram as palmeiras.
Eram instituídos mais dois dias: o "Dia do Pobre" e o "Dia da Vovó". O primeiro por projeto do deputado Ge­raldo Ferraz e até hoje o pobre ainda não viu o dia dele; o segundo inventado por uma radialista "porque existem tantos dias e ninguém ainda se lembrou da avozinha". A distinta não reparou que existe o "Dia das Mães" e que — jamais em tempo algum — mulher nenhuma conseguiu ser avó sem ser mãe antes.
Foi então que estreou no Teatro Municipal de São Paulo a peça clássica "Electra", tendo comparecido ao lo­cal alguns agentes do DOPS para prender Sófocles, autor da peça e acusado de subversão, mas já falecido em 406 a. C.
Julho começava com a adesão do Banco Central à burrice vigente, baixando uma circular, relativa ao regis­tro de pessoas físicas, na qual explicava: "Os parentes consanguíneos de um dos cônjuges são parentes por afinida­de do outro; os parentes por afinidade de um dos cônju­ges não são parentes do outro cônjuge; são também pa­rentes por afinidade da pessoa, além dos parentes consanguíneos de seu cônjuge, os cônjuges de seus próprios parentes consanguíneos".
Em Campos ocorria um fato espantoso: a Associação Comercial da cidade organizou um júri simbólico de Adolf Hitler, sob o patrocínio do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Ao final do julgamento Hitler foi absolvido.
No dia 17 de agosto de 65, o deputado Eurico de Oliveira apresenta­va à Câmara um projeto para a importação de um milhão de portugueses para espalhar pela selva amazônica.
Na cidade de Mantena (MG) o delegado deu tanto tiro que a cidade deixou de ter população e passou a ter sobrevivente.
Ano 66:
O comandante da Base Aérea de Curitiba proibia o Padre Euvaldo de Andrade de rezar missa em ritmo de iê-iê-iê. Recorde-se que foi naquela Base que o piedoso sacerdote rezou pela primeira vez uma missa com música dos Beatles no Evangelho, bolero de Vanderlei Cardoso na Comunhão, e uma versão de "Quero que tudo mais vá pro inferno" ao final do ato religioso.
E julho começava com uma declaração muito bacaninha da Deputada espiroqueta Conceição da Costa Ne­ves, que afirmava nos bastidores da Assembléia Legislati­va de São Paulo: "A ARENA, se quiser, pode cassar o meu mandato e fazer dele supositório para quem estiver preci­sando".
Setembro começava com uma determinação de um governador, criando um novo ór­gão que tinha a sigla: SIRCFFSTETT. Ou seja, Setor de Investigações e Repressão ao Crime de Furtos de Fios de Serviços de Transmissões Elétricas, Telegráficas ou Tele­fônicas. Deve ser de lascar o cara trabalhar lá, atender ao telefone e ter que dizer: "Aqui é da SIRCFFSTETT".
O festival persistiu, mas vou interromper por aqui com este comunicado que a Pretapress recebeu do Serviço de Trânsito explicando que os talões de multa para motoristas infratores teriam agora três vias, para evitar o suborno do guarda. Em todo lugar do mundo, quando o guarda é subornável, muda-se o guarda. Aqui se muda o talão. ®Sérgio.
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¹ Ponte Preta, Stanislaw, 1923-1968, FEBEAPÁ 1: Primeiro Festival de Besteira Que Assola o País — 12. ed. — Rio de Janeiro; Civilização Brasileira, 1996.

A TESOURINHA - Recontando Contos Populares

Certo dia, o caboclo Romildo chegou a seu rancho desejando cortar umas fatias de queijo; então, pediu para sua mulher uma faca. A mulher que era teimosa a não mais poder, cismou que ele devia cortar o queijo com uma tesoura e, em vez da faca, trouxe-lhe uma tesoura. O caboclo estranhou e, de imediato, retrucou:
— Está doida, mulher? Pedi faca, e você me traz uma tesoura!
— Isso mesmo! Queijo não se corta com faca, corta-se com tesoura. Escutou?
— Não senhora! É com faca! E não me queima o juízo, senão...
— Senão o quê? É com tesoura! Com tesoura! Com tesoura! Vou dizer uma, duas, mil vezes...
Romildo insistia na faca e era sempre contestado pela mulher, tanto foi que o caboclo indignou-se e lhe aplicou o mais formidável bofetão de que há memória nas redondezas; depois agarrou sua mulher e a levou até o poço que havia no quintal, lançando-a dentro dele, gritando, irritado:
— Queijo se corta com faca ou com tesoura?
E debatendo-se dentro da cisterna, a mulher a gritou:
— Com tesoura! Com tesoura! Com tesoura... - E aos poucos foi submergindo, porém irredutível, inflexível na sua incompreensível teimosia.
Quando finalmente desapareceu em meio à água da cisterna, que lhe cobria todo o corpo, ainda conseguiu, num último esforço, erguer a mão e, com os dedos abertos, imitar as lâminas de uma tesoura.®Sérgio.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

COMO ERMA BOMBECK VÊ AS CRIANÇAS

Encontrei este texto nas minhas andanças pela internet. Ele foi escrito por Erma Bombeck, uma simples dona de casa americana. Traduzi, adaptei e lhes repasso, porque a minha paixão pelo espetáculo das ideias, não me permitiu banir da mente a vontade de compartilhá-lo com vocês. Aí está, como Erma Bombeck vê as crianças:
"Vejo as crianças como pipas. Você passa uma vida inteira tentando empiná-las. Você corre com elas até ficar sem fôlego..., elas caem..., você adiciona uma cauda mais longa. Você remenda e conforta, ajusta e ensina – e assegura-lhes que um dia vão voar.
Finalmente são capazes de voar, mas precisam de mais linha, que você continua a dar-lhes mais e mais. Com cada volta do carretel, a pipa fica mais distante. Você sabe que não vai demorar muito até que aquela bonita criatura arrebente a linha vital que os mantém unidos e voe – livre e sozinha. Só então saberá que terminou seu trabalho." ®Sérgio.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

VALORES INVERTIDOS

Já mencionei, por várias vezes em meus comentários a amigos, uma atitude comportamental que já está se tornando tradicional em nossa sociedade: a inversão de valores. Na minha adolescência, ansiávamos por participar do mundo de nossos pais e, para tanto, chegávamos até mesmo, imitá-los. Hoje, esse procedimento se inverteu: são os pais que imitam os filhos.
Pois é, para minha surpresa, lendo a revista Veja, "dou de cara" com o artigo: Os Limites da Amizade, que vem substanciar o que já havia comentado.
Diz o artigo que muitos pais e mães vão para as "baladas" com os filhos e chegam a namorar seus amigos/as. Renata Leão, que assina o artigo, pergunta: até que ponto isso é normal. Do meu ponto de vista e de meu conceito de família, isso é "anormal". É mais uma banalização, entre tantas outras. Veja o depoimento da bancária paulista Marize Tamaoki, 50 anos: "Fui casada durante mais de duas décadas com o pai de minhas filhas, Mirela, 20 anos, e Daniela, de 28. Quando me separei, em 2003, passei a frequentar, com minhas filhas, academias de ginásticas e baladas. Comecei a ir às danceterias da Vila Olímpia. Na primeira vez, os garotos da idade da Mirela vieram me paquerar. No começo ficava constrangida. Agora já me acostumei e acho ótimo".
Eis alguns trechos de outros depoimentos:
"[...] Foi estranho ver minha mãe com um amigo meu, tatuado e cabeludo, vinte anos mais novo que ela." (Camila, 20 anos)
"[...] Quando Camila quer ficar em casa, não me faço de rogada e saio com as amigas de minha filha. A moçada diz que eu tenho a síndrome de Peter Pan". (Alessandra, 52 anos)
Salve-se quem puder! ®Sérgio.

sábado, 18 de setembro de 2010

TÁ FARTANDO FUBÁ - Recontando Contos Populares

Foi um dia um matuto queixar-se da falta de fubá nas redondezas onde morava, a um sitiante - homem muito simples que não gostava de contrariar as ideias do próximo.
— Eh, Patrão! É uma verdadeira desgraçia! Esse fubá anda pela horinha da morte. Não hai nem para tapar o buraco de um dente. Se continuar ansim, é coisa de pouco tempo se morrer de fome.
O sitiante, com sua natural cortesia, quis justificar a carestia:
— Há de ser com toda a certeza por falta de milho. Não tem chovido, decerto perderam-se as plantações lá pra suas bandas.
— Ih, Patrão! Choveu todo o ano. Água não fartou com a graça de Deus e ninguém deixou de plantar milho, louvado seja o Senhor, milho veio bonito que não se perdeu uma espiga!
— Então, já sei, será por avarias nos maquinismos dos moinhos lá de sua região.
— Também não é, patrão, os moinhos não têm desarranjo nenhuns, não hai outros como os nossos!
O sitiante já um tanto irritado, sem a natural cordialidade, ficou matutando, a olhar o matuto, e, não tendo mais nada pra dizer, saiu-se com esta:
— Então, patrício, há de ser por falta de fubá mesmo... ®Sérgio.

O REI QUE QUERIA CONHECER A HUMANIDADE - Recontando Contos Poulares

Mitos dos ensinamentos filosóficos da antiguidade Oriental vinham disfarçados em contos ou historinhas aparentemente inocentes, para melhor aproveitamento dos ensinamentos. É o caso deste conto do século VIII.
Conta-se que na Pérsia vivia um rei de nome Zemir. Coroado bastante jovem, descobriu que sabia muito pouco para ser um soberano. De modo que precisava, urgentemente, de instrução. Reuniu então a sua volta um grande número de eruditos, provenientes de muitos países. Pediu-lhes que compusessem, para seu uso, uma obra que contasse a história da humanidade.
Assim, os eruditos passaram a se concentrar nesse trabalho. Durante vinte anos se ocuparam no preparo da obra. Terminada, foram ao palácio, carregando quinhentos volumes acomodados no dorso de doze camelos. O Rei Zamir que já passara dos 40 anos, disse-lhes:
— Estou velho. Não terei mais tempo de ler todos esses quinhentos volumes antes de minha morte. Levando isso em conta, poderiam, por favor, preparar-me uma obra resumida?
Por mais vinte anos trabalharam os eruditos na feitura dos livros e voltaram ao palácio com três camelos apenas. Mas o rei envelhecera mais ainda. Com sessenta anos, sentia-se meio alquebrado:
— Não me será possível ler todos esses livros. Por favor, façam deles uma versão mais resumida!
Os eruditos trabalharam mais dez anos. Voltaram ao palácio com um camelo carregando alguns volumes da obra. A essa altura, com setenta anos, e quase cego, o rei não podia mais ler. Mesmo assim pediu uma versão mais resumida ainda. Os eruditos também tinham envelhecidos; mesmo assim, concentraram-se por mais cinco anos e, momentos antes da morte do monarca, voltaram com um só volume.
— Infelizmente morrerei sem nada conhecer da história do homem - disse o velho Rei.
Então, a sua cabeceira, o mais idoso dos sábios lhe respondeu:
— Vou explicar-lhe em três palavras a história do homem: o homem nasce, sofre e, finalmente, morre.
Pois foi depois de ouvir essas três palavras que o rei morreu. ®Sérgio.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O POSITIVISMO DA GÍRIA

"O que ela (a gíria) tem de positivo é a criatividade, a malícia inteligente, o poder de conotação que serve em tantos momentos para os quais a língua comum se desgastou demais. Gíria é renovação e espontaneidade. O mal, se houver, não estará na gíria, mas no seu uso inadequado. Já escrevi certa vez que não vamos em roupas de baixo a uma festa, assim como não devemos usar linguagem informal em ocasiões solenes, quando se espera do falante um tom mais sério, uma linguagem mais formal. Esse é o problema da linguagem na escola: não proibir gíria, mas também não a cultivar. Exigir, isso sim, que os alunos saibam escrever num nível culto, usando as metalinguagens apropriadas a cada disciplina: essa é uma das importantes funções do professor de qualquer disciplina, não só de português."
(Luft, Lya. Gírias e Gírias. In Correio do Povo, Porto Alegre, 1 de junho 1974. Caderno de Sábado. p. 15.)
Lya Fett Luft é romancista, poetisa, tradutora brasileira, professora universitária e colunista da revista semanal Veja. ®Sérgio.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

UM PENSAMENTO ÍNTIMO... - Seleta de Prosa

Arrastava-me para o ermo um sentimento íntimo, o sentimento de haver acordado, vivo, ainda, deste sonho febril chamado vida, e que hoje ninguém acorda, senão depois de morrer.
Sabeis o que é esse despertar de poeta?
É o ter entrado na existência com o coração que transborda de amor sincero e puro por tudo quanto o rodeia, e ajuntarem-se os homens e laçarem-lhe dentro do seu vaso de inocência lodo, fel e peçonha e, depois, rirem dele.
É ter dado as palavras – virtude, amor, pátria e glória – uma significação profunda e, depois de haver buscado por anos a realidade delas neste mundo, só encontrar hipocrisia, egoísmo e infâmia:
É o perceber a custa de amarguras que o existir é padecer, o pensar descrer, o experimentar desenganar-se, e a esperança nas coisas da terra uma cruel mentira de nossos desejos, um fumo tênue que ondeia em horizonte aquém do qual esta assentada à sepultura. (Fragmento de Eurico, O Presbítero de Alexandre Herculano¹.) ®Sérgio.
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(1) Alexandre Herculano. Eurico, O Presbítero São Paulo, Ática, 1991. p. 21.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

UMA HISTÓRIA QUE NÃO TEM NA HISTÓRIA

Nas festas comemorativas da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1559, Padre José de Anchieta protagonizou um acontecimento incomum.
Naquele dia, na programação das festividades comemorativas, constava o enforcamento de um prisioneiro francês, João de Bolés. O Padre José de Anchieta tinha conseguido converter o herege francês a Santa Madre Igreja, e, por isso, foi encarregado de acompanhar o condenado até a forca.
O carrasco fez a laçada, passou-a pela cabeça e ajustou-a no pescoço do condenado. A um sinal do comandante das armas, o corpo ficou suspenso no ar; mas, por incrível que possa parecer, o francês não morrera. O condenado vivia; o laço não o estrangulara.
Retiraram, então, a laçada do pescoço de Bolés; foi nesse momento que o Padre José de Anchieta - condoído da aflição do francês - interferiu no enforcamento, repreendendo o carrasco por sua imperícia desumana. Mostrou-lhe como se fazia o laço e como deveria puxá-lo para evitar, ao condenado, o suplício de ficar suspenso na laçada sem morrer.
Novamente, o corpo ficou suspenso no ar e o condenado viveu seus derradeiros instantes de vida. Consumara o enforcamento com a intervenção de Anchieta.
 Este caso foi citado em Roma contra a canonização do Padre José de Anchieta no fim do século XIX. Assim, Anchieta não foi santificado porque ajudou a enforcar o francês João de Bolés, conforme o relato do Padre Jesuíta Simão de Vasconcelos, ilustre cronista da Companhia de Jesus. ®Sérgio.
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Este texto foi elaborado de acordo com as informações contidas no livro: Histórias que não Vêm na História (1928), de Assis Cintra (1887/1937).

UM HOMEM DE CORAGEM

Imaginem:
Um domingo qualquer.
Uma Igreja lotada.
Senhores de engenho, coronéis e autoridades portuguesas.
Hora do sermão.
Um padre sobe ao púlpito.
Diz:
Os senhores poucos, os escravos muitos;
Os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus;
Os senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome;
Os senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados de ferros;
Os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses;
Os senhores em pé apontando para o açoite, como estátuas da soberba e da tirania, os escravos prostrados com as mãos atadas atrás como imagens vilíssimas da servidão e espetáculos de extrema miséria.
Oh! Deus! Quantas graças devemos a fé que nos deste, porque só ela nos dá o entendimento, para que à vista destas desigualdades, reconhecemos, contudo, vossa justiça e providência!
Estes homens não são filhos do mesmo Adão e da mesma Eva?
Estas almas não foram resgatadas com o sangue do mesmo Cristo?
Estes corpos não nascem e morrem, como os nossos?
Não respiram com o mesmo ar?
Não os cobre o mesmo céu?
Não os esquenta o mesmo Sol?
Que destino é este que os domina, tão triste, tão inimigo; tão cruel?
Esse Padre chamava-se Antônio Vieira.
Nasceu na primeira década de um século (Lisboa, 1608), e só morreu na última (Bahia, 1697).
Com uma coragem rara fez do púlpito sua tribuna e se tornou o maior Orador Sacro de nossa língua.
Em toda sua vida e em todo o seu tempo não houve, no Brasil e em Portugal, quem a ele, em brilho, fizesse sombra.
Poucos tiveram a faculdade de suscitar tanto ódio e admiração, poucos têm sido tão lidos e analisados.
Entrou nos palácios com a mesma segurança que explorou as selvas. Enfrentou a inquisição. Lutou contra a escravidão dos negros e dos índios num tempo em que a escravatura era encarada como normal e até mesmo necessária. Defendeu a liberdade religiosa numa época de intolerância, em que os suspeitos de professarem a fé não católica, eram condenados pela inquisição.
E, sobretudo, defendeu sonhos.
Por isso tudo, o Padre Antônio Vieira é uma das personagens mais importantes da nossa Literatura, como também, da História do Brasil e de Portugal no século XVII.
O Sermão? Era o Vigésimo Sétimo. ®Sérgio.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A SEMENTE E A PALAVRA DE DEUS

O trigo que semeou o pregador, diz Cristo que é a palavra de Deus. Os espinhos, as pedras, o caminho e a terra boa em que o trigo caiu são os diversos corações dos homens. Os espinhos são os corações embaraçados com cuidados, com riquezas, com delícias; e nestes afoga-se a palavra de Deus. As pedras são os corações duros e obstinados; e neste seca-se a palavra de Deus, e se nasce não cria raízes. Os caminhos são os corações inquietos e perturbados com a passagem e o tropel das coisas do Mundo, umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam, e todas passam, e neste é pisada a palavra de Deus, porque a desatendem ou a desprezam. Finalmente a terra boa são os corações bons ou os homens de bom coração; e nestes prende e frutifica a palavra divina, com tanta fecundidade e abundância que se colhe cento por um: Et fructum fecit centuplum.
Este grande frutificar da palavra de Deus é o em que reparo hoje, e é uma dádiva ou admiração que me traz suspenso e confuso, depois que subo ao púlpito. Se a palavra de Deus é tão eficaz e tão poderosa, como vemos tão pouco fruto da palavra de Deus?
Padre Antônio Vieira, Sêmen est Verbum Dei, in Sermão da Sexagésima.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

AS COMÉDIAS (2)

Dependendo da fonte que provoca o riso, a comédia pode se classificar em vários tipos, dos quais destaco as seguintes:
Comédia de Costumes visa a criticar os hábitos e os costumes de uma sociedade em determinada época. A exemplo de Les Precieuses Ridicules (1659) e Les Femmes Savantes (1662), de Molière.
Comédia de Personagem – quando a ênfase recai num tipo, isto é, numa personagem representativa de uma tendência (perpétua) do ser humano, como em Tartuffe (1664) de Molière, cujo personagem homônimo é um hipócrita e falso devoto.
Comédia Ballete - inventada por Molière, consiste numa comédia de costumes ou de personagem entremeada de cenas de dança cômica.
Comédia Lacrimejante – quando emprega lágrimas para sensibilizar o público. O dramaturgo francês Nivelle de la Chaussée, foi o criador dessa modalidade com peças como Fause Antiphie (1733) e Melanida (1741). 
Comédia de Capa e Espada – de origem espanhola, recebeu tal denominação pelo fato de os cavaleiros da época (século XVI), usarem capa e a espada. Gira sempre ao redor de intrigas amorosas, como em La Dama Boba (1613), de Lopez de Vega.Il est le seul (avec sa mère, madame Pernelle) à en être dupe.
Comédia de Humor Negro - é um subgênero da comédia e da sátira, onde temas graves como a morte, estupro, assassinato, aniquilação humana ou violência doméstica são tratados de forma satírica.
Comédia Pastelão - é uma comédia de cinema, pois apresenta perseguições, colisões e brincadeiras onde as personagens só fazem coisas tolas e embaraçosas, como tropeçar, cair, só para provocar o riso nas pessoas.  O famoso comediante Charlie Chaplin, compôs uma série de comédias pastelão. ®Sérgio.
Tópicos Relacionados: (clique no link)

AS COMÉDIAS

Dependendo da fonte que provoca o riso, a comédia pode se classificar em vários tipos, dos quais destaco as seguintes:
Entremés era um de comédia teatral de um só ato que se caracteriza pela comicidade e pela brevidade, pois a trama e o conflito eram mínimos. Os personagens oscilavam entre três e cinco e representavam as classes sociais baixas e populares em situações absurdas e grotescas a fim de provocar o riso fácil. A representação se dava nos intervalos dos atos de uma obra principal.
Commedia Dell'arte, também chamada de commedia a soggeto (comédia de tema), commedia all'improvviso (comédia de improviso), commedia dei zanni (comédia dos criados), commedia dei maschere (comédia de máscaras), commedia all'italiana (comédia italiana). Mas, de todas essas denominações, a que prevaleceu mesmo foi Commedia Dell'arte (séculos XVI e XVIII). Eram apresentações improvisadas a partir de um acervo de situações (adultério, ciúme, velhice, amor) e personagens padronizados. Muitos dos elementos básicos da Commedia Dell'arte vieram das comédias romanas (palliata comoedia) de Plauto e Terêncio.
O Vaudeville é uma comédia entremeada de árias. Fundamente-se quase que exclusivamente na intriga e no efeito provocado pelos equívocos, despertando a graça.
Comédia Burlesca - por meio da paródia, sátira ou caricatura, a comédia burlesca ridicularizava instituições, escolas, costumes e valores sociais. Originalmente, parodiava textos clássicos, como as epopeias, utilizando uma linguagem zombeteira e exagerada que tinha como finalidade ridicularizar a obra. Por exemplo, a obra Virgile Travesti (1648) de Paul Scarron, autor francês do séc. XVII, uma paródia ao poema épico de Virgílio.  Tem-se que a comédia burlesca originou-se a partir da Comédia Dell'arte italiana.
A Farsa - este tipo de comédia pretende provocar o riso sem intenção didática ou moralizante; e sim, a partir de exageros tirados da observação da vida quotidiana. A farsa depende mais da ação do que do diálogo; mais dos aspectos externos (cenários, roupas, gestos, etc.) do que do conflito dramático. Seus personagens, em número restrito, são tirados da própria vida urbana. A farsa não observa regras de verossimilhança podendo chegar ao absurdo. Difere da sátira ou da paródia por não pretender questionar valores. Dentre os numerosos exemplares desse gênero (mais de cento e cinquenta) produzidos entre 1440 e 1560, época de seu florescimento, destaca-se La Farce de Maîte Pathélin,  composta entre 1460 e 1470. ®Sérgio.

OS REMÉDIOS DO MUNDO ATUAL

"No mundo atual as pessoas estão investindo cinco vezes mais em remédios para a virilidade masculina e silicone para as mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pênis ereto, mas eles não se lembrarão para que servem."

(Dráuzio Varella – Médico)

SELETA DE PENSAMENTOS (4)

"Nós matamos o tempo, mas ele nos enterra." (Machado de Assis)
"Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução; alguns dizem mesmo que é assim é que a natureza  compôs suas espécies." (Machado de Assis)

SELETA DE PENSAMENTOS (3)

"De repente passei a acreditar em Deus está impossível acreditar em qualquer outra coisa." (Millôr Fernandes)
"Equilíbrio sustentável: no Rio se mata. Na Amazônia se desmata." (Millôr Fernandes)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A MORTE DE AQUILES

 Durante nove anos os gregos estiveram envolvidos em escaramuças com os Troianos sem grandes consequências. Talvez, por isso, a Ilíada cobre apenas algumas poucas semanas do décimo ano da guerra, quando se deu as batalhas que levaram os gregos a conquista de Troia. A Ilíada, porém, não envolve a morte de Aquiles. De modo que surgiram versões diferentes sobre a morte do maior herói grego.
Segundo a tradição mais corrente, ele morreu em combate, ferido no calcanhar por uma flecha, lançada por Páris, mas guiada por Apolo, que, assim, vinga à morte do seu filho Tenes e o jovem arqueiro troiano, a de seu irmão Heitor.
Uma segunda versão diz que Aquiles apaixonou-se por Polixena, umas das princesas de Troia e teria pedido sua mão a Priamo, quando este esteve, secretamente, em sua choupana para pedir o corpo de Heitor. Priamo na espetativa de que essa união representasse o fim da guerra de Troia, consentiu a união. Entretanto, se Aquiles casasse com a irmã de Páris, este teria de abandonar Helena, causadora do cerco a Troia. Então, o príncipe troiano, incitado por Apolo que desejava vingar a morte de seu filho Tenes, atira, escondido por detrás de uns arbustos, uma flecha guiada por Apolo, que acerta o calcanhar de Aquiles e mata-o. Páris foi morto por Filoctetes, um dos argonautas e amigo de Hermes, com o arco e as flechas de Héracles (Hércules para os romanos).
A outra versão, um tanto mais romanesca, afiança que Aquiles se apaixonou por Polixena, a filha mais jovem do rei troiano e que, por ela, esteve por abandonar a causa Grega. Certo dia, por ocasião da trégua, Aquiles encontrou-se com a jovem no templo de Apolo (próximo de Troia), do qual ela era sacerdotisa. Páris, irmão de Polixena, sabendo do encontro, para lá se dirigiu, ferindo Aquiles, com uma flecha, no calcanhar, que acabou por matá-lo. O corpo de Aquiles foi resgatado por Ulisses e Ajax.
Os Gregos, convencidos de que Polixena tinha organizado uma cilada a Aquiles, ao apossarem-se da cidade de Tróia, foram a sua procura. Neoptólemo, filho de Aquiles, que os Gregos tinham ido buscar para que tomasse o lugar de seu pai no exército, encontrou-a e manteve Polixena cativa até que o fantasma de Aquiles apareceu para o filho, exigindo que ela fosse sacrificada. Neoptólemo assim fez, sacrificando também Príamo em honra de Zeus.
Argumentos de pesquisadores negam a Páris o feito de ter matado Aquiles. Dizem ser concepção comum de que ele era um covarde; não tinha, pois, a coragem de seu irmão Heitor. Afirmam que Aquiles nunca fora derrotado no campo de batalha, e mesmo, fora dele.
Verdadeiro ou não o feito de Páris, o fato é que, após a morte de Aquiles, Zeus - a pedido de Tétis - conduziu-o à ilha dos Bem-aventurados, onde ele casou com uma heroína (cita-se Medeia, Ifigênia). Da união com uma delas, teria nascido um filho alado, de nome Euforião, personificado como a brisa da manhã.
O túmulo de Aquiles, de acordo com a mitologia, encontra-se em Leuké, uma ilha do Mar Negro, também chamada de Aquileia.
São abundantes as obras literárias em que Aquiles personifica o herói grego. Só para exemplificar, destaco, além da Ilíada e da Odisseia, a tragédia de Eurípides, Ifigénia em Áulis, que foi imitada por Racine em 1674 e transformada em ópera por Gluck, em 1774, e Aquileide, poema épico de Stace. ®Sérgio.

sábado, 28 de agosto de 2010

A POLÊMICA SOBRE O "BOM LADRÃO"

O ritmo de vida das pessoas mudou muito. E sua relação com a escrita, principalmente na Web, foi na mesma direção. Palavras são abreviadas e, não raro, descaracterizadas, para acompanhar a velocidade de comunicação na Internet. Evidentemente, que falo das conversas instantâneas no Messenger e similares. O interessante é que esse modismo tem atingido muitos postulantes a escritores, seja por condicionamento, seja por opção.
A pontuação, por exemplo, é quase que ignorada porque leva o cérebro a fazer uma pausa mental, o que acaba por alongar a digitação e a leitura. Na verdade a pontuação em um texto, não é uma questão de alongar o tempo, mas sim, de certos preceitos lógicos e sintáticos. De maneira que existem orientações e normas a serem seguidas.
Veja você, a confusão que a ausência de uma vírgula em um trecho bíblico, tem causado a algumas religiões.
No Evangelho de São Lucas, capítulo 23, entre os versículos 39 e 43, narra-se a passagem em que Cristo é crucificado entre dois ladrões, passagem conhecida como o "bom ladrão". No versículo 43 temos a fala de Cristo em resposta ao bom ladrão:
E acrescentou: "Jesus, lembre-te de mim, quando vieres com teu reino". (42)
Ele respondeu: "Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no paraíso". (43)
(A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulinas. Mateus: 23. 39-43)
A pontuação utilizada na fala de Cristo não é de consenso entre as religiões cristãs. Há algumas, que apoiadas nos textos de outras versões bíblicas, alegam que a entrada no paraíso não se dá no dia da morte, mas no momento em que Cristo retornar a terra, ou seja, na sua segunda vinda. Para esses cristãos a fala ao bom ladrão foi: "Em verdade, eu te digo hoje, estarás comigo no paraíso".
Perceberam como o deslocamento da vírgula interferiu no sentido da frase? Pois é, a interferência está relacionada ao advérbio [hoje] e a vírgula.
Na primeira versão – Na verdade, eu te digo, hoje estarás [...]. - hoje é o tempo em que o bom ladrão estará com Cristo no Paraíso: no mesmo dia de sua morte. Na segunda versão – Na verdade, eu te digo hoje, estarás [...]. - indica que hoje é o tempo do dizer, não da entrada no paraíso.
Quem está certo?! Em que lugar ficará a alma do bom ladrão até sua entrada no paraíso?!
Aí está a consequência da não pontuação em um texto. Como a versão original da bíblia está redigida em escrita contínua: Em verdade eu te digo hoje estarás no paraíso - sem pontuação, cria-se a ambiguidade. Assim, podemos dizer, com razão, que ambas as interpretações são válidas. Você pode escolher a que mais lhe convém. ®Sérgio.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

VIA CRUCIS - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas, ou homenagear autores que admiro.
VIA CRUCIS
A Via Crucis foi uma selvageria,
A Crucifixão uma brutalidade;
mas em três, quatro horas, acabou a agonia,
baixou a eternidade.
Eu vivo aqui, crucificada noite e dia,
carrego da manhã à tarde
o meu lenho de opróbrio¹ e a noite me excrucia,
lenta, fria, covarde.
Ah, como eu preferia
que me crucificassem de uma vez, sem o alarde
de algum terceiro dia!
Mas toca-me seguir nessa monotonia,
a agonia de alçar-me do catre
e abrir de novo os braços vazia.
Bruno Tolentino (1940-2007) in As Horas de Katharina.Tolentino ,foi poeta brasileiro, professor de literatura nas universidades de Oxford, Essex e Bristol e tradutor-intérprete junto à Comunidade Econômica Europeia. As Horas de Katharina foi escrito durante o período de 22 anos (1971-1993), e é composto de 166 poemas. Bruno ganhou, com essa obra, o Prêmio Jabuti de melhor livro de poesia. ®Sérgio.
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1- Opróbrio: grande desonra pública; degradação social; ignomínia, vergonha, vexame.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

AS LENDAS DO CICLO TROIANO - Estudo e Notas Literárias

A Ilíada (composta entre -750 e 725 a.C.) é a mais antiga e mais extensa das obras atribuídas a Homero; é também a mais antiga obra literária da literatura europeia e uma das obras mais apreciadas da Antiguidade.
O nome do poema deriva de Ílion, nome alternativo da lendária cidade de Tróia.
Acredita-se que a Ilíada tenha sido originalmente uma composição oral, memorizada e recitada em ocasiões especiais. Somente no fim do século VI a.C., dois séculos mais tarde, os versos foram, por fim, assentados na forma escrita.
O assunto do poema, retirado das lendas do Ciclo Troiano, cobre apenas alguns dias do décimo ano da Guerra de Tróia.
Significativa parte da poesia grega foi recolhida pela tradição antiga sob o nome de Ciclo Épico. Esse ciclo compunha-se, entre outros, do Ciclo Troiano que englobava: Cantos Cíprios, Etiópida, Pequena Ilíada, Iliupérsis, Retornos e Telegonia. Por razões que desconhecidas, nenhuma dessas obras chegou inteira aos dias atuais. O que conhecemos foram retirados de resumos feitos por autores antigos e de fragmentos citados em suas obras. ®Sérgio.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

COMO ANDEI MORRENDO ATÉ HOJE

"E um dia hei de morrer eu também... Totalmente.
Não como andei morrendo até hoje, sozinho,
por minha própria conta como um Rilke mesquinho
com sua rosa seca, um fantasma, um demente."
Bruno Lucio de Carvalho Tolentino ((1940—2007) foi poeta brasileiro. ®Sérgio.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

RECEITA PARA FAZER CHOVER

O Efeito estufa anda atazanando sua vida?
Sua casa virou um forno de cozinha?
O aquecimento global está esquentando sua cabeça?
A água está racionada?
Você anseia por uma boa chuva, mas há tempo ela não vem?
Seus problemas acabaram!
Eu tenho uma simpatia infalível para fazer chover!
Telefone para um/uma amigo/amiga e lhe diga sonoramente:
— Que dia lindo amanheceu hoje! O sol está brilhando; acho que vou para o clube "pegar" uma piscina!
Você não frequenta clube?
Diga que vai a praia.
Aí não tem praia?
Então, diga que vai passear no parque.
Se você seguir a risca a simpatia, logo depois que disser que vai "pegar" uma piscina, ou que vai a praia, ou ainda que vai passear no parque, nuvens negras e grandes aparecerão, depois raios e trovões e, enfim, cairá um pé d’água que você jamais esquecerá.
Boa chuva! ®Sérgio.

sábado, 31 de julho de 2010

BOBAGENS PALAVROSAS

Comete preciosismo quem exagera na linguagem, em prejuízo da naturalidade e da clareza. Veja, por exemplo, este fragmento de uma narrativa: "A formosa donzela, com os olhos marejados de lágrimas, lia febril a epístola de sua genitora”. Tradução em português: “A bela moça com lágrimas nos olhos, lia a carta de sua mãe".
Muitos usuários dessas bobagens palavrosas, acreditam que elas lhes conferem uma áurea de importância as realizações mais comuns. São tipos que adoram fazer palestras, certos executivos, e, principalmente, políticos.
Para exemplificar um caso de preciosismo, leia esta historinha (comum na internet) centralizada numa circular governamental:
Quando se desenhou a perspectiva de uma série de temporais no interior cearense, o chefe do serviço de meteorologia avisou o Governador. Este, imediatamente, dirigiu uma circular aos prefeitos, solicitando informações sobre a passagem do "equinócio" (série de temporais que ocorrem em determinadas regiões) pela cidade.
Um prefeito enviou a seguinte resposta, a circular: "Doutor Equinócio ainda não passou por aqui. Se chegar será recebido como amigo, com foguetes passeatas e festas".
Repito: O preciosismo não apenas tortura a língua. Pode também fazer vítimas.
Salve-se quem puder! ®Sérgio.

ENTENDA SE PUDER

Em Julho de 1965 o Banco Central baixava uma circular, relativa ao regis­tro de pessoas físicas, na qual explicava: "Os parentes consanguíneos de um dos cônjuges são parentes por afinida­de do outro; os parentes por afinidade de um dos cônju­ges não são parentes do outro cônjuge; são também pa­rentes por afinidade da pessoa, além dos parentes consanguíneos de seu cônjuge, os cônjuges de seus próprios parentes consanguíneos".
O preciosismo como se vê, não apenas tortura a língua. Pode também fazer vítimas.
Salve-se quem puder!!! ®Sérgio.
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FONTE: Ponte Preta, Stanislaw, 1923-1968, FEBEAPÁ 1: Primeiro Festival de Besteira Que Assola o País — 12 ed. — Rio de Janeiro; Civilização Brasileira, 1996.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

COISAS QUE AFETAM NOSSO COTIDIANO

Existem muitas "coisas" que afetam nossa vida cotidiana. Porém, nada pior do que aquelas que nos acontecem nas horas mais inoportunas. Para muitos, entre os quais "eu", tornaram-se regras, ou melhor, leis. E leis comprovadas. Uma das mais comuns é aquela que determina: no café da manhã, a torrada ou a fatia de pão cairá no chão com o lado da manteiga virado para baixo. Pode parecer estranho, mas alguns estudiosos do assunto recomendam que quando a torrada estiver caindo, o melhor a fazer é dar-lhe uma tapa na horizontal. Isso vai aumentar a sua velocidade e impedi-la de virar. Não salva a torrada, mas evita ter de limpar a manteiga no chão. É..., mas... eles não pensaram que uma tapa bem dada pode, em vez de impedi-la de virar, fazê-la voar até a parede mais próxima e, certamente, lá ficar grudada. Em 1993, a rede de televisão BBC reuniu 300 pessoas para jogar torradas para cima e observar como caíam no chão. Calcule o resultado.
Outra das comuns é aquela de que o telefone só tocará quando você estiver prazerosamente acomodado(a) no vaso sanitário, a ler sua revista ou jornal preferido. Ou então, de que a campainha da porta só tocará quando você estiver sozinho(a) em casa e iniciando um delicioso banho de chuveiro.
Reuni algumas das leis que fazem parte do meu cotidiano e, com toda certeza, algumas ou todas, também policiam seu cotidiano. Nesse caso, teremos, pelo menos, algo em comum. Vamos a elas:
01 – Se você sabe que em seu projeto alguma coisa pode dar errado e toma todo o cuidado para que não dê, outra coisa, nele, dará errado.
02 – Quando você precisa anotar algo que te ditam pelo telefone, se tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta. Mas se está com ambos, ninguém te liga.
03 — Quando você "tecla" um número de telefone enganado, ele nunca "dá" ocupado.
04 — Aquele único arquivo que se esqueceu de passar pelo antivírus, fatalmente, estará contaminado com o pior dos vírus.
05— A fila ao lado da sua é a que sempre anda mais rápida. E se você muda de fila, a que você estava, passa a andar mais rápida.
06 — Toda a partícula que voa, encontrará, sempre, seus olhos abertos.
07 — Quando você precisa colocar no corte um esparadrapo, ou ele não gruda, ou se gruda, depois não sai.
08 — Tudo o que vamos fazer dura mais tempo do que o tempo que temos disponível.
09 — Na hora de fechar ou abrir a porta, a chave correta é uma das últimas do chaveiro.
10 — O objeto mais inanimado de sua casa tem movimento suficiente para ficar na sua frente e provocar uma canelada.
11 — Entregas de caminhão que normalmente levam um dia levarão cinco quando você depender da entrega.
12 — Quando o texto sai mal feito qualquer tentativa de melhorá-lo piora.
13 — Sejam quais forem os seus comentários, haverá sempre alguém para interpretá-lo mal.
Concorda comigo? Pois então. ®Sérgio.