quinta-feira, 8 de outubro de 2009
VOCÊ NÃO ME AMA!
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
“POETA FUI...”
José Abreu Albano (1882 – 1923), é um poeta quase desconhecido em nossa literatura. Cearense, mas, educado em colégios da Inglaterra, Áustria e França, esteve inteiramente fora de nossa poesia.
Albano foi um homem triste. Uma crise mais forte de melancolia exigiu seu internamento por um ano em uma casa de saúde. Ele confessa, no mais famoso de seus sonetos, essa melancolia:
Poeta fui e do áspero destino
Senti bem cedo a mão pesada e dura
Conheci mais tristeza que ventura
E sempre andei errante e peregrino.
Vivi sujeito ao doce desatino
Que tanto engana, mas tão pouco dura;
E ainda choro o rigor da sorte escura,
Se nas dores passadas imagino.
Como agora me vejo isento
Dos sonhos que sonhava noite e dia
E só com saudades me atormento;
Entendo que não tive outra alegria
Nem nunca outro qualquer encantamento
Senão de ter cantado o que sofria.
No entanto, os versos que me tocaram a alma são estes em que ele diz coisas tristes e suavíssimas, e, conforme M. Bandeira, “versos que pareciam cantiga para adormecer a sua loucura”:
Há no meu peito uma porta
A bater continuamente:
Dentro a esperança jaz morta
E o coração jaz doente.
Em toda parte onde eu ando
Ouço este ruído infindo:
São as tristezas entrando
E as alegrias saindo.
José Abreu Albano faleceu em Montauban (França), onde estão seus restos mortais, a 11 de julho de 1923. ®Sérgio.
A RAINHA DO FLAGELO - Notas Biográficas
Você, por acaso, já ouviu falar na Madame Theresa Berkley? Bem, se não ouviu, vou lhe contar algo interessante sobre ela. Se já ouviu, paciência; vou contar assim mesmo.
Theresa Berkley foi dona de um bordel no número 28 da Charlotte Street, Portland Place, bairro de Londres. Mas, sua casa de entretenimento masculino e feminino, não era como outra qualquer do ramo.
Em 1718, quando foi publicado, na Inglaterra, anonimamente, um livro chamado Tratado sobre o Uso do Açoite - embora o título tenha um caráter um tanto científico - o conteúdo continha um teor claramente pornográfico. Rapidamente, o tratado se espalhou pela Europa e virou moda com o nome de vício inglês; o que equivalia dizer que ninguém gostava mais de apanhar na cama do que um inglês. É aí que entra madame Berkley. Determinada a atuar na área do entretenimento masculino e tendo ciência do gosto de seus conterrâneos, montou no mencionado endereço, um bordel especializado em tortura e flagelação e, assim, tornou-se a pioneira do sadomasoquismo.
Theresa era uma amante perfeita dessa arte, por isso não ficou só na tradicional coleira e o dolorido chicotinho. Sua casa era realmente um local de tortura. Para satisfazer os clientes, ela aprimorou e criou numerosos instrumentos de tortura. Usava diversos tipos de chicotes, de vários tamanhos, com nove correias de couro, conhecido como gato-de-nove-rabos, porque tinham nas pontas, unhas de metal, semelhantes a dos felinos. As varas para o açoite eram mantidas na água, de modo que quando usadas, estivessem sempre verdes e flexíveis. Cintas feitas de exclusivo couro grosso com pregos de uma polegada, que perfuravam a pele mais dura e deixavam flagelos que levavam um bom tempo para cicatrizarem. Vários tipos de escovas, como: a escova de furze (uma sempre-viva espinhosa), de urtigas. Além diisso tudo, na primavera de 1828, uma obra-prima de tortura foi inventada para sua casa: o Cavalo de Berkley.
A descrição desse aparelho, responsável pelos gritos dos clientes de Madame, vem de um nobre inglês vitoriano, aficionado em sacanagens, chamado Henry Spencer Ashbee: “(...) era uma espécie de pau-de-arara móvel que podia ser girado tanto na vertical como na horizontal. Assim, sem muito esforço, a Madame, ou as moças e os rapazes que trabalhavam para ela, infligiam a dor exatamente no ponto desejado pelo cliente”. E, por incrível que pareça, conclui Henry, “muitos nobres exibiam com orgulho as marcas e cicatrizes deixadas pelas torturas a que se submeteram”. O cavalo original está, hoje, exposto na Sociedade Real de Artes, e foi doado pelo Doutor Vance, o testamenteiro dela.
Assim, no bordel de Madame Theresa Berkley, quem ia com bastante dinheiro, poderia ser açoitado, chicoteado, fustigado, agulhado, pendurado, escovado, perfurado, ou seja, torturado até ficar satisfeito.
Segundo o texto abaixo, extraído da correspondência de um devoto apaixonado pela flagelação, e profundo conhecedor do assunto, naquela época, as mulheres eram muito mais apaixonadas em agitar a vara de flagelo e vice-versa, que os homens:
"Em minha experiência eu conheci pessoalmente várias senhoras da nobreza que tiveram uma paixão extraordinária e uma severidade impiedosa em administrar a vara. Eu conheci a esposa de um clérigo, jovem e bonito, que levou o gosto ao excesso. Eu soube que a pessoa quando bebia tornava-se vulgar e se permitia ser açoitada até que o fundo dela ficasse totalmente em carne viva e a vara saturada com sangue; ela durante a flagelação gritava: 'mais forte! mais forte! ' e blasfemava se assim não fizessem. Dum estabelecimento em Londres, do qual eu suprimo o nome, vinham vinte meninas que passavam por todas as fases do chicote até se tornarem professoras.”
Numa noite de setembro de 1836, a famosa casa de Miss Berkley estava silenciosa. Nem um grito, nem uma visita, madame Theresa Berkley havia falecido. Foi uma morte súbita e inesperada, pois era um tanto jovem. Durante oito anos ela não só governou seu bordel com maestria, como foi uma completa mulher de negócio, acumulou durante esse tempo uma considerável soma de dinheiro...
Nessa mesma noite, chega ao número 28 da Rua Charlotte, apressado e aparentando estar nervoso, o Dr. Vance, responsável pelo testamento. “Onde está o cofre de Theresa”? Pergunta para um criado. Era nesse cofre que Theresa guardava todas as cartas, nomes e recibos dos clientes de seu bordel. O doutor, sem nenhum remorso, queimou toda a papelada.
Conta-se que algumas das figuras (masculinas e femininas), de maior destaque da nobreza britânica eram clientes exclusivas do local, como o rei da Inglaterra, George IV. Portanto, a história da Inglaterra poderia ser outra, se o doutor não tivesse ateado fogo aos papéis.
Logo após a morte de Theresa, seu irmão, missionário durante 30 anos na Austrália, chegou à Inglaterra, mas quando ele tomou conhecimento de que sua irmã lhe havia deixado a mais famosa casa de flagelação da Inglaterra como herança, renunciou a propriedade e voltou imediatamente para a Austrália. Na falta do herdeiro, a propriedade passou ao Dr. Vance (médico e testamenteiro dela) ele também se recusou a administrar o bordel, e tudo ficou para a coroa inglesa.
Por essa época, já havia em Londres diversas casas especializadas em flagelação, como a da senhora Collette e da senhora Emma Lee. No entanto, em matéria de dor como êxtase, Miss Berkley foi, indubitavelmente, a rainha de sua profissão, ninguém a superava. ®Sérgio.
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TREMENDA HERESIA
“Antônio José da Silva, judeu, teatrólogo brasileiro, foi queimado pela inquisição portuguesa em 1739, porque escrevia coisas como céu da boca. Tremenda heresia.” (Millôr)
A VIDA SEGUNDO CHARLES CHAPLIN
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
A ALMA PENADA - Meus Contos
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
DONA MARIA, A LOUCA
ENTRE RISADAS E GRACEJOS
O TEATRO MELODRAMÁTICO
No princípio do século XVI, o melodrama indicava a tentativa de reproduzir as características do teatro greco-latino, ou seja, buscava a união da ação teatral e a música. Dessa tentativa, no final do mesmo século, o melodrama passou a ser considerado sinônimo de «ópera»; e assim permaneceu até meados do século XVIII. A seguir, passou a designar a declamação de qualquer texto com acompanhamento musical. De 1790 em diante, finalmente o melodrama perde o suporte musical e passa a ser um tipo de peça autônoma, em prosa e de caráter eminentemente popular, visto que o intelectualismo das classes mais elevadas deixa as pessoas muito racionais e menos emocionáveis.
Para ser mais preciso, o melodrama teatral surge oficialmente como gênero em 1800 com a obra «Coeline» de René-Charles Guilbert de Pixérécourt (1773-1844), autor de sessenta e três melodramas, definindo um tipo de espetáculo cênico em torno de ingredientes fáceis, explorados ilimitadamente: o sentimentalismo (não raro beirando o patético), o suspense, assassínios, mistérios, incêndios, cenas de medo, equívocos que se desfazem por milagre, ritmo ofegante, sem obediência à verossimilhança, epílogos felizes, linguagem despojada e de imediato entendimento. Daí seu caráter popular; é a oportunidade de purificação (catarse) dos mais pobres, menos intelectualizados, pois esse era o objetivo do melodrama: impressionar e comover cada espectador.
O melodrama teatral surgiu com grande sucesso de público em temporadas que, pela primeira vez na história do teatro, ultrapassaram as mil representações, isto o fez o primeiro gênero teatral de características internacionais do século XIX; e, posteriormente, fez com que o melodrama teatral fosse absorvendo e exportando elementos a todos os estilos, formas e gêneros artísticos que surgiram durante este período, como o Drama Romântico e, principalmente, o Folhetim.
Uma das vertentes do melodrama foi o gótico, onde o autor apresentava como personagens, espíritos que retornavam de outra dimensão para exigir justiça, fantasmas, acontecimentos sobrenaturais.
Ao final do século XIX, as novas propostas estéticas que surgiam, passaram a considerar as formas de interpretação do melodrama antinaturais, ou melhor, sinônimo de uma interpretação exagerada, de apelo fácil à platéia.
Não obstante, ter sido substituído pelo drama romântico, o melodrama deixou marcas permanentes no teatro e na própria ficção, e chegou até nossos dias. Além de eventuais representações que lembram o velho estilo, é visível a sua presença nas novelas, mini-séries, seriados, tele-comédias, programas de auditórios, entre outros. Todos buscando uma linguagem popular para um o telespectador comum. ®Sérgio.
Tópicos Relacionados: (clique no link)
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Informações foram extraídas e adaptadas ao texto de:
BERTHOLD, Margot. História Mundial do Teatro. Editora Perspectiva, São Paulo, 2001.
VASCONCELLOS, Luiz Paulo. Dicionário de Teatro. Porto Alegre: L&PM, 2001.
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domingo, 30 de agosto de 2009
ESTRANHA ILUSÃO
KHALIL GIBRAN: NA CIDADE DOS POBRES - Seleta de Prosa
Gibran Khalil Gibran, assim assinava em Árabe. Nasceu em 6 de dezembro na cidade de Bicharre, no Líbano. Gibran publica entre 1905 e 1920 sete livros em árabe (após sua morte é publicado o oitavo). Entre 1918 e 1931, produz mais oito livros, todos publicados em língua inglesa (após sua morte publicou-se mais dois). Morreu em Nova Iorque a 10 de abril. Foi enterrado em sua terra natal na vertente de uma colina, num velho convento cavado na rocha, onde sonhara ir viver seus últimos anos. Em cima do seu túmulo, esta simples inscrição: “Aqui, entre nós, dorme Gibran”.
O texto selecionado pertence ao
NA CIDADE DOS POBRES
Ontem, libertei-me do barulho da cidade e saí a caminhar por arredores mais tranqüilos até atingir um cume elevado que a natureza havia enfeitado com suas jóias mais belas. Diante de mim, estendia-se a cidade com seus arranha-céus e suas mansões, sob as densas nuvens de fumaça dos veículos e das indústrias.
Ante aquele lugar bucólico, me ponho a meditar sobre as atividades humanas. Achei-as, na sua maioria, mera agitação e fadiga. Esquecendo o homem, desviei o olhar para o campo, sede da glória divina e, não muito distante, vi uma necrópole, com seus túmulos de mármore rodeados por pinheiros.
Frente à cidade dos vivos e à dos mortos continuei a pensar. Pensava no movimento permanente e na luta incansável da primeira, e na quietude e paz que dominam na outra. Na primeira, lutam a esperança e o desespero, o amor e o ódio, a pobreza e a opulência, a fé e o ceticismo. Na outra a natureza acumula pó sobre pó, e neles ela cria, tranqüilamente, árvores e flores.
Enquanto me entregava a essas meditações, chamou-me a atenção uma multidão que avançava, vagarosamente, precedida por um elegante carro fúnebre engalanado por coroas de flores de muitas cores. No cortejo havia majestade, poder e homens de todas as classes. Era o funeral de alguém rico e poderoso: um cadáver que os vivos levavam para sua nova morada entre choros e lágrimas. Quando o cortejo atingiu o mausoléu e o ataúde era retirado de sua condução, consegui distingui-lo. Estava recoberto de elaboradas inscrições, desenhos e cercado por suntuosas coroas de flores. Agruparam-se todos a sua volta; um sacerdote tomou a frente de todos para orar, salmodiar e queimar incenso. Depois, sucederam-se os oradores e os poetas com suas elegias. Enfim, dispersou-se a multidão; voltou o cortejo à cidade, enquanto eu continuava a observá-lo de longe e a meditar.
Logo, o sol começou a descer para o poente, prolongando cada vez mais a sombra das árvores, e a natureza despiu pouco a pouco seu vestido de ouro. A um ruído, me virei e vi dois homens carregando um caixão de madeira comum, seguido por uma mulher em farrapos que segurava uma criança no colo e por um vira-lata miserável que olhava ora para a mulher, ora para o caixão. Era o enterro de um pobre. A mulher era sua esposa, que vertia as lágrimas da dor; a criança era seu filho, que chorava quando via a mãe chorar; o cachorro era seu amigo fiel, que pressentia o que se passava e andava com tristeza.
Chegou o pequeno cortejo ao cemitério; e logo foram enterrar o morto num canto distante, longe dos túmulos de mármore. Depois, afastaram-se num silêncio comovente. Observei-os, até desaparecerem por detrás das árvores.
Olhei, então, para a cidade dos vivos, e disse a mim mesmo: Ela pertence aos ricos e poderosos. Olhei então para a cidade dos mortos, e disse a mim mesmo: Ela também pertence aos ricos e poderosos. Onde está, ó Deus, a cidade dos pobres e humildes?
Ao fazer a pergunta, fitei as densas nuvens coloridas pelos últimos raios de sol e ouvi uma voz no meu interior responder: “Lá!”. ®Sérgio.
EM NOME DE DEUS - Notas Biográficas
Vocês estão lembrados da escritora americana Anne Rice (64 anos) que entrou para o rol da fama com o livro “Entrevista com Vampiro”, transformado em película de grande sucesso, principalmente nas bilheterias dos cinemas pelo mundo afora?
Dizer que entre o céu e a terra há mais mistérios do que sonha nossa vã filosofia, vocês certamente diriam que a frase é do tempo em que «omo-sexual» era sabão em pó para as partes íntimas, porém quem explicaria os últimos acontecimentos da vida de Anne Rice?
Primeiro, ela perde uma filha para a leucemia; depois o marido para o câncer no cérebro e, por último, ela própria esteve duas vezes à beira da morte. Não é algo «pra lá» de misterioso, tipo a maldição do faraó?
Certo é que a própria autora atribui todos esses sofrimentos a sua visão sombria do mundo e à saga estrelada pelo "Lestat" (protagonista de sua ficção), o vampiro mais famoso da literatura depois de Drácula.
Castigo ou pura fatalidade? Eu de mim não saberia dizê-los, porém Ana não pensou em questionar o assunto e mudou radicalmente seus conceitos religiosos e literários. Reconciliou-se com a religião católica e do ponto de vista literário, diz que fez a promessa de, de agora em diante, só escrever para, ou em nome de Deus.
De maneira, que o seu novo livro, Cristt the Lord — Out of Egypt, foi uma decepção para o público viciado naquele habitual enredo de bruxas e bebedores de sangue. Este tem o próprio Jesus, aos sete anos, narrando sua história com a linguagem e do ponto de vista de uma criança. Pelo visto, ela só não mudou a mania pelas sagas: já publicou o segundo volume da narrativa e pretende escrever no mínimo mais dois. ®Sérgio.
NOTURNO - Seleta de Poemas
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
MORREU, MAS NÃO PAGOU
O CASO DO PÃO DORMIDO - Recontando Contos Populares
Seu Otacílio, capataz da fazenda, relatou-me diversos causos, todos acontecidos lá pelas bandas de Minas Gerais, donde ele é natural. E, dos que em mente guardei, o melhor é este que vou recontar. Foi o seguinte:
Havia numa cidade do sertão mineiro, um português, seu Baltasar, que tocava uma padaria. De domingo a domingo, nas primeiras horas da madrugada, ele saía a entregar os pães para a freguesia de caderneta.
Numa manhã cinzentas, ameaçando uma trabuzana d’água, e o vento assobiando danado de brabo... murmurando na folhagem, seu Baltasar, sem mais esperar, pôs as costas o cesto cheinho de pães ainda quentinhos e tratou de ir entregá-los. O vialarejo ainda dormia, nenhuma alma viva pela redondeza, que se pudesse contar. Por isso mesmo, é que o velho português, para acordar a freguesia, gritava: — Padeeeiro! E na casa seguinte: — Padeeeiro! E assim ia de casa em casa.
Para alcançar a moradia de mais um freguês, passava seu Baltazar ao lado do cemitério, que parecia devastado por falta de cuidado, muros caindo, o capim alto... Numa madrugada noiteira como aquela, sem sol, seu Baltazar arrepiou-se todo; arrepiou-se mais ainda quando teve a impressão de ter sido chamado lá de dentro. "Ao pé dos cruzeiros há sempre uma alma", pensou. Ia saindo de fininho, jurando nunca mais ali passar, quando ouviu uma voz fraquinha, perguntar de dentro do cemitério:
— Tem pão dormido?...
Você calcule, o velho padeiro ficou aturdido, deu-lhe um passamento pelo corpo, tonteou, escureceu-lhe a vista; queria sair dali avoando que nem um corisco, sem olhar pra lá nem pra acolá, mas não conseguia. E paralisado ficou por uns minutos.
Mal acabara de colocar a cabeça em ordem e trocar uns passos, quando ouviu, novamente, a mesma vozinha:
— Tem pão dormido?...
Ixe! Foi a conta. Baltazar tacou longe a cesta de pães e..., agora sim, saiu avoando que nem um corisco, rua abaixo, numa correria despinguelada.
Enquanto isso, lá no cemitério, ouvia-se as gargalhadas da alma, porém de uma alma viva. O coveiro que acordara de madrugada para trabalhar, estava com fome e apenas queria comer, da freguesia do Baltazar, um pãozinho quentinho. ®Sérgio.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
RETRATO - Seleta de Poemas
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
RECEITA PARA UMA VIDA FELIZ
INGREDIENTES
4 XÍCARAS DE LEALDADE, ISENTA DE DISSIMULAÇÃO.
5 XÍCARAS DE AMOR VERDADEIRO.
3 XÍCARAS DE AMIZADE, SEM OPORTUNISMO.
9 COLHERES (CHÁ) DE ESPERANÇA, SEM FALSIDADE.
8 COLHERES (CHÁ) DE TERNURA.
2 XÍCARAS DE PERDÃO SINCERO.
4 PARTES DE TODO O TIPO DE FÉ, MENOS A CEGA.
1 QUILO DE ALEGRIA.
MODO DE FAZER
Coloque no fundo da alma o amor e a lealdade, misture com a fé até incorporar. Acrescente a ternura e o perdão, a amizade e a esperança; misture tudo delicadamente até ficar homogêneo. Depois polvilhe com alegria. Cozinhe com a luz do sol e sirva a vontade, nos dias quentes ou frios, em grandes quantidades. ®Sérgio.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
POR QUE TANTO PESSIMISMO?
PADRE ANTÔNIO VIEIRA E OS LADRÕES
Padre Antônio Vieira (1608 – 1697) escreveu muitos sermões, dentre os quais se destacam: Sermão da Sexagésima, sobre a arte de pregar; Sermão de Santo Antônio aos Peixes, em que trata da escravidão do indígena; Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contras as de Holanda, que proferiu por ocasião do cerco dos holandeses à cidade da Bahia; Sermão do Bom Ladrão, que escolhi para retirar alguns trechos, pois apresenta uma visão crítica sobre a corrupção e o comportamento imoral da nobreza da época, e nos leva a refletir sobre a atual corrupção no Brasil.
Navegava Alexandre Magno em uma poderosa armada pelo Mar Vermelho, com o intuito de conquistar a Índia, quando em uma das aldeias conquistadas, trouxeram à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores. Alexandre o repreendeu com severidade por andar em tão mau ofício; porém, o pirata, que não era medroso, nem lerdo, assim respondeu:
— Basta, Senhor! Porque eu roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?
Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza. O roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a uns e outros definiu com o mesmo nome: Se o Rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.
O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu falo, são outros ladrões de maior calibre e da mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo calibre distingue muito bem São Basílio Magno. Não só são ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que vão se banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem lhes é dado o governo dos estados, ou a administração das cidades, ou ainda a representação do povo; os quais, com astúcia e malícia, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam países e cidades; os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor nem perigo; os outros se furtam são enforcados; estes furtam e enforcam.
Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu uma grande tropa de políticos e ministros da justiça levar uns ladrões para a forca, e começou a bradar: Lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos! Afortunada Grécia que tinha tal pregador! E mais afortunadas as outras nações, se nelas não sofre a justiça as mesmas afrontas. Quantas vezes se viu em Roma, enforcarem um ladrão por ter roubado um carneiro; e no mesmo dia ser levado em triunfo um cônsul, ou ditador, por ter roubado um país. E quantos ladrões teriam enforcado estes mesmos ladrões triunfantes? De um, chamado Seronato, disse com discreta contraposição Sidônio Apolinar:
— Seronato está sempre ocupado em duas coisas: em castigar furtos, e em fazê-los. — Isto não era zelo de justiça, senão inveja. Queria tirar os ladrões do mundo, para roubar ele só.
Embora a época do Barroco tenha passado, a produção de textos críticos e religiosos não parou. Escritores contemporâneos têm se ocupado com os dilemas do ser humano quanto à existência ou não de Deus, quanto ao destino do homem depois da morte e quanto ao comportamento ético-político e ético-religioso. ®Sérgio.
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Nota: Fiz algumas adaptações no original, para melhor situá-lo no vernáculo de nossos dias.
PINTAR COMO UM CIENTISTA
O Realismo surgiu na segunda metade do século XIX, na França a princípio nas artes plásticas. Os pintores, antes que os literatos, reagiram duramente contra o Romantismo. Os pintores realistas desejavam registrar com realismo o mundo moderno, principalmente a partir de suas experiências pessoais.A francesa Rosa Bonheur (1822-1889) destacou-se na pintura de animais, cujas imagens de um realismo impressionante, revelavam não só a paixão dela pelo reino animal, como também o trabalho de uma pesquisa quase científica sobre a vida animal. Para pintar a Feira de Cavalos, a artista se disfarçou de homem e, durante um ano e meio rabiscou esboços no mercado de cavalos em Paris, além de trabalhar em um matadouro a fim de melhorar seus conhecimentos de anatomia.
Outro realista radical foi Thomas Eakins (1844-1916), embora hoje ele seja considerado um dos mais importantes pintores norte-americanos do século XIX, seus métodos na época, foram criticados. De modo semelhante ao que ocorreu na literatura do período, sua pintura era o resultado de um verdadeiro estudo científico, como mostra o quadro (estampado no início do texto) A Clínica Agnew, de 1889, no qual está retratado o cirurgião Agnew em uma verdadeira cirurgia de câncer da mama. Chamado pelos críticos de "açougueiro", Eakins até mesmo dissecou cadáveres para aprender anatomia. ®Sérgio.
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Fonte: Guidin, Maria Lígia; Expressões Culturais no Tempo e no Espaço; São Paulo: Escolas Associadas, (sd).

