sábado, 13 de junho de 2009

SIMPATIAS PARA CURAR DOENÇAS - Coisas da Nossa Gente

As simpatias de nossa gente são tão incontáveis e interessantes por sua cativante ingenuidade, que não consigo conter o desejo de expor a vocês a minha antologia, todas colidas em diversas fontes:
01 - Quando uma criança está com coqueluche, é bom que uma vizinha, nascida em janeiro e em estado interessante, venha acudir o doente depois da meia-noite. Deve ela dizer todas as vezes que a criança perder o fôlego:
Tosse violenta,
tosse sem fim,
vai-te arrebenta
lá nos confins.
02 - Quando lhe surgir alguma inflamação na pele, unte-a com óleo, fazendo cruzes e pronuncie durante sete dias, a seguinte benzedura:
Eu te atalho
Bicho ou bichão,
Aranhiço ou aranhão,
Sapo ou sapão,
Bicho de qualquer feição.
Eu te atalho
Eu te mínguo
Eu te corto a cabeça
E te furo o coração
Aqui te atalho
Além de mirro.
03 - Para curar mau-olhado ou o quebranto, segure na mão um ramo de alecrim, e diga três vezes:
Virgem Mãe da Conceição,
Mãe do poderoso Deus;
Tirai este mal, este quebranto.
Do corpo de...
Deus te fez, Deus te criou;
Deus perdoa, a quem mal te olhou
Em louvor à Virgem Maria
Padre Nosso e Ave Maria.
04 - Quem sofre de epilepsia precisa beber, em seis dias seguidos, uma xícara de cachaça, que ficou de molho, durante uma semana, no umbigo de um recém-nascido.
05 - Cura-se bêbado inveterado dando-lhe um ovo de coruja mal assado e gotas de suor do cavalo misturado ao vinho.
06 - Quem quiser sarar de mau cheiro nas axilas, deve comprar um lencinho branco e virgem, amarrar numa das suas pontas um real, ir a uma encruzilhada, esfregar o lenço nos sovacos e atirá-lo no meio da estrada. Quem pegar o lenço leva também o bodum (o cheiro forte).
07 - Cortar as unhas na segunda-feira evita dor de dentes. Às sextas-feiras evita nevralgias e unheiros.
08 - Para evitar futuras dores de dentes, ao escurecer, quando o sabiá piar, dar três cuspidas para o lado direito e três para o lado esquerdo.
09 - Para enfermidades no peito, passar sangue de gato preto ou testículos de porco.
10 - Colocar uma cruz feita de palha de milho na cabeça de quem deita sangue pelo nariz, faz a hemorragia estancar imediatamente.
11 – Para curar dor de dente, esprema uma barata, ainda viva, num algodão e aplique o que dela resultar, no dente cariado.
12 – em ferimentos, para estancar a hemorragia, coloque, sobre a ferida, fezes de cavalo castrado, ou teia de aranha.
13 - Para curar o vício de urinar na cama, fazer a criança sentar num formigueiro.
14 - Para ter olhos grandes, brilhantes e bonitos, esfregue olhos de vaga-lumes na criança, diante de um espelho sem muita claridade. Se o trabalho não for bem feito, a criança pode perder "para sempre a vista".
15 - Para curar eczema faça o seguinte: Numa sexta-feira, antes do sol nascer, põe-se no meio do quintal uma bacia cheia d’água na qual, ao meio-dia em ponto, o doente lava o rosto ou outra parte afetada.
16 - Para curar dor de ouvidos, passar por dentro das orelhas o rabo de um gato preto. O doente deve estar em jejum e o tratamento precisa ser repetido três vezes.
17 - Para curar dor de ouvido, passar por dentro das orelhas pó de chocalho de cascavel.
18 - Cabeça de fósforo carbonizada, isto é, depois de usado o fósforo, depositada no orifício feito pela cárie, acaba com a dor de dente.
19 - Para icterícia, chá de grilo.
20 - Quando os pés ficarem adormecidos, trace sobre eles uma cruz com saliva.
21 - Para inflamação na gengiva, passar crista de galo, após ser extirpada do galináceo vivo.
22 - Para hidrofobia, chá de penas de urubu.
23 - Cura-se a asma, comendo, com um pouco de açúcar, uma lesma depois de esmagada e fervida.
24 - Quando se tem um terçol, chega-se a um companheiro e, com a mão, faz-se várias vezes o gesto de como quem passa o incômodo para o olho do outro, e diz-se: "passe pra você, passe pra você…".
25 - Evita-se câimbra, colocando-se um pedaço de aço sob o travesseiro.
26 – Para dor de dente coloque no dente cariado um algodão embebido de creolina.
27 - Raspa de dente de jacaré, tomado como chá, cura qualquer dor.
28 - Para acabar com os problemas de coluna: basta colocar um pau de cana, do tamanho de sua altura, debaixo da cama.
29 - Soprar na boca daquele que se queixa de dor de dente, elimina a dor. O hálito, expelido do interior dos pulmões, é força contrária à dor.
30 - Quando cai um dente, deve-se jogá-lo no telhado. Nasce outro.
31 - Para dores nos rins, chá de saco de bode. ®Sérgio.

domingo, 7 de junho de 2009

SUPERSTIÇÕES E CRENDICES DE NOSSA TERRA

Venho de família campesina, de origem sulista, tanto paterna como materna. Cresci, portanto, ouvindo superstições, lendas e causos contados pelos meus avôs e pelos condutores de boiadas (comitivas) que passavam pelas nossas fazendas. De modo que a cultura popular tem raízes profundas em mim. Por isso, amo de coração as lendas e crendices de nossa gente. São tão incontáveis e lindas por sua cativante ingenuidade, que não consigo conter o desejo de expor a vocês as preferidas de minha antologia, todas colidas em diversas fontes. Aí vão elas, tal qual coletei-as:

• Pôr o chapéu em cima da cama traz azar.

Mulher que está amamentando não deve visitar pessoa mordida por cobra. Se o fizer a pessoa morrerá.

• Quando está ventando muito forte é que o diabo está zangado.

Criança que morre sem ser batizada vira serpente.

• Quando se vê uma pessoa muito preguiçosa, é costume se dizer: Coitado, aquele ali o diabo cruzou os braços.

• Não se deve pregar novamente um botão que cai de qualquer peça do vestuário, porque dá azar.

• Quando se empresta um canivete deve-se devolvê-lo aberto para não haver briga.

Não presta saltar por cima de criança: ela não crescerá mais.

• Quando a porta bate forte, após a nossa saída ou entrada em casa, foi o diabo que a fechou.

• Fazer a barba depois da comida produz congestão.

Apontar estrelas com o dedo faz nascer berruga na ponta do dedo.

• Quem quiser que lhe cresça logo a barba deve passar titica de galinha no rosto.

• Quando desaparece uma coisa qualquer, foi o diabo que levou. O jeito é esperar, porque quando ele não quiser mais, devolve.

Não presta comer cabeça de galinha: faz perder o juízo.

• Redemoinho de vento é diabo está dançando. E se no redemoinho entrarmos, o diabo nos carrega.

Não se deve passar a ferro as costas da camisa de um homem: este se tornará desmoralizado, sem-vergonha etc.

• Presente de lenço desfaz as amizades.

Cortar as unhas na segunda feira é bom remédio para dor de dentes

• Queimar chifre de boi e casca de coco no canto da casa, à noite, espanta o capeta.

Quando uma visita está demorando a ir-se embora e começa a aborrecer joga-se um punhado de sal no fogo. A visita vai-se embora logo.

• Pôr um chifre de boi estrepado na ponta de um pau, no terreiro, espanta o capeta.

• Quem quiser que lhe cresça logo a barba, deve passar titica de galinha no rosto.

• Cortar as unhas às segundas-feiras livra de dor de dentes. Às sextas-feiras evita nevralgias, unheiros.

• Raspa de dente de jacaré, tomada como chá, cura qualquer dor.
• Nas sextas-feiras, ao nos levantarmos, se virmos uma pessoa preta, o diabo vai nos atentar o dia inteiro.
Borboleta preta é sinal de que algo de mal vai acontecer.
Quando se perde alguma coisa e não se consegue encontrar, toma-se uma palha de milho e damos-se nela três nós, com o que se amarra o diabo, e o objeto perdido aparecerá. Mas, depois de encontrá-lo não se deve esquecer-se de desmanchar os nós, se não tudo de ruim acontecerá na casa.
• Quando a gente se despede de uma pessoa de quem não gosta, fala assim (alto no começo e baixinho no final): "Vai com Deus e Nossa Senhora... o diabo atrás tocando viola.
Segundo a crença de nossos sertanejos, a figueira é planta do diabo. A sexta-feira não se deve passar por baixo de figueiras. É tido como certo que nas figueiras, nesse dia da semana, há reunião de demônios que ali fazem suas orgias.
Alguém, por certo, ira pensar: "Mas isso é criancice".
Criancice? Deus me conserve as minhas criancices! ®Sérgio.

ADJETIVO POSPOSTO A DOIS OU MAIS SUBSTANTIVOS

Para o Adjetivo Posposto a Dois Ou Mais Substantivos haverá duas opções de concordância:
1ª. O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo:
   Encontramos uma jovem e um homem preocupado.
   Encontramos um homem e uma jovem preocupada.
Ou vai para o plural, concordando com os substantivos. Se os substantivos forem de gêneros diferentes prevalecerá sempre o masculino:
   Encontramos uma jovem e um homem preocupados.
   Encontramos uma jovem e uma mulher preocupadas.
As Exceções:
a) Se os substantivos forem sinônimos ou puderem ser considerados sinônimos, o adjetivo concordará com o mais próximo:
   Luís tinha ideia e pensamento fixo.
   Luís tinha pensamentos e ideias fixas.
b) Se os substantivos forem antônimos o adjetivo deverá ir obrigatoriamente para o plural: Passei dias e noites frios na Europa.
c) Se o adjetivo só puder referir-se ao último substantivo porque o sentido assim exige, só com ele fará a concordância:
   Comprei livros e pera madura (livros não amadurecem). ®Sérgio.

ADJETIVO ANTEPOSTO A DOIS OU MAIS SUBSTANTIVOS

O Adjetivo Anteposto a Dois ou Mais Substantivos concorda, por norma, com o substantivo mais próximo:
   Manifestou profundo respeito e admiração.
   Manifestou profunda admiração e respeito.
Se os substantivos forem nomes próprios, ou nome de parentesco, o adjetivo deverá ir ao plural, obrigatoriamente:
   Os esforçados Enéas e Luís.
   Os esforçados pai e mãe®Sérgio.

PENSAMENTOS DE UM DEPRESSIVO

"Aumenta meu sofrimento verificar que perdi aquilo que fazia o encanto de minha vida: a sagrada e tumultuosa força graças a qual podia criar mundos e mundos em torno de mim. Essa força não mais existe."

"Quando contemplo, de minha janela, o sol matutino rasgar a bruma sob a colina distante, iluminando a campina silenciosa no fundo do vale, e vejo o riacho tranqüilo correndo para mim serpenteando entre os salgueiros desfolhados, essa natureza me parece fria e inanimada como uma estampa colorida. Todos esses encantos não podem fazer subir do coração ao cérebro a menor sensação de felicidade, e todo o meu ser permanece perante Deus como uma fonte estancada, como um ânfora vazia."

Johann Wolfgang Von Goethe, Os Sofrimentos do Jovem Werther.

PEENSAMENTOS DE UM DEPRESSIVO (2)

"Aumenta meu sofrimento verificar que perdi aquilo que fazia o encanto de minha vida: a sagrada e tumultuosa força graças a qual podia criar mundos e mundos em torno de mim. Essa força não mais existe."

"Quando contemplo, de minha janela, o sol matutino rasgar a bruma sob a colina distante, iluminando a campina silenciosa no fundo do vale, e vejo o riacho tranqüilo correndo para mim serpenteando entre os salgueiros desfolhados, essa natureza me parece fria e inanimada como uma estampa colorida. Todos esses encantos não podem fazer subir do coração ao cérebro a menor sensação de felicidade, e todo o meu ser permanece perante Deus como uma fonte estancada, como um ânfora vazia."

Johann Wolfgang Von Goethe, Os Sofrimentos do Jovem Werther.

sábado, 6 de junho de 2009

II POVERELLO - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e me emocionaram. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.

Poverello significa o Pobrezinho, diminutivo carinhoso pelo qual era tratado São Francisco de Assis.

II POVERELLO

Desgrenhado e meigo, andava na floresta.

Os pássaros dormiam em seus cabelos.

As feras o seguiam mansamente.

Os peixes bebiam-lhe as palavras.

Dentro dele todo o caos se resolvera,

Numa ingênua certeza: — “Preguei a paz,

Mostrei o erro, domei a força, curei o mal.

Antes de mim o crime. Depois de mim o amor.”

Mas a floresta esqueceu no outro dia,

O bíblico sermão e novamente o lobo comeu a ovelha,

A águia comeu a pomba,

Como se nunca houvera santos e sermões.

José Paulo Paes (1926 - 1998)

GALINHAS NO TRÁFICO

A leitura de revistas nos proporciona, muitas vezes, surpresas inacreditáveis. Vejam:

Na Colômbia, os traficantes estão aliciando até as galinhas para o tráfico. Mas é galinha mesmo, fêmea do galo, a tal da penosa.

A polícia colombiana prendeu uma galinha que continha pacotes de cocaína presos nas patas e nas asas. Com certeza, não era para consumo próprio, não consigo nem imaginar, como faria uma galinha viciada, para cheirar uma coca da boa.

Por lá, não chegou a ser uma grande novidade. Há um ano prenderam um pavão (ave) com drogas no organismo, isto é, com cápsulas de drogas no organismo. ®Sérgio.

sábado, 30 de maio de 2009

SÓ RINDO...

Em 1995, um pato voando, colidiu com a fachada de vidro do Museu de História Natural de Roterdã (Holanda). O pesquisador Kees Moeliger ouviu o barulho e foi ver do que se tratava. O pato caíra morto, mas outro pato o atacava sexualmente. Impassível, Moeliger acompanhou o "estupro" por 75 minutos e só então espantou a ave pervertida. Desta observação, escreveu um estudo intitulado: “O Primeiro Caso de Necrofilia Homossexual entre Patos”, que foi contemplado com o prêmio IgNobel de Biologia.

Você deve estar se perguntando: que prêmio é esse? É uma espécie de paródia do Nobel, ou seja, um prêmio anual aos mais ridículos, inúteis e absurdos trabalhos científicos do mundo. Essa “brincadeira” é feita, anualmente, desde 1991, pela revista inglesa de humor científico “AIR” (Anais da Pesquisa Improvável), editada pela Universidade de Harvard (Massachusetts). A cerimônia de entrega lota o Teatro Sanders, de Harvard; e, ao contrário do que se possa imaginar, os homenageados recebem com muito humor seus prêmios. Muitos consideram até mesmo uma honra, pois, dessa maneira, dá-se evidência a sua pesquisa.

Para que você tenha uma noção de quanto absurdas e inúteis são essas pesquisas, selecionei, da antologia do IgNobel, alguns vencedores, cujas pesquisas são por demais ridículas. Veja:

• Os cientistas F. Kanda, E. Yagi, M. Fukuda, K. Nakajima, T. Ohta e O. Nakata chegaram a uma inusitada conclusão cientifica: as pessoas que acham que têm chulé, realmente têm, e aquelas que não acham, não têm.

• George e Charlotte Blonsky (falecidos) de New York, reconhecendo a dificuldade das mulheres no parto, inventaram um aparato médico baseado na forca centrífuga, onde a mulher é amarrada numa mesa circular com a cabeça colocada no centro da mesa, que é girada em alta velocidade. Eles só não explicam como aparar o bebê quando expelido da mãe.

• Gregg Miller, dos Estados Unidos, pela invenção dos “Neutículos”, testículos de borracha para cães obviamente sem testículos. “Considerando que, quando era criança, meus pais pensarem que eu era um idiota, esta é uma grande honra", disse Miller.

• A Dra. Mara Sidoli de Washington, DC, pelo interessante estudo intitulado Soltar Gases como Reação de Defesa Diante de Uma Situação Apavorante. A banca que examinou a Dra. Sidoli foi muito dura no exame e a ameaçou tirar seu título. Pois, foi nesse exato momento que a doutora soltou, desculpe, deu a prova cabal de seu estudo. Assim, ao constatarem que a pesquisadora tinha razão, a banca examinadora não cumpriu a ameaça.

• O Dr. Len Fisher da cidade de Bath, England, é premiado por calcular a melhor maneira de molhar um biscoito (no chá, café, etc.).

• Os cientistas Claire Rind e Peter Simmons da Newcastle University, do Reino Unido, por monitorar a atividade de células do cérebro de gafanhotos enquanto eles assistiam (sem pipoca e refrigerante) a trechos dos filmes da série "Guerra nas Estrelas".

• Premiou-se um grupo da Universidade de Adelaide, na Austrália, que analisou odores produzidos por 131 espécies diferentes de sapos quando estressados. Foram selecionados voluntários para cheirar os sapos e descrever o odor que eles perceberam.

• Os pesquisadores Wasmia Al-Houty e Fatem Al-Mussalam demonstraram que a reputação dos besouros-vira-bostas não é verdadeira. Suas pesquisas mostram que esses insetos têm paladar refinado e não comem qualquer tipo de...

• Os pesquisadores, Basile Audoly e Sebastien Neukirch, descobriram em quantos pedaços um fio de macarrão seco se quebra ao ser dobrado: em mais de dois pedaços.

Três investigadores franceses por descobrirem que as pulgas que vivem nos cães saltam mais alto do que as pulgas que vivem nos gatos.

• Dois invetigadores americanos que conseguiram provar matematicamente que fios de cordel ou cabelo acabam inevitavelmente por se embaraçar.

• E por fim, no campo da ornitologia Ivan R. Schwab (Universidade da Califórnia) pesquisou porque os pica-paus não têm dor de cabeça, apesar de baterem o bico contra as árvores 12 mil vezes por dia.

Salve-se quem puder! ®Sérgio.

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Fonte: http://chem.harvard.edu/pipermail/mini-air/2008-October/000027.html

O USO DO HÍFEN DE ACORDO COM O NOVO VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO

Emprega-se o hífen em todos os compostos formados pelos prefixos [além-] [aquém-] [recém-]:

[além-]: além-Atlântico, além-eras, além-fronteiras, além-mar, além-mundo, além-país, além-túmulo.

[aquém-]: aquém-fronteiras, aquém-mar, aquém-oceano.

[recém-]: recém-chegado; recém-aberto, recém-achado, recém-admitido, recém-adquirido, recém-casado, recém-colhido, recém-concluído, recém-conquistado, recém-convertido, recém-criado, recém-depositado, recém descoberto, recém-desvendado, recém–fabricado, recém-falecido, recém-nascido.

[sem-]: sem-amor, sem-bagulho, sem-cerimônia; sem-dinheiro; sem-deus; sem-fim; sem-fio; sem-justiça; sem-lar; sem-luz; sem-modos; sem-nome; sem-número; sem-pão; sem-par; sem-pátria; sem-partido; sem-pudor; sem-pulo; sem-razão; sem-sal; sem-terra; sem-teto; sem-termo; sem-trabalho; sem-vergonha; sem-vergonhice. ®Sérgio.

terça-feira, 26 de maio de 2009

OS DUELOS DE OLAVO BILAC - Notas Biográficas

Em 1889, o jornalista João Carlos Pardal Mallet desafiou Olavo Bilac a um duelo, ofendido com a saída do poeta do jornal A Rua, sob sua direção. Marcado para 19 de setembro, o confronto foi adiado duas vezes porque a polícia os vigiava. Finalmente, no dia 24 de setembro, Pardal Mallet e Bilac, sem testemunhas, se enfrentaram com espadas. A luta durou apenas 4 segundos. Mallet foi ferido na barriga, sem gravidade. Foi o bastante para que, conforme as normas do duelo, a luta terminasse.

Em 1892, Olavo Bilac e o escritor Raul Pompéia (1863-1895) tiveram uma grande desavença. Um texto de uma revista dirigida por Bilac criticou Pompéia. Acusava-o de sofrer de "amolecimento cerebral" por masturbar-se muito à noite ao lembrar de beldades que via na rua. Pompéia, que tinha dificuldades com as mulheres, revidou dizendo que seus desafetos eram "marcados pelo estigma do incesto". Era uma referência a Bilac, que dizia não precisar de filhos, pois já tinha seu sobrinho. Para resolver a questão, organizaram um duelo de espada, que não foi realizado. ®Sérgio.

Olavo Bilac (1865-1918), O Príncipe dos Poetas Brasileiros, foi jornalista, poeta e membro fundador da Academia Brasileira de Letras.

sábado, 23 de maio de 2009

COPIANDO UMA IDEIA

Já li muitos artigos e comentários a respeito do plágio. Em alguns, percebi que seus autores confundem plágio explicito com «copiar uma idéia». Na verdade, tal atitude não caracteriza um plágio, embora possa parecer. Segundo doutrina aceita no direito autoral, «o que deve ser protegido é a forma de uma obra, e não suas idéias». As idéias de uma obra é o que chamamos de «assunto», que em seu significado etimológico (histórico), é aquilo que foi tomado emprestado. O escritor tem a liberdade de tomar por empréstimo um assunto, seja do jornal, da História, de outra obra, do folclore ou da mitologia. Tomemos como exemplo a história de Medéia, uma tragédia grega escrita por Eurípides há mais de dois mil anos, cujo assunto foi aproveitado por Sêneca, Corneille, Anouill, Chico Buarque de Holanda e Paulo Pontes. A peça de teatro Gota D’Água é a história de Medéia transposta para o subúrbio carioca. Assim como Medeia é uma história de reis e feiticeiros, Gota D’Água é uma história de pobres e macumbeiros, uma realidade bem nossa. Como Medéia, temos Mandala de Dias Gomes (da tragédia Édipo) etc.

Para melhor exemplificar meu argumento, temos o caso do escritor brasileiro Moacyr Scliar. Em 2002 quando o escritor canadense Yann Martel, vence o prestigioso prêmio BooKer de literatura com a obra «A Vida de Pi» — que narra a história de um garoto Indiano que, depois do naufrágio do seu navio, divide o bote com um tigre — ganha evidência, a acusação do escritor brasileiro Moacyr Scliar, de que "A Vida de Pi era" era um plágio de seu livro «Max e os Felinos», que tem como personagens um rapaz alemão, vítima de um naufrágio, dividindo o bote com um jaguar. Com a notoriedade do suposto plágio, Martel, admitiu ter usado a idéia original do brasileiro, (telefonou a Moacyr para pedir desculpas). Como Martel não copiou trechos da obra do autor brasileiro, só o assunto — o que deve ser protegido é a forma de uma obra, e não suas idéias — o caso ficou somente nas desculpas.

Exemplos à parte, se caracterizarmos o empréstimo de um assunto como plágio, os programas dos canais abertos da televisão brasileira, seriam, na grande maioria, plágios. Suas principais atrações são idéias copiadas das TVs americanas entre outras. Se você repassar as muitas novelas apresentadas, observará que seus núcleos trazem notória semelhança com filmes que já rodaram nos cinemas mundiais. Pior ainda seria o Caldeirão do Huck, que tem toda a programação baseada em assuntos das TVs estrangeiras. Porém essas coisas pouco se comentam, mesmo porque tomar um assunto emprestado não é plagio, porém, com certeza, confirma o clichê de que: na televisão (e no geral) nada se cria tudo se copia. ®Sérgio.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A CRUEL VINGANÇA DE D. PEDRO - Notas Biográficas

Esta história, já passou pela pena de vários escritores e poetas; entretanto, não custa nada recontá-la, pois acredito que muitos, ainda, não a conhecem.
D. Pedro foi o oitavo rei de Portugal, governou o país por 10 anos (1357-1367). Antes de ser coroado quando seu pai (Afonso IV) ainda governava Portugal, D. Pedro e Inês de Castro viveram, talvez, do mais famoso e trágico caso de amor da história portuguesa.
D. Pedro era casado com D. Constança que tinha como dama de companhia Inês de Castro, pertencente à poderosa família de Castela. Foi D. Pedro bater os olhos em Inês para apaixonar-se e vice-versa. O romance, embora adúltero, tomou rédeas e chegaram a ter filhos. Tal situação vinha deixando os nobres portugueses preocupados, pois temiam que essa ligação de D. Pedro com Inês de Castro, pudesse afastar o sucessor legal do trono, D. Fernando, filho de D. Pedro com D. Constança. O Rei Afonso IV resolveu, então, expulsar Inês de Portugal. D. Constança, porém, vem a falecer e D. Pedro traz Inês de volta e passam a viver juntos. Novamente os nobres portugueses ficaram aflitos com a sucessão. Certa vez, aproveitando a ausência do príncipe, instigaram D. Afonso IV a concordar com o assassinato de Inês, que foi degolada em Coimbra, no dia sete de janeiro de 1355. Segundo a lenda, D Pedro, inconformado com a morte de sua amada, manda vestir a noiva com roupas núpciais, senta o cadáver de Inês no trono e faz os nobres lhe beijaram a mão. Daí falar-se que Inês de Castro foi "rainha depois de morta". Na verdade, D. Pedro manda transladar os restos mortais de Inês. Com pompas de rainha, seis anos após o assassinato, em 1361, quando já era rei. Quando D. Pedro em 1357 assumiu o trono, conseguiu que dois dos três assassinos – Alvoro Gonçalves, Pero Coelho e Diogo Lopes - fossem capturados. Os dois primeiros foram cruelmente mortos. Depois da tortura, o carrasco, a mando de D. Pedro, arrancou, pelo peito, o coração de Pero Coelho, e o de Alvoro Gonçalves pelas espátulas, enquanto D Pedro comendo um coelho assado, olhava o que mandará fazer. O terceiro conseguiu fugir e, assim, livrar-se da morte, fato que deixou o Rei contrariado. Assim, vingou D. Pedro a cruel morte de sua amada Inês de Castro.
Esse fato histórico transformou-se em verdadeiro mito. Daqueles tempos (século XV) até os dias de hoje, vários poetas homenagearam Inês; Camões dedicou-lhe um episódio, em Os Lusíadas. Confira no Canto III, entre as estrofes 118 e 135. ®Sérgio.
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Esta narrativa é baseada na Crônica de D Pedro apud Campos, Agostinho de. Antologia Portuguesa. Lisboa, Bertrand, p. 57 – 59.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

COISA QUE METE DÓ

O Visconde de São Lourenço, cego de um olho, mandou construir um grande prédio na Rua Matacavalos, hoje Riachuelo, no Rio. Um gaiato escreveu-lhe à porta:

Comer nozes e não ter dentes

É coisa que mete dó.

De que servem tantas janelas

Para quem tem um olho só.

O Visconde de São Lourenço chamava-se Francisco Gonçalves Martins (1807-1872), foi o primeiro e único visconde brasileiro da grandeza de São Lourenço; era juiz e jornalista. ®Sérgio.

A BANDEJINHA - Notas Biográficas

Certa vez, Gregório de Mattos, enviara uma bandeja de doces a uma família amiga. Tão agradecida ficou a família que não lhe devolveu a bandeja, que era de prata. O poeta não gostou do esquecimento e, na primeira oportunidade, encontrando-se com uma pessoa da família, perguntou-lhe com esta quadrinha:

As almas do outro mundo

Dizem que vão e não vêm;

E a minha bandejinha

Será alma também?

O poeta Gregório de Mattos e Guerra ficou conhecido como Boca do Inferno ou Boca de Brasa e foi um dos maiores representantes do Barroco brasileiro. ®Sérgio.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O ESPLENDOR DA MEDIOCRIDADE LITERÁRIA

Afirmam alguns literatos que, regra geral, a obra total de um escritor de fama é uma série de livros que vão da mediocridade ao esplendor literário. Há exemplos que confirmam essas afirmações; um deles é a obra de Cervantes. Se formos verificar, veremos que a glória inteira de sua obra está na cúpula de uma enorme pirâmide literária: D. Quixote; o resto ficou para sempre mergulhado na sombra, como um grande casarão que só conserva iluminado, no meio da noite, o andar mais alto.
Certos ou não, o fato é que nem sempre obtemos o êxito que esperamos. Um dos melhores autores da recente safra inglesa, David Mitchell, viu um trecho de seu romance Black Swan Green, ser considerado a pior cena de sexo em um romance:
 "Ela ofegou e o abraçou com as pernas, batraquiamente. E então as solas sujas dela se encontraram, como se ela estivesse rezando. E então a pele dele brilhou com um suor de leitão assado. E então ela fez um ruído como um Smurf torturado."
Pior que o trecho de David é o de Irvine Welsh, no seu Bedroom Secrets of de Master Chefs:
 "Deitada na cama, a velha era monstruosa, com rugas de carne flácida se espalhando pelo lençol. Um aroma pútrido subiu do suor acumulado nas suas dobras de pele. — Pensei que você era maior — ela disse quando Skinner tirou sua calça Calvin Klein."
É incrível como Welsh, autor do famoso Trainspotting, consegue transformar o sexo em uma experiência grotesca.
Renomados críticos afirmam que é uma tolice comum aos escritores contemporâneos, a idéia de que o sexo representa um rompimento de convenções. E ainda, que nada mais batido do que descrever o momento do êxtase como uma explosão. Pois, foi o que fez Ian Hollingshead:
 "Ela abre meu cinto. A expectativa me faz gemer. E então estou dentro dela, e tudo é branco puro quando nos perdemos em um êxtase de grunhidos e guinchos, imagens rápidas, desconexas, e explosão de pequenas partículas."
Salve-se quem puder! ®Sérgio.

A MÁXIMA DE PITÁGORAS - Notas Biográficas

Pitágoras aprendeu com os sofistas, como todos sabem, a linguagem dos animais e das plantas. Durante a sua estada na Índia, passeando, um dia, por um campo à beira-mar, ouviu estas palavras:

— Que desgraça a minha ter nascido relva! Mal chego a duas polegadas de altura, vem logo um monstro devorador, um animal horrível, que me pisa com seus largos pés; a sua boca é armada com uma dupla fila de foices cortantes, com a qual me arranca, me tritura e me engole. Os homens chamam a esse monstro de ovelha. Não creio que haja no mundo mais abominável criatura.

Pitágoras avançou alguns passos e topou com uma ostra que bocejava sobre um rochedo. O filósofo ainda não havia adotado essa admirável lei que nos proíbe comer aos animais nossos semelhantes. Ia, pois, engolir a ostra, quando a pobrezinha pronunciou estas comoventes palavras:

— Ó Natureza! Como é feliz a relva, que é como eu, obra tua! Ela, depois de cortada, renasce. É imortal. E nós, miseráveis ostras, em vão somos defendidas por uma dupla couraça, porque uns criminosos nos comem às dúzias, ao almoço, e tudo se acaba para sempre. Que terrível o destino de uma ostra; como são bárbaros os homens!

Pitágoras estremeceu; sentiu a enormidade do crime que ia praticar. Debulhado em pranto, pediu perdão à ostra e colocou-a cuidadosamente sobre o seu rochedo.

De regresso à cidade, a meditar profundamente sobre essa aventura, viu aranhas que comiam moscas, andorinhas que comiam aranhas, gaviões que comiam andorinhas. Disse, então, para si mesmo:

— Esse pessoal todo não tem a mínima filosofia. ®Sérgio.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A LENDA DO DIABO NA GARRAFA - Recontando Contos Populares

Segundo o que me contou seu Joaquim, numa dessas belas noites de outono, os caboclos que viviam na região mineira do Vale de São Francisco, chamavam de famaliá um diabinho preto, que se conservava preso dentro de uma garrafa. Quem estivesse precisando de dinheiro era só pedir ao diabinho que o dinheiro aparecia na hora. Se por acaso um caboclo estivesse necessitando de um dinheirinho e quisesse aprisionar um famaliá, usava a seguinte receita:
Matava um gato preto e tirava-lhe os dois olhos. Punha cada olho dentro de um ovo de galinha preta e enfiava os ovos dentro de esterco de cavalo, que ainda estivesse quente. Depois o caboclo ia todo dia até perto do monte e dizia: "Ó, diabão! Eu te entrego estes dois olhos de um gato preto para que me sejas favorável nesta apelação: Que deles nasçam dois diabinhos para eu cria-los dentro de uma garrafa e me darem dinheiro na hora da precisão".
Dizia isso durante trinta dias. Ao fim desse tempo, nasciam dois diabinhos, na forma de pequeno lagarto. O caboclo apanhava os diabinhos, colocava-os dentro da garrafa e os alimentava com pó de ferro ou aço moído (Bombril). Aí era só pedir dinheiro em qualquer quantidade, que aparecia na hora.
Conclui seu Joaquim que, embora essa tradição fosse muito combatida pelos religiosos, era muito comum comprar nas feiras, principalmente nordestinas, garrafas com o famaliá. ®Sérgio.
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Nota Sobre o Texto: Como esta lenda veio-me por meio da oralidade, estou recontando-a com o que retive na memória, dentro do meu estilo de prosear. Por isso, há, com toda certeza, versões diferentes.
Imagem: Heliorola.sites.uol.com.br/odiabodagarrafa.jpg

domingo, 17 de maio de 2009

EU COMPUTO, TU COMPUTAS?

Não é correto, nem recomendável expressar-se assim, tanto na escrita quanto na fala. Irão, com certeza, entender outra coisa. O verbo computar é defectivo, isto é, tem conjugação incompleta (não apresenta todas as pessoas). Portanto, no presente do indicativo, só tem forma [plural]:
Nós computamos
Vós computais
Eles computam
No fundo, no fundo, eu acho que eles decidiram torná-lo defectivo, ou seja, proibir a conjugação das pessoas do singular, para evitar mal-entendidos mais ou menos desagradáveis com essas pessoas.
O Pretérito e o futuro, no entanto, são regulares.
Se não há no presente do indicativo a forma singular, diga ou escreva:
Eu estou computando.
Ele está computando. ®Sérgio.

TRISTEZA DO INFINITO - Seleta de Poemas

Seleta de Poemas representa as poesias que li e tocaram-me a alma. Assim, posso compartilhar com vocês as minhas preferências poéticas e homenagear os autores que admiro.
TRISTEZA DO INFINITO
Anda em mim, soturnamente,
uma tristeza ociosa,
sem objetivo, latente,
vaga, indecisa, medrosa.
Como ave torva e sem rumo,
ondula, vagueia, oscila
e sobe em nuvens de fumo
e na minh'alma se asila.
Uma tristeza que eu, mudo,
fico nela meditando
e meditando, por tudo
e em toda a parte sonhando.
Tristeza de não sei donde,
de não sei quando nem como...
flor mortal, que dentro esconde
sementes de um mago pomo.
Dessas tristezas incertas,
esparsas, indefinidas...
como almas vagas, desertas
no rumo eterno das vidas.
Tristeza sem causa forte,
diversa de outras tristezas,
nem da vida nem da morte
gerada nas correntezas...
Tristeza de outros espaços,
de outros céus, de outras esferas,
de outros límpidos abraços,
de outras castas primaveras.
Dessas tristezas que vagam
com volúpias tão sombrias
que as nossas almas alagam
de estranhas melancolias.
Dessas tristezas sem fundo,
sem origens prolongadas,
sem saudades deste mundo,
sem noites, sem alvoradas.
Que principiam no sonho
e acabam na Realidade,
através do mar tristonho
desta absurda Imensidade.
Certa tristeza indizível,
abstrata, como se fosse
a grande alma do Sensível
magoada, mística, doce.
Ah! tristeza imponderável,
abismo, mistério, aflito,
torturante, formidável...
ah! tristeza do Infinito!
João da Cruz e Sousa, Dante Negro ( 1861 — 1898). ®Sérgio.

sábado, 16 de maio de 2009

DIGNO DE NOTA

Só Deus sabe o quanto gosto de bisbilhotar arquivos de jornais. Tem coisas que achamos neles que não "dá" para deixar em branco. Foi o que me passou aos olhos ao "xeretar", dia desses, uma antologia de publicações jornalísticas curiosas, para não dizer desastrosas. No dia 14 de maio de 1999, um cidadão pelotense mandou publicar (a postagem saiu no dia 16), no Diário Popular, a seguinte nota de esclarecimento:
Esclarecimento
Torno público, a quem interessar possa, que a intimação que me foi feita pelo Serviço Notorial e Registral Rocha Brito, relativa a protesto de título do Banco General Motors S.A., no valor de R$ 178,00, com vencimento para o dia 7/4/1999, deveu-se a extravio do carnê de pagamento e descuido da pessoa encarregada de pagar a dita prestação, "sendo que a mesma foi, de pronto, liquidada".
Pelotas, 14 de maio de 1999.
W.S.R. (firma reconhecida)
Para fugir dessas armadilhas do texto, Graciliano Ramos, numa entrevista concedida em 1948, nos dá a recita como se deve escrever:
“Deve-se escrever, da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem o seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa." [...]
Para "arrematar" a conversa, veja este trecho (de quem não levou a sério a receita de Graciliano) retirado de uma reportagem  do Jornal Estado de Minas de 28 de novembro de 1999:
"Há cerca de dez anos, uma família paranaense desafia a polícia do Sudeste brasileiro, acusada de cometer repetidos sequestros..."
Salve-se quem puder! ®Sérgio.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O ROTEIRO DO PADRE LOURENÇO - Recontando Contos Populares

Lá para as bandas de Minas, em um lugar chamado Palmira, havia um vigário de nome Lourenço, a quem as beatas do lugar não davam descanso, com confissões e mais confissões, nem antes, nem depois das missas. O padre já não agüentava mais, precisava se livrar delas (as beatas) e das confissões, pois não o deixavam nem mais descansar. Fosse o que fosse nada mais remediava... Então foi que teve a idéia de fazer um roteiro para as confissões.
No domingo seguinte, no final da missa, o leu na igreja:
— Minhas devotas, eu estou velho e cansado, e por isso, de agora em diante, vocês terão de seguir o seguinte roteiro para as confissões:
Aos domingos confessarei as preguiçosas; as segundas, as fofoqueiras; as terças, as namoradeiras; as quartas, as hipócritas; as quintas, as comilonas; as sextas, as feiticeiras e, aos sábados, as adúlteras.
Desse dia por diante nenhuma beata ou mulher quis mais confessar naquela freguesia e o Padre Loureiro pode descansar e, assim, viveu ainda muitos anos, sempre descansando. ®Sérgio.
Leia Também (clique no link):
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Nota sobre o Texto: Este causo me foi contado pelo capataz da fazenda Lembrança (município de Rochedo – MS), onde, a convite, passei um fim de semana.