segunda-feira, 6 de setembro de 2010

OS REMÉDIOS DO MUNDO ATUAL

"No mundo atual as pessoas estão investindo cinco vezes mais em remédios para a virilidade masculina e silicone para as mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pênis ereto, mas eles não se lembrarão para que servem."

(Dráuzio Varella – Médico)

SELETA DE PENSAMENTOS (4)

"Nós matamos o tempo, mas ele nos enterra." (Machado de Assis)
"Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução; alguns dizem mesmo que é assim é que a natureza  compôs suas espécies." (Machado de Assis)

SELETA DE PENSAMENTOS (3)

"De repente passei a acreditar em Deus está impossível acreditar em qualquer outra coisa." (Millôr Fernandes)
"Equilíbrio sustentável: no Rio se mata. Na Amazônia se desmata." (Millôr Fernandes)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A MORTE DE AQUILES

 Durante nove anos os gregos estiveram envolvidos em escaramuças com os Troianos sem grandes consequências. Talvez, por isso, a Ilíada cobre apenas algumas poucas semanas do décimo ano da guerra, quando se deu as batalhas que levaram os gregos a conquista de Troia. A Ilíada, porém, não envolve a morte de Aquiles. De modo que surgiram versões diferentes sobre a morte do maior herói grego.
Segundo a tradição mais corrente, ele morreu em combate, ferido no calcanhar por uma flecha, lançada por Páris, mas guiada por Apolo, que, assim, vinga à morte do seu filho Tenes e o jovem arqueiro troiano, a de seu irmão Heitor.
Uma segunda versão diz que Aquiles apaixonou-se por Polixena, umas das princesas de Troia e teria pedido sua mão a Priamo, quando este esteve, secretamente, em sua choupana para pedir o corpo de Heitor. Priamo na espetativa de que essa união representasse o fim da guerra de Troia, consentiu a união. Entretanto, se Aquiles casasse com a irmã de Páris, este teria de abandonar Helena, causadora do cerco a Troia. Então, o príncipe troiano, incitado por Apolo que desejava vingar a morte de seu filho Tenes, atira, escondido por detrás de uns arbustos, uma flecha guiada por Apolo, que acerta o calcanhar de Aquiles e mata-o. Páris foi morto por Filoctetes, um dos argonautas e amigo de Hermes, com o arco e as flechas de Héracles (Hércules para os romanos).
A outra versão, um tanto mais romanesca, afiança que Aquiles se apaixonou por Polixena, a filha mais jovem do rei troiano e que, por ela, esteve por abandonar a causa Grega. Certo dia, por ocasião da trégua, Aquiles encontrou-se com a jovem no templo de Apolo (próximo de Troia), do qual ela era sacerdotisa. Páris, irmão de Polixena, sabendo do encontro, para lá se dirigiu, ferindo Aquiles, com uma flecha, no calcanhar, que acabou por matá-lo. O corpo de Aquiles foi resgatado por Ulisses e Ajax.
Os Gregos, convencidos de que Polixena tinha organizado uma cilada a Aquiles, ao apossarem-se da cidade de Tróia, foram a sua procura. Neoptólemo, filho de Aquiles, que os Gregos tinham ido buscar para que tomasse o lugar de seu pai no exército, encontrou-a e manteve Polixena cativa até que o fantasma de Aquiles apareceu para o filho, exigindo que ela fosse sacrificada. Neoptólemo assim fez, sacrificando também Príamo em honra de Zeus.
Argumentos de pesquisadores negam a Páris o feito de ter matado Aquiles. Dizem ser concepção comum de que ele era um covarde; não tinha, pois, a coragem de seu irmão Heitor. Afirmam que Aquiles nunca fora derrotado no campo de batalha, e mesmo, fora dele.
Verdadeiro ou não o feito de Páris, o fato é que, após a morte de Aquiles, Zeus - a pedido de Tétis - conduziu-o à ilha dos Bem-aventurados, onde ele casou com uma heroína (cita-se Medeia, Ifigênia). Da união com uma delas, teria nascido um filho alado, de nome Euforião, personificado como a brisa da manhã.
O túmulo de Aquiles, de acordo com a mitologia, encontra-se em Leuké, uma ilha do Mar Negro, também chamada de Aquileia.
São abundantes as obras literárias em que Aquiles personifica o herói grego. Só para exemplificar, destaco, além da Ilíada e da Odisseia, a tragédia de Eurípides, Ifigénia em Áulis, que foi imitada por Racine em 1674 e transformada em ópera por Gluck, em 1774, e Aquileide, poema épico de Stace. ®Sérgio.

sábado, 28 de agosto de 2010

A POLÊMICA SOBRE O "BOM LADRÃO"

O ritmo de vida das pessoas mudou muito. E sua relação com a escrita, principalmente na Web, foi na mesma direção. Palavras são abreviadas e, não raro, descaracterizadas, para acompanhar a velocidade de comunicação na Internet. Evidentemente, que falo das conversas instantâneas no Messenger e similares. O interessante é que esse modismo tem atingido muitos postulantes a escritores, seja por condicionamento, seja por opção.
A pontuação, por exemplo, é quase que ignorada porque leva o cérebro a fazer uma pausa mental, o que acaba por alongar a digitação e a leitura. Na verdade a pontuação em um texto, não é uma questão de alongar o tempo, mas sim, de certos preceitos lógicos e sintáticos. De maneira que existem orientações e normas a serem seguidas.
Veja você, a confusão que a ausência de uma vírgula em um trecho bíblico, tem causado a algumas religiões.
No Evangelho de São Lucas, capítulo 23, entre os versículos 39 e 43, narra-se a passagem em que Cristo é crucificado entre dois ladrões, passagem conhecida como o "bom ladrão". No versículo 43 temos a fala de Cristo em resposta ao bom ladrão:
E acrescentou: "Jesus, lembre-te de mim, quando vieres com teu reino". (42)
Ele respondeu: "Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no paraíso". (43)
(A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulinas. Mateus: 23. 39-43)
A pontuação utilizada na fala de Cristo não é de consenso entre as religiões cristãs. Há algumas, que apoiadas nos textos de outras versões bíblicas, alegam que a entrada no paraíso não se dá no dia da morte, mas no momento em que Cristo retornar a terra, ou seja, na sua segunda vinda. Para esses cristãos a fala ao bom ladrão foi: "Em verdade, eu te digo hoje, estarás comigo no paraíso".
Perceberam como o deslocamento da vírgula interferiu no sentido da frase? Pois é, a interferência está relacionada ao advérbio [hoje] e a vírgula.
Na primeira versão – Na verdade, eu te digo, hoje estarás [...]. - hoje é o tempo em que o bom ladrão estará com Cristo no Paraíso: no mesmo dia de sua morte. Na segunda versão – Na verdade, eu te digo hoje, estarás [...]. - indica que hoje é o tempo do dizer, não da entrada no paraíso.
Quem está certo?! Em que lugar ficará a alma do bom ladrão até sua entrada no paraíso?!
Aí está a consequência da não pontuação em um texto. Como a versão original da bíblia está redigida em escrita contínua: Em verdade eu te digo hoje estarás no paraíso - sem pontuação, cria-se a ambiguidade. Assim, podemos dizer, com razão, que ambas as interpretações são válidas. Você pode escolher a que mais lhe convém. ®Sérgio.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

VIA CRUCIS - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas, ou homenagear autores que admiro.
VIA CRUCIS
A Via Crucis foi uma selvageria,
A Crucifixão uma brutalidade;
mas em três, quatro horas, acabou a agonia,
baixou a eternidade.
Eu vivo aqui, crucificada noite e dia,
carrego da manhã à tarde
o meu lenho de opróbrio¹ e a noite me excrucia,
lenta, fria, covarde.
Ah, como eu preferia
que me crucificassem de uma vez, sem o alarde
de algum terceiro dia!
Mas toca-me seguir nessa monotonia,
a agonia de alçar-me do catre
e abrir de novo os braços vazia.
Bruno Tolentino (1940-2007) in As Horas de Katharina.Tolentino ,foi poeta brasileiro, professor de literatura nas universidades de Oxford, Essex e Bristol e tradutor-intérprete junto à Comunidade Econômica Europeia. As Horas de Katharina foi escrito durante o período de 22 anos (1971-1993), e é composto de 166 poemas. Bruno ganhou, com essa obra, o Prêmio Jabuti de melhor livro de poesia. ®Sérgio.
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1- Opróbrio: grande desonra pública; degradação social; ignomínia, vergonha, vexame.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

AS LENDAS DO CICLO TROIANO - Estudo e Notas Literárias

A Ilíada (composta entre -750 e 725 a.C.) é a mais antiga e mais extensa das obras atribuídas a Homero; é também a mais antiga obra literária da literatura europeia e uma das obras mais apreciadas da Antiguidade.
O nome do poema deriva de Ílion, nome alternativo da lendária cidade de Tróia.
Acredita-se que a Ilíada tenha sido originalmente uma composição oral, memorizada e recitada em ocasiões especiais. Somente no fim do século VI a.C., dois séculos mais tarde, os versos foram, por fim, assentados na forma escrita.
O assunto do poema, retirado das lendas do Ciclo Troiano, cobre apenas alguns dias do décimo ano da Guerra de Tróia.
Significativa parte da poesia grega foi recolhida pela tradição antiga sob o nome de Ciclo Épico. Esse ciclo compunha-se, entre outros, do Ciclo Troiano que englobava: Cantos Cíprios, Etiópida, Pequena Ilíada, Iliupérsis, Retornos e Telegonia. Por razões que desconhecidas, nenhuma dessas obras chegou inteira aos dias atuais. O que conhecemos foram retirados de resumos feitos por autores antigos e de fragmentos citados em suas obras. ®Sérgio.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

COMO ANDEI MORRENDO ATÉ HOJE

"E um dia hei de morrer eu também... Totalmente.
Não como andei morrendo até hoje, sozinho,
por minha própria conta como um Rilke mesquinho
com sua rosa seca, um fantasma, um demente."
Bruno Lucio de Carvalho Tolentino ((1940—2007) foi poeta brasileiro. ®Sérgio.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

RECEITA PARA FAZER CHOVER

O Efeito estufa anda atazanando sua vida?
Sua casa virou um forno de cozinha?
O aquecimento global está esquentando sua cabeça?
A água está racionada?
Você anseia por uma boa chuva, mas há tempo ela não vem?
Seus problemas acabaram!
Eu tenho uma simpatia infalível para fazer chover!
Telefone para um/uma amigo/amiga e lhe diga sonoramente:
— Que dia lindo amanheceu hoje! O sol está brilhando; acho que vou para o clube "pegar" uma piscina!
Você não frequenta clube?
Diga que vai a praia.
Aí não tem praia?
Então, diga que vai passear no parque.
Se você seguir a risca a simpatia, logo depois que disser que vai "pegar" uma piscina, ou que vai a praia, ou ainda que vai passear no parque, nuvens negras e grandes aparecerão, depois raios e trovões e, enfim, cairá um pé d’água que você jamais esquecerá.
Boa chuva! ®Sérgio.

sábado, 31 de julho de 2010

BOBAGENS PALAVROSAS

Comete preciosismo quem exagera na linguagem, em prejuízo da naturalidade e da clareza. Veja, por exemplo, este fragmento de uma narrativa: "A formosa donzela, com os olhos marejados de lágrimas, lia febril a epístola de sua genitora”. Tradução em português: “A bela moça com lágrimas nos olhos, lia a carta de sua mãe".
Muitos usuários dessas bobagens palavrosas, acreditam que elas lhes conferem uma áurea de importância as realizações mais comuns. São tipos que adoram fazer palestras, certos executivos, e, principalmente, políticos.
Para exemplificar um caso de preciosismo, leia esta historinha (comum na internet) centralizada numa circular governamental:
Quando se desenhou a perspectiva de uma série de temporais no interior cearense, o chefe do serviço de meteorologia avisou o Governador. Este, imediatamente, dirigiu uma circular aos prefeitos, solicitando informações sobre a passagem do "equinócio" (série de temporais que ocorrem em determinadas regiões) pela cidade.
Um prefeito enviou a seguinte resposta, a circular: "Doutor Equinócio ainda não passou por aqui. Se chegar será recebido como amigo, com foguetes passeatas e festas".
Repito: O preciosismo não apenas tortura a língua. Pode também fazer vítimas.
Salve-se quem puder! ®Sérgio.

ENTENDA SE PUDER

Em Julho de 1965 o Banco Central baixava uma circular, relativa ao regis­tro de pessoas físicas, na qual explicava: "Os parentes consanguíneos de um dos cônjuges são parentes por afinida­de do outro; os parentes por afinidade de um dos cônju­ges não são parentes do outro cônjuge; são também pa­rentes por afinidade da pessoa, além dos parentes consanguíneos de seu cônjuge, os cônjuges de seus próprios parentes consanguíneos".
O preciosismo como se vê, não apenas tortura a língua. Pode também fazer vítimas.
Salve-se quem puder!!! ®Sérgio.
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FONTE: Ponte Preta, Stanislaw, 1923-1968, FEBEAPÁ 1: Primeiro Festival de Besteira Que Assola o País — 12 ed. — Rio de Janeiro; Civilização Brasileira, 1996.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

COISAS QUE AFETAM NOSSO COTIDIANO

Existem muitas "coisas" que afetam nossa vida cotidiana. Porém, nada pior do que aquelas que nos acontecem nas horas mais inoportunas. Para muitos, entre os quais "eu", tornaram-se regras, ou melhor, leis. E leis comprovadas. Uma das mais comuns é aquela que determina: no café da manhã, a torrada ou a fatia de pão cairá no chão com o lado da manteiga virado para baixo. Pode parecer estranho, mas alguns estudiosos do assunto recomendam que quando a torrada estiver caindo, o melhor a fazer é dar-lhe uma tapa na horizontal. Isso vai aumentar a sua velocidade e impedi-la de virar. Não salva a torrada, mas evita ter de limpar a manteiga no chão. É..., mas... eles não pensaram que uma tapa bem dada pode, em vez de impedi-la de virar, fazê-la voar até a parede mais próxima e, certamente, lá ficar grudada. Em 1993, a rede de televisão BBC reuniu 300 pessoas para jogar torradas para cima e observar como caíam no chão. Calcule o resultado.
Outra das comuns é aquela de que o telefone só tocará quando você estiver prazerosamente acomodado(a) no vaso sanitário, a ler sua revista ou jornal preferido. Ou então, de que a campainha da porta só tocará quando você estiver sozinho(a) em casa e iniciando um delicioso banho de chuveiro.
Reuni algumas das leis que fazem parte do meu cotidiano e, com toda certeza, algumas ou todas, também policiam seu cotidiano. Nesse caso, teremos, pelo menos, algo em comum. Vamos a elas:
01 – Se você sabe que em seu projeto alguma coisa pode dar errado e toma todo o cuidado para que não dê, outra coisa, nele, dará errado.
02 – Quando você precisa anotar algo que te ditam pelo telefone, se tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta. Mas se está com ambos, ninguém te liga.
03 — Quando você "tecla" um número de telefone enganado, ele nunca "dá" ocupado.
04 — Aquele único arquivo que se esqueceu de passar pelo antivírus, fatalmente, estará contaminado com o pior dos vírus.
05— A fila ao lado da sua é a que sempre anda mais rápida. E se você muda de fila, a que você estava, passa a andar mais rápida.
06 — Toda a partícula que voa, encontrará, sempre, seus olhos abertos.
07 — Quando você precisa colocar no corte um esparadrapo, ou ele não gruda, ou se gruda, depois não sai.
08 — Tudo o que vamos fazer dura mais tempo do que o tempo que temos disponível.
09 — Na hora de fechar ou abrir a porta, a chave correta é uma das últimas do chaveiro.
10 — O objeto mais inanimado de sua casa tem movimento suficiente para ficar na sua frente e provocar uma canelada.
11 — Entregas de caminhão que normalmente levam um dia levarão cinco quando você depender da entrega.
12 — Quando o texto sai mal feito qualquer tentativa de melhorá-lo piora.
13 — Sejam quais forem os seus comentários, haverá sempre alguém para interpretá-lo mal.
Concorda comigo? Pois então. ®Sérgio.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

TESTE PARA LEITOR VICIADO

No início desta semana, passava, distraidamente, frente a uma livraria, quando, de repente, notei que meus olhos se espichavam para sua vitrine, voltei-me para ela e lá estava o que meus olhos tinham visto, de relance: um belo livro, em primeiro plano, estrategicamente colocado e iluminado. 
Aproximei-me e a adrenalina, a serotonina, e outras ninas dispararam; tudo porque nele estava escrito: Gênio – Os Cem Autores Mais Criativos da História da Literatura, por Harold Bloom (um gigante entre os críticos literários). Um exame cuidadoso de trechos inspirados de diversos autores. Respirei fundo; aquela obra era um excelente teste para um leitor viciado e cardíaco como eu. Passei no cardíaco e reprovei no viciado. Não houve alternativa, meus pés já se encaminhavam para o interior da loja, mesmo antes de decidir-me. Entrei confiante, resoluto e num lance de incrível rapidez, como obreiro em porta de templo, três atendentes já disputavam o conteúdo de minha carteira. O mais rápido foi logo perguntando:
 — Deseja alguma coisa senhor!
 Estufei o peito e lhe respondi com eloquência:
 — O livro da vitrine!
 O atendente, agora vendedor, levou-me até um balcão onde havia uma pilha do livro, uns sobre os outros, idênticos ao exposto na vitrine. Mal me encostei ao balcão, veio aquele blá, blá, blá, decorado de vendedor treinado. Falou da qualidade das folhas, das fotografias, das gravuras, etc., etc., etc. Finalmente o preço: 110 reais pelas oitocentas e vinte e oito páginas de pura erudição. Desta vez o que disparou foi minha pressão, dois testes para leitor viciado cardíaco em questão de minutos, é coisa que nem Super-Homem resistiria. O vendedor, notando que de repente fiquei mais branco que lençol lavado com OMO, procurou amenizar me propondo pagá-lo em três vezes, no cheque ou cartão, com um pequeno juro de 10 reais. O livro custaria, então, 120 reais e, gratuito, um marcador de páginas com a publicidade da livraria. Gostaria de ter reprovado no teste de leitor viciado, mas viciado é viciado e lá se foi meu cenzinho. Sem olhar para os lados, saí da loja; já pensou se vejo outro livro interessante.
 Baixas vendas preocupam os livreiros e, etcetra. E altos preços a nós leitores viciados.
Viva o sebo; e, salve-se quem puder! ®Sérgio.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A ARTE E O ARTISTA - Seleta de Pensamentos

"Na arte, a inspiração tem um toque de magia, porque é uma coisa absoluta, inexplicável. Não creio que venha de fora pra dentro, de forças sobrenaturais. Suponho que emerge do mais profundo eu da pessoa, do inconsciente individual, coletivo e cósmico." (Clarice Lispector)
"As demais pessoas estão por vezes famintas, mas a alma de um artista está eternamente sedenta." (E. Geibel)
"O trabalho de cada homem, seja na literatura, música, pintura, arquitetura, ou qualquer outra arte, é sempre um retrato dele mesmo." (Samuel Butler)
"Pobre do país cujo governo despreza, hostiliza e fere seus artistas." (Fernanda Montenegro)
"A arte é uma mentira que revela a verdade." (Pablo Picasso)
"O artista, se está sujeito à censura, não está sujeito ao silêncio." (Pedro Lyra)
"Todos os artistas, os verdadeiros artistas, abominam a sujeição e adoram a independência." (Honoré de Balzac)

terça-feira, 20 de julho de 2010

UMA SITUAÇÃO DE SUSPENSE

Há muitos sites de humor onde podemos encontrar as já conhecidas pérolas de vestibular, de redação, ou de provas secundaristas. O Jô Soares é um incansável propagador delas. Volta e meia, as repassa em seu programa.
Fui professor durante trinta e dois anos, e nesse período apliquei milhares de provas e cobrei inúmeras redações. Nesse sentido, trabalhei com alunos das mais diversificadas classes sociais. Raríssimas vezes deparei-me com respostas tão absurdas como algumas dessas das pérolas. Portanto, não tenho dificuldade em lhes afirmar que são frutos da imaginação dos coletores de pérolas. A pergunta é convenientemente feita, de modo, a resultar numa resposta que provoque risos. No entanto, outras têm fundamentação lógica, como por exemplo, essa feita em um concurso:
“Comente a frase de Sócrates: conhece-te a ti mesmo”. Resposta da aluna: “Acho uma frase muito profunda, tão profunda que nem consigo captar seu real significado. Mas acho que Sócrates estava certo quando disse a frase, pois sendo um sábio não teria dito besteira. Assim, mesmo que eu nada entenda do que ele disse, tenho certeza que a frase tem um grande significado em todos os aspectos em que for analisada".
Tem essa outra: "Onde ficam as brânquias do camarão"? Resposta do aluno: "No corpo dele".
O raro, que mencionei na entrada do texto, foi quando me deparei com uma resposta curiosa, inusitada, mas longe de ser absurda. Trabalhavam, os alunos, na construção de parágrafos narrativos; então, lhes pedi que imaginassem e escrevessem um parágrafo contendo uma situação de suspense; de maneira, que levasse o leitor a querer saber o que viria a seguir.
Não se passaram cinco minutos, e um dos alunos entrega-me sua folha. Fiquei impressionado com seu poder de imaginação. Curioso, ali mesmo, dei uma olhada no parágrafo dele. Dizia: Socorro!
Salve-se quem puder! ®Sérgio.

sábado, 17 de julho de 2010

QUESTÃO DE PONTUAÇÃO - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e me emocionaram ou me agradaram no conteúdo. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
QUESTÃO DE PONTUAÇÃO
Todo mundo aceita que ao homem
Cabe pontuar a própria vida:
Que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca):
Viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia)
Viva equilibrando-se entre vírgula
E sem pontuação (na política)
O homem só não aceita do homem
Que use a só pontuação fatal:
Que use, na frase que ele vive
O inevitável ponto-final.
João Cabral de Melo Neto (1920-1999), poeta e diplomata brasileiro.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O CASAMENTO DA FILHA DA ONÇA - Recontando Contos Populares

Foi uma vez, por esses cafundós do sertão, uma onça que tinha uma filha. O lagarto, conhecido por teiú, queria casar com ela e seu amigo cágado também. Sabendo da pretensão do amigo, o cágado, atreito a ciumeira, disse em casa da onça que o teiú para nada valia e que era seu cavalo. O teiú, logo que soube disso, foi à casa da comadre onça e assegurou que ia buscar o cágado para ali e dar-lhe muita pancada à vista de todos e partiu.
O cágado cuidava de sua horta quando avistou, de longe, o compadre teiú. De pronto, correu para dentro da casa e amarrou um lenço na cabeça, fingindo que estava doente. O teiú acercou-se da porta e convidou o cágado para darem um passeio na casa da comadre onça. O cágado arrumou muitas desculpas dizendo que estava doente e que não podia sair de pé naquele dia. O teiú, porém, teimou que teimou. Então o cágado disse:
— Bem... só se você me levar montado nas costas.
— Está bem. Faremos como quer, respondeu o teiú, mas há de ser até longe da porta da comadre onça.
— Tá certo, mas você há de me deixar botar minha selinha, pois não sabe que assim na pele é muito ruim.
O teiú pensou, repensou, e disse:
— Não, que eu não sou seu cavalo!
— Não é por ser meu cavalo, compadre teiú, é por ser muito dolorido.
Afinal o teiú consentiu.
— Agora, disse o cágado, me deixa botar o conjunto de freio.
Novo barulho do teiú e novos pedidos de desculpa do cágado, até que conseguiu pôr todo o conjunto de freio no teiú e munir-se da correia de couro, esporas etc... Partiram. Depois de caminharem algum tempo e chegaram a um lugar perto da casa da onça, o teiú pediu ao cágado que descesse e tirasse os arreios, pois era muito feio para ele servindo de cavalo.
— Eh, compadre! - disse o cágado - Tenha paciência, caminhemos mais um bocadinho, pois estou muito doente e não consigo chegar a pé!
E assim, o cágado foi ganhando o teiú até a porta da casa da onça, onde ele meteu-lhe a correia e as esporas pra valer. Então gritou para dentro da casa:
— Olha, eu não disse que o teiú era o meu cavalo? Venham ver!
Houve muita risada e o cágado, vitorioso, disse à filha da onça:
— Ande moça, monte-se na minha garupa e vamos casar. ®Sérgio.
Eh, mundão! Quem me mata é Deus, quem me come é o chão!...
Leia Também: (clique no link)
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Advertência: Em muitas passagens deste conto, uso grafia própria, divergente em muitos pontos da ortografia oficial.
Nota sobre o texto: Esse é um causo com inúmeras variantes em diversos Estados. Lindolfo Gomes, em Contos Populares Brasileiros, já o havia registrado em 1931.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O SUPREMO CASTIGO

Em todos os aeródromos, em todos os estádios, no ponto principal de todas as metrópoles, existe – e quem é que não viu? – aquele cartaz...
De modo que, se esta civilização desaparecer e seus dispersos e bárbaros sobreviventes tiverem de recomeçar tudo desde o princípio – até que um dia também tenham os seus próprios arqueólogos – estes hão de sempre encontrar, nos mais diversos pontos do mundo inteiro, aquela mesma palavra. E pensarão eles que Coca-Cola era o nome de nosso Deus!
Mário Quintana (1906-1994), poeta, tradutor e jornalista brasileiro.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

MAIS BEM e MAIS MAL - Linguagem e Dúvidas

Antes de verbos no particípio, use mais bem e mais mal em vez de pior e melhor. Em português, o particípio é a forma nominal do verbo, geralmente, formado com o sufixo [-ado, -ada] para os terminados em [ar] (amado, parado) e [-ido, -ida], para os terminados em [er, ir] (vendido, sentido): Aquelas alunas estavam mais bem preparadas que as outras. E não: estavam melhor preparadas que as outras.
    Seu trabalho está mais bem elaborado que o meu (não melhor).
    Esta roupa parece mais mal acabada que aquela (não pior).
Nos demais casos, use pior e melhor. ®Sérgio.

MAS... NO ENTANTO

Estabelecem redundância, se usados na mesma frase: Saiu cedo, mas não conseguiu, no entanto, chegar na hora.
Para evitar a redundância use [mas] ou [no entanto]:
    Saiu cedo, mas não conseguiu chegar na hora.
    Saiu cedo, no entanto, não conseguiu chegar na hora. ®Sérgio.

PADRE LOURENÇO E O CABOCLO - Recontando Contos Populares

Deu de acontecer que o padre Lourenço e seu sacristão viajavam pelo interior, a rezar missas nos vilarejos, tendo como guia um caboclo. O sacristão montado numa mulinha troncha vermelha mais o caboclo em seu cavalo viajeiro iam adiante. Atrás o vigário na sua mulona ferrada lendo o breviário. Beirando aí às cinco horas, ameaçou uma trabuzana de água que parecia que o mundo vinha abaixo. O vento assobiava danado de brabo. Fosse o que fosse tava na hora de procurar um abrigo.
Vencida obra de duas léguas, os três chagaram a porteira de um sítio e avistaram uma cabana que parecia devastada de dono. Mais que depressa dela se aproximaram. Acercando-se da porta chamaram por alguém. Veio então atender o sitiante; o vigário sem mais delongas explicou a situação e pediu que lhes dessem abrigo. O sitiante então mandou que os hóspedes entrassem. Sentaram à mesa e ele lhes diz que para comer só tinha uma sobra de queijo de cabra. Se fosse do gosto deles... Não sabendo como dividir, pois que o queijo era muito pequeno mesmo, o padre Lourenço resolveu que fossem dormir e o queijo seria daquele que tivesse, durante a noite, o sonho mais bonito (pensando, claro, em engambelar os outros dois com a sua oratória). Todos aceitaram e foram dormir. Quando a noite ia grossa, o caboclo acordou, foi ao queijo e comeu-o.
Pela manhã, os três sentaram à mesa para tomar café e ver quem ia comer o queijo. Cada qual teve que contar seu sonho. O padre disse que sonhou com a escada de Jacó e descreveu lindamente como, por ela, subiu triunfalmente para o céu. O sacristão então contou que sonhara já estar no céu esperando pelo padre que subia. O caboclo riu e contou:
- Sonhei que via seu padre subindo a escada e seu ajudante lá no céu, rodeado de amigos. Eu que fiquei aqui na terra e gritei:
- Seu padre, seu sacristão o queijo! Vosmicês esqueceram o queijo!
Então vosmicês responderam do céu:
- Come o queijo, caboclo! Come o queijo, caboclo! Nós estamos no céu, não precisamos mais do queijo.
- O sonho foi tão real que eu pensei que era verdade, levantei enquanto vocês dormiam e comi o queijo... ®Sérgio.
Leia Também: (clique no link)

MALASARTE E A CARTOLA DO JUIZ

A noite já ia alta e Pedro Malasarte, sem nenhum vintém, procurava um bom lugar para dormir, quando aconteceu dele passar frente à casa de um juiz. Bateu a porta e pediu pousada, dando o nome de tal doutor fulano, que estava de passagem por aquelas terras.
O juiz costumava a chegar tarde, pois ficava até a meia-noite jogando truco com seu compadre e amigos. Vai então que o filho do juiz, na sua simplicidade, mandou entrar o hóspede e, depois de Malasarte comer até se fartar, deu-lhe pousada, no quarto onde o juiz costumava se vestir.
Quando o juiz chegou a casa, o filho lhe contou o que ocorrera e o magistrado ficou muito satisfeito com a hospedagem. Nem por sombras podia imaginar o que ia suceder.
Lá pela madrugada, quase amanhecendo, Malasarte começou a sentir umas coisas na barriga... Procurou o vaso e, não o encontrando, abriu a janela... Mas lá fora havia uma cachorrada, que pegou a latir e foi um barulho de latidos do inferno.
Malasarte estava suando frio. Mas, nisto, avistou na prateleira uma caixa. Abriu; dentro havia uma cartola de feltro. Estava salvo! Tirou a cartola e, fez nela... Bem, vocês já sabem. Depois pôs outra vez, com muito cuidado, a cartola na caixa e, esta, no lugar onde estava.
Nesse tempo, a manhã já rompia e Malasarte quando ouviu o tropel dos criados na casa, tratou de cair fora. Quando vieram chamá-lo para o café, não o encontraram mais.
Na hora do almoço, o Juiz saiu do quarto e foi para o cômodo em que costumava se vestir. Era dia júri. Vestiu a sobrecasaca, e, distraído, tirou da caixa a cartola e num só golpe a enterrou na cabeça. Não deu outra coisa, o Juiz ficou com a cara... digamos, enlameada. Além disso, sentiu um cheiro que quase o sufocou. Começou então a gritar. A família veio em seu socorro, achando que alguma desgraça tinha acontecido.
Ao vê-lo naquele estado, o filho foi buscar um balde de água, a filha sabonete de cheiro e a mulher um frasco de perfume. O Juiz bufava de raiva. Mas Pedro Malasarte já estava longe. ®Sérgio.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

TORÁXICO ou TORÁCICO?

Toráxico não existe. O correto é: torácico.
   Disseram que ele está com um problema torácico. ®Sérgio.

DUAS METADES É PLEONASMO - Linguagem & Dúvidas

Metade são sempre duas. Escreva ou diga:
   Cortou a fruta em duas partes. ®Sérgio.

BUJÃO ou BOTIJÃO? - Linguagem & Dúvidas

Tanto faz "bujão ou botijão" de gás. Ambos constam do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Portanto:
   Comprei um bujão ou botijão de gás. ®Sérgio.