sábado, 25 de julho de 2009

O AFILIADO DO DIABO - Recontando Contos Populares

Conta-se que em um sítio do interior brasileiro, havia um pobre sitiante que tinha tantos filhos, que quando nasceu seu caçula, ele nem sabia mais quem convidar para ser padrinho do menino. Poucos dias antes do batizado, desesperado, o caboclo disse à mulher:
— Vou ver se acho alguém que queira ser padrinho de nosso filho.
Montou o cavalo, fincou as esporas e partiu a todo o galope para a cidade. Enquanto galopava pensava: “Arranjar padrinho para o quinto filho já tinha sido difícil, quem ia querer ser compadre de um pé-rapado como ele?” E quanto mais pensava mais inconformado e triste ficava.
O dia passou, e ele ainda não tinha encontrado ninguém que aceitasse ser padrinho do seu filho. Voltava para casa desanimado, quando num entroncamento, deu de cara com uma figura muito bem vestida, montada num belo cavalo.
— Se quiser, posso ser padrinho de seu filho – ofereceu-se a figura, com uma voz estranha.
Um tanto espantado com o cavaleiro que lhe adivinhara o pensamento, mas necessitando de um padrinho para o filho, o caboclo nem cogitou de fazer pensamento do caso:
— Aceito. Você me parece ser rico e culto, que seja meu compadre, padrinho de meu filho!
O cavaleiro abriu um estranho sorriso e respondeu:
— Então faço questão de dar uma festa enorme para celebrar o batizado!
E assim foi. Festa farta e alegre. No final, o estranho homem disse ao compadre:
- Meu compadre, quero lhe fazer um pedido. Quando o menino crescer, vou levá-lo comigo para lhe dar uma boa educação.
O caboclo não gostou da idéia, mas acabou concordando, afinal tratava-se de um homem importante e talvez isso fosse bom para seu menino.
Quando o garoto completou quinze anos, o compadre apareceu e o levou para uma casa imensa, isolada no interior duma floresta. Como passava grande parte do tempo sozinho, o jovem resolveu distrair-se lendo os muitos livros do padrinho. Descobriu então que eram todos livros de magia e bruxaria. Assustado, decidiu fugir antes que o pior acontecesse. Antes, porém, estudou alguns feitiços e aprendeu como poderia transformar-se em animais.
Assim, virou um cavalo e saiu de lá galopando. Mas o padrinho, que era o diabo, foi atrás dele montado em seu cavalo e logo o encontrou no pasto. A perseguição foi longa, e no fim o diabo conseguiu alcançá-lo. Porém, quando o diabo estava para pôr-lhe os arreios, o rapaz disse bem rápido:
— Quero, agora, ser um passarinho!
Imediatamente ele virou um passarinho e voou pelos céus.
E o diabo disse:
— Quero, agora, ser um gavião!
Transformou-se num gavião e saiu outra vez em perseguição ao afilhado. Foi então que, do alto do céu, o garoto viu uma linda jovem sentada na varanda de uma casa. E disse:
— Quero, agora, ser um anel!
Transformou-se num anel e foi parar no dedo da moça. Logo em seguida, virou o belo jovem que de fato era, e pediu à garota:
— Por favor, nunca se separe deste anel em que vou me transformar. Se você o tirar do dedo, eu morrerei. Se alguém quiser comprá-lo, não o venda, atire o anel rapidamente no chão.
Em seguida, virou anel de novo.
Nesse instante apareceu o diabo para comprar o anel. Mas a garota atendeu ao pedido do rapaz e atirou o anel no chão. O anel se transformou no rapaz, e este disse:
— Quero virar grão de milho.
O jovem transformou-se em vários grãos de milho, e o diabo virou um galo para comê-los. Esperta, a jovem pisou nos grãos e espantou o galo. Nisso, o rapaz disse:
— Quero, agora, virar uma raposa.
Transformou-se numa raposa e mordeu o galo. O galo saiu correndo, depois virou um cavalo e sumiu no pasto. A garota deu um beijo na raposa, a raposa virou um rapaz, os dois jovens se casaram e viveram felizes para sempre. ®Sérgio.
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sexta-feira, 17 de julho de 2009

A REGÊNCIA DO VERBO ANSIAR

Ansiar no sentido de desejar ardentemente é transitivo indireto Use-o com a preposição [por]:
Ansiou por ir ao seu encontro.
Ansiava por me ver fora de casa.
Ansiava por me ver fora daquele bar.
Ansiava pelo novo dia.
Ansiar no sentido de causar mal-estar, angustiar é transitivo direto. Use-o sem preposição:
O cansaço ansiava o trabalhador.
A espera ansiava o noivo. ®Sérgio.

UMA HISTORIETA BEM CRETINA

Esta semana "correu" aqui, pela minha cidade, uma historieta bem cretina; tanto é cretina, que poderíamos classificá-la como "humor negro" - um gênero frequente na cultura popular brasileira. Fora a cretinice, tem um enredo bem desenvolvido e bem ao estilo do conto, onde tudo chama, tudo convoca, a um final bastante inspirado. Quanto à autoria, é de costume quando se narra oralmente uma historieta, ninguém perguntar pelo autor. De maneira que uns vão passando aos outros sem se preocupar com nome do "inventor"; e, foi assim, que ela chegou até minhas orelhas:
Um rapaz ganhara um reality show, e como prêmio, foi contratado para filmar um comercial com a Gisele Bündchen. Ao eufórico rapaz fora marcado o dia 15 de determinado mês, para o embarque rumo ao local da filmagem. No entanto, esta viagem poderia ser cancelada caso acontecesse algum imprevisto com a Gisele; neste caso ele seria comunicado via telegrama. Se não recebesse, embarcaria no dia determinado para iniciar as filmagens com a nossa famosa modelo.
O rapaz combinou com os colegas que se não viesse o telegrama até a véspera, daria, nesse dia, uma grande festa de despedida. E assim aconteceu. Na noite de 14, a casa se encheu e haja farra. Música e dança, comes e bebes, entre outras coisas. Como o dia 14 só terminaria à meia-noite, a angústia do rapaz era imensa. Por volta das 10 horas, alguém toca a campainha. Faz-se um silêncio de morte. Como se marchasse para a cadeira elétrica, o jovem se encaminha à porta, tentando convencer-se de que era algum convidado atrasado; de lá, porém, traz pálido e ansioso, o envelope do cabograma. Nervoso, tremulo, abre-o, para depois berrar numa imensa e não contida alegria:
— Pessoal, não é nada, não! Foi minha mãe que morreu!
Que falta de vergonha desse filho da mãe que morreu. ®Sérgio.

QUANDO EU MORRER... - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
Quando Eu Morrer...
Quando eu morrer o mundo continuará o mesmo,
A doçura das tardes continuará a envolver as coisas todas.
Como as envolve agora neste instante.
O vento fresco dobrará as árvores esguias
E levantará as nuvens de poesia nas estradas...
Quando eu morrer as águas claras dos rios rolarão ainda,
Rolarão sempre, alvas de espuma
Quando eu morrer as estrelas não cessarão de acender-se
no lindo céu noturno,
E nos vergéis onde os pássaros cantam as frutas
continuarão a ser doces e boas.
Quando eu morrer os homens continuarão sempre os mesmos.
E hão de esquecer-se do meu caminho silencioso entre eles,
Quando eu morrer os prantos e as alegrias permanecerão
Todas as ânsias e inquietudes do mundo não se modificarão.
Quando eu morrer os prantos e as alegrias permanecerão.
Todas as ânsias e inquietudes do mundo não se modificarão.
Quando eu morrer a humanidade continuará a mesma.
Porque nada sou, nada conto e nada tenho.
Porque sou um grão de poeira perdido no infinito.
Sinto porém, agora, que o mundo sou eu mesmo
E que a sombra descerá por sobre o universo vazio de mim
Quando eu morrer...
Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), poeta da segunda geração modernista, obcecado
com a ideia da morte, cujo sentimento escapa em muitos de seus poemas.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A PANTERA - Memórias de Um Bipolar

Um dia, e isso já faz tempo, eu ainda era garoto, vi numa pequena jaula de um circo, uma pantera. Ela caminhava de um canto a outro da jaula, incessantemente, seguindo com matemática exatidão, uma linha invariável e virando, a cada vez, na mesma barra. A cada virada, seus pelos negros possuíam estranhos reflexos dourados.

Sua jaula era colocada à frente da entrada do circo; para chamar a atenção do público. Desde manhã até a noite, uma multidão se apinhava diante da jaula; gritavam, resmungavam, mas a pantera em sua patética caminhada, com o focinho abaixado, olhava direto diante de si, sem nunca voltar-se a multidão. Alguns espectadores sorriam, mas a maior parte, como eu, olhava sério, quase triste, aquela imagem viva de um infinito desespero.

Aquela imagem ficou gravada para sempre em minha memória. Sempre que algo não ia bem à minha vida, eu me lembrava da pantera; o que poderia ser pior do que a vida daquele magnífico animal, encarcerado para sempre em uma jaula pouco maior que o tamanho dele?!

Hoje eu acho que aquela visão me marcou, porque havia algo de comum entre o meu destino e o da infeliz pantera. Pois, agora em minha jaula de tijolos, eu também me tornei igual a ela.

Todos aqui são panteras enjauladas. Dia após dia, caminham de um canto a outro do corredor, seguindo sempre uma única direção, sem se importar com o que se passa a sua volta.

Minto!... Nem todos são panteras enjauladas. Há aqueles que abandonados pelos que o colocaram aqui, sozinhos, a mercê do destino, perderam qualquer esperança de dias melhores. Deixaram de caminhar e permanecem sentados, imóveis, mudos, sem um gesto, sepultados até os ombros nos sofás, poltronas e cadeiras do salão; como se todos fossem sombras do nada! Nada do nada!

Há, porém, algo inacreditável aqui: essas panteras enjauladas têm coragem de rirem. Trocam dizeres zombeteiros. Apelidam-se, ridicularizando suas próprias desgraças. Riem da própria infelicidade.

Dizem, entre risadas e gracejos "que aqui o diabo não entra para não ficar com complexo de inferioridade". ®Sérgio.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A ÁRVORE QUE DAVA DINHEIRO - Histórias de Pedro Malasarte

Vendo-se apertado com a falta de dinheiro e não querendo ter arenga com o dono da pensão, Malasarte saiu bem cedo naquela manhã, para ganhar a vida. Arranjou com o vendedor de mel de jataí um bocado de cera; trocou na mercearia de Seu Joaquim a única nota de dinheiro que lhe sobrara, por algumas de moedas de vintém e caiu na estrada. Caminhou por obra de uma légua ou mais, quando avistou uma árvore na beira da estrada. Chegando ao pé da árvore, parou e pôs-se a pregar os vinténs à folhagem com a cera que arranjara. 
Não demorou muito, deu de aparecer na estrada um boiadeiro que vinha tocando uns boizinhos para vender na vila. E como já ia levantando um solão esparramado, a cera ia derretendo e fazendo cair às moedas. Malasarte, fazendo festas, as apanhava. O boiadeiro acercou-se, curioso, perguntou-lhe o que fazia, e Malasarte explicou:
— Esta árvore é deveras encantada, patrão. As suas frutas são moedas legítimas. Estou colhendo todas, porque vou me bandear pra outra terra e tô pensando em levar a árvore, apesar de todo o trabalho que vai me dar.
— Não me diga isto, sô!
— É o que eu lhe digo, patrão!
— Diacho! Se lhe vai dar tanto trabalho...
E o boiadeiro propôs comprar a árvore encantada. Malasarte, depois de muitas negaças, fechou negócio trocando a árvore pelos boizinhos; em seguida, bateu pé na estrada, vendendo-os na vila por um bom preço.
O boiadeiro mandou alguns de seus peões retirarem, com todo o cuidado, a árvore encantada e a replantou no pomar do seu sítio. Daquele ano até hoje, está esperando ela dar moedas de vinténs. ®Sérgio.

sábado, 13 de junho de 2009

REFLEXÕES SOBRE A INVEJA

"Raros são os homens dotados de bastante caráter para se regozijarem com o sucesso de um amigo sem uma sombra de inveja." (Esquilo, poeta e dramaturgo grego)

"Qualquer um de nós pode compadecer-se do sofrimento de um amigo, mas é preciso uma natureza muito elevada para compartilhar do seu sucesso." (Oscar Wilde)

"Toda a pessoa de valor social, vencedora na luta pela vida, bem sucedida em todos os seus esforços tem na sociedade número incontável de desafetos gratuitos, mesmo entre os que lhe são absolutamente estranhos." (Amadeu Amaral)

"A felicidade de qualquer um é desespero para muitos. Dizer mal e gostar de ouvir falar mal de alguém é um velho cacoete da alma humana." (Austregésilo, no livro Mal da Vida)

"A mais amarga das amarguras é a que nos causam os nossos "amigos". Os outros dissabores nos ferem, por assim dizer, de fora, ao passo que esta nos atinge de dentro e penetra as mais íntimas fibras do nosso ser." (Rohden)

SIMPATIAS PARA CURAR DOENÇAS - Coisas da Nossa Gente

As simpatias de nossa gente são tão incontáveis e interessantes por sua cativante ingenuidade, que não consigo conter o desejo de expor a vocês a minha antologia, todas colidas em diversas fontes:
01 - Quando uma criança está com coqueluche, é bom que uma vizinha, nascida em janeiro e em estado interessante, venha acudir o doente depois da meia-noite. Deve ela dizer todas as vezes que a criança perder o fôlego:
Tosse violenta,
tosse sem fim,
vai-te arrebenta
lá nos confins.
02 - Quando lhe surgir alguma inflamação na pele, unte-a com óleo, fazendo cruzes e pronuncie durante sete dias, a seguinte benzedura:
Eu te atalho
Bicho ou bichão,
Aranhiço ou aranhão,
Sapo ou sapão,
Bicho de qualquer feição.
Eu te atalho
Eu te mínguo
Eu te corto a cabeça
E te furo o coração
Aqui te atalho
Além de mirro.
03 - Para curar mau-olhado ou o quebranto, segure na mão um ramo de alecrim, e diga três vezes:
Virgem Mãe da Conceição,
Mãe do poderoso Deus;
Tirai este mal, este quebranto.
Do corpo de...
Deus te fez, Deus te criou;
Deus perdoa, a quem mal te olhou
Em louvor à Virgem Maria
Padre Nosso e Ave Maria.
04 - Quem sofre de epilepsia precisa beber, em seis dias seguidos, uma xícara de cachaça, que ficou de molho, durante uma semana, no umbigo de um recém-nascido.
05 - Cura-se bêbado inveterado dando-lhe um ovo de coruja mal assado e gotas de suor do cavalo misturado ao vinho.
06 - Quem quiser sarar de mau cheiro nas axilas, deve comprar um lencinho branco e virgem, amarrar numa das suas pontas um real, ir a uma encruzilhada, esfregar o lenço nos sovacos e atirá-lo no meio da estrada. Quem pegar o lenço leva também o bodum (o cheiro forte).
07 - Cortar as unhas na segunda-feira evita dor de dentes. Às sextas-feiras evita nevralgias e unheiros.
08 - Para evitar futuras dores de dentes, ao escurecer, quando o sabiá piar, dar três cuspidas para o lado direito e três para o lado esquerdo.
09 - Para enfermidades no peito, passar sangue de gato preto ou testículos de porco.
10 - Colocar uma cruz feita de palha de milho na cabeça de quem deita sangue pelo nariz, faz a hemorragia estancar imediatamente.
11 – Para curar dor de dente, esprema uma barata, ainda viva, num algodão e aplique o que dela resultar, no dente cariado.
12 – em ferimentos, para estancar a hemorragia, coloque, sobre a ferida, fezes de cavalo castrado, ou teia de aranha.
13 - Para curar o vício de urinar na cama, fazer a criança sentar num formigueiro.
14 - Para ter olhos grandes, brilhantes e bonitos, esfregue olhos de vaga-lumes na criança, diante de um espelho sem muita claridade. Se o trabalho não for bem feito, a criança pode perder "para sempre a vista".
15 - Para curar eczema faça o seguinte: Numa sexta-feira, antes do sol nascer, põe-se no meio do quintal uma bacia cheia d’água na qual, ao meio-dia em ponto, o doente lava o rosto ou outra parte afetada.
16 - Para curar dor de ouvidos, passar por dentro das orelhas o rabo de um gato preto. O doente deve estar em jejum e o tratamento precisa ser repetido três vezes.
17 - Para curar dor de ouvido, passar por dentro das orelhas pó de chocalho de cascavel.
18 - Cabeça de fósforo carbonizada, isto é, depois de usado o fósforo, depositada no orifício feito pela cárie, acaba com a dor de dente.
19 - Para icterícia, chá de grilo.
20 - Quando os pés ficarem adormecidos, trace sobre eles uma cruz com saliva.
21 - Para inflamação na gengiva, passar crista de galo, após ser extirpada do galináceo vivo.
22 - Para hidrofobia, chá de penas de urubu.
23 - Cura-se a asma, comendo, com um pouco de açúcar, uma lesma depois de esmagada e fervida.
24 - Quando se tem um terçol, chega-se a um companheiro e, com a mão, faz-se várias vezes o gesto de como quem passa o incômodo para o olho do outro, e diz-se: "passe pra você, passe pra você…".
25 - Evita-se câimbra, colocando-se um pedaço de aço sob o travesseiro.
26 – Para dor de dente coloque no dente cariado um algodão embebido de creolina.
27 - Raspa de dente de jacaré, tomado como chá, cura qualquer dor.
28 - Para acabar com os problemas de coluna: basta colocar um pau de cana, do tamanho de sua altura, debaixo da cama.
29 - Soprar na boca daquele que se queixa de dor de dente, elimina a dor. O hálito, expelido do interior dos pulmões, é força contrária à dor.
30 - Quando cai um dente, deve-se jogá-lo no telhado. Nasce outro.
31 - Para dores nos rins, chá de saco de bode. ®Sérgio.

domingo, 7 de junho de 2009

SUPERSTIÇÕES E CRENDICES DE NOSSA TERRA

Venho de família campesina, de origem sulista, tanto paterna como materna. Cresci, portanto, ouvindo superstições, lendas e causos contados pelos meus avôs e pelos condutores de boiadas (comitivas) que passavam pelas nossas fazendas. De modo que a cultura popular tem raízes profundas em mim. Por isso, amo de coração as lendas e crendices de nossa gente. São tão incontáveis e lindas por sua cativante ingenuidade, que não consigo conter o desejo de expor a vocês as preferidas de minha antologia, todas colidas em diversas fontes. Aí vão elas, tal qual coletei-as:

• Pôr o chapéu em cima da cama traz azar.

Mulher que está amamentando não deve visitar pessoa mordida por cobra. Se o fizer a pessoa morrerá.

• Quando está ventando muito forte é que o diabo está zangado.

Criança que morre sem ser batizada vira serpente.

• Quando se vê uma pessoa muito preguiçosa, é costume se dizer: Coitado, aquele ali o diabo cruzou os braços.

• Não se deve pregar novamente um botão que cai de qualquer peça do vestuário, porque dá azar.

• Quando se empresta um canivete deve-se devolvê-lo aberto para não haver briga.

Não presta saltar por cima de criança: ela não crescerá mais.

• Quando a porta bate forte, após a nossa saída ou entrada em casa, foi o diabo que a fechou.

• Fazer a barba depois da comida produz congestão.

Apontar estrelas com o dedo faz nascer berruga na ponta do dedo.

• Quem quiser que lhe cresça logo a barba deve passar titica de galinha no rosto.

• Quando desaparece uma coisa qualquer, foi o diabo que levou. O jeito é esperar, porque quando ele não quiser mais, devolve.

Não presta comer cabeça de galinha: faz perder o juízo.

• Redemoinho de vento é diabo está dançando. E se no redemoinho entrarmos, o diabo nos carrega.

Não se deve passar a ferro as costas da camisa de um homem: este se tornará desmoralizado, sem-vergonha etc.

• Presente de lenço desfaz as amizades.

Cortar as unhas na segunda feira é bom remédio para dor de dentes

• Queimar chifre de boi e casca de coco no canto da casa, à noite, espanta o capeta.

Quando uma visita está demorando a ir-se embora e começa a aborrecer joga-se um punhado de sal no fogo. A visita vai-se embora logo.

• Pôr um chifre de boi estrepado na ponta de um pau, no terreiro, espanta o capeta.

• Quem quiser que lhe cresça logo a barba, deve passar titica de galinha no rosto.

• Cortar as unhas às segundas-feiras livra de dor de dentes. Às sextas-feiras evita nevralgias, unheiros.

• Raspa de dente de jacaré, tomada como chá, cura qualquer dor.
• Nas sextas-feiras, ao nos levantarmos, se virmos uma pessoa preta, o diabo vai nos atentar o dia inteiro.
Borboleta preta é sinal de que algo de mal vai acontecer.
Quando se perde alguma coisa e não se consegue encontrar, toma-se uma palha de milho e damos-se nela três nós, com o que se amarra o diabo, e o objeto perdido aparecerá. Mas, depois de encontrá-lo não se deve esquecer-se de desmanchar os nós, se não tudo de ruim acontecerá na casa.
• Quando a gente se despede de uma pessoa de quem não gosta, fala assim (alto no começo e baixinho no final): "Vai com Deus e Nossa Senhora... o diabo atrás tocando viola.
Segundo a crença de nossos sertanejos, a figueira é planta do diabo. A sexta-feira não se deve passar por baixo de figueiras. É tido como certo que nas figueiras, nesse dia da semana, há reunião de demônios que ali fazem suas orgias.
Alguém, por certo, ira pensar: "Mas isso é criancice".
Criancice? Deus me conserve as minhas criancices! ®Sérgio.

ADJETIVO POSPOSTO A DOIS OU MAIS SUBSTANTIVOS

Para o Adjetivo Posposto a Dois Ou Mais Substantivos haverá duas opções de concordância:
1ª. O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo:
   Encontramos uma jovem e um homem preocupado.
   Encontramos um homem e uma jovem preocupada.
Ou vai para o plural, concordando com os substantivos. Se os substantivos forem de gêneros diferentes prevalecerá sempre o masculino:
   Encontramos uma jovem e um homem preocupados.
   Encontramos uma jovem e uma mulher preocupadas.
As Exceções:
a) Se os substantivos forem sinônimos ou puderem ser considerados sinônimos, o adjetivo concordará com o mais próximo:
   Luís tinha ideia e pensamento fixo.
   Luís tinha pensamentos e ideias fixas.
b) Se os substantivos forem antônimos o adjetivo deverá ir obrigatoriamente para o plural: Passei dias e noites frios na Europa.
c) Se o adjetivo só puder referir-se ao último substantivo porque o sentido assim exige, só com ele fará a concordância:
   Comprei livros e pera madura (livros não amadurecem). ®Sérgio.

ADJETIVO ANTEPOSTO A DOIS OU MAIS SUBSTANTIVOS

O Adjetivo Anteposto a Dois ou Mais Substantivos concorda, por norma, com o substantivo mais próximo:
   Manifestou profundo respeito e admiração.
   Manifestou profunda admiração e respeito.
Se os substantivos forem nomes próprios, ou nome de parentesco, o adjetivo deverá ir ao plural, obrigatoriamente:
   Os esforçados Enéas e Luís.
   Os esforçados pai e mãe®Sérgio.

PENSAMENTOS DE UM DEPRESSIVO

"Aumenta meu sofrimento verificar que perdi aquilo que fazia o encanto de minha vida: a sagrada e tumultuosa força graças a qual podia criar mundos e mundos em torno de mim. Essa força não mais existe."

"Quando contemplo, de minha janela, o sol matutino rasgar a bruma sob a colina distante, iluminando a campina silenciosa no fundo do vale, e vejo o riacho tranqüilo correndo para mim serpenteando entre os salgueiros desfolhados, essa natureza me parece fria e inanimada como uma estampa colorida. Todos esses encantos não podem fazer subir do coração ao cérebro a menor sensação de felicidade, e todo o meu ser permanece perante Deus como uma fonte estancada, como um ânfora vazia."

Johann Wolfgang Von Goethe, Os Sofrimentos do Jovem Werther.

PEENSAMENTOS DE UM DEPRESSIVO (2)

"Aumenta meu sofrimento verificar que perdi aquilo que fazia o encanto de minha vida: a sagrada e tumultuosa força graças a qual podia criar mundos e mundos em torno de mim. Essa força não mais existe."

"Quando contemplo, de minha janela, o sol matutino rasgar a bruma sob a colina distante, iluminando a campina silenciosa no fundo do vale, e vejo o riacho tranqüilo correndo para mim serpenteando entre os salgueiros desfolhados, essa natureza me parece fria e inanimada como uma estampa colorida. Todos esses encantos não podem fazer subir do coração ao cérebro a menor sensação de felicidade, e todo o meu ser permanece perante Deus como uma fonte estancada, como um ânfora vazia."

Johann Wolfgang Von Goethe, Os Sofrimentos do Jovem Werther.

sábado, 6 de junho de 2009

II POVERELLO - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e me emocionaram. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.

Poverello significa o Pobrezinho, diminutivo carinhoso pelo qual era tratado São Francisco de Assis.

II POVERELLO

Desgrenhado e meigo, andava na floresta.

Os pássaros dormiam em seus cabelos.

As feras o seguiam mansamente.

Os peixes bebiam-lhe as palavras.

Dentro dele todo o caos se resolvera,

Numa ingênua certeza: — “Preguei a paz,

Mostrei o erro, domei a força, curei o mal.

Antes de mim o crime. Depois de mim o amor.”

Mas a floresta esqueceu no outro dia,

O bíblico sermão e novamente o lobo comeu a ovelha,

A águia comeu a pomba,

Como se nunca houvera santos e sermões.

José Paulo Paes (1926 - 1998)

GALINHAS NO TRÁFICO

A leitura de revistas nos proporciona, muitas vezes, surpresas inacreditáveis. Vejam:

Na Colômbia, os traficantes estão aliciando até as galinhas para o tráfico. Mas é galinha mesmo, fêmea do galo, a tal da penosa.

A polícia colombiana prendeu uma galinha que continha pacotes de cocaína presos nas patas e nas asas. Com certeza, não era para consumo próprio, não consigo nem imaginar, como faria uma galinha viciada, para cheirar uma coca da boa.

Por lá, não chegou a ser uma grande novidade. Há um ano prenderam um pavão (ave) com drogas no organismo, isto é, com cápsulas de drogas no organismo. ®Sérgio.

sábado, 30 de maio de 2009

SÓ RINDO...

Em 1995, um pato voando, colidiu com a fachada de vidro do Museu de História Natural de Roterdã (Holanda). O pesquisador Kees Moeliger ouviu o barulho e foi ver do que se tratava. O pato caíra morto, mas outro pato o atacava sexualmente. Impassível, Moeliger acompanhou o "estupro" por 75 minutos e só então espantou a ave pervertida. Desta observação, escreveu um estudo intitulado: “O Primeiro Caso de Necrofilia Homossexual entre Patos”, que foi contemplado com o prêmio IgNobel de Biologia.

Você deve estar se perguntando: que prêmio é esse? É uma espécie de paródia do Nobel, ou seja, um prêmio anual aos mais ridículos, inúteis e absurdos trabalhos científicos do mundo. Essa “brincadeira” é feita, anualmente, desde 1991, pela revista inglesa de humor científico “AIR” (Anais da Pesquisa Improvável), editada pela Universidade de Harvard (Massachusetts). A cerimônia de entrega lota o Teatro Sanders, de Harvard; e, ao contrário do que se possa imaginar, os homenageados recebem com muito humor seus prêmios. Muitos consideram até mesmo uma honra, pois, dessa maneira, dá-se evidência a sua pesquisa.

Para que você tenha uma noção de quanto absurdas e inúteis são essas pesquisas, selecionei, da antologia do IgNobel, alguns vencedores, cujas pesquisas são por demais ridículas. Veja:

• Os cientistas F. Kanda, E. Yagi, M. Fukuda, K. Nakajima, T. Ohta e O. Nakata chegaram a uma inusitada conclusão cientifica: as pessoas que acham que têm chulé, realmente têm, e aquelas que não acham, não têm.

• George e Charlotte Blonsky (falecidos) de New York, reconhecendo a dificuldade das mulheres no parto, inventaram um aparato médico baseado na forca centrífuga, onde a mulher é amarrada numa mesa circular com a cabeça colocada no centro da mesa, que é girada em alta velocidade. Eles só não explicam como aparar o bebê quando expelido da mãe.

• Gregg Miller, dos Estados Unidos, pela invenção dos “Neutículos”, testículos de borracha para cães obviamente sem testículos. “Considerando que, quando era criança, meus pais pensarem que eu era um idiota, esta é uma grande honra", disse Miller.

• A Dra. Mara Sidoli de Washington, DC, pelo interessante estudo intitulado Soltar Gases como Reação de Defesa Diante de Uma Situação Apavorante. A banca que examinou a Dra. Sidoli foi muito dura no exame e a ameaçou tirar seu título. Pois, foi nesse exato momento que a doutora soltou, desculpe, deu a prova cabal de seu estudo. Assim, ao constatarem que a pesquisadora tinha razão, a banca examinadora não cumpriu a ameaça.

• O Dr. Len Fisher da cidade de Bath, England, é premiado por calcular a melhor maneira de molhar um biscoito (no chá, café, etc.).

• Os cientistas Claire Rind e Peter Simmons da Newcastle University, do Reino Unido, por monitorar a atividade de células do cérebro de gafanhotos enquanto eles assistiam (sem pipoca e refrigerante) a trechos dos filmes da série "Guerra nas Estrelas".

• Premiou-se um grupo da Universidade de Adelaide, na Austrália, que analisou odores produzidos por 131 espécies diferentes de sapos quando estressados. Foram selecionados voluntários para cheirar os sapos e descrever o odor que eles perceberam.

• Os pesquisadores Wasmia Al-Houty e Fatem Al-Mussalam demonstraram que a reputação dos besouros-vira-bostas não é verdadeira. Suas pesquisas mostram que esses insetos têm paladar refinado e não comem qualquer tipo de...

• Os pesquisadores, Basile Audoly e Sebastien Neukirch, descobriram em quantos pedaços um fio de macarrão seco se quebra ao ser dobrado: em mais de dois pedaços.

Três investigadores franceses por descobrirem que as pulgas que vivem nos cães saltam mais alto do que as pulgas que vivem nos gatos.

• Dois invetigadores americanos que conseguiram provar matematicamente que fios de cordel ou cabelo acabam inevitavelmente por se embaraçar.

• E por fim, no campo da ornitologia Ivan R. Schwab (Universidade da Califórnia) pesquisou porque os pica-paus não têm dor de cabeça, apesar de baterem o bico contra as árvores 12 mil vezes por dia.

Salve-se quem puder! ®Sérgio.

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Fonte: http://chem.harvard.edu/pipermail/mini-air/2008-October/000027.html

O USO DO HÍFEN DE ACORDO COM O NOVO VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO

Emprega-se o hífen em todos os compostos formados pelos prefixos [além-] [aquém-] [recém-]:

[além-]: além-Atlântico, além-eras, além-fronteiras, além-mar, além-mundo, além-país, além-túmulo.

[aquém-]: aquém-fronteiras, aquém-mar, aquém-oceano.

[recém-]: recém-chegado; recém-aberto, recém-achado, recém-admitido, recém-adquirido, recém-casado, recém-colhido, recém-concluído, recém-conquistado, recém-convertido, recém-criado, recém-depositado, recém descoberto, recém-desvendado, recém–fabricado, recém-falecido, recém-nascido.

[sem-]: sem-amor, sem-bagulho, sem-cerimônia; sem-dinheiro; sem-deus; sem-fim; sem-fio; sem-justiça; sem-lar; sem-luz; sem-modos; sem-nome; sem-número; sem-pão; sem-par; sem-pátria; sem-partido; sem-pudor; sem-pulo; sem-razão; sem-sal; sem-terra; sem-teto; sem-termo; sem-trabalho; sem-vergonha; sem-vergonhice. ®Sérgio.

terça-feira, 26 de maio de 2009

OS DUELOS DE OLAVO BILAC - Notas Biográficas

Em 1889, o jornalista João Carlos Pardal Mallet desafiou Olavo Bilac a um duelo, ofendido com a saída do poeta do jornal A Rua, sob sua direção. Marcado para 19 de setembro, o confronto foi adiado duas vezes porque a polícia os vigiava. Finalmente, no dia 24 de setembro, Pardal Mallet e Bilac, sem testemunhas, se enfrentaram com espadas. A luta durou apenas 4 segundos. Mallet foi ferido na barriga, sem gravidade. Foi o bastante para que, conforme as normas do duelo, a luta terminasse.

Em 1892, Olavo Bilac e o escritor Raul Pompéia (1863-1895) tiveram uma grande desavença. Um texto de uma revista dirigida por Bilac criticou Pompéia. Acusava-o de sofrer de "amolecimento cerebral" por masturbar-se muito à noite ao lembrar de beldades que via na rua. Pompéia, que tinha dificuldades com as mulheres, revidou dizendo que seus desafetos eram "marcados pelo estigma do incesto". Era uma referência a Bilac, que dizia não precisar de filhos, pois já tinha seu sobrinho. Para resolver a questão, organizaram um duelo de espada, que não foi realizado. ®Sérgio.

Olavo Bilac (1865-1918), O Príncipe dos Poetas Brasileiros, foi jornalista, poeta e membro fundador da Academia Brasileira de Letras.

sábado, 23 de maio de 2009

COPIANDO UMA IDEIA

Já li muitos artigos e comentários a respeito do plágio. Em alguns, percebi que seus autores confundem plágio explicito com «copiar uma idéia». Na verdade, tal atitude não caracteriza um plágio, embora possa parecer. Segundo doutrina aceita no direito autoral, «o que deve ser protegido é a forma de uma obra, e não suas idéias». As idéias de uma obra é o que chamamos de «assunto», que em seu significado etimológico (histórico), é aquilo que foi tomado emprestado. O escritor tem a liberdade de tomar por empréstimo um assunto, seja do jornal, da História, de outra obra, do folclore ou da mitologia. Tomemos como exemplo a história de Medéia, uma tragédia grega escrita por Eurípides há mais de dois mil anos, cujo assunto foi aproveitado por Sêneca, Corneille, Anouill, Chico Buarque de Holanda e Paulo Pontes. A peça de teatro Gota D’Água é a história de Medéia transposta para o subúrbio carioca. Assim como Medeia é uma história de reis e feiticeiros, Gota D’Água é uma história de pobres e macumbeiros, uma realidade bem nossa. Como Medéia, temos Mandala de Dias Gomes (da tragédia Édipo) etc.

Para melhor exemplificar meu argumento, temos o caso do escritor brasileiro Moacyr Scliar. Em 2002 quando o escritor canadense Yann Martel, vence o prestigioso prêmio BooKer de literatura com a obra «A Vida de Pi» — que narra a história de um garoto Indiano que, depois do naufrágio do seu navio, divide o bote com um tigre — ganha evidência, a acusação do escritor brasileiro Moacyr Scliar, de que "A Vida de Pi era" era um plágio de seu livro «Max e os Felinos», que tem como personagens um rapaz alemão, vítima de um naufrágio, dividindo o bote com um jaguar. Com a notoriedade do suposto plágio, Martel, admitiu ter usado a idéia original do brasileiro, (telefonou a Moacyr para pedir desculpas). Como Martel não copiou trechos da obra do autor brasileiro, só o assunto — o que deve ser protegido é a forma de uma obra, e não suas idéias — o caso ficou somente nas desculpas.

Exemplos à parte, se caracterizarmos o empréstimo de um assunto como plágio, os programas dos canais abertos da televisão brasileira, seriam, na grande maioria, plágios. Suas principais atrações são idéias copiadas das TVs americanas entre outras. Se você repassar as muitas novelas apresentadas, observará que seus núcleos trazem notória semelhança com filmes que já rodaram nos cinemas mundiais. Pior ainda seria o Caldeirão do Huck, que tem toda a programação baseada em assuntos das TVs estrangeiras. Porém essas coisas pouco se comentam, mesmo porque tomar um assunto emprestado não é plagio, porém, com certeza, confirma o clichê de que: na televisão (e no geral) nada se cria tudo se copia. ®Sérgio.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A CRUEL VINGANÇA DE D. PEDRO - Notas Biográficas

Esta história, já passou pela pena de vários escritores e poetas; entretanto, não custa nada recontá-la, pois acredito que muitos, ainda, não a conhecem.
D. Pedro foi o oitavo rei de Portugal, governou o país por 10 anos (1357-1367). Antes de ser coroado quando seu pai (Afonso IV) ainda governava Portugal, D. Pedro e Inês de Castro viveram, talvez, do mais famoso e trágico caso de amor da história portuguesa.
D. Pedro era casado com D. Constança que tinha como dama de companhia Inês de Castro, pertencente à poderosa família de Castela. Foi D. Pedro bater os olhos em Inês para apaixonar-se e vice-versa. O romance, embora adúltero, tomou rédeas e chegaram a ter filhos. Tal situação vinha deixando os nobres portugueses preocupados, pois temiam que essa ligação de D. Pedro com Inês de Castro, pudesse afastar o sucessor legal do trono, D. Fernando, filho de D. Pedro com D. Constança. O Rei Afonso IV resolveu, então, expulsar Inês de Portugal. D. Constança, porém, vem a falecer e D. Pedro traz Inês de volta e passam a viver juntos. Novamente os nobres portugueses ficaram aflitos com a sucessão. Certa vez, aproveitando a ausência do príncipe, instigaram D. Afonso IV a concordar com o assassinato de Inês, que foi degolada em Coimbra, no dia sete de janeiro de 1355. Segundo a lenda, D Pedro, inconformado com a morte de sua amada, manda vestir a noiva com roupas núpciais, senta o cadáver de Inês no trono e faz os nobres lhe beijaram a mão. Daí falar-se que Inês de Castro foi "rainha depois de morta". Na verdade, D. Pedro manda transladar os restos mortais de Inês. Com pompas de rainha, seis anos após o assassinato, em 1361, quando já era rei. Quando D. Pedro em 1357 assumiu o trono, conseguiu que dois dos três assassinos – Alvoro Gonçalves, Pero Coelho e Diogo Lopes - fossem capturados. Os dois primeiros foram cruelmente mortos. Depois da tortura, o carrasco, a mando de D. Pedro, arrancou, pelo peito, o coração de Pero Coelho, e o de Alvoro Gonçalves pelas espátulas, enquanto D Pedro comendo um coelho assado, olhava o que mandará fazer. O terceiro conseguiu fugir e, assim, livrar-se da morte, fato que deixou o Rei contrariado. Assim, vingou D. Pedro a cruel morte de sua amada Inês de Castro.
Esse fato histórico transformou-se em verdadeiro mito. Daqueles tempos (século XV) até os dias de hoje, vários poetas homenagearam Inês; Camões dedicou-lhe um episódio, em Os Lusíadas. Confira no Canto III, entre as estrofes 118 e 135. ®Sérgio.
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Esta narrativa é baseada na Crônica de D Pedro apud Campos, Agostinho de. Antologia Portuguesa. Lisboa, Bertrand, p. 57 – 59.